De Anónimo a 30.06.2016 às 12:01
"Parafraseando Winston Churchill, a democracia representativa é o pior dos sistemas excepto todos os outros."
Talvez fosse verdade há 70 anos, quando muita gente não sabia ler nem escrever e nem sequer tinha rádio.
"Se tivesse convocado uma consulta popular antes de decidir fazer frente à Luftwaffe, talvez hoje o alemão fosse um dos idiomas oficiais do Reino Unido."
Se ingleses e alemães fossem consultados em referendo, talvez nem houvesse guerra.
Hitler é que gostava muito de referendos e plebiscitos. Promoveu um na Alemanha, em 1934, para se firmar como ditador.
Venceu, claro.
Depois promoveu outro, após a anexação da Áustria, justificando a conquista. Obteve quase 100% nas urnas.
Se os pais fundadores da Europa tivessem promovido em 1957 um referendo para transformar a Comunidade do Carvão e do Aço em Comunidade Europeia, os Farages e as Marines daquela época tê-lo-iam chumbado.
Foram visionários: não promoveram referendo algum.
De Anónimo a 01.07.2016 às 14:04
Não promoveram nenhum referendo, mas promoveram uma CEE, a qual foi transformada numa UE que já pouco, tem a ver com o que os visionários idealizaram. A Europa estava destroçada porque a Alemanha, tratou de a destruir
e assim sendo, todos queriam algo que os tirasse das cinzas, onde mergulharam e um referendo, aqui, seria uma benção porque todos o aceitariam. Que resposta é dada à negociata feita pela UE e a Turquia, para que os estados membros se livrem dos refugiados? Que união é esta, em que há países que a compõem que fazem muros, para travarem a entrada de refugiados? Que União é esta, onde estava bem claro que teria de haver um referendo ao tratado de Lisboa e nada disso foi feito? Que união é esta onde a Alemanha e o Presidente do Eurogrupo ordenam e ninguém se opõe? Esta união está viciada de vícios e erros que ou muda ou nada a salvará. Mesmo perante as evidências, ainda há, quem não queira ver que assim não vamos lá.
Amigo, tem bom remédio. Voe para Londres e encontra lá ares mais puros, mais respiráveis. Agora que eles já não têm a UE a asfixiá-los e a reprimi-los.
As lideranças europeias mostram-se a cada desafio incapazes de dar uma resposta inteligente, eficaz, sensata. Criaram a sua própria vulnerabilidade. E nada mais têm para oferecer se não o medo "Ou nós ou o caos", sem se aperceberem do caos que foram gerando dentro da Europa, e alimentando lá fora.
Os referendos não resolvem nada, por si mesmos. Mas as lideranças Europeias também não... portanto...
Há quarenta anos, era miúdo, já ouvia isso. Que as lideranças ocidentais estavam em crise.
Nessa altura os olhares basbaques viravam-se para a Europa de Leste ou para a China maoísta. E para a América Latina. E em geral para o Terceiro Mundo - daí é que viria a aurora redentora.
Sabemos bem o que aconteceu depois.
Desculpe, tem razão.
Está tudo bem e Schauble é que sabe o que é melhor para todos nós.
Essa é uma frase digna do Nigel Farage. Só falta ilustrá-la com uma foto do ministro alemão das Finanças com um bigodinho à Hitler para a tornar ainda mais profunda.
Schauble não é melhor que Farage. Está é em posição de dispôr da Europa para segurar o seu Marco Alemão. Perdão, Euro.
Prefiro uma Europa em que a Alemanha domina através da finança do que através das armas.
Já experimentámos no século XX uma Alemanha na penúria, onde o marco valia zero. Essa Europa e esse mundo não se recomendam.
Também prefiro que Portugal esteja nesta Europa. E que não seja a Albânia da Europa Ocidental. Aliás a própria Albânia já bateu à porta da UE. Quer entrar também.
De Anónimo a 01.07.2016 às 22:27
A Alemanha a dominar nunca! Já dominou e fez estragos por toda a Europa e já provocou duas guerras e mesmo assim, todos foram solidários com a Alemanha, coisa que eles, não são connosco. Chega de ditadores e de Schauble a ditar sentenças. Que a Europa esteja numa União, mas uma união, de gente séria, coisa que estes senhores que a comandam, não são. Estes, são gente dum egocentrismo feroz, eles, eles, eles e nós mingua. Temos de estar bem atentos e não aceitar ordens de ditadores.
