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Poderia Bolsonaro ser deputado do PS?

por Tiago Mota Saraiva, em 23.08.19

Miranda Calha - deputado eleito nas listas do PS à Assembleia Constituinte, à Assembleia da República nas I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X e XI legislaturas eleito por Portalegre, à XII legislatura eleito pelo Porto e à XIII legislatura eleito por Lisboa - subscreveu com mais 85 deputados do PSD e CDS-PP um pedido de fiscalização sucessiva da lei sobre o direito à autodeterminação da identidade de género. Miguel Morgado, o seu mais destacado promotor, tem vindo a defender que se trata do início de um combate contra a "ideologia de género" termo que, como se sabe, é uma criação da máquina de propaganda de Bolsonaro e enferma de um "ligeiro" problema de rigor científico sobre o qual não me deterei neste escrito.

 

Leonel Gouveia foi eleito em 2013, nas listas do PS, como presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão e é, como se sabe, o grande defensor da ideia que o Estado deve construir um Museu Salazar. Não sei se será a mesma coisa mas, para 2019, já anunciou a realização, com dinheiros municipais, da "requalificação da Escola Cantina Salazar em Centro Interpretativo do Estado Novo".


Sabe-se que, num e noutro caso, a posição oficial do PS é, como seria natural, contrária ao que estes dois destacados militantes defendem. Por outro lado, o PS sempre defendeu que é um partido que aceita a diversidade de opiniões e faz disso uma bandeira. Ora em boa verdade, em todos os partidos há diversidade de opiniões e de formas diferentes elas são, mais ou menos, expressas no espaço público ou no seio do partido. O problema destes dois casos, e haverá outros no PS, não é a sua opinião mas a partir de uma posição pública alcançada nas listas do partido tomarem uma posição política e ideológica (e não opinativa) antagónica e que não pode, nem deve, deixar de comprometer o partido.
Esta qualidade de que o PS se orgulha é uma liberalidade que desrespeita e descredibiliza o voto popular. Quantos votantes do PS no distrito de Lisboa gostarão de saber que o seu voto serviu para eleger um deputado que se juntou à luta contra a "ideologia de género"? Quantos militantes do PS, ideologicamente anti-fascistas, gostarão de saber que um presidente de Câmara eleito nas suas listas é o principal defensor do Museu Salazar?
Um partido não deve ser meramente uma agremiação e gestão de interesses diversos, nem deve ter representantes ou militantes que defendam tudo e o seu contrário. Se é certo que deverá haver margem, maior ou menor, para acolher a diversidade de opiniões em qualquer partido também há que definir limites e fronteiras que o PS parece não ter.
Daí a questão que lanço no título deste post: poderia Bolsonaro ser deputado do PS?

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20 comentários

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De jpt a 23.08.2019 às 12:11

Quantos eleitores republicanos, laicos e socialistas, votantes no PS, gostarão que o seu partido gaste o erário público e as energias administrativas a construir igrejas católicas? É apenas mais uma questão.
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De André Miguel a 23.08.2019 às 15:08

E mesquitas?
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De Alexandre Soares a 23.08.2019 às 16:48

Só mais uma cu-estão, como é que se sabe quem são os votantes no ps?
So mais outra cu-estão, quando é enfiaste esse barrete bonito que não consegues nem almejas tirar?
Agora imagina outra cu-estão, imagina que as igrejas católicas (ou não tanto faz) podiam servir para proteger a vida das pessoas de Pedrógão ou da Amazônia? Não, não pode ser, na Amazônia ainda só se perderam 42000 parasitas de quatro pés, ou seja, jpt's em potência elevada, em Pedrógão é que morreram mesmo pessoas a sério.
O Bolsonaro é mau.
O jpt é dos bons , só que ainda não sabe, ainda pensa que os fogos se apuram muito bem apuradinhos na frigideira ou na televisão.
O que havemos de fazer! Deixar arder e rezar ao Deus da chuva para ver se chove, que estas alterações climáticas não se agantam.
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De Vento a 23.08.2019 às 12:22

Relativamente aos exemplos que cita, verifico com bastante agrado que ainda existem democratas corajosos que se opõem às forças reaccionárias e contra-revolucionárias que pretendem transformar uma ideologia, a do género, em um programa ideológico para toda uma nação, a começar pelo próprio PS. Basta olhar para todo o tipo de legislação prosélita em torno da matéria.
Salazar é também a história de Portugal. Não vale a pena criar caça-fantasmas em torno desta matéria.
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De Vento a 23.08.2019 às 21:06

Só para acrescentar que gostaria de ver postado o dito "rigor científico" que é capaz de transformar uma ideologia em ciência.

