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Pilatos Varoufakis

por Pedro Correia, em 15.07.15

203729842-07273ef4-e11b-4da2-8924-6387864d9213[1].

 

Despontou para a popularidade mundial - que lhe há-de trazer muitos proventos - graças a Alexis Tsipras, o líder do Syriza. Ministro das Finanças, encarou aparentemente sem um pingo de vergonha o facto de a Grécia ter entrado em incumprimento perante o FMI (o que equipara o país ao Sudão, ao Zimbábue e à Somália).

Entrou à campeão, proclamando a 30 de Janeiro: "A Grécia não reconhece a tróica como nossa interlocutora." Estava dado o tom.

Chamou "terroristas" aos credores e não conseguiu estabelecer uma relação de confiança com nenhum dos seus parceiros do Eurogrupo em sucessivas cimeiras falhadas que consumiram tempo e energias de todos. Chegou a dizer que preferia "cortar um braço" a assinar um acordo com as instituições europeias sem prévia reestruturação da dívida. Ordenou o encerramento dos bancos, impondo um drástico limite aos levantamentos: desde então têm dado volta ao mundo as imagens de milhares de gregos aguardando em longas filas junto aos multibancos para conseguir obter dinheiro, cada vez mais escasso.

 

Abandonou o Governo no pior momento, deixando Tsipras isolado. Marxista assumido, cedeu aos interesses da poderosa Igreja Ortodoxa, principal proprietária de bens e terrenos no país, isentos de impostos, e dos milionários armadores helénicos, que também gozam de imunidade fiscal. Foi incapaz de propor cortes drásticos ao orçamento militar no país europeu da NATO que consome maior fatia orçamental no sector da defesa. Nem sequer instituiu um organismo independente e credível para aferir as estatísticas oficiais - algo que nunca existiu na Grécia.

Quando iniciou funções, a Comissão Europeia previa para 2015 um crescimento de 2,5% da economia helénica. Quando abandonou o executivo, a mesma entidade antevia uma queda de 4% do produto grego para este ano.

A todo o momento pensou nele - e só nele. Quando surgia com o seu cachecol Burberry e a sua potente motorizada. E quando se submeteu voluntariamente a uma glamorosa sessão fotográfica para a ultra-burguesa revista Paris Match.

 

Durante cinco meses pavoneou-se perante as luzes da ribalta. Quando Tsipras precisou dele numa semana em que a Grécia resvalou perigosamente o abismo, desertou. Imitou Pilatos, invocando estar "de férias com a filha" para faltar à crucial votação parlamentar que mandatou o primeiro-ministro a negociar o destino das finanças gregas com as instituições europeias.

Agora, como se nunca tivesse passado pelo Governo, apressa-se a mandar bitaites. Dizendo coisas como esta: "O projecto de integração europeia foi ferido de morte." Ou esta: "O que saiu da cimeira foi uma completa anulação da soberania grega", transformando o país num "vassalo do Eurogrupo."

Facas espetadas nas costas de Tsipras. No pior momento possível.

 

E ainda há por aí quem seja capaz de elogiar Yanis Varoufakis...


30 comentários

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De Cabo dos Trabalhos a 15.07.2015 às 19:40

Marxista tendência Valve... Tsipras ainda se vai arrepender milhares de vezes de o ter posto onde pôs...
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De Pedro Correia a 15.07.2015 às 21:59

Já se arrependeu seguramente. Com amigos destes, não precisa de inimigos.
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De Diogo Moreira a 15.07.2015 às 19:57

Para si, Pedro, recomendo a leitura do texto de um humorista, João Quadros, que mete bem num bolso os 'nossos' jornalistas: http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/joao_quadros/detalhe/jornalismo_de_bancada.html
Um excerto: "Há uma espécie de desprezo em relação ao Syriza que justifica que os jornalistas digam o que lhes apetece, no tom que mais lhes agrada. Na SIC Notícias, no dia do referendo, um pivô dizia, com ar de não há nada a fazer, não tem juízo o raio do puto - "soubemos agora que o Varoufakis foi de t-shirt para a reunião com os banqueiros" - e presumo que sem relógio nem carteira. Eu fazia o mesmo. Há "bullying" ao careca. Depois da demissão do ministro grego das Finanças, a comunicação social portuguesa não perdoou e Varoufakis é acusado de usar t-shirt e de o pendura da moto não usar capacete, acusações graves para um ex-ministro das Finanças, como nós bem sabemos."

