Perturbo, logo existo
Desde o ano 2000 que foram anunciadas cinco greves gerais, em 2002, 2010, 2011, 2012 e 2013. Apenas a de 2012 foi motivada pelas políticas de austeridade, sendo que todas a outras foram na sequência de proposta de alterações ao Código do Trabalho.
Em 2002 os sindicatos eram contra uma mudança. Fizeram barulho, a válvula de escape funcionou e acabaram por ter de lidar com ela. A situação contra a qual "lutaram" em 2002, e que acabou por entrar em vigor, foi exactamente aquela que 2010 já não podiam permitir que fosse alterada. Daí para a frente a lógica é sempre a mesma. Qualquer alteração é inaceitável, mas no momento seguinte agarram-se com unhas e dentes para que ela se mantenha.
No linguajar dos sindicatos, sejam quais foram as alterações propostas, o seu conteúdo é sempre uma regressão e um ataque. Muitos dos grevistas podem julgar-se revolucionários, especialmente os da CGTP, mas depois de observar o seu padrão de comportamento ninguém me demove de os classificar como uns tipos do mais conservador que existe no país.

