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Preconceitos e Judite de Sousa

por jpt, em 07.01.19

frase-os-preconceitos-sao-a-razao-dos-imbecis-volt

 

Nos dias actuais vigora a ideia de que não se pode ter preconceitos - algo que parece ser sinónimo do iluminismo, qualquer coisa como o cume da evolução da inteligência humana, da razão. E, assim sendo, urge que deles nos depuremos. E isso deve ser exercido também nas formas de tratamento, como nos dirigimos aos outros, como os nomeamos. Mesmo em relação aos que nos são mais próximos. Pois essas formas estão impregnadas de desvalorizações, relações de poder implícitas ou explícitas, categorizações que nos hierarquizam e a tantos amesquinham, mesmo  violentam. E nisso, por vezes, somos surpreendidos com as oposições que, cândidos, geramos. Muito me lembro do meu espanto quando, há cerca de 15 anos, uma colega antropóloga, feminista radical, me invectivou violentamente por eu ter referido, com evidente desvelo amoroso, "a minha mulher". "É tua propriedade? és dono dela?", clamou, La Pasionaria do género ... Eu ainda tentei contribuir, anunciar a minha certeza (empírica até) de que me seria dedicado aquilo do "o meu marido" (ou até o mais coloquial "o meu homem"). Mas de nada serviu essa tentativa de defesa, e a inexistência da minha auto-crítica pública por esse "desvio de direita (machista)" esfriou o nosso relacionamento.

Parece bonita, sob boas causas, esta depuração da linguagem, o extirpar dos preconceitos que habitam, insidiosos, na placidez das formas de tratamento, reprodutores da ignomínia passada e presente . Mas, em absoluto, não é. Sê-lo-á se com "conta, peso e medida", aquilo do bom senso. Eu faço o culto dos preconceitos e vejo, com agrado ou sarcasmo, consoante quem observo, como os outros o fazem. Quantas vezes inconscientemente. Melhor dizendo, quase sempre inconscientemente.

Exemplifico: detesto o tratamento "tio" se fora da família. Quando os filhos dos meus amigos medraram até à idade púbere lá chegava eu de férias a Lisboa para aturar a pantomina burguesota do "olá tio". Bufava de raiva: fui tio aos 4 anos, tio-avô aos 30, tenho sobrinhos que cheguem, e até sobram (literalmente falando, pois espalhados pelo mundo), não preciso de acrescentos. Cresci, entre esses tais velhos amigos, ensinado a tratar-lhes os pais pelo primeiro nome (na terceira pessoa mas pelo nome). E agora eles educam os filhos na tiozice? Foi difícil ajudar a minha filha a calibrar o entendimento face a esses meus velhos amigos: "tio" é tabu; há aqueles a quem se dá o "tu" e aqueles a quem se dá a terceira pessoa, distinção que é feita caso a caso, de modo fluído, inconceptualizável. Pois esta tiozice, disseminada nos anos 80s na pequena-burguesia (na altura não se dizia classe média), terá razões. Mas não temos que as seguir. Ou seja, podemos seguir outras formas de tratamento. Entenda-se, outros preconceitos ...

Por essa década apareceram outros "marcadores de classe", estratégias ascensionais. Em muito jovem uma muito apetecível beldade da vizinhança informou-me que os homens não podem usar meias brancas (nem dizer peúgas, mas essa era ideia mais antiga). Grassou a piroseira de que só se cumprimenta com um beijo ("dá cá o segundo, que eu sou dos Olivais", disse centenas de vezes) e outras patetices parecidas. E, nestas coisas da fala, algum tempo depois brotou talvez a pior de todas, que me convoca iras sanguinárias, vertigens fuziladoras: a elisão do possessivo relativo aos pais. Da mercearia ao consultório médico perguntavam-me "a mãe precisará de ...?" e eu sempre a resmungar "a mãe de quem?, que por aqui há filhos de muitas mães" (como, e muito bem, aprendi na tropa), ou por todo o lado "então como tem passado o pai?" e eu a embrulhar o peludo palavrão num azedo "o meu pai? (será dele que está a falar?)". Enfim, sempre falei do "meu pai" e falo da "minha mãe" e de certeza que não é palrar sobre "o pai" e "a mãe" que lhes azuleará o sangue ou doirará antepassados e descendência. E, mais, muito gosto de os referir como o "meu pai António" e "minha mãe Marília". Mas esse é o meu gosto. Dirão os que se julgam mais puristas que só se tem um pai e uma mãe, tornando redundante o possessivo. Pobre ignorância, reduzindo parentesco a consanguinidade, incapaz de olhar a sociologia: até pela disseminação do divórcio, e pela sua legitimação moral que é motriz de afectividades, generalizou-se a pluralidade paternal e maternal.

O que acho piada é que todos estes modos são também gozadas por muitos. As "bocas" aos "tios", aos arrivismos, à construção de sotaques - ainda que todos nós construamos sotaques e os moldemos aos interlocutores, procurando fundi-los para episódicas osmoses ou preservando-os para demarcação das distinções. Ora estas reacções negativas, tantas vezes achincalhadoras, são meros preconceitos. Conservadores, e do piorio. Pois estas tais estratégias ascensionais, mesmo que sob formas um bocadinho patetas, até kitsch, mostram a legitimidade da mobilidade social. E essa é boa, é a democracia, a república de cidadãos. Mas, paradoxalmente, convocam a verrina de muito boa gente - que depois também segue outros ademanes identitários -, principalmente, mas não só, num mundo "esquerdinha". Que gozam estas práticas sem perceberem que apenas seguem outros preconceitos. Acima de tudo o que subscreve a sociedade de "antigo regime", isso do "nasceste sapateiro nunca tocarás rabecão" - a não ser que tenhas um extremo talento, aquilo do "génio", que te permita ascender, romper, mas só tu, a natural ordenação de classes. E como tal "nada de falares ou de te comportares acima da tua condição". O que restou da "esquerda que ri" é só isto, preconceituosa, reaccionária. Policiesca.