O que o Pedro continua a fazer é a apontar supostos defeitos pessoais a uma pessoa, como se isso esgotasse por si só todo o argumento. E a questão essencial é que Varoufakis tem razão nas políticas que tentou levar adiante!

Quanto ao abandono de funções, nada de mais natural. Quanto é que um homem consegue aguentar quando é cercado de todos os lados, mesmo por aqueles que supostamente concordam com a sua luta? Segundo a entrevista:
"HL: What are you referring to?

YV: The complete lack of any democratic scruples, on behalf of the supposed defenders of Europe’s democracy. The quite clear understanding on the other side that we are on the same page analytically – of course it will never come out at present. [And yet] To have very powerful figures look at you in the eye and say “You’re right in what you’re saying, but we’re going to crunch you anyway.”

HL: You’ve said creditors objected to you because “I try and talk economics in the Eurogroup, which nobody does.” What happened when you did?

YV: It’s not that it didn’t go down well – it’s that there was point blank refusal to engage in economic arguments. Point blank. … You put forward an argument that you’ve really worked on – to make sure it’s logically coherent – and you’re just faced with blank stares. It is as if you haven’t spoken. What you say is independent of what they say. You might as well have sung the Swedish national anthem – you’d have got the same reply. And that’s startling, for somebody who’s used to academic debate. … The other side always engages. Well there was no engagement at all. It was not even annoyance, it was as if one had not spoken."
in: http://www.newstatesman.com/world-affairs/2015/07/yanis-varoufakis-full-transcript-our-battle-save-greece

O que há é uma campanha para destruir um governo que foi democraticamente eleito e para marcar uma posição face às restantes nações europeias. E isso só não vê quem não quer.
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De Pedro Correia a 15.07.2015 às 21:55

Não li mais nada do que você escreveu. Bastou-me a propaganda que faz, no primeiro parágrafo, a um indivíduo de uma baixeza inqualificável.
Esse sujeito "escreveu" o que vem aqui reproduzido:
http://oinsurgente.org/2015/07/12/a-gente-mais-reles-que-o-mundo-produziu-2/

Espero que ninguém alguma vez escreva algo sequer vagamente semelhante sobre a sua mãe ou a sua mulher ou uma filha sua.

Passe bem.
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De Anónimo a 15.07.2015 às 22:08

Claro, quando não se gosta ... nem vale a pena ler os argumentos.
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De Pedro Correia a 15.07.2015 às 22:28

De facto, anónimo, detesto ler coisas abjectas. Só um canalha é capaz de fazer "humor" com uma mulher fragilizada, gravemente doente e que enfrenta essa doença com manifesta coragem. E detesto que as caixas de comentários dos meus textos sirvam de veículo de propaganda a canalhas.
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De Diogo Moreira a 16.07.2015 às 10:43

Da última vez que vi, estávamos a discutir o Varoufakis. Peço que não mude de assunto, pois isso em nada ajuda à clarificação da matéria em apreço.

A não ser que o Pedro não consiga ir além dos seus preconceitos e pretenda continuar na senda de argumentos 'ad hominem' (cfr. https://en.wikipedia.org/wiki/Ad_hominem ).
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De José António Abreu a 16.07.2015 às 17:43

"João Quadros, que mete bem num bolso os 'nossos' jornalistas"

Meu caro: depois disto, ainda pretende que alguém o leve a sério e gaste tempo a discutir consigo o que quer que seja?
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De Diogo Moreira a 16.07.2015 às 17:56

Se leu o texto, certamente verá onde quero chegar: a forma como os jornalistas tratam os actuais governantes da Grécia é pedante e não vista em nenhuma outra situação recente.

Não é preciso ser fã do João Quadros para ver que ele tem razão nesta situação.
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De cristof a 15.07.2015 às 19:58

Acho que não merece a mecha que gastou com ele.
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De lucklucky a 15.07.2015 às 20:19

"...foi incapaz de ceder..."

