Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Pós-eleitoral (4)

por Pedro Correia, em 27.05.14

Dois dias depois da maior derrota da direita em democracia, a notícia é -- uma vez mais -- a turbulência no maior partido de esquerda, que se sagrou vencedor da noite eleitoral. Invertem-se os termos, ao sabor das conveniências mediáticas, ignorando a maré que arrasou grande parte dos partidos socialistas no tsunami europeu de domingo.

Quem venceu, perde. Quem perdeu, ganha.

Vem aí mais uma refrega "fracturante" e fratricida na trincheira vencedora. Passos Coelho passa incólume pelos pingos da chuva. Fiel à máxima de Napoleão: "Nunca interrompas o teu inimigo quando o vires a cometer um erro."

Autoria e outros dados (tags, etc)


26 comentários

Imagem de perfil

De jojoratazana a 27.05.2014 às 15:02

O melhor post que li, depois das eleições.
A politica para leigos, deixa-os desorientados.
Sem imagem de perfil

De Militante Zero a 27.05.2014 às 15:34

E quem sabe de política a sério é o camarada Kim Jong Un
Sem imagem de perfil

De ♫ a 27.05.2014 às 16:00

Os posts do pessoal do Partido Casmurrista Português e seus Compichons de Rute têm andado fracos...
Imagem de perfil

De jojoratazana a 27.05.2014 às 16:52

As resposta aos meus comentários, deixam-me sem palavras.
Felizmente.
Sem imagem de perfil

De Carlos Duarte a 27.05.2014 às 15:10

Caro Pedro Correia,

Costa não é Seguro (e as últimas autárquicas demonstram isso bem). E se o PS tiver juízo e fizer uma transição rápida de líder, sem purgas internas, pode correr muito mal para a coligação daqui a ano e meio.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 28.05.2014 às 01:24

Meu caro, não confundamos Lisboa com Portugal. Costa foi sufragado em Lisboa (e assumiu em Setembro um compromisso de quatro anos com os eleitores da capital), não foi sufragado no País.
O ambiente de purga já está a instalar-se no PS. Escassas 48 horas depois da segunda vitória eleitoral do partido em oito meses. Esta crispação vai deixar feridas.
Eu sei que há pulsões autofágicas dentro dos partidos. Mas raras vezes tenho visto algo chegar a este ponto.
Sem imagem de perfil

De Carlos Duarte a 28.05.2014 às 08:36

Caro Pedro Correia,

Sou apenas um observador algo longínquo de António Costa - nunca votei e é provável que nunca vote PS e moro no Porto, não em Lisboa. No entanto, e pelo que se capta em conversa de circunstância, Costa tem algum "gravitas" político que falta a Seguro.

Para ajudar (ou não) à festa, o discurso da "vitória histórica" de Seguro nas Europeias foi quase de lunático: eu estava a ouvir e só pensava se o homem não tinha passado antes pela sede do Bloco e fumado daquelas coisas enroladinhas. Quando deveria ter um discurso de vitória cauteloso, apontando que ainda havia muito trabalho para fazer e que o PS precisa de insistir na passagem da sua mensagem ao eleitorado (i.e. correu razoavelmente mas precisa de correr muito melhor daqui para a frente), Seguro optou por lançamento de foguetes e apanhanço de canas. A coluna de Mário Soares no DN na Segunda foi o momento "o Rei vai nú" por parte de certos sectores do PS.

Obviamente - e tudo aponta nesse sentido - se resolverem partir para uma guerra interna, quem ganha é PPC. O meu comentário - e reafirmo que Costa é de longe melhor candidato que Seguro a PM em termos de ganhar votos - apenas se aplicaria a um PS racional, não ao PS de cliques, feudos e senhorios.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 28.05.2014 às 20:52

Meu caro:
Um dos defeitos do debate politico em Portugal é a sua excessiva fulanização. Eu conheço bem Seguro e Costa, há muitos anos, mas não elaboro juízos politicos em função das características pessoais de cada um.
Sei, isso sim, que os tempos são profundamente adversos para os socialistas europeus - como as eleições de domingo confirmaram quase por toda a Europa.
O problema do PS é de projecto, é de circunstância, não de ter a personalidade X ou Y ao leme.
De resto Seguro foi legitimado em dois congressos. Um em 2011, outro em 2013. E vem de duas vitórias eleitorais muito recentes - uma nas autárquicas, outra nas europeias.
Pretender que outra pessoa faria muito melhor estando o PS ainda a pagar pelos clamorosos erros de governação cometidos, por ter levado o País a uma pré-bancarrota financeira, por ter assinado o memorando da troika e por estar amarrado ao Tratado Orçamental que impõe um tecto rigoroso ao nosso défice é quase sonhar com a quadratura do círculo.
Daí talvez o apelo a Costa. Por ser comentador político num programa de TV com este nome.
Sem imagem de perfil

