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por Fernando Sousa, em 15.11.18

Dia Mundial da Filosofia de 2018: Filosofia e Humanismo: podemos acreditar na Humanidade? Sim, podemos, se queremos acordar melhor amanhã. Só um aviso: cuidado com a moda do relativismo. 

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35 comentários

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De Sarin a 15.11.2018 às 16:27

O relativismo tem uma fronteira natural, chama-se diálogo.

Os Direitos Humanos querem-se universais, não o são ainda - e enquanto não assimilarmos que é um caminho recente para todos, desconhecido para muitos e aldrabado por vários, as perdas poderão aumentar na tentativa de tornar imediata tal universalidade, especificamente no choque entre culturas.
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De Fernando Sousa a 15.11.2018 às 16:50

Muito de acordo, Sarin. Universais e, consinta que acrescente, indivisíveis. A sua resposta fez-me lembrar uma conferência internacional, penso que em 1994, em Viena, reunida para tomar o pulso à Declaração Universal dos DH, que acabou dividida entre universalistas e relativistas - nem lhe pergunto se adivinha quem eram estes.
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De Pedro Vorph a 15.11.2018 às 18:01

Desculpe-me o atrevimento:

Um mundo sem valores é um mundo sem valor. Um mundo sem uma Moral Absoluta aceita a barbaridade como uma questão de "gosto", de "costume", de "cultura", de "religião". Pois bem, eu digo, ao Mal nunca nos devemos acostumar.
As culturas, por si só, não criam "monstros", pois existem outros, que criados nessas mesmas culturas, pensam e agem contra a barbárie. Os "monstros" apenas usam, instrumentalizam, a cultura como uma forma de defesa, de justificação, para a sua monstruosidade. E, diga-se de passagem, com cada vez maior sucesso, em virtude do sentimento de culpa atávico, e do relativismo moral, "new age", da sociedade ocidental. A Cultura não legitima uma "cultura" de Violência, pois a violência, por si, não é, nem nunca foi, uma questão de cultura.

https://vorph.blogs.sapo.pt/
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De Fernando Sousa a 15.11.2018 às 18:15

Tem razão em muito do que diz. Mas atenção os relativistas não são necessariamente desonestos ou desalinhados porque sim. Há-de conhecer com certeza pessoas que entendem que o direito à vida por exemplo é relativo dependendo do crime praticado, e por aí. Ou que mais importante do que o direito de associação é o direito à saúde. São estes os perigos, que exigem que estejamos à altura de uma boa discussão.
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De Pedro Vorph a 15.11.2018 às 18:27

Refiro-me sobretudo à "nossa" tolerância perante a intolerância da maioria do mundo árabe . À "nossa" tolerância perante os desmandos dos líderes africanos, que em nome do colonialismo europeu, continuam a roubar o povo, perante o silêncio de culpa do Ocidente. Refiro-me à "nossa"tolerância perante a violência da estupidez legitimada por uma suposta igualdade na liberdade de expressão e consciência. Refiro -me à confusão lançada pelo relativismo sobre o que é a verdade informada , reduzindo-a um "isso é a tua opinião ", comparando a opinião do estudioso ao taberneiro. Vale tudo. E valendo tudo o mesmo,nada vale.
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De Fernando Sousa a 15.11.2018 às 18:56

Compreendo o seu ponto, Pedro. Mas apesar de os factos apontarem para o oposto vai havendo algum diálogo com outras culturas sobre o que nós por aqui damos como universal e certo. A Carta Africana dos Direitos Humanos pode ser um exemplo. E não há outro caminho. E a intolerância não passa a ser boa só porque se opõe a outra das suas múltiplas manifestações. Este é um diálogo já suficientemente difícil e complexo para nos arriscarmos a incorrer nos mesmos erros daqueles que criticamos.
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De Pedro Vorph a 15.11.2018 às 23:05

"1994, em Viena, reunida para tomar o pulso à Declaração Universal dos DH, que acabou dividida entre universalistas e relativistas - nem lhe pergunto se adivinha quem eram estes".

Ok, Fernando, não resisto. Quem eram os relativistas? Os progressistas comunistas?
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De Fernando Sousa a 15.11.2018 às 23:10

México, Cuba, vários árabes e africanos, Indonésia, Israel... Os que me lembro agora. Mas a lista é muito maior e inclui em geral ditaduras ou regime autoritários à esquerda ou à direita.
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De Terminatora a 15.11.2018 às 16:43

Gosto dessa moda :)
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De Fernando Sousa a 15.11.2018 às 16:52

Bom proveito. Mas depois não se queixe que alguém lhe diga que os direitos que tem como fundamentais, por exemplo a sua vida, são relativos.
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De Terminatora a 15.11.2018 às 16:58

Para onde isso já vai...
Eu entendi que por relativismo, seria há muitas formas de se ver uma situação e há outras verdades para além da nossa.
Estamos então a falar de quê? Estou confusa.
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De Fernando Sousa a 15.11.2018 às 17:48

