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Portugal, Espanha e o Brexit

por Diogo Noivo, em 30.06.16

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Os portugueses votaram nos partidos que compõem a actual maioria de governo, mas não a validaram nas urnas. Já os espanhóis tiveram esse privilégio. Durante os últimos seis meses, o PSOE, o segundo partido mais votado nas eleições legislativas de Dezembro, tentou repetidamente formar uma maioria de governo com o Podemos e com o Ciudadanos. O objectivo era impedir o Partido Popular, o mais votado, de governar. Meio ano depois, estes partidos submeteram-se novamente ao voto popular e o resultado é claro: PSOE perde votos e mandatos, obtendo o pior resultado de sempre; o Ciudadanos perde votos e mandatos, tornando-se ainda menos relevante; o Podemos, apesar de coligado com a Izquierda Unida, não consegue mais mandatos, perde mais de 1 milhão de votos e falha o lugar de principal força de esquerda. O Partido Popular, inimigo público número 1 para os três partidos que pugnaram por um arranjo parlamentar, reforça a vitória obtida em Dezembro com mais 14 deputados e mais 600 mil votos. Em Espanha, ensaiou-se uma maioria para desalojar o partido mais votado, e os partidos envolvidos nesse empreendimento foram seriamente penalizados. Já o partido que foi impedido de assumir funções saiu mais forte do acto eleitoral. Talvez seja uma coincidência.

 

Terá sido o Brexit?

É impossível determinar com exactidão o efeito real do Brexit nas escolhas feitas pelos eleitores espanhóis. No entanto, os dados sugerem que esse efeito foi marginal. Em primeiro lugar, PSOE e Ciudadanos, dois dos três partidos mais penalizados, têm fortes convicções europeístas e são contrários ao Brexit. Por isso, é pouco plausível que o eleitorado os tenha sancionado por força do “sim” no referendo.

Em segundo lugar, a flutuação de votos em relação às eleições de 20 de Dezembro sugere que os resultados do passado domingo se devem maioritariamente a assuntos internos. Isto é especialmente visível quando olhamos para a coligação entre Podemos e Izquierda Unida, o Unidos Podemos. Com excepção de Barcelona, o Unidos Podemos foi penalizado em todos os municípios onde governa o Podemos, o que indicia eleitores com motivações locais. Subamos agora um degrau na escala político-administrativa e olhemos para as comunidades. Em Madrid, na Catalunha e na Comunidade Valenciana, o Unidos Podemos perdeu os votos que pertenciam à Izquierda Unida, o que sugere um desagrado dos votantes comunistas causado por guerras internas da extrema-esquerda (cada vez mais audíveis). Por último, se o Unidos Podemos fosse prejudicado por causa do seu anti-europeísmo, seria expectável que houvesse uma transferência de votos do UP para partidos defensores da causa europeia (em particular, para o PSOE). No entanto, o número de votos perdidos pelo Unidos Podemos é praticamente igual ao número de novos abstencionistas.

A motivação dos eleitores é diversificada e cheia de subtilezas, logo não existem causas únicas para explicar resultados eleitorais. No entanto, em Espanha, os dados sugerem motivações de política interna. Assim sendo, coincidência ou não, insisto: os três partidos que tentaram desalojar o partido mais votado foram todos penalizados.

 

Bipartidarismo

No que respeita ao bipartidarismo, há semelhanças entre os vizinhos ibéricos. Em Portugal, nas últimas eleições legislativas, a ameaça à hegemonia do PSD e do PS era substancialmente menor do que a ameaça sentida pelos dois principais partidos espanhóis. No entanto, embora com um cenário parlamentar mais fragmentado, PP e PSOE continuam a ser os principais partidos nacionais. A “nova política” chegou a Espanha, mas ainda não se instalou.

À esquerda encontramos mais parecenças: em Portugal como em Espanha, os socialismos e as extremas-esquerdas na oposição não capitalizaram nas urnas o descontentamento popular contra os governos neo-liberais, contra os Executivos que tinham na austeridade uma opção ideológica, contra a direita subserviente a Berlim, contra aqueles que aniquilam o estado social. Era um aproveitamento inevitável, segundo boa parte da imprensa ibérica. Porém, não aconteceu. Haverá nesta pequena península um divórcio entre a opinião pública e a opinião publicada?