Vem tudo isto a propósito da sanha generalizada contra Judite de Sousa. A senhora publicou um livro. Fez uma sessão de apresentação. Publicou fotos dessa sessão. Numa delas colocou uma legenda, tipo "em família, eu, mãe, irmã, a senhora cá de casa". Esta última é a empregada doméstica. É negra. Cai o Carmo e a Trindade. Acusações de desrespeito. De racismo. Chego a isto porque o jogador de futebol William Carvalho intervém na querela invectivando a jornalista por não dar nome à senhora em causa. Judite de Sousa não nomeou a mãe e a irmã. Isso está bem - repare-se, por mero preconceito nosso, habituados a que não se digam os nomes dos familiares. E utiliza uma velha expressão, que não tem origem nem conteúdo racial, para descrever empregados domésticos com os quais se têm grande intimidade. O trabalho doméstico é muito complicado, e integra situações muito injustas. Mas essa é uma situação geral, de sociologia (e de direito) do trabalho. Não se pode dizer que seja este caso, que a jornalista tenha um comportamento ilegal (ou imoral) para com a sua funcionária. O trabalho doméstico também muitas vezes cai em relações complexas, de patrocinato (de "paternalismo", como se costuma dizer), que podem violar os direitos dos trabalhadores. Mas também nada disso se pode adiantar neste caso. 

Judite de Sousa apenas usa uma velha expressão, não discriminatória (de facto, já que as pessoas vasculham a língua para imputar sentidos implícitos, saberão o que quer dizer "senhora"?), para integrar a sua "empregada doméstica" no âmbito familiar, as 4 mulheres. As 4 senhoras. Visto de longe é um pequeno acto de ternura, ou companheirismo, que cruza relações contratuais. Mas a outra senhora é negra. E como tal tudo isso se torna condenável, insuportável. Porque é preciso denunciar, seja lá o que for. Principalmente se houver "raça" à mistura.

A reacção generalizada a este pequeno gesto torna o "fait-divers" num óbvio sintoma do estado da arte aí. O policiamento do linguajar, o afã purificador, de facto racista, virou pandémico. Pois grassam os imbecis. Imbecis racistas. E, como é típico da imbecilidade, vão convictos de que não o são. Aturem-nos. Aos negros e aos brancos. E aos das outras cores também (os patetas aos tipos de "outras cores" chamam "étnicos"). E se não tiverem paciência para os aturar? Combatam-nos.

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109 comentários

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De Anónimo a 07.01.2019 às 10:15

Há claramente excessos na tentativa de controlo da linguagem. Segundo a sua amiga não se poderia dizer o meu país, ou o meu clube ou a minha religião.

Mas a atitude de Judite de Sousa parece tirada do Pai Tomás. Não percebo a que título está a senhora lá de casa ali. Se é como amiga não se chama "Senhora cá de casa" às amigas, se é como ilustração, está a fazer o papel que o Bobi faria (e muita gente tem ternura pelo Bobi), o que parece aviltante.
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De jpt a 07.01.2019 às 11:20

Minha amiga salvo seja, apenas uma colega. Que desde aquele momento me passou a dedicar apenas quase inaudíveis roncos aparentados com os (falsos?) votos de "bom dia".
Quanto ao resto que me diz, e tenho que lhe agradecer o tão bem ilustrar o que escrevo no texto, só me ocorre que se a senhora em causa fosse uma algo arruivada oriunda de Vimioso ou de Valpaços ou uma morena bem trigueira cujos pais tivessem migrado nos anos 50s de Aljustrel ou Almeirim para as cercanias do Barreiro, a si não lhe ocorreria a memória da Cabana do Pai Tomás. V. reage por mero preconceito - letrado, coisa que duvido que a maioria dos milicianos actuais seja, ainda por cima.
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De Anónimo a 07.01.2019 às 18:49

Engana-se, se fosse uma ruiva do Vimioso continuava a ser um tratamento no mínimo deselegante dado a alguém.
Sei muito bem como eram (e por vezes continuam a ser) tratadas as "sopeiras" vindas da província.

Se lhe faz tanta impressão a côr tire de lá o Pai Tomás e ponha o Almanaque de Santa Zita.
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De jpt a 07.01.2019 às 22:16

Eu não estou, e julgo que será óbvio, a fazer uma "apologia de Judite". V. acha deselegante a formulacão? Eu penso, mesmo, que depende do contexto. Mas isso é secundário, a cada um as suas sensibilidades e elegâncias. Agora o que não é, de certeza, é motivo para esta vaga de invectivas, como se a jornalista fosse, afinal, a cabecilha da seccāo portuguesa do KKK.
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De Anónimo a 07.01.2019 às 16:24

A senhora da casa de Luisinha, prima do Basílio, começou por ser a própria Luísa e acabou sendo Juliana. Porque a "senhora da casa" é quem gere a casa, dona ou não. Branca, preta ou de avental às pintinhas.
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De jpt a 07.01.2019 às 16:47

Pois.
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De Sarin a 07.01.2019 às 16:47

As migalhinhas fizeram-me a finta e saí anónima: o comentário sobre a Luisinha é meu.
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De jpt a 07.01.2019 às 16:58

vá lá que me apanhou bem disposto, sem estar a protestar com a confraria anónima (parece que já têm presidente e tudo ...)
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De Sarin a 07.01.2019 às 17:18

ah, mas se protestasse, eu protestaria contra o preconceito que impele ao julgamento sumário sem ponderar que se possa tratar de lapso... não me inimizo nem desamigo assim tão facilmente.
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De jpt a 07.01.2019 às 22:18

Alto. Insisto, nesta gestão da convivencialidade com os anónimos reina o pós-conceito.
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De Sarin a 07.01.2019 às 22:39

Sendo eu republicana, não vejo que seja benfazeja tal reinação postecipada.
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De Luís Lavoura a 07.01.2019 às 10:26

Este post confunde, parece-me, preconceitos com convenções sociais.
As formas de tratamento das pessoas ("tio", "senhora da casa", "o senhor", "você", "tua mulher") são convenções sociais. Os preconceitos ("os judeus são bons comerciantes", "uma mulher na menstruação não pode tomar banho") são coisas diferentes.
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De jpt a 07.01.2019 às 11:26