De Carlos Duarte a 28.05.2014 às 21:16

Caro Pedro Correia,

Peço desculpa mas o meu comentário não foi "fulanista" - aliás, e em termos pessoais, o Seguro parece-me alguém mais afável que Costa. A questão aqui é pura-e-dura da capacidade para ganhar votos e atrair eleitores. Olhando para os respectivos historiais, especialmente nos últimos anos, Costa aparente apresentar bem mais capacidades para tal.

Como disse - e concordo inteiramente - um dos problemas de Seguro foi não ter "renegado" (ainda que de forma suave) Sócrates. Mais ainda que foi oposição interna enquanto Costa pertenceu (ainda que eventualmente tacticatmente, aos "discípulos"). Seguro começou bem a oposição ao Governo mas, como aliás referiu a Helena, não soube capitalizar a crise governativa pós-Gaspar. E desde então, para usar uma expressão popular, anda aos nabos.

Sim, ganhou duas eleições, mas em ambas ganhou porque o PSD (ou PSD+CDS) as perderam. Nas autárquicas beneficiou de uma péssima estratégia eleitoral do PSD (e mesmo assim foi por um triz que ganhou, por exemplo, Sintra) mas os resultados reais foram um pouco curtos (não por muito, mas curtos). Nas Europeias conseguiram a proeza de transformar uma derrota estrondosa da coligação num empate efectivo ou mesmo semi-vitória. Diz-me que é de circunstância? Sim, talvez, mas também e não só. É igualmente manifesta falta de jeito de Seguro para convencer as pessoas, para vender o seu projecto (que, aliás, muda quase todos os dias e não bate certo com a realidade lá fora).

Para mim, que não sou socialista nem nunca fui, prefiro que Seguro fique. É da maneira que o PS garante que não ganha as eleições. Com Costa será diferente? Não sei, pior não me parece (para o PS) que seja.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 29.05.2014 às 00:05

Caro Carlos, para que não haja equívocos: não estava a referir-me a si. Referia-me, genericamente, a um vício estrutural do debate político português: tudo é fulanizado. De tanto se olhar para as árvores perde-se de vista a floresta.
A verdade é que praticamente nenhum líder socialista europeu fez melhor do que Seguro. A social-democracia europeia enfrenta uma grave crise estrutural. Não é um problema do dirigente X ou Y: é um problema de modelo, de ideologia, de ruptura com uma situação que já não existe. As forças extremistas ganham passo à medida que as áreas políticas centrais vêem o seu espaço diminuir drasticamente. Em Espanha, pela primeira vez, os dois principais partidos somados já totalizam menos de 50% dos votos expressos.
Tudo isto ultrapassa largamente Costa e Seguro.
Sem imagem de perfil

De Militante Apartidário a 27.05.2014 às 15:17

Em verdade, não sei. O melhor para PPC era ter aquele pahonha do Tozé como adversário (coisa que já todos disseram, menos o Zorrinho...). É absolutamente patente, desde que chegou à cadeira do poder do Largo do Rato, que ali não está alguém com um pingo de carisma ou capacidade.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 28.05.2014 às 01:25

O melhor para PPC, 48 horas depois da maior derrota eleitoral sofrida pelo PSD, é o PS estar hoje como está.
Sem imagem de perfil

De JgMenos a 27.05.2014 às 15:22

Tentar fazer de uma 'vitoriazinha' um sucesso retumbante foi o último sinal do frouxo líder que é Seguro.
A política de 'bem com todos' dentro do PS, chamando-lhe pluralismo, assegura-lhe o justo destino de actor político irrelevante e couto de oportunistas.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 28.05.2014 às 01:21

Tudo é relativo. Se 32% é "frouxo", o que diremos dos 14% do Partido Socialista francês, de François Hollande, há dois anos proclamado por Soares 'e tutti quanti' como um dos faróis da esquerda europeia? E o que diremos dos escassos 25% conseguidos pelo Partido Trabalhista britânico? E dos magros 27% obtidos pelo SPD alemão?
Sem imagem de perfil