Parece-me um erro de sentido. Julgo que deve querer dizer o contrário.
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De Pedro Correia a 15.07.2015 às 22:03

Tem razão. Na primeira frase estava incorrecto. Já emendei.
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De Anónimo a 15.07.2015 às 20:44

Perante o que li, só me resta dizer-lhe que ainda não viu o que disse o FMI. A moto é dele e ele, tem o que quiser, pois não tirou nada dos cidadãos, ao contrário dos outros que lá estiveram e esses, sim, lavam as mãos como Pilatos. Referir-se ao cachecol Burberry é dum extremo mau gosto quando todos os outros se pavoneiam de fatos, sapatos e gravatas Prada, gucci, Armani... e o cachecol, em comparação é uma gota de água. Facas espetadas e humilhação, no Tsipras foram as do Eurogrupo e BCE que sabem ser impossível cumprirem, mas insistem na tortura. Amordaçam um povo à sua sorte e isto, não se faz porque não os ajuda e só aumenta a dívida. Só loucos impõem as loucuras e prazos, como os que propuseram. Há um tempo para tudo na vida e aos gregos, roubam-lhe esse tempo, tempo esse que nunca mais vão viver.
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De Pedro Correia a 15.07.2015 às 22:24

Vi o que disseram vários parceiros europeus de Atenas que não integram a zona euro: Reino Unido, Polónia, República Checa, Dinamarca e Suécia. Todos recusaram participar no terceiro resgate grego, no âmbito do Fundo Europeu de Estabilidade.
http://www.publico.pt/economia/noticia/reino-unido-recusa-participar-em-novo-programa-para-a-grecia-1701961?frm=ult
Vi também que o FMI - provavelmente por pressão da Casa Branca - recomenda às instituições europeias um perdão parcial da dívida grega segundo o princípio de São Tomás: faz o que ele diz, não faças o que ele faz. Como certamente saberá, o FMI já rejeitou qualquer perdão da sua parte aos gregos: quer apenas que os europeus o façam...
Mas já leu mesmo o relatório?
Tem aqui uma boa síntese:
http://www.forbes.com/sites/timworstall/2015/07/14/imf-report-greek-debt-plan-wont-work-because-syriza-crocked-the-economy/
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De Anónimo a 15.07.2015 às 23:08

Interessam-me os gregos que não tiveram qualquer culpa dos desvarios dos seus governantes, tal como nós. Não posso tolerar que se brinque com vidas humanas, as quais, estão a ser humilhadas, não têm nada de nada, é grave, muito grave. A Grécia está na Europa, não no terceiro mundo. Não posso tolerar que se massacre um povo que pertence a uma união, em nome duma dívida impagável que mais tarde ou mais cedo vai ter de ser perdoada, assim como a nossa. Se assim não for, é melhor prepararmos-nos para o pior e isso eu não quero. Quero paz e a paz constrói-se com o bem e não com o mal. A UE, perante uma dívida que não há hipótese de ser paga, aplica regras inconcebíveis, para que os partidos de esquerda noutros países não vinguem. Será que esta UE, orientada por gente menor, tem razão de continuar, onde as regras é pôr o dinheiro acima do humano? Provavelmente não.
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De Pedro Correia a 15.07.2015 às 23:32

A Grécia não está no terceiro mundo?
Parece que está.
Dois exemplos típicos do terceiro mundo:
1. Pelo menos metade das trocas comerciais internas gregas processam-se no âmbito da chamada "economia informal".
2. Quase dois terços dos gregos fogem ao pagamento de impostos, o que aliás decorre em grande parte desse processo de "informalização" da economia.
Ou seja: os gregos que não pagam impostos são a larga maioria. E com isso revelam total falta de solidariedade com os compatriotas que cumprem os seus deveres fiscais.

Enquanto um governo de Atenas - tenha a cor política que tiver - não implantar uma autoridade tributária eficiente e credível a Grécia será sempre um estado falhado. Porque não gera receitas oficiais que consigam, nem de longe, cobrir as despesas públicas.
"Gente menor" é a gente que tem (des)governado a Grécia de 1981 - ano da adesão à CEE - para cá.
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De Anónimo a 16.07.2015 às 01:13

Tudo isso, teria de ser feito pelos que antecederam este governo. Agora, é impossível. Primeiro há que tratar das feridas que sangram, derrubar os corruptos e corruptores e tratar de tudo o que não se fez e aí, começar tudo de novo, com regras duras e quem não cumprir actuar com mão pesada, lá é cá. Sim, gente menor, são esses e todos, os que perante a agonia dum povo tratam-nos como se tudo estivesse bem e não está e eles sabem que está tudo muito mal, péssimo. Se não sabem ou não querem saber, ainda é mais grave porque mostram que o ser humano não vale nada, menos que o dinheiro. Isso, todos nós temos de rejeitar e tudo fazer, para termos uma sociedade mais justa e equilibrada.
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De Pedro Correia a 17.07.2015 às 11:20

A propósito de "feridas que sangram", leia isto:
http://www.politico.eu/article/eu-slams-greece-waste-of-time-debt-default/

«The Greek delegation is staying at The Hotel, where rooms go for €300 to €500 a night. The hotel off Avenue Louise has served as host to U.S. President Barack Obama and claims to have the best views in town.»

