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Pluto e o racismo

por jpt, em 22.01.20

NAMA_Ploutos.jpg

Nas últimas eleições legislativas foram eleitas as duas primeiras deputadas negras em Portugal – o caso muito propalado de uma deputada negra “assimilada” nomeada durante o Estado Novo tardio, o do lusotropicalismo nas “províncias ultramarinas”, não tem nada a ver com isto, como qualquer pessoa com um pingo de intelecto pode entender.

Entretanto na última legislatura (e nesta também) foi escolhida uma mulher negra para o importantíssimo ministério da Justiça. Uso o superlativo pois a relevância do cargo foi potenciada – para a opinião pública – dado o caso “Sócrates”. Relevância que convocou a polémica, pois foi essa ministra (mulher negra, repito-o) a primeira locutora da substituição da Procuradora-Geral da República, por muitos vista (se bem ou se mal, é outra conversa) como um passo para o controlo das investigações judiciais sobre casos de corrupção no sistema político. E que, como tal, provocou acalorado debate no país. E, nesse, múltiplas invectivas à ministra.

Acontece que as críticas – um tal de “escrutínio”, diz-se agora, desde há pouco –, seus conteúdos ou particulares intensidades, à ministra Francisca Van Dunem e os olhares sobre as recentes duas primeiras deputadas negras do país, Beatriz Gomes Dias e Romualda Fernandes, não têm convocado particulares indícios de racismo, nem a elas dirigidos nem aos partidos que as integraram.

Entretanto foi também eleita outra deputada negra, a terceira na história da Assembleia da República. A sua postura, pessoal e política, convocou atenções. Bem como a da sua “entourage”. Antes e em especial após as eleições. Por essa postura, pessoal e política, vem sendo bastante criticada.

Leio agora no Facebook duas pessoas, que normalmente botam com tino, reclamar com o racismo português, a este atribuindo o exarcebado “escrutínio” sofrido pela deputada Katar Moreira. Não reparam, pelos vistos. São imunes, talvez, ao comparativismo. Ou, se calhar, apenas ao que não lhes dá jeito aos pressupostos arreigados. São mesmo epígonas do deus Pluto, o cego e coxo bem-intencionado. Entenda-se, são manipuláveis.


14 comentários

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De Jorge Paulo Oliveira a 22.01.2020 às 12:49

Julgo que há uma imprecisão na postagem. Nas últimas eleições legislativas foram eleitas três deputadas negras e não duas, a saber: Romualda Fernandes (PS), Joacine Katar Moreira (Livre) e Beatriz Dias (BE), todas pelo circulo eleitoral de Lisboa.
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De jpt a 22.01.2020 às 13:19

Obrigado pelo seu gentil comentário Jorge Paulo Oliveira. Mas se regressar ao meu postal constatará que está totalmente correcto.
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De Jorge Paulo Oliveira a 24.01.2020 às 23:59

Houve precipitação da minha parte. Sim, tem toda a razão. Obrigado pelo cuidado da resposta.
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De Vento a 22.01.2020 às 14:03

Creio que o fenómeno racismo foi introduzido em Portugal como um corrente intelectual que procura demonstrar a superioridade moral e de pensamento de quem se diz não ser racista.
Ninguém se pode afirmar não-racista, tem de mostrar que não o é. Mesmo que o demonstre calado.

Há falava com um africano que me indicava existirem tensões entre os de origem e os que procedendo desta origem tinham nascido em Portugal. Dizia-me ele que o comportamento de alguns dos últimos em tudo diverge de seus progenitores, também estes imigrantes e sempre integrados no sistema.
Foi opinião desse individuo, que deixa algo para interrogar:
Existe racismo ou aversão a comportamentos sociais atribuídos a grupos específicos e que nada tem que ver com a origem ou cor da pele, pois até entre os da mesma pigmentação se escutam opiniões como a que referi?

Estou mais virado para a tese ali acima do Luís Naves.
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De jpt a 22.01.2020 às 17:13

Sim, quanto ao texto de Luís Naves. Ainda que (como será natural num pequeno "13") não esgote o assunto. Sim, quanto à existência de racismo. Sim, quanto à existência de racismo (discriminação negativa devido ao que se julga ser raça) em Portugal. Não, face a este agitar de um país profundamente racista ("vivemos num apartheid", "um dos países mais racistas da Europa", etc.). Não, a esta visão de um mundo a branco (racista) / negro (vítima). E nada, mesmo, diante desta demagogia lisboeta.
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De Vento a 22.01.2020 às 17:26

Por favor, onde está escrito "Há falava", leia-se: Há semanas falava...

Sim, jpt, a tese do Luís em minha opinião é a realidade.
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De Anónimo a 22.01.2020 às 14:05


Vorph Valknut
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De jpt a 22.01.2020 às 17:13

Salvé
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De Anónimo a 22.01.2020 às 15:13

Comparativismo? Que raio de ismo é este?
Também é um 'diz-se agora, desde há pouco'?
Quanto ao resto, é um assunto de estilo msm à la mode pra encher chouriços.
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De jpt a 22.01.2020 às 17:18

Para quê a arrogância anónima? Não conhece o termo? Pergunta (ou vai ao motor de busca). Não gosta do termo? Di-lo. Tem melhor termo para definir? Propõe. Acha mal? Diz ao bloguista "não se terá enganado?". Nada disso, apenas a arrogância, anónima. E, como costuma acontecer nestes casos, ignorante.

Motor de busca? (só para lhe mostrar como é fácil):
http://maltez.info/respublica/topicos/aaletrac/comparativismo.htm
https://periodicos.unifap.br/index.php/fronteiras/article/view/5097
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De Anónimo a 23.01.2020 às 16:30

Desculpisso, nada de arrogância.
Tem que se avisar a Porto Editora.
Ou, no meu caso, não saber escrever denotando a sonoridade ou expressão facial do 'que raio de ismo é este?'
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De João Sousa a 22.01.2020 às 15:52

Talvez essas pessoas que reclamam com o "racismo português" também reclamem com a "América profundamente racista" que elegeu Trump - esquecendo, muito convenientemente, que essa "América profundamente racista" elegeu e reelegeu Obama antes de Trump.
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De FatimaP a 22.01.2020 às 18:28

Da mesma forma que no Brasil: os reaccionários, fascistas, nazis, homofóbicos, anormais, etc, etc, que elegeram Bolsonaro nas últimas eleições, elegeram antes dele, Lula e Dilma, as estrelas do PT - 4 mandatos, num total de 13 anos de governação.

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