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Pós-eleitorais (3)

por Pedro Correia, em 28.01.16

As chamadas esquerdas quiseram medir forças nas presidenciais. Perverteram o espírito deste escrutínio, transformando-o numa segunda volta das legislativas (e em novo round das primárias do PS, no caso do confronto Nóvoa/Belém). Alegavam que só a multiplicação das candidaturas conseguiria travar o passo ao "candidato da direita". Pura mistificação, como a linguagem das urnas demonstrou: as esquerdas multiplicadas valem hoje apenas 38,1%. Em política o aumento de parcelas costuma produzir efeitos destes: subtrair em vez de somar.

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38 comentários

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De sampy a 28.01.2016 às 09:27

Mas parece que os socialistas aprenderam a lição. Ontem, no JN:

"Manuel Pizarro deverá ser o único candidato à liderança da federação distrital do PS-Porto, respeitando assim a vontade do líder do PS, António Costa, que já defendeu a necessidade de haver candidaturas únicas em todas as distritais."

A partir de agora, só vitórias à Obiang...
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De Pedro Correia a 28.01.2016 às 12:02

Unicidade distrital no partido que sempre combateu a unicidade sindical.
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De Luís Lavoura a 28.01.2016 às 09:51

Perverteram o espírito deste escrutínio, transformando-o numa segunda volta das legislativas

Onde é que o Pedro descortinou alguém a dizer tal coisa, que as presidenciais eram uma segunda volta das legislativas?

Parece-me que esta é apenas uma interpretação muito criativa do Pedro...
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De Pedro Correia a 28.01.2016 às 12:01

Será uma interpretação "engraçadinha", como diria o camarada Jerónimo.
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De Luís Lavoura a 28.01.2016 às 12:07

O Jerónimo gosta de ser engraçadinho, sempre a dizer adágios e expressões catitas, mas desta vez a gracinha deu-lhe para o torto e teve que vir pedir desculpas...
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De Pedro Correia a 28.01.2016 às 14:17

"Já cá não está quem falou", disse ele. Mas estava.
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De M. S. a 28.01.2016 às 10:15

Caro Pedro:
«as esquerdas multiplicadas valem hoje apenas 38,1%. »
Cuidado com os lapsos na Matemática, arrisca-se a aparecer-lhe pela frente o Crato e depois quero ver como se safa.
Se multiplicar o resultado do Nóvoa pelo da Marisa dá para as esquerdas ganharem 4 eleições com maioria absoluta.
Vá lá, substitua multiplicadas por somadas.
Há uma dimensão das análises que, curiosamente, nunca vi contemplada: o financiamento dos partidos através das eleições.
Os das esquerdas, que não contam com a simpatia nem as bolsas dos privados que têm a massa, financiam-se através do Estado, de diversas formas, incluindo as eleições.
O caso é evidente no bónus de 500 mil euros que o BE irá receber por estas eleições e na (lamentada) perda de 380 mil do PCP pelo mau candidato que escolheu e pela participação na geringonça (bendita geringonça se ajudar a acabar com o último dinossáurio político na Europa Ocidental).
E o PCP financia-se ainda através das autarquias que gere, que enche de filiados (só na minha, com 903 funcionários, tem mais de 500 militantes), pois estes pagam a dízima ao partido. E através de todos os cargos que consegue em todas as estruturas do Estado, nos mais diversos acordos que faz: veja o caso da Área Metropolitana de Lisboa, cujo 1.º secretário é Demétrio Alves.
Por isto o PCP é o mais acérrimo opositor de qualquer reforma do Estado: está sempre contra qualquer racionalização administrativa.
A proliferação de estruturas é o sangue donde se alimenta.
O instinto de sobrevivência deste dinossáurio, forjado na clandestinidade durante quase metade da sua longa existência (foi criado em 1921) , condiciona toda a racionalidade que que por lá possa existir.
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De Pedro Correia a 28.01.2016 às 11:58

As esquerdas multiplicam-se para se somarem. Mas com isso só (se) diminuem.