Aquilo que determina a falsidade e o proselitismo ideológico nesta matéria baseia-se em usar os meios administrativos para determinar o que a ciência não apura ou corrobora.
Uma coisa será respeitar a condição e dignidade de cada um; outra é fazer dos meios administrativos uma alternativa para criar desvios em percursos antropológicos e sociológicos.
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De Vento a 23.08.2019 às 21:40

Não incluí duas ligações em torno desta matéria. Uma diz respeito ao facto do Conselho Nórdico de Ministros, (uma comissão internacional formada por representantes dos governos da Noruega, Suécia, Dinamarca e Islândia, Iceland) ter encerrado (2012) o Instituto Nórdico do Género (NIKK), baseando as investigações nisto:
https://www.youtube.com/watch?v=0qtGuuy0tks

A opinião de um neurologista, entre muitos outros especialistas, também importa referir:
https://www.youtube.com/watch?v=OtvdSc-irP4
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De Vorph Valknut a 23.08.2019 às 13:57

Interessante artigo. Contudo não foi Bolsonaro que inventou a ideologia de género. Aliás tirando os fogos na Amazónia, serem da responsabilidade de um conjunto de ONG, Bolsonaro não cria nada, só descria. Jordan Peterson e Zizek é que se têm debruçado sobre o assunto
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De André Miguel a 23.08.2019 às 15:07

"ideologicamente anti-fascistas, gostarão de saber que um presidente de Câmara eleito nas suas listas é o principal defensor do Museu Salazar"

Defender o Museu Salazar não é ser fascista, é defender o conhecimento da História e a liberdade de expressão. Ser contra o Museu Salazar e fazer de conta que este período da História não existiu, isto sim, é fascismo.

"há que definir limites e fronteiras que o PS parece não ter"

Não tem, nunca teve, nem terá. O PS tem apenas os seus interesses.
Mais ou menos aquela cena do "para os amigos tudo, os inimigos nada, aos outros aplique-se a lei"...
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De Tiro ao Alvo a 24.08.2019 às 13:22

Tem toda a razão, André
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De Terry Malloy a 23.08.2019 às 15:39

A falta de independência crónica do deputado lusitano em relação ao chefe do partido ainda não lhe chega.

É necessário esmagar tudo.

"A boot stamping on a human face forever".
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De Arlety Pin a 23.08.2019 às 18:00

Inocência/ingenuidade, teu nome é Tiago Mota Saraiva...
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De Cristina Torrão a 23.08.2019 às 18:18

Interessante texto.

Quanto a Bolsonaro, penso que sim, tendo em conta a aptidão de Costa para o autoritarismo. Ele é o primeiro a espezinhar direitos, pelos quais a esquerda lutou, como o direito à greve. Porque não Bolsonaro como deputado do Costa? Acho que combinavam bem.
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De too a 23.08.2019 às 18:44

Pensei que era só um idiota a escrever.
Afinal há mais.
Benditos são — por todas as divindades naturais ou sobrenaturais — os idiotas.
Que praga me rogaram para eu vir aqui.
Tenho o que mereço.
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De Pedro Correia a 25.08.2019 às 09:15

É tão fácil chamar idiotas a outros de focinho tapado.
Qualquer um é super-herói no anonimato da Net.
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De Manuel Gonçalves Pereira Barros a 23.08.2019 às 18:34

Estes clmentadores anseiam por um oudois deputados PS tal qual o Cavaco e o Dias Loureiro: direito à greve sim,mas com pancadaria,tiros e feridos entre os camionistas!
Houve sete dias de greve dos camionistas,na passada semana.
Limitação do direito à greve ? Má fé cínica ou imbecilidade córnea! !!!
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De Anónimo a 23.08.2019 às 19:03

Sim, na maior !

A.Vieira
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De sampy a 23.08.2019 às 20:37

Então, porquê tanto nervoso com um pedido de fiscalização sucessiva? Há temor pelo resultado? Mas os camaradas deputados do Tiago Saraiva algum dia poderiam aprovar algo que fosse inconstitucional? Ou trata-se apenas de um aborrecimento com a lata do pedido? Somente um desperdício de tempo e um exercício de chicana política, a exemplo do pedido de fiscalização do Código de Trabalho?

E qual é o real incómodo com o Museu de Salazar? Até parece que estamos a falar de Trotsky... Até parece que alguém vai querer fazer de Salazar uma múmia para exposição em praças vermelhas ou amarelas... É preciso calma.

Concluindo: é difícil saber se Bolsonaro poderia ser um deputado do PS; mas se fosse um deputado do PCP, até era capaz de aprender uns bons truques de propaganda.
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De Tiro ao Alvo a 24.08.2019 às 13:28

Bem lembrada essa hipótese do Bolsonaro poder candidatar-se pelo PCP. Eu acredito nessa possibilidade. Será que ele consegue a nacionalidade portuguesa?

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