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por Fernando Sousa, em 04.04.19

Estava quase a largar este Javier Marías, este de Quando os Tontos Mandam, mas decidi continuar. Chateiam-me as prosas aristocráticas, moralistas. JM daria um grande bloguista. E decidi isso porque a certa altura o homem, traduzido em mais de quarenta línguas, o que deve querer dizer que a minha irritação vale o que vale, escreve isto: “Se se vetasse o exercício das suas tarefas a todas as pessoas com um antecedente de depressão ou de desequilíbrio leve (crise de ansiedade, por exemplo) não sobraria ninguém apto para trabalho nenhum”. É verdade. Ia na página 49. Vou continuar, mas não prometo nada: o livro, as crónicas que Marías publicou no El País Semanal entre 2015 e 2017, tem 304.


12 comentários

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De Anónimo a 04.04.2019 às 15:37

Pois que hei-de dizer, talvez que tenho uma obra do autor (dois volumes) para ler e não me apetece. Mas acredito que possa vir a fazê-lo. Na praia ou assim.
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De Fernando Sousa a 04.04.2019 às 15:59

Pois faça-o. Não quero responsabilidades nisso. Estas coisas a certa altura são muito pessoais. Mas depois diga-me o que achou. Pode até ser que eu esteja em maus dias.
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De Vorph Valknut a 04.04.2019 às 17:19

Quando a maioria é louca devemos procurar nos loucos a razão?

https://www.youtube.com/watch?v=8cxwoKj045Q
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De Fernando Sousa a 04.04.2019 às 18:14

Se é a razão que nos diz que a maioria é louca eu não faria disso um dilema.
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De Vorph Valknut a 04.04.2019 às 23:10

A loucura tem sempre uma boa razão
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De Fernando Sousa a 05.04.2019 às 10:47

Precisamente. Acaba de provar que entre as duas prevalece a razão. Fica portanto resolvido o aparente dilema.
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De marina a 05.04.2019 às 09:50

javiermariasblog.... ele tem um blog.
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De Fernando Sousa a 05.04.2019 às 10:49

Tinha que ter, tinha que ter. Eu bem desconfiava. Assim que puder vou espreitar. Obrigado, marina.
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De Joao Filipe Abreu a 05.04.2019 às 10:13

Estou a terminar o Os Enamoramentos do Javier e até nem desgosto do estilo. A acção propriamente dita é curta, talvez se faça de quatro momentos que posteriormente levam a um debate moralista, de consciência e de previsão. Creio que é um escritor que gosta de julgar personagens, do confronto de consciências e de sentimentos. É um escritor difícil, mas este debate que estabelece nos seus livros é relevante para um despertar de consciência e para a empatia que é essencial no dia a dia.
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De Fernando Sousa a 05.04.2019 às 13:22

Estou de acordo consigo, João Filipe. Na continuação da leitura encontrei outros subsídios para o despertar das consciências de que fala - e que quero crer que é o que ele procura. Procurarei ter mais paciência para o Javier Marías.
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De Pedro Correia a 05.04.2019 às 15:16

Talvez seja mal comparado, mas comparo muito o Javier Marías com o Vasco Pulido Valente.
Costumo até chamar-lhe (só para mim) o Vasco Pulido Valente espanhol. Com um pouco menos de política e um pouco mais de literatura. Com as qualidades e defeitos que reconheço a ambos.
Entre as qualidades, há uma que muito prezo: ambos dizem (escrevem) aquilo que pensam.
Em Espanha, com habitantes bastante mais loquazes do que os portugueses, talvez não faça assim tanta falta. Em Portugal faz. Porque a diferença entre aquilo que se pensa e aquilo que se exprime continua a ser enorme entre nós. Passam as décadas, sucedem-se as gerações, e este defeito persiste. Imutável.
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De Fernando Sousa a 05.04.2019 às 16:20

Não, Pedro, a tua comparação é boa, incluindo nas ressalvas! Ambos escorrem bem na tinta e no vinagre pelo que - concordo - fazem falta nos respectivos países. Temo apenas que exagerem na concordância entre o que pensam e o que dizem, e toquem, mesmo não querendo, a vaidade e o moralismo. Dito de outra maneira: depois de cada um só mesmo o dilúvio. E isso pode empobrecer a crítica. Ou mesmo matá-la.

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