Não Luís Lavoura. Este meu iluminado postal (e convém aproveitar, pois temo não durar para sempre, e assim ter que um dia interromper esta minha preciosa pedagogia) esclarece é que "preconceito" não é algo negativo ou negatizável, como deixa presumir a bruma intelectual de que padece a maioria locutora activista. Mais lhe direi, já que o refere, que isso de, por exemplo, confundirmos sob o nome de "tio" o irmão da mãe com o irmão do pai com o marido da irmã da mãe e o marido da irmã do pai é uma convenção que assente num preconceito, o da indistinção dessas categorias, tão distinguidas entre tantas outras sociedades. Ou seja, as "meras" "convenções" - a quem V. dá tons de neutralidade - nem são neutrais nem desprovidas de significações profundas, legados a serem conceptualizados (deixarem de ser preconceitos).
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De Luís Lavoura a 07.01.2019 às 11:48

(Estou no seu terreno, porque Você é um antropólogo e eu não, mas devo dizer que a antropologia é algo que me fascina.)

as "meras" "convenções" - a quem V. dá tons de neutralidade - nem são neutrais nem desprovidas de significações profundas

Okei, mas, se isso é assim, então, quando Você diz "a minha mulher", está de facto a afirmar um "significado profundo" de que essa mulher lhe pertence. Não está somente a utilizar uma designação convencional, mas de facto a confirmar e aceitar um preconceito, de que a mulher pertence ao homem. Ou não?

Pergunta-se então, que designação alternativa proporá a sua colega para a sua mulher? "Minha esposa" também contém um possessivo - ela é esposa, mas não lhe pertence! Será que ela sugere "a mulher que está casada comigo"? Seria interessante perguntar-lhe!

(Usando um preconceito masculino, eu diria que à sua colega faz falta algo que eu cá sei, mas não posso aqui dizer.)
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De jpt a 07.01.2019 às 12:25

Peço desculpa, o meu comentário ficou incompleto (o sistema do Sapo não permite emendar comentários, é uma pena). Eu quis terminá-lo assim "Ou seja, as "meras" "convenções" - a quem V. dá tons de neutralidade - nem são neutrais nem desprovidas de significações profundas, mas legados a serem conceptualizados (deixarem de ser preconceitos)." e faltou o "mas". Apenas quero dizer isto - se quisermos esgravatar na linguagem ("escavar" é um termo retórico muito em voga) teremos pano para mangas que sobrará. E, para além da mera curiosidade - e, noutro registo, para incremento da cultura (e a falta do latim fere-nos imenso) - há com toda a certeza termos e expressões até aviltantes ou desnecessárias. Mas há limites nisso: eu posso concordar que poderemos deixar cair uma expressão como "pintar a cara de preto", como significando (auto)depreciação mas dá-me vontade de disparar sobre alguém quando vejo - até universitários - a clamarem contra o racismo de "negrume".

Mas a grande questão é se é nesta purificação, no decantar da linguagem, que reside o busílis ou é show-off. E é-o.

Quanto ao que me diz sobre a minha colega (que não vejo há mais de uma década). Nada disso, bonita, jovem, casadíssima com um tipo porreiro. Apenas radical, ainda aos tombos intelectuais. O que ela quereria? Não sei, julgo que apenas protestar. Quanto ao possessivo nos termos maritais não lhes sei a origem - talvez o uso, talvez a consagração da monogamia indissolúvel cristã. Nada posso para além da especulação. A mim interessa-me muito mais as transformações dos usos dos termos. V. faz-me o favor de ir buscar um exemplo magnífico que ilustra este arrivismo sociológico (atenção, não estou a dizer que V. o usa nesse sentido, bem pelo contrário): em Portugal tornou-se mal-visto, socialmente desvalorizador, "classe baixa" como dizem os cagões, dizer "(meu, minha) esposo, esposa". Isso é fantástico: eu nunca tive esposa, nem nunca fui esposo. Casei no registo, não passei pelos esponsais, não creio / não sigo no amor de Cristo Esposo. Mas o interessante é ver que - pelo menos na minha geração e no meu meio urbano (o tal melting pot classe média) - reduziram os casamentos católicos. E ficaram mais pujantes como sinal de distinção social, ligados a algum conservadorismo ideológico e a afirmação de classe média upa, upa. Mas depois esses mesmo que cruzavam os esponsais (ou deveriam cruzá-los), quantas vezes por projecto (próprio ou familiar) sociológico, achavam "brega" (como se vulgarizou o termo brasileiro) dizer o devido "esposo/esposa". A mim dá-me um bocado vontade de rir, nisso de desvalorizar a cagança alheia, neste caso tão evidente - "mais depressa se apanha um cagão do que um paraplégico", é uma boa glosa ... Outros dirão que sou eu o cagão ("olha para ele ali a blogar com a mania que tem algo a dizer"). Se calhar, pois cada um como cada qual
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De Luís Lavoura a 07.01.2019 às 15:10

O possessivo nos termos maritais é natural: diz-se "o meu marido" tal como se diz "o meu tio" ou "o meu sogro". Quando eu digo "o meu filho" não quero significar que o filho é minha propriedade, apenas que ele é filho de mim e não de uma outra pessoa qualquer. Na frase "a minha mulher", a palavra "mulher" significa "esposa", e não "ser humano do sexo feminino", logo, dizer "a minha mulher" é exatamente análogo a dizer "a minha madrinha" ou "a minha filha".
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De jpt a 07.01.2019 às 15:12

Luís Lavoura eu não ponho isso em causa. A senhora é que punha, só recordei o assunto para frisar o sem-limites a que esta maluqueira chega.
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De João Rato a 07.01.2019 às 18:39

"eu diria que à sua colega faz falta a..." Sua colega?? Mas a colega pertence-lhe a ele?
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De jpt a 07.01.2019 às 22:19

Diz muito bem, Joao Rato, diz muito hem ...
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De Anónimo a 07.01.2019 às 11:08

O preconceito/politicamente correto é, ainda mais intolerante do que o antigo regime.
Os métodos e os meios é que são diferentes.
Digo eu, que vivi e de forma engajada, as duas situações.
João de Brito
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De jpt a 07.01.2019 às 11:29

Uma ressalva, eu não fui o suficientemente explícito - usei "antigo regime" no sentido pré-liberal, não de "anterior regime". O que não invalida o seu comentário, a mobilidade social estava não só mais dificultada como era mais "mal-vista" (censurada, implícita e explicitamente controlada) nesse "anterior regime", do Estado Novo. Mas sem ser, de facto, a velha "sociedade de ordens" (ainda que essa também tivesse mecanismos de elevação social, como é sabido).
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De Anónimo a 08.01.2019 às 17:32