Quanto ao seu comentário ulterior, é uma reflexão com muito interesse. Vou destacá-la, como merece.
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De Manuel a 28.01.2016 às 14:29

Sem dúvida, tudo dito bem dito.
Com modelo idêntico está o PS, mas ainda não cobra o dízimo aos seus. Em vez disso, opta por cobrar a todo país para agradar os seus eleitores.
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De Pedro Correia a 28.01.2016 às 14:35

O conceito de dízimo faz sentido num partido como o PCP, que tem muitas semelhanças com uma congregação religiosa - com os seus hinos, a sua liturgia, os seus paramentos.
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De sampy a 28.01.2016 às 12:52

Concordo: os resultados do candidato do PCP devem ser vistos como um desaire tanto político quanto financeiro. Em proporção idêntica.
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De Republica das bananas a 28.01.2016 às 11:13

Quando lhe convém, a direita, distorce a realidade.
Até já há quem tenha o descaramento de escrever (mesmo sem acreditar) que as "esquerdas" valem hoje apenas 38,1% .
Aconselho-os a terem calma, paciência, honestidade e discernimento!
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De Pedro Correia a 28.01.2016 às 11:59

Poupe nos pontos de exclamação: não me impressionam minimamente. E tente ripostar com factos.
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De Daniel do Cachimbo da Paz a 28.01.2016 às 11:29

Reconheço essa estratégia talvez no BE e no PCP (por terem tido bons resultados nas legislativas), mas acho forçado medir o valor "das esquerdas" por estas presidenciais, que tiveram particularidades que nenhuma outra eleição teve.

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De Pedro Correia a 28.01.2016 às 12:00

Todas as eleições têm "particularidades".
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De Daniel do Cachimbo da Paz a 28.01.2016 às 14:18

Apanhou-me com essa. Mas elaboro: Marcelo encontrou um consenso nunca antes visto por entre os eleitores (que não se reflectiu nos partidos que o apoiaram) e roubou muitos votos ao PS (quero acreditar que a mais nenhum).

O desinteresse (também inédito) do PS pelas eleições fez o resto.
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De Pedro Correia a 28.01.2016 às 14:24

Mário Soares encontrou um "consenso" muito maior que esse na eleição presidencial de 1991. Já tinha acontecido o mesmo com Eanes na eleição de 1976.
Marcelo, se beneficiou disso, foi por mérito próprio - não por imposição partidária de qualquer espécie. Daí iniciar com uma legitimidade muito própria e muito grande o seu mandato em Belém.
O "desinteresse" do PS resultou, desde logo, da deserção dos chamados candidatos naturais do partido - com António Guterres, Jaime Gama e António Vitorino à cabeça. E para isso, não duvido, Marcelo contribuiu também.
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De Anónimo a 28.01.2016 às 14:06

Onde é que estava o candidato da direita? Eu não o vi. Diga lá quem era.
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De Pedro Correia a 28.01.2016 às 14:16

Talvez o Tino. "Ele é que a leva direita", ouvi dizer dele.
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De Anónimo a 28.01.2016 às 14:37

Era o Tino?! Não goze que fica-lhe mal, tão mal que utiliza o nome de alguém, para gozo puro. A direita nem sequer teve candidato porque aquele em quem apostaram disse-lhes, redondamente não. Outra coisa muito interessante são as contas de que a esquerda vale X e a direita vale Y. Que se saiba, estas foram eleições à presidência, em que o s presidentes não podem ter cor política e não às legislativas, mas o que interessa, não é construir é destruir e isso, aqui, é o pão nosso de cada dia.
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De Pedro Correia a 28.01.2016 às 15:15

Os candidatos não podem ter cor política?!
De que planeta desembarcou você?
Repare no que disse o camarada Jerónimo, referindo-se ao PCP: «Podíamos arranjar uma candidata engraçadinha.»
O secretário-geral disse tudo nesta frase: foi o partido que "arranjou" o candidato, membro do Comité Central. Uma tarefa partidária, como qualquer outra.
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De Anónimo a 28.01.2016 às 15:29

Sabe muito bem o que quero dizer, mas como de costume interpreta à sua maneira e destorce como bem quer e isso não é sério, para quem se quer pôr no topo do jornalismo. Assim, meu caro Pedro não vai lá. Não continue a bater no Jerónimo que ele já viu que errou. Os partidos podem apoiar um candidato, mas o candidato, tem de ser presidente de todos os portugueses de igual maneira, coisa que não se viu no actual presidente. Isto é o B, A, BA, da política e o Pedro sabe muito bem, mas depois vem com comentários que parece que desconhece tudo isto, o que o deixa definitivamente mal.
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De Pedro Correia a 28.01.2016 às 15:38

