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Play time

por Helena Sacadura Cabral, em 31.08.15

Play time.jpeg

Jacques Tati encheu muitos dias de um período especial da minha vida, os trinta anos, quando, finalmente liberta de uma série de modelos, me encontrei a mim própria, como pessoa nada modelar, mas muito mais autêntica.
Ir ver o filme Play Time - entre nós Vida Moderna - o único que, penso, nunca terei visto antes, foi uma experiência curiosa.
O Nimas é apertado, com cadeiras incómodas e não usa ar condicionado, circunstância que num país pobre já se vai tornando habitual, embora o preço dos bilhetes, 6 euros, esteja acima do que os baixos salários podem comportar.
Assim, de leque em riste e pernas quase em asana, dispus-me a um retorno aos tempos em que começara a ser feliz. Ao fim do primeiro quarto de hora, não se ouviu um riso na sala e eu temi que a coisa se prolongasse. Felizmente não. O aparecimento de Hulot, essa personagem mítica, alterou tudo e, pelo menos eu, ri com gosto, nalgumas circunstâncias.
Mas o filme vale por muito mais. Vale por um retrato de futuro, por uma crítica à vida robotizada e aos estereotipos sociais que haviam de marcar os anos que se seguiram. E vale pelo decor de interiores que qualquer arquiteto não enjeitaria.
É, sem dúvida, uma película datada. Mas, para quem conheceu aquele play time, é impressionante ver o que a vida mudou em apenas três décadas. É também por isso que vale a pena o sacrifício corporal a que somos submetidos. Que, aliás, se atenuaria se retirassem meia dúzia de filas de cadeiras e distribuissem melhor as restantes.

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4 comentários

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De Pedro Correia a 31.08.2015 às 16:09

Este é um excelente filme, Helena. Uma das três obras-primas de Tati, juntamente com 'As Férias do Sr. Hulot' e 'O Meu Tio'. Ainda bem que estão a ser repostas no circuito comercial de Lisboa, Helena. Até porque a Cinemateca nem sempre cumpre esta função (e muito menos em Agosto, quando encerra ao público, com a cidade cheia de turistas, o que para mim é inexplicável).
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De Helena Sacadura Cabral a 31.08.2015 às 19:22

Pedro
Ontem à saída do Nimas disse exactamente o que tu acabas de escrever.
Eu não apreciava o João Benard, como pessoa. Pertenceu aos católicos progressistas, gente onde gravitei e conheci demasiado bem. Mas que a Cinemateca do tempo dele prestava serviço público, isso é um facto. Homenagem lhe presto!
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De IsabelPS a 31.08.2015 às 17:27

Para mim, o melhor de todos. E lembro-me de que só comecei a rir a meio e depois nunca mais consegui parar. Há um tipo de humor tão avassalador que nem dá para rir, pelo menos enquanto não nos habituamos. Como os olhos ao escuro.
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De Helena Sacadura Cabral a 31.08.2015 às 19:24

É exactamente isso, Isabel!

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