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Presidenciais (17)

por Pedro Correia, em 25.01.21

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AS ESQUERDAS GOLEADAS

Três candidaturas presidenciais assumidamente "de esquerda", assim se proclamando perante o eleitorado com os chavões próprios de quem vê o mundo a preto e branco diabolizando a outra metade do hemisfério.

Estas três candidaturas, somadas, só recolheram 21% dos votos ontem expressos nas urnas. Menos do que Sampaio da Nóvoa isolado há cinco anos. O equivalente ao que Manuel Alegre obteve em 2006, também sozinho.

Quase quatro quintos dos portugueses que compareceram nas mesas de voto deixaram evidente a sua preferência por outras opções, situadas em território da não-esquerda. O das direitas, para usar o rudimentar léxico político importado da geometria. A direita social, a direita liberal, a direita autocrática. 

À luz desta lógica de arrumação política, as esquerdas personificadas em Ana Gomes, João Ferreira e Marisa Matias acabam de sofrer uma goleada histórica nesta eleição presidencial de que sai um claro vencedor: Marcelo Rebelo de Sousa, reforçando o seu triunfo de 2016 com mais cem mil votos e quase mais nove pontos percentuais do que alcançou há cinco anos.

Sendo também o primeiro Presidente, na história da democracia portuguesa, a vencer em todos os concelhos do País.

 

Nada fica igual: este escrutínio ocorrido no auge da gravíssima crise pandémica que só ontem causou mais 275 vítimas mortais produzirá efeitos sísmicos na política portuguesa. Forçando reconfigurações em vários tabuleiros, como se verá a curto prazo.

A primeira consequência é a morte do CDS, apesar da patética tentativa do seu ainda presidente de colar-se ao grande vencedor da noite. Merece exéquias dignas. Paz à sua alma. 

Mas muito mais vai mudar. Com legitimidade revalidada, Marcelo não perdeu tempo. No discurso de vitória, na Reitoria da Universidade de Lisboa, acaba de dizer com total transparência que um dos seus objectivos, no segundo mandato a iniciar em Março, será contribuir para uma «alternativa forte» ao actual Governo «para que a sensação de vazio não convide a desesperos e a aventuras».

Recado que segue direito para Rui Rio. O ainda presidente do PSD nunca poderá dizer que não foi avisado.


10 comentários

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De Anonimus a 25.01.2021 às 08:50

O vendedor de elixir capilar teve meio milhão de votos. Ao que parece não é relevante, pois ficou em 3º. O país não se deve preocupar com a votação do André, quem se deve preocupar é o PSD. Isto mostra bem as prioridades desta gente.
Foi a noite eleitoral que menos segui, apenas aos bocados na RTP via Play, e pela amostra fiz bem. O jornalista-escritor trocava-se todo tanta era a ânsia de colocar a Ana Gomes em segundo, ao que parece era o novo desígnio nacional e ninguém avisou. Ambiente futeboleiro, só faltou comemorar votos na Gomes como se de golos se tratassem.
O resto foi mais do mesmo, eu ganhei, tu perdeste, os socialistas é que decidiram, a Direita isto, que afinal são várias Direitas, o Centro aquilo, reclamar o espaço, a certa altura sonhei que entrava o Freitas-lobo para explicar como a Marisa atacava a profundidade enquanto o Ventura basculava. Foi mais uma demonstração de umbiguismo, exclusivamente preocupados com o seu espaço, estes patetas ainda não perceberam que as pessoas estão fartas dos candidatos de picar o ponto, os Ferreiras e as Marisas, e que pouco ligam a se o eleitorado é de esquerda, de direita ou do meio.
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De V. a 25.01.2021 às 08:53

A primeira consequência é a morte do CDS, apesar da patética tentativa do seu ainda presidente de colar-se ao grande vencedor da noite.

Incrível. Depois da gaffe da greve dos chefs voltou a fazer o mesmo exercício saloio e desajeitado de colar-se a uma coisa na qual não teve a mínima influência.

Agora parece evidente que a invasão da tenda dos grevistas não foi um deslize, fazia parte de uma estratégia idiota que pressupõe que as pessoas são estúpidas — e corresponde à forma mais pobre e ultrapassada de fazer política. Como é que um indíviduo tão novo aprendeu maneiras tão atrasadas de estar na política?
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De balio a 25.01.2021 às 11:00

a morte do CDS

Pois. Vai-nos livrar de voltar a ouvir o deputado Telmo Correia, um benfiquista demagogo e mentiroso que tanto perora na Assembleia como no comentário futebolístico, em ambos os casos com a mesma falta de verdade e de honestidade. Ainda bem que morre o CDS, que não faz cá falta nenhuma.
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De V. a 25.01.2021 às 11:41

A minha leitura é:

- Marcelo, apesar de ter mais votos, não se sente mais satisfeito ou legitimado porque SABE que no cenário mais optimista iremos ter mais 2 ou 3 anos de pandemia (1 ano para controlar o bicho e 2 anos de recuperação económica) sem se saber exactamente quais serão os custos sociais quer em número de mortos quer em termos de destruição de emprego e aumento exponencial de pobreza). O reforço do seu poder directo (mais votos) vai colidir com uma crescente inoperacionalidade do governo de Costa na gestão da pandemia que está centrada não na protecção das pessoas mas no salvamento do SNS e do sistema de ensino (como provam as recentes e inusitadas proibições de realização de aulas a-distância pelos escolas privadas para tapar os falhanços das políticas de apetrechamento das escolas públicas — com o Ministro da Educação mais saloio de que há memória responsável pela incapacidade de propôr uma gestão inteligente do problema)

- Ana Gomes mostrou que é uma peixeira que teve sorte na vida, porque se colou aos movimentos estudantis — uma altura da vida em que a gritaria e as acusações gratuitas parecem verdades em si mesmos mas que depois chocam sempre com a realidade. Ainda assim conseguiu reformar-se com um salário de luxo mais cedo do que os outros e meter a filha numa carreira promissora também. Entretanto, com as suas teses defendidas por gente como ela, destruiu o ensino e encheu o País de ratos sem qualificações nenhumas que só vieram pendurar-se na nossa segurança social e na medicina gratuita que exige (e exigirá o reforço da ditadura fiscal sobre as pessoas que realmente produzem alguma coisa e que não são assim tantas quanto se pensa). Era bom que desaparecesse de vez, mas a SIC, na sua cartilha tropical-internacionalista, à maneira da CNN, vai ajudá-la a sobreviver politicamente mais que não seja para manter o cerco a Ventura (que é a maneira de chegar aos negócios imobiliários do Presidente do Benfica e descolonizar o futebol —um sonho infantil— dogrande capital e do pato-bravismo nacional)

- Ventura vai crescer ainda mais: a sua força real deve andar nos 20% e isso é o suficiente para o Chega ser a força que controla a direita

- Marisa Matias, vai desaparecer nas serranias de onde veio, tipo Dulce Pontes. Com o pecúnio que deve ter amealhado como deputada do PE e uma reforma muito acima da média já garantida... voltar lá para os cabeços de Penacova é um estilo de vida invejável. Podia dedicar-se a plantar árvores boas porque arderam todas ou até a educar os beirões no paisagismo de qualidade (tarefa ingrata, suspeito que nem à força lá iriam). Tenho uma certa inveja dela.

- O Mayan e a IL são capazes de chegar aos 5% qualquer dia. Seria interessante mas Portugal infelizmente não é um país de gente eticamente saudável na linha dos Protestantes: até os aristocratas e as famílias de Cascais são chico-espertos e sofrem terrivelmente daquela coisa deplorável que os sociólogos mais inteligentes definiram como familialismo mediterrâneo

- O Tino... não sei, não tenho opinião sobre o Tino

- O PSD... não há nada a dizer sobre o PSD. Rui Rio fez apenas um exercício semi-doutrinário sem interesse nenhum. Continua preocupado em falar para dentro do partido mas acho que o partido não o está a ouvir

- O CDS... foi giro, mas acabou. Adeus e libertem os cavalos, deixem-nos andar à solta, livres e felizes, pelas lezírias

- O Bloco... sem teatro, sem escolas a funcionar, com a Eutanásia aprovada à surrelfa, já ninguém quer saber quem dorme com quem e se dá ou leva, sem interesses na ecologia... começa a não ter mais causas: só as touradas e o Ventura

- O PCP... tem um sarilho no Alentejo. De certa maneira, espero que o resolvam porque o PCP é a única força à esquerda que é conservadora

Comentário enorme, mil perdões Pedro — se quiser não publique. Abraço.
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De balio a 25.01.2021 às 12:16

Excelente comentário, diz muitas verdades. (Não quer dizer que eu o subscreva na íntegra, claro.)
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De Anónimo a 25.01.2021 às 16:20

Estas eleições não têm nada a ver com as legislativas! Tenho um familiar que de manhã me mandou mensagem a dizer que pela 1 vez na vida ia votar no Marcelo,e posso afirmar que a cor política dele é bem diferente. Não percebi o empolamento de 11,90% e 3 lugar dum indivíduo vazio de ideias. Será que vai aceitar a convenção eleitoral...
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De Anónimo a 25.01.2021 às 16:26

Hoje li um twiter do Daniel Oliveira e ela faz a comparação entre quem votou em Edgar Silva/2016 e agora João Ferreira. Realmente é quase o mesmo. E em 2016, não havia o facho. Dá que pensar.
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De Anónimo a 25.01.2021 às 16:32

Comentário de uma criança de 8 anos ontem á noite: " O Ventura ganhou?" e perante a resposta da mãe que tinha ficado em 3 lugar,respondeu" Então porque só falam dele e dizem que foi uma vitória eleitoral?"
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De Pedro Correia a 25.01.2021 às 17:00

Excelente pergunta. Para fazer às doutoras Gomes e Matias que andaram a promover esse candidato desde o primeiro dia, o tempo todo.
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De Anónimo a 26.01.2021 às 14:15

Vitória eleitoral e vitória nas eleições são duas coisas diferentes que um miúdo de 8 anos não percebe, mas que a mãe devia perceber

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