Peço desculpa se entendi mal o seu comentário, que me pareceu irónico em relação a um tema a certa altura grave. Sobre o que diz, é certo que a verdade é um conceito oscilante dependendo de uma longa lista de coisas. Porém e desde há uns milhares de anos as sociedades foram intuindo que nascemos já com direitos, pensamento que fez o seu caminho até à Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 10 de Dezembro de 1948 - há quase 70 anos. Isto para resumir. Ora foi convicção dos autores e é hoje cada vez mais consensual que esses direitos se aplicam a todas as pessoas independentemente do lugar de nascimento, cor, sexo, orientação sexual, religião, condição de nascimento ou ideia política, ou seja, são universais, e não podem uns ser considerados mais importantes do que os outros, quer dizer, são indivisíveis. O relativismo levado ao extremo discute isto.
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De Bea a 15.11.2018 às 17:59

e que a filosofia não esmoreça apesar dos tantos que a preferem muda e agrilhoada. Que ser homem e deixar-se ir ao sabor das correntes de opinião é qualquer coisa que confrange e não aproveita à humanidade de todos e cada um.
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De Fernando Sousa a 15.11.2018 às 18:09

Absolutamente de acordo, Bea. Falta-nos pensamento. E sem pensamento não dialogaremos com quem pensa diferente, não lançaremos pontes, não iremos longe na consolidação de direitos que custaram muito sangue, muitas vidas.
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De Pedro Vorph a 15.11.2018 às 18:02

As Nações Unidas têm facilitado mais os assassinos em massa, do que a sua prevenção. Os lideres sanguinários sentem-se impunes perante a passividade da comunidade internacional, perante o seu relativismo moral (afinal são culturas diferentes; países soberanos; lideres "eleitos") . É nossa obrigação moral , fazer saber a todos os ditadores, a todos os torturadores, de que a comunidade internacional intervirá com toda a rapidez necessária, em defesa da vida e dignidade humanas, intervenção essa legitimada pela ideia de que mais que cidadãos, adeptos de uma qualquer corrente religiosa, ou política, somos, todos, em primeiro lugar, pessoas humanas, e como tal dotados, igualmente, de Direitos Inalienáveis e Universais como aqueles consagrados pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. Os lideres sanguinários, responsáveis por assassinos em massa não devem esperar outra coisa senão o julgamento justo, ou se for necessária a sua execução.
Daniel Jonah Goldhagen (texto adaptado)

Num mundo global, interligado, interdependente, não devem existir "assuntos internos". Os lideres comunistas, os ditadores, os políticos sem legitimidade, os abusadores, os torturadores, dizem: "Não interfiram nos nossos assuntos internos. Deixem-nos governar, nós temos os nossos costumes, vocês ignoram a história do nosso país, a nossa civilização. Por isso deixem-nos massacrar em paz e em silêncio." Mas eu rogo-vos, lideres do Ocidente. Venham e interfiram.
― Alexander Solzhenitsyn, Warning to the West (texto adaptado)

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De Fernando Sousa a 15.11.2018 às 18:23

Tem muito aí que eu também aprovo. Cuidado no entanto com as armadilhas do seu discurso - defende o julgamento dos líderes sanguinários e ao mesmo tempo a sua execução. Aí não estamos de acordo. O direito à vida é para mim um direito fundamental que se impõe desde logo aos Estados.
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De Pedro Vorph a 15.11.2018 às 18:29

A execução deve preceder o julgamento caso esteja iminente um massacre, com claras responsabilidades atribuídas
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De Fernando Sousa a 15.11.2018 às 18:57

Então não é uma execução.
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De Pedro Vorph a 15.11.2018 às 18:30

Ou caso o déspota sanguinário se esconda em país estrangeiro como asilado e seja impossível a sua extradição para um julgamento justo. A Mossad tem um longo histórico
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De Fernando Sousa a 15.11.2018 às 18:59

Ui!! Você começa a arrepiar-me.
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De Pedro Vorph a 15.11.2018 às 19:22

Eichmann,Operação Garibaldi. Fernando, vê nela algo de "imoral"?
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De Fernando Sousa a 15.11.2018 às 19:32

Na operação em si, não. Já sobre o resultado leia a Hannah Arendt.
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De Pedro Vorph a 15.11.2018 às 21:18

Peço desculpa, Fernando, mas não atendi a sua alusão ao livro de Arendt.

"Quando Hausner apresentou provas de que Eichmann disse em 1945 que "irei para o meu túmulo a rir porque a sensação que tenho cinco milhões de seres humanos na minha consciência é para mim uma fonte de extraordinária satisfação", Eichmann respondeu que queria dizer "inimigos do Reich" como os soviéticos."

Pois….
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De Fernando Sousa a 15.11.2018 às 22:39

O nosso diálogo aqui resvalou para fora do tema do dia, Pedro. Não discordei de si sobre a "imoralidade" da Garibaldi. Fiquei foi a pensar sobre a moralidade da execução de um autómato - não conheço o trabalho de Hausner.
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De Vento a 15.11.2018 às 22:14

Fiz um comentário e no momento em que o enviava recebi informação de falha na ligação.
Procurarei sintetizar o sentido desse mesmo comentário.
A ciência criou o relativismo na medida em que não é capaz de dar resposta ao sentido da Vida. Pretende, por isto, fazer do nada que não compreende alguma coisa.
O Amor e o Sofrimento são expressões concretas e Universais. A Universalidade consiste em interpretar individualmente as vertentes máximas da Vida. No entanto também é necessário compreender os desvios que conduzem e induzem a incapacidade de responder a estas concretas questões.