 

Pactos de Governo

Tal como em Portugal, a soma dos derrotados em Espanha ultrapassa a barreira da maioria absoluta. Juntos, PSOE, Unidos Podemos e Ciudadanos contam com 188 deputados (são necessários 176 para a maioria absoluta). A aritmética bate certo, mas a política dificilmente a viabilizará. Ciudadanos e Unidos Podemos são incompatíveis e o perfil Albert Rivera, presidente do Ciudadanos, não se coadunará com cedências de princípios a troco de lugares ou de influência legislativa. Rivera fará exigências que a coligação de extrema-esquerda não poderá cumprir. E vice-versa. Por outro lado, estes últimos seis meses degradaram bastante as relações entre socialistas e podemitas. O acordo entre estas duas forças políticas é teoricamente possível, mas são várias as personalidades de relevo no PSOE que o rejeitam. Vale o que vale, mas o sms enviado por Pablo Iglesias a Pedro Sánchez continua sem resposta – esta terça-feira, na primeira entrevista televisiva depois do acto eleitoral, o líder do Podemos queixou-se do silêncio socialista.

Apesar de derrotados nas urnas, PSOE, Ciudadanos e Unidos Podemos, mantêm o veto a Mariano Rajoy. Em política tudo é possível e 48 horas são uma eternidade que permite vários avanços e recuos. Vão aparecendo sinais de mudança. Mas, para já, as linhas vermelhas são praticamente as mesmas.

 

Principais diferenças de contexto entre Portugal e Espanha

Das várias diferenças entre os cenários políticos de Portugal e de Espanha, três são especialmente significativas: (i) houve maior utilitarismo na esquerda portuguesa; (ii) perante a possibilidade real de integrar um Governo, a extrema-esquerda espanhola viu-se obrigada a apresentar um programa de governo que fosse para além das utopias e dos protestos habituais – e os eleitores do centro ficaram horrorizados com o que viram; (iii) em Espanha houve seis meses de debate e de escrutínio das intenções partidárias, nomeadamente dos propósitos socialistas. Os seis meses de interregno entre escrutínios foram importantes. O eleitorado falou e não ficou tudo na mesma.


6 comentários

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De Pedro Correia a 30.06.2016 às 11:20

Divergimos quando à influencia do Brexit na mobilização de última hora dos eleitores indecisos, Diogo.
Repara: todas as sondagens – sem excepção – apontavam para a ultrapassagem do PSOE pela frente Unidos Podemos. As sondagens, como sabemos, deixaram de publicar-se na última semana devido à anacrónica lei eleitoral que as proíbe em Espanha, tal como em Portugal. Disso aliás deste nota aqui uma semana antes: “Mantém-se no horizonte a forte possibilidade de obliteração dos socialistas às mãos do Unidos Podemos.”
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/a-caminho-do-26j-vi-a-recta-final-8548169

O que sucedeu de relevante na última semana e que já não pôde ser medido pelas sondagens? Precisamente o Brexit, que pode ter sido vital na mobilização de eleitores que talvez pudessem abster-se.
Tu foste aliás o primeiro a apontar uma possível ligação entre uma coisa e outra, aqui mesmo, no DELITO: “O Brexit pode revelar-se um cautionary tale. Isto é, pode assumir a premência de um sinal de alerta.”
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/a-caminho-do-26j-vii-pactos-de-governo-8561724

É também nessa direcção que aponta o editorial do El País publicado na edição imediatamente a seguir à contagem dos votos:
«Asumimos que el presidente verá este resultado como una reivindicación personal. Su estrategia de polarizar la campaña, con ayuda de Podemos —involuntariamente, también del referéndum británico— ha sido eficaz.»
http://elpais.com/elpais/2016/06/26/opinion/1466973088_547394.html

