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Pós-eleitorais (10)

por Pedro Correia, em 08.02.16

Continuo a ler por aí que Marcelo Rebelo de Sousa venceu com evidente facilidade a eleição presidencial "por não ser o candidato que a direita verdadeiramente queria". Esta tese, disseminada pelos cultores de etiquetas que proliferam na "análise política" à portuguesa, baralha os factos com brutal desfaçatez. As invectivas contra Marcelo, por parte dos seus adversários à esquerda, não pouparam pormenor algum nos meses que antecederam o escrutínio - dele disseram que era um novo Cavaco, que escrevia cartas a Marcelo Caetano, que fugiu à tropa, que tocava às campainhas das portas quando era miúdo, que chamou lelé da cuca ao doutor Balsemão, que mergulhou no Tejo, que perdeu um debate televisivo em mil novecentos e troca o passo.

Os eleitores votaram como lhes apeteceu, indiferentes à vozearia dos tudólogos. Agora aqueles que o invectivaram apressam-se a reclamar sem pudor um quinhão da vitória, garantindo ao País que "a direita anda aziada", Costa ficou feliz e Passos Coelho teve de engolir um elefante. Falam como se Marcelo fosse troféu de estimação em vez do alvo a que fizeram pontaria nos últimos meses. Sobre Sampaio da Nóvoa, que foi o candidato de quase todos eles, ninguém voltou a ouvir-lhes sequer um sussurro. Aplicam à política os versos do António Variações: "Eu só quero ir / Aonde eu não vou / Porque eu só estou bem / Onde não estou."

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10 comentários

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De carlos faria a 08.02.2016 às 15:04

Nem mais, mesmo sem ser um republicano convicto, votei como me apeteceu e não engoli sapo nenhum...
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De Pedro Correia a 08.02.2016 às 22:28

Entretanto abateu-se a névoa sobre Nóvoa. Que será feito dele?
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De cristof a 08.02.2016 às 16:06

Esta tecnica de criar "verdades" vai fazendo escola, com a ajuda de tudologos encartados em cientistas sociais, que fazem crer a mole de eleitores que as "teorias" que apresentam não são balelas da cuca. A exigencia de escrutinar por parte dos cidadãos deve ser a unica defesa contra tudologos e "doutores", estilo intelectual do bloco, que conseguem fazer crer aos leitores que fundamentam as balelas que debitam em alicerces solidos da ciencia feita. Se os jornalistas sérios não dão uma ajuda os eleitores ficam a mercê destas tudologias, que comem como boas.
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De Pedro Correia a 08.02.2016 às 22:29

De facto, é isso mesmo que os tudólogos mais produzem: balelas.
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De Anónimo a 08.02.2016 às 19:43

O Pedro fala dos outros e o Pedro o que é que faz aqui? Crítica e faz exactamente o mesmo.
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De Pedro Correia a 08.02.2016 às 22:26

Não seja lelé da cuca.
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De JgMenos a 08.02.2016 às 23:10

A suspeição maior dos etiquetadores é sobre quem não se etiqueta.
Ora o Marcelo disse-se a esquerda da direita, logo não pode ser tão mau assim...
O Nóvoa era da esquerda - etiquetado e arquivado.
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De Pedro Correia a 08.02.2016 às 23:31

Talvez não esteja ainda arquivado. Julgo que daria um bom treinador para a Académica.
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De Manuel a 09.02.2016 às 15:48

Dois caçadores conversam em seu acampamento:
- O que você faria se estivesse agora na selva e uma onça aparecesse na sua frente?
- Ora, dava um tiro nela.
- Mas se você não tivesse nenhuma arma de fogo?
- Bom, então eu matava ela com meu facão.
- E se você estivesse sem o facão?
- Apanhava um pedaço de pau.
- E se não tivesse nenhum pedaço de pau?
- Subiria na árvore mais próxima!
- E se não tivesse nenhuma árvore?
- Sairia correndo.
- E se você estivesse paralisado pelo medo?
Então, o outro, já irritado, retruca:
- Mas, afinal, você é meu amigo ou amigo da onça?

Moral da história: falsos amigos é o que mais há nesta vida e quem tem vara curta não cutuca onça.
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De Pedro Correia a 09.02.2016 às 16:07

O pior da onça é sentir-lhe o bafo. Dizem, porque nunca experimentei.

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