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Delito de Opinião

Poderes de Centeno

Luís Naves, 18.04.18

Alguns comentadores descobriram agora que Mário Centeno é o homem mais poderoso do país, sendo o único político que não pode ser demitido e que não se pode demitir, pois em qualquer desses dois cenários Portugal ficaria sem a presidência do Eurogrupo. Esta circunstância permite ao ministro das finanças aplicar finalmente a receita financeira que o PSD de Passos Coelho defendeu, ou seja, atacar de forma mais agressiva a dívida pública, o que é uma mera questão de bom-senso perante os problemas que o Pais terá inevitavelmente de enfrentar quando subirem as taxas de juro. Enquanto o PS faz aquilo que durante anos jurou ser um erro, o PSD (em vez de elogiar a mudança) começou a defender tudo o que criticou durante os últimos seis anos: já não gosta dos cortes na despesa do Estado e pede aumentos na função pública. Rui Rio mostra que é um simples táctico, fala como um socialista do tempo da bancarrota e renega o passado do seu partido, dando a entender que tudo o que se fez durante a crise foi embaraçoso. Na realidade, as políticas que o PSD defendeu em matéria financeira são finalmente as que estão a ser aplicadas pelo PS, mas o novo bloco central que se desenha é uma pantomina efémera, onde os sociais-democratas não têm influência e onde a esquerda, que devia partilhar o lado confortável do poder, será forçada a engolir sapos até 2019. Isto não tem grande futuro, claro, como se verá mais à frente, mas Centeno será o político mais poderoso do país até ao fim de 2019.

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