A nova classe dirigente grega trata-se com todo o luxo, ao nível de um Obama. A "esquerda radical" já não é o que era...
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De lucklucky a 16.07.2015 às 02:31

"Interessam-me os gregos que não tiveram qualquer culpa dos desvarios dos seus governantes, tal como nós."

Deve estar a gozar.

Quem é que votaria em Portugal num Partido que tivesse no seu programa que a baixa dívida da Ditadura (15% do PIB) era para manter?

O orçamento nunca teria défice ou o défice de um ano teria de ser compensado pelo superávite de outro ano?
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De Anónimo a 16.07.2015 às 13:23

Eu não gozo, vejo-me a viver a realidade dos gregos. Gozar ou parecer viver num país, onde tudo está bem, parece-me estar o senhor. Pelo que escreve parece que Portugal está óptimo. Parece que ainda não percebeu, mas Portugal é o país que se segue, ou para si, a nossa dívida é pagável? Quando chegar a nossa vez quero ver a sua conversa. Já sei, se o PS ganhar as eleições, vão ser os culpados e os malandros.
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De Anónimo a 15.07.2015 às 21:08

"foi incapaz de ceder aos interesses da poderosa Igreja Ortodoxa". Eu pensava que foi exactamente o contrário: foi capaz de ceder quando eu esperava que fosse incapaz disso.
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De Pedro Correia a 15.07.2015 às 22:07

Erro já corrigido.
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De Maria Dulce Fernandes a 15.07.2015 às 22:31

Um teórico, o bad boy que teve os seus 15 minutos de fama.
Nunca levei a sério quem canta em pregão petinga e se serve de lagosta.
Nunca levei a sério quem cerra o punho, ergue o braço e ofusca com o brilho do Rolex.
Nunca levei a sério quem sofre do síndrome do Oreo: Duro, carregado e forte por fora, mas que por dentro com a consistência flácida e adocicada da vida fácil.
Este era o desfecho anunciado , o epílogo que o Pedro Correia previu desde bastante cedo, e isto ninguém pode vir aqui negar ou adulterar ou enxovalhar.
O bom nisto tudo, é que poderia ter sido mau mesmo.
Resta-nos aguardar que não fique pior.

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De Pedro Correia a 15.07.2015 às 22:41

Sim, Dulce, era um desfecho anunciado. A impreparação total para dominar os assuntos financeiros à escala europeia, a imaturidade política, a incomensurável vaidade, a crença quase supersticiosa na "teoria dos jogos" para derrubar adversários: tudo isto caracterizou os cinco meses de actuação de Varoufakis.
Quando assumiu funções, a Grécia tinha um excedente orçamental primário e tinha acabado de sair da recessão económica, registando um crescimento de 0,8% do seu produto interno, com o FMI a prever uma subida de 2,5% da economia helénica em 2015. Agora que abandonou funções as estimativas para o ano em curso apontam para um novo ciclo recessivo, com uma quebra de 4% do PIB.
Há quem deteste falar em números. Mas muitas vezes os números explicam muito melhor do que as palavras a realidade que nos circunda.
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De Diogo Moreira a 16.07.2015 às 11:22

A previsão do FMI era de 2,9% (a de 2,5% era da Comissão Europeia) - mas era apenas isso: uma previsão! E o FMI tem falhado estrondosamente nas previsões.

O que os números dizem é que as políticas aplicadas pela 'Troyka' pioraram todos os indicadores. Escolha o Pedro os indicadores que quiser (seja antes da tomada de posse do actual governo da Grécia, seja depois) e verifique o falhanço em toda a linha.

Depois conversamos.
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De Esquerda caviar... a 15.07.2015 às 23:05

http://observador.pt/2015/07/15/varoufakis-perseguido-estrela-cinema/
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De Pedro Correia a 15.07.2015 às 23:26

Ainda faz uma fita. Em Hollywood.
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De Luís Eusébio a 16.07.2015 às 10:05

Quanta demagogia. Discursos fáceis mas tão ocos que continuam a iludir multidões. Não aprendemos nada?
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De Pedro Correia a 16.07.2015 às 18:56

Nada de novo debaixo do sol.

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