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Presidenciais (13)

por Pedro Correia, em 22.01.21

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Puro marketing político: João Ferreira tem andado a distribuir exemplares da lei fundamental portuguesa a criancinhas e jovens, martelando até ao limite a palavra "Constituição" nas suas intervenções públicas. 

Que eu tivesse reparado, nenhum dos jornalistas que acompanham a exígua caravana deste candidato se lembrou de anotar este dado factual: a Constituição tão exaltada por João Ferreira, na sua versão actual, é muito diferente do texto original de 1976 - único que o PCP aprovou no hemiciclo de São Bento. Depois disso houve sete revisões constitucionais que contaram sempre com a assumida objecção do partido da foice e do martelo. 

O texto agora celebrado pelo representante comunista nas presidenciais é, portanto, aquele a que o PCP se opôs nas sucessivas alterações. Introduzidas em 1982 (diminuição da carga ideológica da Constituição, fim do Conselho da Revolução, criação do Tribunal Constitucional), 1989 (abertura do sistema económico, fim das nacionalizações "irreversíveis"), 1992 (incorporação do Tratado de Maastricht, adesão ao euro), 1997 (reforço dos poderes do parlamento e do Tribunal Constitucional, luz verde a candidaturas independentes nas autarquias), 2001 (ratificação do Tribunal Penal Internacional), 2004 (reforço da autonomia regional, limite dos mandatos dos titulares de cargos políticos executivos) e 2005 (luz verde ao referendo do tratado constitucional europeu). Votando contra as seis primeiras e abstendo-se na mais recente.

O auto-proclamado "candidato da Constituição" apregoa, portanto, aquilo que o seu partido rejeitou. O que não deixa de ter graça, sem diminuir o mérito da sua iniciativa pedagógica: mais vale distribuir exemplares da Constituição do que exemplares do Avante!, um jornal onde nunca faltou quem escrevesse que «as políticas de Estaline terão sido as mais correctas e as únicas que podiam garantir a construção do socialismo e defender as conquistas revolucionárias» .


44 comentários

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De balio a 22.01.2021 às 12:33

O auto-proclamado "candidato da Constituição" apregoa, portanto, aquilo que o seu partido rejeitou.

Não. O que o PCP refeitou foram as alterações à Constituição. Mas, no entender (a meu ver correto) do PCP, essas alterações foram de menor importância relativamente ao sentido inicial do texto de 1976. Texto esse que o PCP aprovou.
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De Pedro Correia a 22.01.2021 às 15:49

Para ser coerente, o PCP devia distribuir exemplares dessa versão original de 1976.
Seria muito instrutivo, mas num sentido diverso daquele que os comunistas talvez desejassem.
Há ainda muitos por aí, em alfarrabistas.
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De jpt a 22.01.2021 às 12:38

muito bem notado.
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De Pedro Correia a 22.01.2021 às 15:49

Infelizmente o PCP passa sempre pelos pingos da chuva. Nunca é escrutinado como os outros partidos.
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De Manuel da Rocha a 22.01.2021 às 12:45

Sempre vale mais um candidato que distribui uma constituição com a qual tem divergências, do que um candidato que exige que os opositores políticos sejam assassinados, por fuzilamento ou enforcamento, na Praça do Comércio e/ou Avenida dos Aliados, e as mulheres, com 40 anos ou mais, que não tenham dado à luz 3 filhos possam ser violadas, sendo que os violadores "merecem" perdão total por as mulheres não terem cumprido o "dever de procriação". (André Ventura, foram votados nos 2 congressos do Chega, sendo aprovados por larga maioria, depois de os jornalistas serem expulsos das salas. Na mesma parte que apresentaram 3,6 milhões de euros, que os empresários de Braga, Porto e Aveiro, vão gastar em patrocínios, para as autárquicas deste ano e a promessa de 50 milhões de euros para as próximas legislativas.)
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De Pedro Correia a 22.01.2021 às 15:51

Mais o vale o imortal Estaline, esse grande vulto do socialismo que ainda faz comover as penas mais estridentes do "Avante!".
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De O Inconveniente a 22.01.2021 às 12:52

Típico. Quando alguém coloca em causa alguma coisa, a tendência da extrema esquerda é confrontar com o oposto, mesmo se isso se traduzir em contradições.
Mas nunca se pode esquecer que, apesar de tudo, a CRP é profundamente socialista e extremamente inclinada à esquerda.
Sendo compreensível, pelo facto de ter sido erigida após o 25 de abril, é no entanto incompreensível a blindagem que impossibilita a sua atualização, mesmo que 100% dos portugueses tenha opinião contrária em determinados pontos.
Por isso, apesar desse facto histórico que identifica, esta CRP é bastante conveniente ao PCP.
Sobre marketing político, deixo uma nota. No manual de filosofia do 11 ano, encontra-se uma passagem redutora e questionável, sobre um político português.
Nada de estranhar, até percebermos que esse político se encontra vivo, activo e é um actual opositor do governo actual.
Ora, isto não será nada menos do que doutrinação, ou se quisermos ser mais brandos, marketing político.
Isto é passado a alunos de 16/17 anos. Alunos que nas próximas legislativas poderão exercer o direito de voto.
É no mínimo lamentável, para não dizer anti democrata.
O ensino nunca poderia seguir por este caminho, a distância temporal, histórica e ideológica deveria ficar à porta dos programas letivos.
Recordo-me de estudar o estado novo de forma bastante sintética, pois a distância temporal poderia impedir o docente de ser isento e incisivo.
Hoje é isto que acontece, num suposto estado de direito.
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De balio a 22.01.2021 às 15:45

