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Presidenciais (25)

por Pedro Correia, em 09.01.16

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Debate Maria de Belém-Sampaio da Nóvoa

 

Maria de Belém anunciou a candidatura à Presidência da República cinco meses após Sampaio da Nóvoa. Competia-lhe portanto, neste debate na TVI que encerrou a série de 21 confrontos televisivos a dois entre os candidatos ao Palácio de Belém, estabelecer as diferenças com o seu antagonista. Mas a ex-ministra da Saúde, salvo em dois ou três momentos demasiado fugazes, foi incapaz de apontar esses contrastes. Tal como esteve longe de conseguir replicar aos apoios de peso que Nóvoa tem granjeado sobretudo à esquerda. Ontem mesmo, escassas horas antes do debate, foi a vez de o actual presidente do PS, Carlos César, anunciar que votará no catedrático nascido em Caminha.

Pedindo emprestada a linguagem futebolística à política, dir-se-ia que Nóvoa parecia jogar em casa. Esteve mais seguro, mais desenvolto, mais afirmativo. Foi cordato, aliás como é costume, mas não deixou de lançar as suas estocadas. E a maior de todas foi a acusação que fez a Maria de Belém de ter "faltado à chamada", enquanto deputada socialista, quando foi necessário solicitar ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva do Orçamento do Estado para 2012 que cortava pensões e salários da função pública.

"Deixou a outros [deputados] essa responsabilidade", acusou. Acrescentando de imediato: "Eu não quero um Presidente da República que transfira as suas responsabilidades para outros."

Maria de Belém até teve um início enérgico, procurando encostar o adversário a estratégias de um "frentismo de extrema-esquerda". E apontou uma contradição ao candidato, que apesar de fazer constantes proclamações em defesa da "renovação" da política "passa a vida a invocar o apoio de três ex-Presidentes da República, aliás dois deles do PS".

Nóvoa reverteu esta crítica em elogio, reivindicando o "apoio de muitos socialistas do País inteiro". E fez questão de transmitir da sua adversária a imagem de uma pessoa hesitante, especialista em "acertar no totobola à segunda-feira". Dizendo uma vez e outra ser arauto de um "tempo novo". Linguagem "messiânica", como Belém referiu. Sem parecer muito segura de poder estar a criticá-lo ou a fazer-lhe outro elogio implícito ao falar assim.

 

Vencedor: Sampaio da Nóvoa

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Frases do debate:

 

Nóvoa  - «A minha candidatura tem uma abrangência de muitas pessoas que se situam à esquerda, de muitas pessoas que se situam ao centro, de pessoas que se situam à direita.»

Belém  - «Não aceito que o facto de ser independente dê algo de acrescido e de dignificante ao exercício dum cargo desta natureza.»

Nóvoa - «Eu quero ser um Presidente que protege os portugueses.»

Belém - «Eu estive nas causas todas que o PS empreendeu nestes 40 anos. Como militante de base, como dirigente. Nunca vi o candidato Sampaio da Nóvoa nessas causas, nunca o vi lá, nunca o encontrei.»

Nóvoa - «A candidata Maria de Belém mostrou sempre um grande incómodo com este tempo novo que se criou.»

Belém - «O candidato Sampaio da Nóvoa passa a vida a falar num tempo novo. Eu gostava de saber que tempo novo é esse com a Constituição que temos tido.»

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O melhor:

- Maria de Belém abriu as hostilidades empurrando Nóvoa para posições radicais enquanto se assumia como uma candidata moderada, próxima da social-democracia europeia.

- Carlos César, sucessor de Belém na presidência do PS, anunciara hora antes que votará no ex-reitor da Universidade de Lisboa. Um reforço de peso entre os apoiantes de Nóvoa, como o candidato fez questão em destacar.

O pior:

- Sampaio da Nóvoa acusou Marçal Grilo, mandatário nacional de Maria de Belém, de ter rotulado de "enorme desastre" um executivo PS com apoio parlamentar à esquerda. Exactamente a mesma acusação com que Marcelo Rebelo de Sousa procurara embaraçar a candidata no debate da véspera.

- Começar um debate na TVI a mencionar o aniversário da SIC Notícias, como fez Maria de Belém, é algo semelhante a aplaudir o Benfica no estádio de Alvalade. Pior é invocar alguém já falecido, como o ex-ministro Mariano Gago, como "trunfo" eleitoral.


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