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Li esta notícia ontem. Anuncia que Portugal terminou os Primeiros Jogos da Trissomia, em Itália, com 33 medalhas, seis delas de ouro, numa espécie de Olimpíadas que juntaram cerca de 750 competidores de 36 países.

Confesso que a princípio achei que estava no meio de um skech dos Gato Fedorento, tipo ah e tal, agora até os trissómicos portugueses são melhores do que os outros, querem lá ver. Mas depois pareceu-me óbvio o motivo que está por detrás deste sucesso.

Portugal é um dos países mais avançados em termos de integração. Neste momento, virtualmente todas as crianças com trissomia 21 frequentam sistema regular de ensino. E, a par com isso, praticam actividades em ambiente não exclusivo. Lá vão para a natação, para o judo, para os escuteiros, para o pingue-pongue, para a ginástica, ou seja lá para onde for, treinar em conjunto com crianças perfeitamente normais.

Isto torna a fasquia alta. Faz com que cada um deles, não obstante as suas dificuldades, se paute pela normalidade.

E este ambiente, que só é possível porque quer os pais, quer os treinadores, acreditam que eles são capazes, faz com que consigam realmente superar qualquer expectativa. É este ambiente que faz deles campeões.

Na maior parte dos países, mesmo nos mais avançados, estas crianças são colocadas em ambientes exclusivos. É perfeitamente defensável dizer que há vantagens nessa opção: trabalham com professores mais preparados, fazem desporto adaptado às suas dificuldades e convivem na maior parte do seu tempo com os seus pares. Mas, do meu ponto de vista, são menos desafiados. É como se criássemos escolas para crianças tímidas para não correrem o risco de sofrerem bullying. Seria certamente mais confortável, mas muito menos enriquecedor na preparação para a vida.

Como tenho um projecto de vida para a minha filha, que passa por muito mais do que assumir a sua deficiência e cruzar os braços, defendo ferozmente a integração.

Quero para ela o que quero para os outro filhos: que seja autónoma e feliz. Sei que, no caso dela, a rota é diferente e que vai tendo de ser adaptada. Mas tenho a certeza de que se não a puser a olhar para cima, ela não vai saber onde tem de chegar.

 

jogosdatrissomia.jpg


3 comentários

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De IsabelPS a 25.07.2016 às 19:18

Pode ser que seja por isso e, se assim for, fico muito contente. Mas, pelo que percebi, Portugal tem também uma prestação excepcional nos Paralímpicos e em várias modalidades de desporto adaptado. Nunca percebi porquê (nem como), uma vez que Portugal é verdadeiramente mau no apoio às pessoas com deficiência (as histórias das ajudas técnicas/produtos de apoio são verdadeiros filmes de terror, por exemplo). Pelo menos no que diz respeito à deficiência motora, que é a que conheço melhor. Ainda não percebi o que se passa, mas alguma coisa fazemos bam com certeza... a menos que os outros façam muito pior!
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De Nuno a 26.07.2016 às 01:03

É de louvar a abordagem que tem perante a educação da sua filha.

Pode ter a certeza que esse ambiente a vai motivar a ser melhor, e dessa forma irá com toda a probabilidade exceder largamente todos os prognósticos iniciais.

Daqui a uns (largos) anos é natural que atinja o seu auge, e que comece, aos poucos, a regredir. Será frustrante e será sempre demasiado cedo, mas acredito sinceramente que, assim, será mais autónoma e feliz do que se não tivesse elevado tanto a fasquia.

Tudo o que conseguir, mesmo que o venha a perder, vale a pena. Pode crer.
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De Francisca Prieto a 26.07.2016 às 22:28

Acredito realmente que oportunidades criam capacidades. Ela irá até onde quiser e conseguir ir. O importante é dar-lhe as ferramentas.
Mais tarde, logo se vê.
Um abraço e muito obrigada pelo seu simpático comentário.

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