Defina "politicamente correcto".
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De Anónimo a 07.01.2019 às 12:38

Aos 14 anos era considerada uma betinha de direita. Fui fazer um trabalho de liceu para casa de uma colega filha de comunistas, já bem formada no ideário. Ao almoço, para me impressionarem, chamaram a empregada doméstica para se sentar connosco à mesa. Fiquei constrangida, por ver o espanto da dita, que não sabia onde pôr o prato nem onde se havia de meter. Não estava habituada a tais mimos. Como, desde sempre, além dos pais e irmãos, à mesa de minha casa, sempre esteve sentada aquela que ao abrigo da lei era a emprega doméstica de sempre da casa, e que para todos nós fazia parte do clã, de quem todos gostávamos e com quem contávamos, respeitávamos e, sobretudo os mais novos, obedecíamos, fiquei incomodada pela atrapalhação daquele ‘trunfo ideológico’ que me quiseram exibir. Claro que não fiz quaisquer comentários. Estavam-me a dar uma lição e era suposto aprender. Ficaram felizes, e quem sabe a ‘senhora lá de casa’ começou verdadeiramente a ser tratada como família.

Quando às convenções sociais e preconceitos, cada um tem ou cada grupo tem as suas. O beijinho isolado que refere, dizer a mãe ou o pai entre os próximos, a forma como se pega no talher ou certas palavras proibidas são códigos de honra e de inclusão num grupo. Há para todos os tipos e não há quem não as tenha. Normalmente irritam que não os pratica, porque prefere outros. No meu caso, aprendi a do beijinho com a divisão do rio, entre família da minha mãe e do meu pai. Na margem norte dava um beijinho, na margem sul dava dois beijinhos. Em Roma sê romana.

O único remédio que conheço para ser menos preconceituoso, é saltar fora do nosso gueto e conhecer e escolher gente fora do nosso gueto. É ter mundo.


Isabel
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De jpt a 07.01.2019 às 12:58

Isabel, obrigado pelo seu comentário. Que diz o fundamental, em particular o estruturante "em Roma sê romano". E o que quero sublinhar no postal é exactamente, todos temos opções, que sendo maleáveis não são ilegítimas, pois todas derivam dos grupos de pertença ou de estratégias de ascensão a outros grupos - conscientes ou inconscientes, isso para o caso já é irrelevante. E botei um exemplo, explicitamente ancorado no meu "grupo de pertença". É evidente que em outros contextos assumo as práticas ali seguidas. Nesse sentido este policiamento furibundo ou caústico só demonstra a irreflexão - seja quanto a questões estritamente políticas seja nas meras práticas de distinção sociológica (que também têm dimensões políticas mas mais distendidas).

O episódio dos camaradas burgueses é uma delícia. Sendo filho de um comunista encartado bem me lembro do vira-casaquismo de 74/75 e da extrema oposição do meu pai a tais práticas. "Nem pensar nisso. E ponto final parágrafo", clamou quando se ouviu falar da prática da comensalidade conjunta praticada no espectro da construção socialista (que, convém recordar, ia do PPD à LUAR ou quejanda, julgo). Os meneios progressistas (agora é a pateta purificação da linguagem) servem para reproduzir a pantomina, nada mais do que isso.
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De Luís Lavoura a 07.01.2019 às 15:16

É muito curiosa essa história dos comunistas que têm empregadas domésticas.
Eu julgava que ter empregada doméstica fosse vício de burguês e que os comunistas, sendo basicamente operários e camponeses, não se dessem a essa vil forma de exploração da mulher.
Recentemente estive a ler um livro da Maria Judite de Carvalho, escrito nos anos 1950. A Maria Judite (creio que é um pseudónimo) era mulher do Urbano Tavares Rodrigues e seria, presumivelmente, comunista ou lá próxima. Pois o que eu achei interessante no livro é que todas as famílias nele retratadas (é um livro de contos, há muitas famílias) têm empregadas domésticas, de onde, eu fiquei com a noção de que no mundo daqueles comunistas ter empregadas domésticas era standard.
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De jpt a 07.01.2019 às 15:20

Tem que se actualizar sobre a história do comunismo. Os intelectuais orgânicos dos partidos-vanguarda vinham da boa burguesia. Grosso modo em todo o lado a loba revolução veio a devorar essas crias. Mas nem tudo foi Cambodja (ou o Mao, dos camaradas do BE), e foram-se reproduzindo.
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De Sarin a 07.01.2019 às 16:45

Ser empregado doméstico é uma profissão digna. E exigente, principalmente se executada a tempo inteiro numa mesma casa. Nos casos em que à hora, é uma cansativa mas bem remunerada profissão, relativamente ao salário médio, porque maioritariamente "livre de impostos"... "Forma de vil exploração da mulher" será, mas geralmente da que paga.
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De jpt a 07.01.2019 às 16:50

Pode ser uma exploração de mão-de-obra (afloro a questão no postal) mas isso não é obrigatório. Há décadas a "esquerdinha", enquanto vestia a roupita engomada pela ex-sopeira, então já empregada doméstica (e que até já ia à mesa, como muito bem foi aqui lembrado), criticaria as relações de exploração e a falta de consciência de classe da camarada trabalhadora doméstica. Agora não lhe perdoam o facto de não fazer oposição de raça. Continuam engomadinhos e a fazerem a mesma figura.
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De Sarin a 07.01.2019 às 17:13

A minha exploração ia mais no sentido inverso, no dos preços cobrados pelas empregadas domésticas que não pagam impostos e que ainda são muito frequentes porque a oferta segura escasseia (não se admite qualquer pessoa dentro de casa na nossa ausência). Foi apenas uma correcção ao LL.

Sobre a "esquerdinha" (e o jpt fez o favor de colocar entre aspas o que, desde logo, exclui a esquerda que não se identifica com tais ademanes, o que muito lhe agradeço), sei perfeitamente do que fala - serve para a empregada doméstica como serve para o "gay" (fiz postal) e para tantos outros branqueamentos (esta expressão é outra) de reivindicações absurdas. Para esses, o indivíduo perdeu importância perante a defesa da minoria, e pior ainda se fusão de várias.