De JgMenos a 28.05.2014 às 13:00

Pareceu uma 'vitoriazinha'?
- Foi uma 'vitoriazinha'!
Pôs-se em bicos-de-pés, reclamou a queda do governo, convocou instituições para servir a sua grandeza?
- Mostrou quanto ambiciona e quanto vale! De profundis...e quanto mais lenta a valsa tanto mais beneficiam os adversários do PS. E o cavernícula Soares está aí para lembrar...
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 28.05.2014 às 20:45

Pelo que vejo do mapa eleitoral da Europa, na área do PS só em Itália houve resultado melhor. Os socialistas dos restantes 26 países da UE ficaram abaixo da percentagem registada pelo PS português.
Conclusão: se aqui a valsa é lenta, nos restantes países a valsa é... parada.
Imagem de perfil

De Luis Moreira a 27.05.2014 às 17:05

Mas basta António Costa mostrar-se disponível? http://bandalargablogue.blogs.sapo.pt/a-que-vem-antonio-costa-948223
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 28.05.2014 às 01:13

Domingo, falaram as urnas: Passos derrotado.
Segunda, falaram os "analistas": houve empate.
Terça, falaram os ódios internos no PS: Passos venceu.

Razão tinha o outro: o mundo muda muito em 48 horas.
Sem imagem de perfil

De Miguel R a 27.05.2014 às 17:52

Foi logo o que eu pensei. Como estou de férias, vi a cena em directo. É a incrível como as circunstâncias formam o homem: Passos Coelho lui-même.
Quando desde o início quase todos prognosticavam o seu fim rápido e quase três após a sua eleição, somando derrota, atrás de derrota, resistindo a demissões e iminentes quedas de governo, a decisões contrárias do Tribunal Constitucional, a uma antipatia pessoal de Cavaco e restantes barões, ao programa de governação mais duro em termos sociais, económicos e fiscais. Obtém uma derrota histórica, perde centenas de milhares de votos e o que acontece... o «inimigo» perde a cabeça. Quando todos os holofotes se deveriam centrar em si, com uma decisão constitucional a caminho. A sua história como primeiro-ministro continua. Esqueçam o Constitucional. Parece que lhe dão prendas de mão beijada, lá está... as circunstâncias.

A alusão a Napoleão não poderia ser mais acertada!
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 28.05.2014 às 01:10

Nada como mergulhar nos clássicos para arrumar ideias, meu caro.
Sem imagem de perfil

De da Maia a 27.05.2014 às 18:50

Dizia, pouco formoso e muito Seguro:
- "Uma moção de censura seria um jeito ao governo..."
Ah pois... e não o pretender fazer foi um jeito ao Costa, e por consequência como o Pedro bem salientou, deixa o governo como espetador do espeto.

Nem o GOL consegue transformar Costa num candidato com ideias, mas é bem capaz de conseguir fazer com que ganhe as eleições - venha lá a terceira e a quarta rotunda no Marquês, agora com um busto ao 1º Costa, o Afonso.

Costa apresentar-se à liderança nesta altura estava escrito desde que Seguro assumiu o cargo. O burrito levava a pesada herança socretina até às europeias e deixava o caminho trilhado para o messias da rotunda renascer, qual Fónix.
O facto da gestão camarária de Costa ser um desastre, do homem ser um poço de discursos redondos e vazios, de se aproveitar agora do trabalho do outro, isso são tudo defeitos que no PS são feitos.

Bom, vamos lá ver se Costa não sai de novo de rabo entre as pernas, porque entretanto há muito boy na comissão política que fica a ver o tacho sem asa, e a Seguro basta adiar o momento para que perca impacto... e temos o GOL a refazer as contas com o pentagrama invertido.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 28.05.2014 às 01:09

A um ano das legislativas, e depois de ter andado a carregar o piano desde 2011, Seguro não cederá um milímetro aos solistas de violino. Mesmo que venham ungidos do Vau e aspergidos de Nafarros.
Óbvio ululante, como dizia o mestre Nelson Rodrigues.
Sem imagem de perfil

De rmg a 27.05.2014 às 20:30


Meu caro

Não sei se vem aí a refrega de que fala : já começou tanta gente a mudar as malas para o outro combóio !
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 28.05.2014 às 01:02

O doutor Passos agradece. No dia do debate da moção de censura, meu caro, bastar-lhe-á dizer com natural pose de estadista que quem está a ser censurado dentro do próprio partido é o chamado líder da oposição.
E eis como o derrotado de véspera surge no dia seguinte como vencedor.
Nunca vi tanta inépcia política em tão poucas horas...

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D