Jerónimo errou, diz bem. Nunca devia ter "arranjado" aquele candidato que conduziu ao PCP à pior votação de sempre.
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De Manel a 28.01.2016 às 15:49

Os presidentes podem ter apoios de partidos, mas não podem ter cor política. Um Presidente é presidente de todos os portugueses, sejam eles rosa, vermelhos, laranjas, azuis, amarelos e tem de olhar para todos e se diz que têm cor política, está a induzir os outros no erro. Se olhar só para aqueles que lhe deram apoio, então não é presidente de todos os portugueses e isso é muito mau. Ainda temos um presidente que mostrou aos portugueses e ao mundo que foi tudo, menos presidente de todos os portugueses, mas foi presidente daqueles que o apoiaram. Também lhe garanto que ficará na história como o pior dos presidentes.
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De Pedro Correia a 28.01.2016 às 15:58

Ainda bem que o 'padre' Edgar não foi eleito pois jamais seria "presidente de todos os portugueses".
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De J L. a 28.01.2016 às 17:46

" mas não podem ter cor política." Não podem mas têm.
"Um Presidente é presidente de todos os portugueses" Isso é o que eles dizem.
"e se diz que têm cor política, está a induzir os outros no erro." Não induz em erro, está só a falar verdade.
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De Pedro Correia a 28.01.2016 às 18:01

Sim, têm cor política. Mas no exercício do cargo devem agir com dever de isenção. Como se não tivessem essa cor.
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De Manuel a 28.01.2016 às 15:43

É é. Até à semana passada o Prf.Marcelo era um cata-ventos; uma segunda versão de Cavaco; um inquerente em constante contradição; um populista, etc etc.
Esta semana já é um amigalhaço, um gajo porreiro...
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De Pedro Correia a 28.01.2016 às 15:58

Opiniões de geometria variável. É o costume.
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De João de Brito a 28.01.2016 às 15:41

Ainda bem que, aqui, também se fala, e muito, de literatura.
É que já cansa a guerra esquerda-direita-um-dois-três...
É assim há muito tempo.
Mas não me lembro de, pelo menos a nível das elites, haver tal azedume, tal espírito de negação primário e sistemático, como o que vai acontecendo por parte da direita.
Definitivamente, tarda a fazer o luto.
E isso é muito perigoso para a sanidade mental.
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De Pedro Correia a 28.01.2016 às 16:00

Ao menos em literatura não há "um-dois-esquerda-direita". Noutros tempos chegou a haver, mas felizmente esses tempos passaram.
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De João de Brito a 28.01.2016 às 15:52

Esqueço-me sempre, porque normalmente não é necessário:
- o, provavelmente anónimo, que acaba de comentar sou eu:
- João de Brito
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De Pedro Correia a 28.01.2016 às 16:00

Estava identificado. Mas nunca é de mais ver a sua assinatura. Com nome de santo.
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De João de Brito a 28.01.2016 às 17:31

Para além de culto, Vossa Excelência revela intuição.
É que é mesmo nome próprio.
Não me imaginaria, a mim próprio, fazendo questão de assinar João DE Brito, sendo Brito um apelido.
Por isso é que, julgando os outros (outros?!) por mim, às vezes,
imprudentemente, aconchego-me em afetos e intimidades proibidos...
Peço desculpa!
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De Anónimo a 28.01.2016 às 17:50

Não percebi. Eu tenho um DE no nome mas não o posso tirar do bilhete de identidade. Quem me registou percebia pouco de escrita e o escrivão também era (suponho) semi-analfabeto pelo que inventou o DE.
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De José Manuel Faria a 28.01.2016 às 18:24

1 - Marisa Matias alcançou votos de eleitores que nas legislativas votaram: LIVRE, PS, CDU e BE. Foi uma candidatura abrangente e o BE não deveria torná - la sua.
2 - Parte do BE e da CDU estiveram com Sampaio da Nóvoa.

Não se deve deduzir: Marisa/BE.
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De Pedro Correia a 28.01.2016 às 18:40

Pois, José Manuel. Alcançaram objectivos opostos: Marisa alargou o espectro de votantes do BE, Edgar estreitou o do PCP.
Um jornal publicou esta semana um estudo sobre transferências de votos das legislativas para as presidenciais. Marisa Matias conseguiu votos de todas as áreas políticas, incluindo do PSD/CDS. Os votos de Edgar Silva vieram quase só da CDU, além de franjas muito residuais do BE.

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