Já agora, também se começou a usar a distinção entre preconceito e pré-conceito, porque preconceito é mau e pré-conceito é apenas uma ideia feita (!).
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De jpt a 08.01.2019 às 09:04

essa sacralização da hifenização não me convence
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De Sarin a 08.01.2019 às 09:24

Pois a mim convence tanto que até a cruz lhe ponho em cima.


Devem ser tempos interessantes, estes, para os arqueólogos do futuro (e embora esta seja uma bela expressão que terei de recordar e desenvolve em futuros textos, refiro-me aos que no futuro serão arqueólogos e não aos que hoje vêem o futuro como se concreto imutável irrefutável): tantas revoluções e contradições e sobreposições num mundinho tão pequenino para tantos.
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De jpt a 08.01.2019 às 10:35

Os futuros arqueólogos (partindo do princípio que haverá futuro, preconceito muito discutível) terão uma vida terrivel, excesso de objectos significantes
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De Sarin a 08.01.2019 às 10:36

Portanto, pofissão de futuro - se o houver.
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De Luís Lavoura a 07.01.2019 às 17:05

Uma empregada doméstica hoje em dia é bem diferente do que era há 60 anos. Nessa época as empregadas domésticas, chamadas "criadas", tal como as porteiras, eram miúdas (geralmente começavam muito novas) que vinham do campo para a cidade e que, para terem um teto sob o qual dormir na cidade, se prestavam a essas profissões. A profissão era tão pouco digna que, mal podiam, as criadas se casavam e deixavam de o ser. A profissão era também muito mal paga - basicamente, o salário da miúda era o teto sob o qual dormia e a comida que comia, e pouco mais.
Uma empregada doméstica hoje em dia é algo totalmente diferente. Tem-se horário de trabalho e o salário é bastante gostoso. Aliás, hoje em dia já é muito difícil arranjar-se "criadas" como as de antigamente - as tais miúdas que vinham do campo para a cidade e que ficavam sem vida familiar própria.
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De Sarin a 07.01.2019 às 17:31

Hoje em dia tais empregadas chamam-se escravas e existem em abundância, também em Portugal - mais que 0 é muito, e infelizmente falo de emigrantes indocumentados como falo de portugueses com documentos mas sem apoio. Não apenas em empregos domésticos mas também na agricultura ou na indústrias do sexo. Cá em Portugal.

Mas fixe, fixe, é corrigir as expressões usadas cujo contexto se desconhece e que, por pura má formação, não preconceito nem ideologia, se invectivam de discriminatórias.

Não foi o seu caso, Luís - apenas lhe quis relembrar que essa história da "vil exploração da mulher" era treta. (Fora do tema, vil exploração da mulher será não remunerar a mulher que fica em casa a tratar da casa e da família e que socialmente se considera diminuída porque dependente do companheiro, numa desvalorização incrível das suas responsabilidades - diminuindo o "ser" ao "ter").
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De Sarin a 08.01.2019 às 00:24

Falo de emigrantes e de imigrantes.
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De jpt a 07.01.2019 às 22:29

As condicões mudaram muito desde esses recuados tempos, em que as domesticas, eram migrantes normalmente desprotegidas, vindas do mundo rural - e sujeitas a trabalho não remunerado, isencão de horarios, trabalho infantil, maus tratos, inexistencia de ferias, o muito recordado director de pernada, etc. Mas, e como refere Sarin, mesmo nestes tempos bem diferentes há muitas questões, principalmente relacionadas com trabalhadoras imigradas. Eu gostaria de saber se Toos os revolucionarios de pacotilha que estao agora muito ofendidos cumprem as obrigacoes legais respeitantes as mulheres-à-dias que lhes limpam as casas
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De jpt a 07.01.2019 às 22:30

Direito de pernada, quis dizer
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De Luís Lavoura a 07.01.2019 às 16:02

A história que a Isabel conta também é curiosa, para mim, porque na minha família, que residia em Lisboa, nos tempos longínquos em que havia empregada doméstica, mais propriamente uma "criada" residente na casa, ela nunca comia com a família - comia sozinha na cozinha. Já na família da irmã da minha mãe, que residia no Porto, havia uma criada que fazia, de facto, parte da família - e comia à mesa da sala de jantar com ela. É interessante ver as normas distintas nas famílias de duas irmãs; não sei se se deveriam aos lugares de residência ou a outros efeitos.
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De jpt a 07.01.2019 às 16:51

Aquilo do cada cabeça sua sentença também contava para isso.
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De Anónimo a 07.01.2019 às 18:58

É com algum pudor que faço 'uma achega', a pessoa a que me referia era a, então, chamada mademoiselle 'x'. Nunca foi criada, porque a sua função, foi desde sempre (desde a geração anterior, em casa dos meus avós), organizar a vida da casa, tomar conta das crianças e ter mão nas criadas. No meu tempo, já não havia criada, nem mulher-a-dias, nem perceptora. Tudo se reduziu ao termo: empregada doméstica. São tempos.
Muitos dos que a conheceram achavam-na severa, dura. Não percebiam a fibra de uma mulher nascida Serra da Estrela, rija e digna. A mim ensinou-me coisas tão simples como atar os cordões dos sapatos, que para o almoço ou jantar eram línguas de perguntador, o que é cumplicidade e lealdade, que quem é pobre nada tem, quem é rico passa bem e que atrás de mim virá que de mim bom fará. E deixou-me evidente saudade; a pessoa que mais falta me faz.. :)
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De Miguel a 07.01.2019 às 12:48

O que me consola é que elas se referem a nós por "o meu marido" ou "o meu homem", o que acaba por restabelecer uma certa justiça poética.
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De jpt a 07.01.2019 às 13:01

Às vezes por "o meu traste" ou, mais biblicamente, "a minha cruz". Mas sim, colocando as coisas nos eixos.
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De Tiro ao Alvo a 07.01.2019 às 19:53

Também há quem diga, a minha "velha", em tom carinhoso; e minha "patroa". É como diz, cada cabeça, cada sentença.
Eu quando me perguntam o estado, respondo de pronto: casado "de facto", para me distinguir dos "unidos de facto" e também dos apenas casados. Manias...
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De jpt a 07.01.2019 às 22:32

Cuidado, "minha velha" já não se pode dizer. Mas sim "minha sénior"
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De Vorph Valknut a 07.01.2019 às 13:21

"em família, eu, mãe, irmã, a senhora cá de casa"

Cá para mim, soa-me a apoucamento da pessoa em questão. Pois cada um de nós define-se, também, pelo que faz (trabalho), para além do que é (marido, mulher pai, irmã, mãe). Na "senhora cá de casa" parece-me haver pouco conteúdo no duplo sentido a que aludi, muita indefinição na " senhora cá de casa".