Algo que deva surpreender-nos?
Não. Seria inevitável uma relação causal entre o Brexit, que produziu um abalo sísmico político na Europa, e apenas três dias separaram os dois actos eleitorais.
Mais ainda que isso possa ter sucedido em Espanha, por vários motivos:
- O Reino Unido é o maior parceiro comercial de Espanha.
- No Reino Unido vivem de momento mais de 200 mil espanhóis, 70% dos quais são jovens que lá estudam e trabalham.
- Mais de 15 milhões de britânicos visitam anualmente Espanha como turistas - cerca de um quarto do total.
- O turismo gera receitas anuais de cerca de 50 mil milhões de euros em Espanha. Deste número pelo menos 13 mil milhões são geradas por britânicos.
- Muitos reformados espanhóis têm pequenas poupanças na Bolsa. E recordo que a Bolsa espanhola – a par da italiana – foi a mais penalizada na hecatombe pós-Brexit:
http://economico.sapo.pt/noticias/bolsas-espanhola-e-italiana-as-mais-penalizadas-pelo-brexit-com-quedas-acima-de-12_252883.html

A associação entre as legislativas e o Brexit foi, de resto, feita pela opinião publicada, à direita e à esquerda.
Um exemplo à direita: Isabel San Sebastián, no ABC:
«Las huestes de Iglesias encarnan el discurso populista de extrema izquierda que desde el extremo opuesto ha arrastrado al Reino Unido al abismo incierto del Brexit. Un hecho que ha pesado mucho en el descalabro podemita.»
http://www.abc.es/opinion/abci-pincha-iglesias-201606280549_noticia.html
Um exemplo à esquerda: Juan Carlos Monedero, no Público (espanhol):
«Las personas mayores, con el miedo acrecentado con la salida del Reino Unido de la Unión Europea, han vuelto a colgar en su salón el bordado que dice “más vale lo malo conocido que lo bueno por conocer.»
http://www.comiendotierra.es/2016/06/27/a-la-primera-no-va-la-vencida/

Apontei também nesta direcção quando elegi Pablo Iglesias como “primeira vítima política do Brexit” fora das fronteiras espanholas (no Reino Unido, como sabemos, são Cameron e Corbyn), na medida em que o referendo britânico pode funcionar como vacina contra os populismos identitários e soberanistas por essa Europa fora.
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/a-primeira-vitima-do-brexit-8568544
É uma tese, vale o que vale. Mas não deve ser descartada.

No mesmo dia, uma voz insuspeita relacionava os fenómenos: um comunista da velha guarda, Monereo, que encabeçou a lista eleitoral Unidos Podemos por Córdova:
«Monereo encuentra la explicación a estos resultados en que el votante moderado, influenciado por el Brexit, decidió no confiar en Unidos Podemos. «'Creo que el asunto británico ha terminado por levantar el voto moderado del país'.»
http://www.abc.es/elecciones/elecciones-generales/abci-elecciones-2016-monereo-unidos-podemos-matrimonio-mas-conveniencia-amor-201606280211_noticia.html

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De Diogo Noivo a 30.06.2016 às 13:13

Em cinco pontos, discordamos em um. Não é grave. :)
Mas vamos às sondagens. Como escreves, e como fui dando nota ao longo de semanas, todas as sondagens – sem excepção, até no próprio dia das eleições – garantiam o ‘sorpaso’, o que não aconteceu. Logo, há três hipóteses: os eleitores mudaram de opinião, os eleitores mentiram às empresas de sondagens, ou as sondagens estavam mal feitas.
Depois das eleições, os responsáveis das empresas de sondagens eliminam as duas primeiras hipóteses: “Las encuestas decían que los votantes de Podemos acudirían a las urnas. El votante no miente, si hemos fallado es por nuestra falta de capacidad de análisis”. Ou seja, e como já escrevi aqui no DELITO, o erro esteve no pressuposto que a união entre Podemos e Izquierda Unida fidelizava voto e tinha potencial de crescimento. E afirmam os especialistas em sondagens que o Brexit não teve influência suficiente na decisão dos eleitores.
http://www.elmundo.es/espana/2016/06/27/5770fe0d268e3e863a8b45e4.html

Escrevi, de facto, que o Brexit poderia ser um ‘cautionary tale”, mas “[n]ão que seja suficiente para alterar as intenções de voto”.
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/a-caminho-do-26j-vii-pactos-de-governo-8561724
A este respeito, e como escrevi neste post, o meu argumento – e esperança – é que “os partidos subscritores da ordem constitucional vigente, podem ver no Brexit um sintoma de um mal sistémico que apele à sua responsabilidade”. Por outras palavras, o Brexit poderá ajudar a mitigar as “linhas vermelhas” que impedem a investidura de um governo.

