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Portugal, passado e futuro próximos

por José António Abreu, em 06.01.15

A grande diferença entre Portugal e a Grécia foi que, aqui, houve uma coligação de governo que, sob escrutínio do Presidente, durou e sustentou o ajustamento durante quatro anos. A actual maioria de direita teve ainda este efeito fundamental: dispensou o PS de se comprometer e deu-lhe uma razão para se impor, à esquerda e entre os descontentes, como o líder necessário de uma maioria alternativa. Deste modo, os partidos tradicionais do regime retiveram os seus eleitorados, sem deixar muito espaço até agora para novos populismos e extremismos.

[…]

Convém não esquecer como isto começou. O projecto do Euro pressupunha uma nova fase de modernização das sociedades inflacionistas do sul da Europa. Em vez disso, o crédito barato do euro serviu para alimentar o endividamento e adiar o confronto com os parasitismos (sindicais, empresariais e corporativos). O resultado foram economias ainda menos competitivas e sobrecarregadas com a incerteza das dívidas.

A questão continua a ser política: é preciso que o regime, se quer preservar o quadro da moeda única, adquira o poder necessário para resistir ao facilitismo e contrariar os interesses instalados. Ora, neste momento aproximamo-nos do prazo de validade das condições de estabilidade dos últimos quatro anos. Em 2015, a actual maioria pode não ser renovada. Em 2016 o Presidente será necessariamente substituído. Como será encontrada uma “solução governativa estável, sólida e consistente” numa assembleia em que, por hipótese, nem a aliança do PSD e do CDS, nem o PS sozinho possam garantir uma maioria absoluta?

Rui Ramos, no Observador.

 

E depois há a questão do PS, garantindo uma maioria absoluta, ter de esquecer o futuro cor-de-rosa com que anda a acenar (enfim, Costa pode sempre torcer para que a Grécia conquiste para os países do Sul o direito ao laxismo orçamental, à custa de transferências massivas de fundos a partir dos do Norte) e continuar (ou, em alguns casos, iniciar) reformas que actualmente contesta. A mudança (implícita no texto de Rui Ramos) apenas surpreenderia os ingénuos do costume mas são eles que lhe podem dar a vitória nas legislativas.

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7 comentários

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De jo a 06.01.2015 às 12:31

Talvez devido à sua origem a nossa direita tem tiques de partidos estalinistas:
As reformas levadas a cabo não estão a dar resultados, mas isso deve-se à conspiração de interesses cooperativistas instalados que não as deixam desenvolver. Parece que todos, desde sindicatos a patrões, passando por funcionários públicos se conluiaram contra o nosso futuro. Os únicos que levam o farol da razão são os nossos governantes e, apesar de os resultados serem pífios, devemos agradecer-lhes. Devemos também prosseguir com mais força as reformas que eles começaram porque só não resultaram porque não foram implementadas até ao fim. É o governo do que é melhor para o povo, contra o povo e apesar do povo.
Quando pensamos que o discurso da recompensa na outra vida e dos amanhãs que cantam morreu, ei-lo que renasce mais bacoco que nunca.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 06.01.2015 às 18:20

Deixa lá ver se é desta que a Syrisa ganha as eleições na Grécia. Para ver se os bacocos que acreditam que o dinheiro nasce debaixo das pedras e as criancinhas vêm de Paris penduradas do bico de uma cegonha aprendem.
Tsipras quer que a "Europa pague 143 mil milhões" da divida grega para ajudar a "estabilizar o euro". A nós portugueses devem tocar aí 6 ou 7 mil milhões. Espero que os que são anti-austeridade e não gostam de reformas (só das deles) se cheguem à frente, porque eu não estou para aí virado. Os gregos fazem-me tanta falta na UE e na Zona Euro como uma camada de sarna; portanto e como dizia a minha avó, "a porta da cozinha é a serventia da casa".
Resta-nos o Costa. O problema é que os conselheiros que ele arranjou, são os mesmos que o Sócrates usava com tão bons resultados.

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De jo a 06.01.2015 às 18:53

O problema dos Gregos não é o que o Syriza vai fazer. O problema dos gregos é que o programa de salvação pelo sofrimento que lhe impingiram falhou.
Já experimentou ver quais eram os objetivos que existiam quando começou o plano de ajustamento? Quantos foram alcançados?
Pois é, como não resulta a solução é continuar. E já agora dizer que a Troica falhou na Grécia desde 2010 porque o Syiriza se vai apresentar a eleições em 2015.
Penso que tem a relação de causa e efeito trocada.
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De lucklucky a 06.01.2015 às 22:18

"O problema dos gregos é que o programa de salvação pelo sofrimento que lhe impingiram falhou."

Se um país se endivida nada produz que possa pagar esse endividamento obviamente que fica mais pobre quando tem de pagar de volta o endividamento e a Grécia nem sequer chegou bem aí...ainda falta muito.

Não tem nada que ver com "programas". Tem que ver com realidade. Física.

Não me diga que está contra a ciência.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 07.01.2015 às 01:35

O problema dos gregos foi terem entrado para o euro (e 20 anos antes para a então CEE) por artes mágicas sem terem condições absolutamente nenhumas para isso.
A Grécia já beneficiou de um hair-cut de 50% na sua divida que apesar disso ainda está nos 200% do PIB, e quer continuar com o bem-bom que tinha antes do 1º resgate, e já vai a caminho do 4º, à custa do dinheiro alheio.
Não foi a troika que falhou na Grécia, foram os sucessivos governos gregos que não cumpriram minimamente aquilo a que se comprometeram.
Bem podem os credores e os contribuintes europeus concederem sucessivos perdões de divida que a Grécia não resolve problema nenhum. Hão-de querer sempre mais e mais, porque desde 1981 se habituaram a mamar nas tetas de uma Europa que estava convencida que não podia passar sem a Grécia.
Parece que agora já se convenceu que pode.
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De Jambe a 06.01.2015 às 12:39

Eu quero um TGV para ir a Badajoz buscar o Mercedes.
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De cristof a 07.01.2015 às 10:11

Vale a pena tanto para os "adolescentes" que acham que o papá vai pagar sempre as calças novas, como para os que começam a ganhar o que gastam, logo aos 18 anos, pensarem que os crescimentos de 8% ao ano estão fora do alcance na UE, para sempre. Se gostam de sonhos é melhor montarem casa na India, China ou qualquer dos países subdesenvolvidos.
Quem dos candidatos a capanga mor vos vier dizer o contrário tenham a certeza que vos está a vender banha da cobra = dá muita pica mas não serve para nada.

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