O relativismo assemelha-se à resignação. E a resignação é pagã, isto é, estóica. O cristianismo opera uma transformação e vai mais longe: introduz o Abandono.
Abandono é a resposta que o Homem dá perante o que não pode mudar. Significa isto que não resistir ao inevitável é a forma de contrariar a situação e condição e manter a lucidez da vida. "Pai, afasta de mim este cálice. Porém não se faça a minha vontade, mas a Tua".

A paciência é a geradora da perseverança. Ninguém pode esperar que o grão de trigo lançado à terra durante a noite se encontre medrado na manhã seguinte. O grão necessita de noites e dias para morrer (e isto também é metafórico); e só depois é que começa a germinar uma pequena planta até que surge a haste com o alimento.
Paciência significa saber e aceitar que a Vida não é feita de saltos, mas apenas passos. Passos estes que também nos ensinam a "adormecer" perante as tempestades que não podemos evitar: a morte, a doença etc.
O problema do Homem hodierno reside no facto de confundir correria com saltos civilizacionais, pois não sabe dar passos.
A Universalidade também consiste em saber, e aceitar, que o tempo dos homens conta-se por calendários próprios. Logo, a globalização do pensamento e atitudes é merda que induz graves disfunções sociais. E ainda mais grave quando se busca a estalinização por via legal dos comportamentos.
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De Fernando Sousa a 15.11.2018 às 22:49

Levanta aqui uma ventania de questões. Estamos sintonizados sobre o mau relativismo, o que versa sobre a moral. Já sobre o relativismo cultural penso que o homem moderno já compreende melhor que comer com faca e garfo não é melhor do que comer com pauzinhos ou até com as mãos. Não condenemos então todo o relativismo. Só para assentarmos aqui um pouco as ideias.
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De Vento a 15.11.2018 às 22:54

As ideias já estão assentes. Preciso que me defina bom e mau relativismo.
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De Fernando Sousa a 15.11.2018 às 23:01

Muito bem. O mau será o moral, o bom será o cultural. É difícil relativizar valores que ao longo da história da Humanidade se mostraram comuns às civilizações. A vida por exemplo foi sempre um bem de topo. Já comer com faca e garfo não se nos faz melhores do que um japonês que come com pauzinhos ou um um indonésio que coma com as mãos - relativismo cultural.
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De Pedro Vorph a 15.11.2018 às 23:10

Axiomas naturais:

Vida, Felicidade, Ausência de dor, Independência/Liberdade

Não há relativismo moral que aqui entre. Todo o animal deseja a mesma coisa, desde o Bonobo, ao Homem

Não são necessárias as religiões. Pelo contrário, devem os códigos morais nascer das ciências naturais (leiamos p.ex Sam Harris)

https://www.goodreads.com/book/show/7785194-the-moral-landscape
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De Vento a 15.11.2018 às 23:12

Compreendo o conceito que introduz. É uma novidade no relativismo, e eu aceito o que é novo.
A Vida é o expoente máximo cultural. Mas o expoente máximo do cristianismo é o Amor, e isto também é cultura (a desenvolver). Porque por Amor e com Amor compreendemos que por vezes necessitamos oferecer a Vida para que outros a tenham com abundância. Em conclusão, o Amor é a Vida Imortal.Todas as outras forças contrárias são forças de morte, são infernais: eternamente mortais.
A questão cultural que desenvolvo em meus comentários não aborda prerrogativas de etiquetas socias, secundárias. Abordo o tema crucial em que a Vida não é dissociável do Amor e do Sofrimento, ambos são constitutivos da existência. O que torna ambos suportáveis e admissíveis é o espírito que colocamos neste nosso viver.
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De Anónimo a 15.11.2018 às 23:08

Desculpem meter-me no assunto filosófico do relativismo....

A questão:

A Câmara Municipal de Lisboa, vai construir uma mesquita em plena Mouraria...
Seria possível a mesma Câmara construir uma Catedral Católica, por exemplo, Riad?

Filosofo barato
AM
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De Fernando Sousa a 15.11.2018 às 23:15

Quando há uns tempos um ministro norueguês sugeriu que não permitíssemos mais mesquitas na nossa Europa enquanto os árabes não consentissem em igrejas nos seus países caiu-lhe o mundo em cima, e bem: baixaríamos àquilo que criticamos, ficaríamos iguais pelos piores motivos.
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De Pedro Vorph a 15.11.2018 às 23:31

Não percebo a injustiça. Por acaso cumprimenta quem reiteradamente olha para o lado?O Tit for Tat, de Axelrod, Fernando.


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De Fernando Sousa a 15.11.2018 às 23:38

Não é a mesma coisa, Pedro. Mas mesmo assim respondo-lhe: sim, já cumprimentei, e em público, e quem saiu bem da cena fui eu.

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