Aliás, muitas vezes, mandam as regras de boa educação tratarmos com mais formalidade aqueles que não pertencem à nossa família...trato por tu os meus pais, mas não a empregada doméstica (D. Maria).

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De jpt a 07.01.2019 às 13:54

Seja, soa-lhe, não gosta. É legítimo. Daí ao disparate que vai por aí afora, contra a Judite de Sousa, vai um abismo. Uma vil patetice.
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De Sarin a 07.01.2019 às 16:53

Sobre o apoucamento, seria curioso ouvir a opinião da "senhora da casa": e se a mulher em causa está habituada a ser assim tratada, num bem-humorado e terno jogo de submissão da dona da casa à sapiência e esforço e oportunidade da outra nas lides domésticas?

Já agora, quando a minha sobrinha está comigo é, definitivamente, a senhora dos meus tempos livres... :)
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De jpt a 07.01.2019 às 17:00

A senhora? Se fala inglês deve estar a dizer dos críticos "arranjem uma vida". Se não fala estará a dizer "esta gente é louca"
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De Sarin a 07.01.2019 às 17:19

Suspeito do mesmo; mas diga lá que não seria interessante ouvi-la...
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De jpt a 07.01.2019 às 22:34

Não me parece que se fosse alongar muito Palavras loucas, orelhas ..., diria
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De jpt a 08.01.2019 às 09:04

Também pode ser
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De Vorph Valknut a 07.01.2019 às 18:07

Tens razão. Tinha um amigo que num bem-humorado e terno jogo de submissão, nos pedia que o chamasse-mos, por Preto.

Já agora, chamo, ao meu cão, senhor dos meus tempos livres.




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De Sarin a 07.01.2019 às 23:27

Tens que ter cuidado com esse teu génio, está a afogar-se em conceitos pre pós- e até des.
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De Vorph Valknut a 08.01.2019 às 08:40

Influências do jpt....
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De jpt a 08.01.2019 às 09:05

Ó Pedro Vorph tenho que ser franco consigo, e num registo de mais-velho: tenha cuidado com as más influências
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De Vorph Valknut a 08.01.2019 às 09:40

Sempre tive mais jeito para a demolição do que para a construção....não é mau feitio, é o meu feitio.
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De Sarin a 08.01.2019 às 09:10

Talvez sim, mas o génio do jpt é mais objectivo... e entretanto o citado mandar-nos-à, genialmente, cantar para outras freguesias porque a falar dele como se não aqui.
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De Vorph Valknut a 08.01.2019 às 09:42

O jpt tem génio. Eu, feitio
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De Sarin a 08.01.2019 às 10:09

Todos temos génio, então do mau é o que se mais vê... mas tendo todos génio poucos alcançam a genialidade.
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De Vorph Valknut a 08.01.2019 às 11:11

Sem génio não se chega à genialidade. Fica-se pela mediocridade
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De Sarin a 08.01.2019 às 15:21

Na mediocridade ficam os que trocam o génio pela fada...

À genialidade chegam os que bebem o néctar da loucura.
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De jpt a 08.01.2019 às 10:36

eu tenho djinn, sim, já mo afiançaram Coxo e tröpego, tem-me prejudicado a vida
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De Vorph Valknut a 08.01.2019 às 11:05

Jpt, eu raio a misantropia.
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De Sarin a 08.01.2019 às 17:12

És mas é um misantrôpego...
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De Vorph Valknut a 07.01.2019 às 21:53

Ethos (em grego antigo ἔθος : 'hábito, costume, uso'; ἦθος 'carácter, disposição, costume, hábito') é o conjunto de traços e modos de comportamento que conformam o carácter individual ou de uma comunidade.



O sentido da informação, ou melhor, a informação contida numa comunicação, depende, obviamente, daquilo que é afirmado, do contexto, em que é dito, mas, e sobretudo, do ethos do interlocutor. E o ethos do interlocutor adivinha-se no que mostra e no que diz. E pelo que mostra e diz infere-se o pathos ( e forma de agir) de cada um.



Consequentemente, a este intróito, é-me legítimo interpretar, da pior forma, a "apresentação" que Judite Suza fez de D. Rosa, referindo-se a esta, inicialmente, aquando da lançamento do seu último livro, como "a senhora cá de casa".

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De Sarin a 07.01.2019 às 22:52

Concordo com a inferência do ethos partindo do pathos. Como toda e qualquer inferência resulta também das vivências conhecimentos e carácter, do ethos portanto, do inferidor, temo por todas as atitudes, pelo pathos enfim, de quem infere com base em pouco ou nada.

Tens toda a legitimidade para inferir o que entenderes, literal e figuradamente; pergunta-te antes se terás legitimidade para divulgar publicamente tal interpretação como se facto.
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De Vorph Valknut a 08.01.2019 às 08:45

No DO falo como se estivesse numa mesa de café rodeado de amigos, bebendo umas cervejinhas e atulando-me em tremoços e amendoins.
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De jpt a 08.01.2019 às 09:12

Então pague lá uma rodada
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De Vorph Valknut a 08.01.2019 às 09:44

Está em Bruxelas, ou em Maputo?