No manual de filosofia do 11 ano, encontra-se uma passagem

Em qual manual? Que eu saiba, há diferentes manuais para cada disciplina.
Diga por favor que manual é (quais os autores), e em que página e linha se encontra essa passagem.
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De O Inconveniente a 22.01.2021 às 17:52

É do 10 ano, peço desculpa pelo lapso.
CLUBE DAS IDEIAS. Da editora Areal e autoria de Catarina Pires e Carlos Amorim.
A Areal é editora privilegiada do ministério da educação. Coincidências.
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De Anónimo a 22.01.2021 às 20:10

Escreves como uma beata de igreja e ainda andas só no 10 ano!
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De O Inconveniente a 22.01.2021 às 21:56

Engraçado!!! Eu consigo-me rir de mim próprio, no heart feelings!!!
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De Anónimo a 22.01.2021 às 12:55

Serviço público e didáctico no DO.
Os jornalistas que acompanham as campanhas estão mais entretidos a enredar-se em irrelevâncias ou a dizer gracinhas.
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De Pedro Correia a 22.01.2021 às 15:52

Os jornalistas mais competentes (e que ainda não foram alvo de despedimentos colectivos nas diversas empresas de comunicação social, substituídos por robôs com pernas) estão, em larga medida, confinados. Efeitos da Covid que também afectam jornais, rádios e televisões.
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De Isabel Paulos a 22.01.2021 às 16:18

Saiu anónimo sem querer.
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De Anónimo a 22.01.2021 às 20:13

Ou a tentar fazer um oficial da PSP dizer que choveram bastonadas e não pedras.
Mas o cúmulo é dizerem que foram atirados pacotes de pastilhas, em vez de pedras... ou melhor... pacotes de chiclas, para ilustre portuense.
E sim, isto consta de notícia de órgão, outrora credível, como a Visão.
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De Carlos Sousa a 22.01.2021 às 13:48

Distribuir exemplares da Constituição em estado de emergência é a mesma coisa que distribuir a programação dos canais da MEO ou da NOS a quem só tem a TDT.
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De Pedro Correia a 22.01.2021 às 15:52

Ou distribuir listas telefónicas, daquelas de antigamente com centenas de páginas.
O PCP é desse tempo.
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De Carlos Sousa a 22.01.2021 às 16:01

O PCP também é do tempo das listas dos "gajos" da PIDE, que desapareceram milagrosamente depois do 25 de Abril.
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De sampy a 22.01.2021 às 14:02

Não.
Apesar de todas as revisões, esta continua a ser uma Constituição proto-comunista.
Que tem sido, e continuará a ser por muitos e bons anos, interpretada por um Tribunal Constitucional hiper-socialista.
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De Antonio Vaz a 22.01.2021 às 19:56

Os meus parabéns pela sua honestidade: não precisou do privilégio de poder escrever 286 palavras para “justificar” porque raio o PCP, apesar de todas as amputações, ainda continua a defender o que resta da Constituição de 1976.
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De João Campos a 22.01.2021 às 14:12

Um post muito instrutivo, Pedro.

Coincidência: tinha acabado de ler este teu texto quando ouvi na televisão o João Ferreira a dizer que não devia haver maior consenso do que a Constituição.
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De Pedro Correia a 22.01.2021 às 15:54

Logo ele, que pertence ao partido que mais se opôs à actual versão da lei fundamental.
Não deixa de ter graça, João.
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De Manuel Ó Pereira a 22.01.2021 às 16:04

Excelente observação a juntar à cedilha de “força”. Sinceramente não percebo os conselheiros dos candidatos da extrema esquerda (Ana Gomes incluída), além de disputarem o mesmo segmento eleitoral deveriam concentrar energias nos eleitores de Marcelo (este sim, um digno representante da esquerda democrática), bramar contra André Ventura é um erro crasso: quem pensa ou vai votar no candidato do Chega não vai mudar o seu sentido de voto nem que utilizem a mesma táctica de Madonna aquando da campanha de Hillary Clinton: prometer sexo oral aos eleitores. Beiços pintados de encarnado ( eu não sou um posidónio, sigo os conselhos de José Castel Branco) e pedradas a Ventura (ou caixas de chicletes, tanto faz) acrescentam milhares de votos a Ventura. Todas as peças jornalísticas referentes a está campanha deveriam ser procedidas do genérico de uma saudosa rubrica da RTP: “Silêncio, vamos rir”. Tudo isto teria graça se não vivêssemos tempos pandémicos.
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De Pedro Correia a 22.01.2021 às 22:10

Em tempos pandémicos, confesso, com mais de mil óbitos por semana só de Covid-19, poucas coisas me fazem rir.
Abro uma excepção, todas as noites, para os episódios que vou revendo da magnífica série "All in the Family" (Uma Família às Direitas), na RTP Memória.
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De ShakaZoulou a 22.01.2021 às 16:21

Sempre é melhor este que cata-vento, que jurou respeitar a constituição, e desde Março, rasgou semter mostrado aos portugueses a razão do estado de emergência pública, os documentos e a evidência científica para as medidas tomadas contra essa mesma constituição. O cata-vento mostra bem como um ditador pode vir a controlar o país se quiser, basta declarar estado de emergência por dá cá aquela palha e seguir critérios bastante latos para as medidas a aplicar
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De Pedro Correia a 22.01.2021 às 22:08

É de bom-tom, quando se insulta um Presidente da República, assinar por baixo.
Para assumir todas as consequências desse acto, até no plano criminal.
Fica o aviso, para futuros opinadores deste espaço, em textos por mim editados.

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