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Posto isto, antes que chegue a bola

por Sérgio de Almeida Correia, em 14.06.16

1. Tenho apenas a dizer que embora não simpatize com o estilo que normalmente exibe, nem com algumas das suas posições, António Ribeiro Ferreira está cheio de razão a propósito daquilo que escreveu no jornal i. Por me parecer pertinente e considerar ser essa forma de actuação, há muitos anos, um dos cancros da democracia portuguesa, que só tem contribuído para o seu descrédito e para cavar ainda mais o fosso entre as pretensas "elites" e os cidadãos, entre os partidos e o eleitorado, abaixo transcrevo  aquilo que de relevante interessa sublinhar sobre a novela da Caixa Geral de Depósitos (CGD):

"Chegados aqui, interessa então perguntar aos muitos e diversificados defensores de uma CGD pública o que andaram a fazer os sucessivos governos e gestores do Estado nos últimos anos. De 2011 a 2015, a CGD acumulou prejuízos de dois mil milhões de euros, tem oito mil milhões de créditos em risco, não pagou ao Estado os empréstimos concedidos em 2012 e precisa de um aumento de capital de quatro mil milhões de euros. Esta realidade sinistra não é muito diferente do que se passou no BPN, BPP, BES, Banif e também no BCP de Jardim Gonçalves. A justiça portuguesa e o Banco de Portugal condenaram os gestores privados do BPN, do BPP, do BES e do BCP e os deputados da nação promoveram comissões de inquérito ao BPN, BES e Banif. Agora que estão em causa um banco público, governos e gestores do Estado, assiste-se a uma verdadeira lei do silêncio, uma omertà que envolve órgãos de soberania, partidos políticos e, claro, muitos empresários portugueses. Agora que os contribuintes e ac[c]ionistas do banco público vão pagar uma fa[c]tura superior à que o Estado pagou pelo BPN e Banif, o silêncio é total da esquerda à direita."

 

2. É evidente que aquilo que o primeiro-ministro fez, embora com uma outra roupagem, foi um novo convite aos professores portugueses para emigrarem. Para se safarem como puderem fora de portas, para se internacionalizarem, para se exportarem, que a Pátria está de rastos e continua sem poder acolhê-los. Porém, se há alguém que não tenha qualquer autoridade para criticar o que por ele foi dito é Passos Coelho. Se achava bem na altura que os portugueses emigrassem, deverá hoje continuar a pensar o mesmo. Já quem então criticou o que o ex-primeiro-ministro e seus acólitos disseram sobre o mesmo assunto, independentemente da forma e do tom, só pode ter agora, perante o que António Costa disse, um único discurso: voltar a repudiar o convite.

 

A coerência devia ser tratada como uma coisa séria. Na política, a coerência devia contar para mais alguma coisa do que para armar fogachos e alimentar a politiquice caseira.


4 comentários

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De Tiro ao Alvo a 14.06.2016 às 13:35

A questão mais importante não é o da (in)coerência, pois, como diz, quem "achava bem na altura que os portugueses emigrassem, deverá hoje continuar a pensar o mesmo" e assim deve estar a acontecer com a esmagadora maioria das pessoas que então criticaram o Passos Coelho.
O que hoje mais se critica é a posição então assumida pelo PS, em contrataste com as palavras agora proferidas pelo A. Costa e isso é mais do que incoerência.
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De João Campos a 14.06.2016 às 15:04

Sempre achei que as célebres declarações de Passos Coelho tinham gerado uma tempestade no copo de água quando ele disse algo que era óbvio há cinco anos (e há dez, e há quinze...): nunca haverá trabalho em Portugal para todos os professores formados nas universidades portuguesas, pelo que podem mudar de carreira (como muita gente faz, no ensino ou noutras áreas) ou tentar a sorte lá fora. Não me pareceu um convite ou qualquer outra coisa; apenas uma constatação muito factual de uma realidade que nenhum poder político poderá mudar.

De igual modo, não vejo nada de espantoso nas declarações de António Costa. Cinco anos volvidos, ele limita-se a constatar o óbvio. Já a hipocrisia do próprio Costa (é vê-lo a tentar tomar toda a gente por parva, como sempre gostou de fazer) e da malta que na altura disse de Passos Coelho o que Maomé não disse do toucinho é tão evidente e tão, tão estupidificante.

Não sei se Passos Coelho já disse alguma coisa sobre o assunto, mas parece-me ser uma daquelas situações em que quando abrir a boca, ou sai asneira ou entra mosca. Aliás, o homem desde Outubro que não dá uma para a caixa (se é que antes deu, o que é discutível).
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De Tiro ao Alvo a 14.06.2016 às 15:32

A questão mais importante não é o da (in)coerência, pois, como diz, quem "achava bem na altura que os portugueses emigrassem, deverá hoje continuar a pensar o mesmo" e assim deve estar a acontecer com a esmagadora maioria das pessoas que então não criticaram o Passos Coelho.
O que hoje mais se critica é a posição então assumida pelo PS, em contrataste com as palavras agora proferidas pelo A. Costa e isso é mais do que incoerência.
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De cristof a 14.06.2016 às 18:26

Se um banco privado financia clientes (particulares ou empresas) para a privatização da Cimpor ou para o assalto ao BCP, por exemplo, avaliando mal o risco e descuidando as garantias, e depois se vê obrigado a criar provisões para crédito malparado, os seus accionistas são lesados de diversas maneiras: na distribuição de dividendos, na perda de valor das acções da instituição, em esforço financeiro adicional para acompanhar novo aumento de capital.
Se um banco privado investe, directamente ou através de uma subsidiária de capital de risco, num negócio que corre mal, os seus accionistas são prejudicados, rigorosamente, nos termos acima descritos.
Se se tratar de um banco público, como a Caixa Geral de Depósitos, as coisas passam-se exactamente da mesma maneira. Só que, neste caso, os accionistas são todos os contribuintes.
Isto expliquei eu a um picheleiro de Santa Marta de Penaguião e ele percebeu perfeitamente.
Quem tiver paciência que tente encaixar estas evidências no bestunto desse grande filho de Boliqueime e brilhantíssimo economista de seu nome Silva, o Cavaco. Eu não o 'fazerei'!

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