E os argumentos que, à esquerda e à direita, apontam o Brexit como causa têm um pequeno problema: ignoram por completo a análise dos resultados eleitorais. São teses que, quando confrontadas com os números, não se sustêm. Não digo que a tese deva ser liminarmente descartada. Aliás, escrevo neste post que é impossível saber ao certo qual o impacto real do Brexit nas eleições. Mas tudo indica que foi reduzido.

Se as sondagens se enganam, os resultados eleitorais não. E quando olhamos para os resultados, município por município, comunidade por comunidade, vemos eleitores motivados por política interna. As sondagens falharam por assumir que Unidos Podemos fidelizava voto e podia crescer, e por isso é interessante analisar os resultados desta coligação de extrema-esquerda. E, como espero ter demonstrado neste post, tudo indica eleitores com motivações locais, nacionais. A guerra entre as extremas-esquerdas parece ter sido factor preponderante em três comunidades nada negligenciáveis em termos de votos e de mandatos (Madrid, Catalunha e Comunidade Valenciana) – e diga-se que essa guerra está ao rubro.
http://www.20minutos.es/noticia/2784451/0/pablo-iglesias-analisis-elecciones-generales-26j-gobierno/

Quanto ao Monedero, agora como no passado, é difícil percebe-lo. Passou toda a campanha a criticar Pablo Iglesias por falta de agressividade e por um discurso demasiado moderado. http://www.elplural.com/2016/06/27/juan-carlos-monedero-el-cat-logo-de-ikea-no-fue-suficiente
Ora, assumindo o argumento Brexit, tivesse Iglesias feito o que Monedero sugeria e ai sim o Unidos Podemos corria o risco de ser seriamente penalizado pelo “sim” no referendo.
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De jo a 30.06.2016 às 11:40

Ponto prévio:
Os portugueses votaram, o resultado das eleições foi respeitado, logo os portugueses votaram neste governo. Se começarmos a perguntar o que é que as pessoas queriam exatamente dizer quando votaram entramos por caminhos estranhos. Claro que os iluminados gostam de dizer que eles é que sabem o que o povo quer dizer quando entrega o voto. Porque o povo é infantil e precisa de ser interpretado. Daí até começarem a dizer que o povo não está pronto para a democracia vai o passo de um anão.
O PP e o PSOE não conseguem formar governo sozinhos e não se conseguem aliar com ninguém - se isto não é uma derrota é incompetência política. Os políticos, tal como o comum dos mortais, têm de atingir objetivos com o que têm, se não conseguem dar a volta aos resultados das duas uma: ou é impossível e foram derrotados, ou é falta de sabedoria política.
O Podemos e os Ciudadanos perderam votos em relação às últimas eleições, mas como elas são as únicas em que votaram é um bocado abusivo inferir daí tendências de longo prazo.
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De Diogo Noivo a 30.06.2016 às 13:17

Caro jo, o "logo" na primeira frase não faz sentido, não faz uma ligação lógica entre duas premissas.
Mas numa coisa estamos de acordo: os iluminados gostam de dizer que eles é que sabem o que o povo quer dizer quando entrega o voto. Em Portugal, disseram-nos que "a esquerda ganhou as eleições", quando não há apenas uma esquerda em Portugal e, sobretudo, quando os eleitores votam em partidos e não em frentes de esquerda e de direita.
Por último, não infiro tendências de longo prazo. Digo que PSOE, Unidos Podemos e Ciudadanos sofreram uma séria derrota.
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De Anónimo a 01.07.2016 às 09:42

"Os portugueses votaram nos partidos que compõem a actual maioria de governo, mas não a validaram nas urnas."

Exactamente como no governo PSD/CDS. Evidenciada a falácia no argumento, fica o restante raciocínio coxo.
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De Diogo Noivo a 01.07.2016 às 11:07

Pequeníssimo pormenor: a coligação entre PSP e CDS era liderada pelo partido mais votado e com mais deputados. Uma vez que as eleições são uma competição entre partidos, convenhamos que não se trata de um aspecto menor. Além do mais, nas legislativas de 2015, os portugueses validaram esta coligação ao entregar novamente a vitória ao PSD. Logo, “coxos” só mesmo uns comentários anónimos que por aqui vão aparecendo.

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