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Perfeitos demagogos

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.03.15

Creio que se há coisa que os portugueses abominem, daquilo que conheço deles, é que os políticos queiram fazer deles uns trouxas sempre prontos a engolirem todas as baboseiras que lhes digam. Em períodos eleitorais as medidas dos incumbentes que estão de partida reproduzem-se como cogumelos. Um verdadeiro maná que de se repete antes de cada ciclo eleitoral.

Deixarei a discussão dos méritos e deméritos do Programa VEM, que talvez devesse antes chamar-se "VEM E VAI", para os especialistas. Como cidadão aquilo que me chamou mais a atenção foi a forma como se anunciou, qual pote de ouro no final do arco-íris, uma rubrica dedicada aos portugueses emigrados que se encontram em situação de desemprego de longa duração num país terceiro.

O apoio a esses nossos compatriotas não é despiciendo e bom seria que todos pudessem ser apoiados. Porém, o que de todo me intriga e não percebo é outra coisa. Sabendo que a maior parte desses portugueses que estão situação vulnerável no estrangeiro são, em regra, pessoas pouco qualificadas de sectores como a construção civil, restaurantes ou serviços de limpeza, que estão inscritos em centros de emprego, muitos em países que pagam generosos subsídios de desemprego, que sentido tem fazê-los regressar nas condições propostas? Para irem fazer cursos de seis meses enquanto se alojam em casas de familiares? Certamente não se ignora que muitos desses deixaram de pagar as prestações dos empréstimos aos bancos, ficaram sem casa e sem dinheiro. E depois de concluído o Reactivar regressam à situação anterior se não encontrarem trabalho? E ao fim dos seis meses, após as legislativas, voltam a engrossar as estatísticas do desemprego? De maneira a que o aumento desses números sobre para a factura dos que se seguirão? Ou o Governo pensou também numa solução para no final dos seis meses os fazer de novo sair do país?

De facto, é preciso ter muita falta de vergonha para depois de ter deixado o desemprego em Portugal atingir os números que atingiu, não havendo até agora uma redução substancial desse número, pelos menos para os níveis de há meia dúzia de anos, ainda haja quem se proponha de forma tão leviana e demagoga, com a maior desfaçatez do mundo, resolver os problemas laborais dos que tiveram de sair do país por falta de trabalho sem antes se encontrar uma solução aceitável para que os ficaram.

Sim, porque em relação aos qualificados com trabalho ninguém troca uma situação confortável numa empresa ou universidade estrangeira para ir estiolar a contar o que sobra para pagar impostos e contribuições numa qualquer tabanca nacional em que até as compressas, as seringas, o papel e as fotocópias são a conta-gotas e controlados por um qualquer burocrata lá colocado pelo partido.    


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