Se ficar em Bruxelas até ao Carnaval talvez lha possa pagar...sou capaz de ir aí
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De jpt a 08.01.2019 às 10:36

No gélido boreal
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De Sarin a 08.01.2019 às 09:16

O que é óptimo; mas não te esqueças que um café é um lugar frequentado por muita gente, e nas mesas vizinhas ouvem a tua conversa. E embora não tenhamos que regular as nossas palavras pelo melindre que possam causar as nossas opiniões, será uma questão de respeito por outro ser humano, ainda para mais ausente da conversa, não lhe atribuir atitudes que, na verdade, não passam de opiniões, não concordas?
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De Vorph Valknut a 08.01.2019 às 09:46

Só frequento Cafés vazios ou mal frequentados.
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De Sarin a 08.01.2019 às 10:11

Isso é quando andas numa fase de contradição, como agora: olha lá o que acabaste de escrever sobre o DO!!! Mais te valia pontapear pedras e partir a cremalheira
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De Vorph Valknut a 08.01.2019 às 11:09

Tens de descontar 90% naquilo que digo. Sou um cínico,em termos filosóficos.
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De Sarin a 08.01.2019 às 15:09

Conheço-te da rede há anos, portanto não te preocupes com os descontos que faço ou deixo de fazer ao que dizes :)

O teu cinismo não é malvado, e seria uma pena se to confundissem. Mas sobre as atitudes dos outros definirem os outros e isso nos legitimar a invectiva, não concordo contigo pois as atitudes devem ser vistas no próprio contexto - e, filosoficamente falando, porra para as padronizações linguísticas. :p
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De Vorph Valknut a 07.01.2019 às 13:24

Já agora também o Voltaire tinha uns preconceitos do caraças…aliás não conheço ninguém que não os tenha...o jpt tem uns bem vincados contra a "corja" socialista...eu tenho-os contra...epá, agora não me recordo, mas tenho-os de certeza...
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De jpt a 07.01.2019 às 13:52

Pedro Vorph eu sei que isto é um espaço convivencial, de diálogo, e que não nos é exigível (pela Ordem Blogal, o sindicato bloguista, o Conselho Superior Bloguístico, ou similares) uma particular pertinência, uma "deontologia" competente. Mas, ainda assim, convoco-o a uma acuidade terminológica, principalmente no que se refere a mim. Eu não tenho quaisquer preconceitos "contra a corja socialista", como V. proclama, um pouco a despropósito do postal. O que tenho é "pós-conceitos", se se quiser usar a redundância, apenas ilustrativa. Sobre uma mole humana (eu prefiro usar "ralé" do que corja, mera questão de gosto) que foi ou estuporadamente apoiante, ou conscientemente conivente ou cupidamente cúmplice de uma clique ladra, escandalosamente ladra a céu aberto; a qual apoiou em sucessivos governos, eleições e congressos (nos quais o "engenheiro-lite" ganhava com 95 ou mais por cento de votos). E cuja elite partidária está agora alapada no poder, ocupando os cargos estratégicos do governo, sem qualquer avaliação política ("julgamento ético" como mentiu Augusto Santos Silva, um dos cabecilhas da clique). Uma amálgama socialista da qual não sairam vozes críticas ao delírio socratista - António José Seguro ia para o parlamento sem gravata, como se isso chegasse para se demarcar. Com única excepção do militante socialista Henrique Neto (indivíduo do qual, já agora, fui eleitor nas últimas presidenciais). Convirá lembrar-lhe, já que me vem "amandar bocas", que no dia da tomada de posse deste governo, quando Sócrates estava detido na cadeia de Évora, onde carregava a ignomínia do número 44, uma muito conhecida jornalista adepta do PS foi à televisão dizer que "qualquer um seria melhor como primeiro-ministro do que o anterior (Passos Coelho)". Ou seja, e logicamente, também o então 44. Chamava-se, e chama-se, Maria Antónia Palla, mãe do ex-vice de Sócrates, e actual chefe dos socialistas. Quer mais conceptualizações (mais "pós-conceitos") sobre esta gente?

Quanto ao que me diz sobre o Voltaire é claro que sim, e é por isso que foi escolhido para encimar o postal. Todos temos preconceitos, é esse o sentido do postal, e convirá ter algum tino na depuração que está na moda. Ainda que haja preconceitos que são imperdoáveis. Como os que, tal como aqui V. denota, os preconceitos pró-PS.
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De Vorph Valknut a 07.01.2019 às 14:25

Isto são pós- conceitos? (este enorme sindicato do crime que é o PS)

"Mas, raisparta, que razões objectivas, e mesmo subjectivas, é que sustentam que núcleos socioprofissionais particularmente informados e expectavelmente com um ethos crítico possam continuar a apoiar este enorme sindicato do crime que é o PS?"

https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/carta-para-os-meus-amigos-reais-ai-em-10277909


Preconceitos pró PS?
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De jpt a 07.01.2019 às 15:10

Não lhe vou sequer responder. Nem aqui nem depois. Vá fazer proselitismo para onde quiser. Não perto de mim.
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De jpt a 07.01.2019 às 15:03

Falando honesta e francamente: é-me rigorosamente indiferente. O que só se sublinha por vir colocar tal questão nos comentários de um postal com este conteúdo - o qual só muito dificilmente poderá ser articulado com o facto do PM, dos ministros MNE, Defesa, Reforma Estatal, Trabalho etc, terem sido dos governos socratistas, mais o do Ambiente ser um socratista, etc. Quer conversa sobre isso? Não ouço os argumentos alheios. Querem ser ouvidos, quer ser ouvido? Tivessem falado durante a roubalheira, explícita. "Só nos enganámos numa coisa, durante estes anos todos, julgámos que havia uma camapanha contra Sócrates" porta-vozeia a Clara Ferreira Alves em nome dos bandoleiros avençados? Esses ao menos ganham a vida assim, agora vir-me chatear gratuitamente? Era o que me faltava aturar "matizadores". Para mim é ponto final parágrafo, vá humanizar esta ralé para onde quiser, não aqui nos postais onde boto
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De João Rato a 07.01.2019 às 19:41

" do militante socialista Henrique Neto (indivíduo do qual, já agora, fui eleitor nas últimas presidenciais). " Os seus sentimentos ficam-lhe muito bem, mas a votar em candidatos como Henrique Neto não vai longe.
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De jpt a 07.01.2019 às 22:36

Mas eu não quero ir a algum lado com o meu voto
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De Sarin a 08.01.2019 às 13:56

E esta afirmação é um excelente mote para um postal, jpt!
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De jpt a 08.01.2019 às 15:13

Sarin, tem sido mote para década e meia de bloguismo. E para mais anos ainda de vida
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De Sarin a 08.01.2019 às 15:57

Leio-o há um quinze avos desse tempo, mas o que lhe li de datas anteriores não desmente tal afirmação.

Falava literalmente, porque diafanamente, quase indolentemente, essa frase é um hino activista.
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De jpt a 08.01.2019 às 21:55

Na volta ainda lhe pegarei, um dia em que esteja mais mal-disposto
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De Sarin a 08.01.2019 às 22:12

Cá estarei para ler - sim, só aqui, pois malas artes ou humores vedaram-me outras leituras (e este sapinho é propositado)
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De jpt a 08.01.2019 às 22:17

se se refere a outras paragens não há artes nem humores. Apenas pousio, que não há tempo para aquelas courelas, por agora
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De Sarin a 08.01.2019 às 23:08

Fechou-se em copas? Porque quis lavrar feliz ano novo e pensei-me na Twilight Zone.

Boa sorte com isso do tempo; que, por ser relativo, não congela como o tempo que se faz sentir. Boa sorte também com este, desconfio que o Manneken não ache piada, por mais fatiotas que lhe vistam...
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De a 07.01.2019 às 13:41

Ao ler o seu texto - sublime! como é seu apanágio - e devido ao "tio" ao "beijinho" - só um! ["dá cá o segundo, que eu sou dos Olivais" :))] e "meia branca"...lembrei-me de um texto/crónica brilhante do espectacular MEC, texto este já com barbas e pouco novo mas ainda assim tão actual. Muito provavelmente o jpt conhece e já leu há séculos...aqui fica;

https://www.sabado.pt/gps/detalhe/fidalgos-queques-e-betinhos-a-definicao-de-esteves-cardoso

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De jpt a 07.01.2019 às 15:17

Obrigado pela simpatia, exagerada nos termos que seja. E muito obrigado pela ligação ao texto - fantástico, deu para recordar (tinha lido mas estava muito recöndita a memória). Engraçado porque o próprio autor se tornou objecto de quecobetaria - o "MEC" ou o "Miguel" como se chamava ao Esteves Cardoso, significando que se tinha contacto com ele.
O tipo era fantástico - ainda tenho recortes dele, as crónicas sobre a fauna de Manchester publicadas no Sete (depois entraram no Escritica Pop) são geniais.
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De jpt a 07.01.2019 às 16:56

Entretanto: as pessoas podem não gostar de Judite de Sousa, é algo que me ultrapassa. Não a conheço, nunca li nenhum livro dela, raramente vejo os seus programas (não é blaseísmo, é mesmo de quem vê pouca tv e raramente vê canais portugueses e ainda menos generalistas - sou mais da bola, para que não me julguem a armar-me). Mas, caramba, virem aqui com comentários tétricos sobre a senhora? Nem é má-educação, nem mau gosto. Há gente que é, pura e simplesmente, desumana. Raiosospartam. Claro que apago esse tipo de comentários - é perfeitamente execrável, inimaginável mesmo.
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De jpt a 08.01.2019 às 00:47

Como já disse noutro comentário este meu postal não é uma Apologia de Judite, e isso é óbvio. Pode-se gostar dela, do seu trabalho. Ou não. Pode-se gostar da foto, da legenda, do livro que apresentou. Ou não. Tudo isso me é indiferente. Não a leio, não acompanho os seus programas, é-me relativamente indiferente. Agora tornar isto num caso de racismo - e é sobre isso o meu postal, que dispensa completamente elaborações mais ou menos rebuscadas sobre o caminho da senhora e sua ética, deontologia ou personalidade - é absolutamente patético.

Já que alude, sei lá porquê, aos incêndios de Pedrogão Grande eu lembro-me de ter escrito sobre isso. Sobre um texto escrito no sábado do downburst por uma jornalista muito conhecida, que regressava de férias do Algarve nesse dia mas conseguiu escrever sobre como tudo tinha sido devido ao aquecimento global e ao tal downburst, aquela árvore malvada descoberta cerca das 20 horas; E sobre uma prestigiada Prémio Pessoa que nesse mesmo dia escrevia sobre a inadmissibilidade de se tirarem ilacções políticas daquela incidente. Ainda que ela própria, dois dias antes, tivesse escrito abundantemente sobre a responsabilidade do estado e governo britânico por causa do incêndio urbano que acontecera. Quer falar da Judite de Sousa? Vamos é falar destas contratadas.
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De Vorph Valknut a 08.01.2019 às 08:56

Jpt aludi ao incêndio de Pedrógão, porque a dita jornalista fez um "Directo" com um cadáver em segundo e primeiro planos, tendo sido, consensualmente, muito criticada . Ethos e pathos.

Jpt, fico por aqui.

Abraço
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De jpt a 08.01.2019 às 09:11

Acho que já o disse, e repito-me, não estou a fazer uma avaliação do percurso profissional de Judite de Sousa, elaborei um postal sobre o ambiente político induzido pela agit-prop que racializa de modo racista a sociedade portuguesa

Quanto à reportagem que refere (eu não vi mas lembro-me da polémica) insisto: morreram mais de cem pessoas em dois incêndios potenciados pelo desarranjo estatal. Uma jornalista usa um cadáver, o que é tétrico (ainda que mundo fora seja uma prática comum - se for iraniano ou panamaniano não nos choca). Outra diz, na estrada em cima do acontecimento que o Estado (de facto o seu partido que está no governo) não tem qualquer responsabilidade, que foi um epifenómeno apenas resultante do aquecimento global. Você um ano depois vem-me falar da reportagem e do porthos e do athos? Venha sobre o aramis, também
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De Sarin a 08.01.2019 às 09:40

Muito a propósito, já que Dumas pai, além de boémio e escritor inventivo, foi também vítima de algum racismo por ser neto de escrava; safou-se de ser alvo de muito racismo por ser neto de marquês. Mas foi uma vítima do racismo, não do racismo anti-rácico.
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De jpt a 08.01.2019 às 10:38

O Dumas, se bem me lembro, era um tipo lá para os séculos passados, não era? Não trabalha em casa da Judite de Sousa, pois não?
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De Sarin a 08.01.2019 às 10:42

Acho que trabalhava em qualquer canto onde houvesse com que escrever e o que beber; mas sendo a Judite nossa contemporânea, não - embora possa ter lá na casa da senhora algumas reproduções do trabalho deste senhor. Em todo o caso, se lá trabalhasse presumo que não seria destratado.
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De V. a 07.01.2019 às 19:06

Muito bem, jpt.
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De jpt a 07.01.2019 às 22:36

Obrigado V.

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