Se você grita "Chega de ditadores" tem de virar-se noutras direcções. Vire-se para Cuba, por exemplo. Ou para o continente africano, onde eles abundam - do Mugabe ao Obiang, é só escolher. Ou para a Síria. Ou para o Irão teocrático e fundamentalista.
Não se vire para a Europa. Na Alemanha vigora hoje uma democracia irrepreensível. É certo que até 1990 uma parte da Alemanha - a de Leste - tinha uma ditadura feroz. Mas felizmente esse tempo já terminou. E o processo de reunificação alemã concretizado pelo chanceler Helmut Kohl foi exemplar.
De tric.Lebanon a 30.06.2016 às 12:51
" desafios como o terrorismo, as migrações, a globalização, a ameaça expansionista russa, as crises financeiras de diversos Estados membros, o espectro da recessão económica e a falência do modelo de segurança social pública tal como o conhecemos desde o pós-guerra."
.
ameaça expansionista russa!!!??? você quis dizer a ameaça expansionista islâmica?
Tanto quanto sei, o único país da Europa invadido neste século foi a Ucrânia. Invadida pela expansionista Rússia do proto-ditador Putin.
O proto-ditador já se converteu ao islamismo? Olhe que não, olhe que não...
De tric.Lebanon a 30.06.2016 às 17:49
"Tanto quanto sei, o único país da Europa invadido neste século foi a Ucrânia. Invadida pela expansionista Rússia do proto-ditador Putin."
.
sim, foi o proto-ditador que impôs a destabilização do mediterrâneo...
No século XXI, o único país da Europa que invadiu outros países foi a Rússia do caudilho Putin. Primeiro a Geórgia, depois a Ucrânia.
Esse sim é "expansionista". E tanto quanto sei não professa a religião islâmica.
De jo a 30.06.2016 às 19:01
Está-se a esquecer do Iaque onde foram europeus como Aznar e Tony Blair, e só não foi o Durão Barroso porque não o deixaram, as aventuras francesas em África e as brigadas da Nato no Afeganistão.
Eu sei que são países não europeus mas por mais que seja santa, a guerra é a guerra-
O Afeganistão está em guerra desde 1979. O Iraque praticamente não deixou de estar em guerra desde 1980. No continente africano, a guerra é endémica há décadas, como infelizmente sabemos.
Falo da Europa do século XXI. O único país europeu que neste século interveio militarmente noutros países, à margem de toda a legalidade internacional, foi a Rússia. Não por acaso, a mais fervorosa admiradora de Putin na Europa ocidental é Marine Le Pen. O marechal Pétain também gostaria de tê-lo conhecido.
De JSC a 30.06.2016 às 19:38
A França não ocupa uma parte da República Centro Africano para impor a "paz"?
Impor a paz e anexar parcelas de território soberano de países vizinhos é tudo igual para si?
Para mim não.
De tric.Lebanon a 30.06.2016 às 19:41
deve estar a fazer confusão com o expansionismo da NATO para as fronteiras da Russia...criam a Crimeia!!??...a Crimeia é Russa!!
Está enganado: não "criam a Crimeia". A Crimeia já foi "criada" há milénios.
De lucklucky a 30.06.2016 às 22:56
"Expansionismo da Nato"
Uma data de países com medo da Rússia entram numa aliança para os proteger e é expansionismo.
Mais uma vez temos um Comunista a dar mais direitos aos Russo que aos vizinhos.
Típico paleio de gajo que já foi de extrema-esquerda e agora anda embeiçado pela direita mais extrema.
Costuma acontecer aos recém-convertidos.
De WW a 30.06.2016 às 13:41
O Pedro Correia continua a torcer os factos.
David Cameron permitiu o referendo porque sem essa concessão não permanecia no poder, não foi para entalar ninguém, aliás David Cameron é um eurocéptico e só depois da UE ter cedido em tudo e mais alguma coisa inclusive em princípios básicos da UE como sejam a solidariedade social com trabalhadores emigrantes e livre circulação de pessoas ele aceitou fazer campanha pelo " remain ".
Felizmente o referendo provou uma vez mais o quão resiliente e previdente é o povo britânico.
O referendo foi prometido em Portugal e nunca ocorreu, talvez seja a altura do mesmo sobretudo depois de ontem o ministro das finanças da UE ter pedido mais um resgate para Portugal para salvar os negócios falidos dos bancos europeus entre os quais o Santander a quem de uma assentada Portugal foi obrigado a injectar pelo menos 3.300 milhões de euros.
P.S. - Quando a Luftwaffe começou a bombardear Londres já tinha ocorrido Dunquerque e a poderosa França fora obliterada em 5 semanas. A guerra já decorria há mais de um ano.
Se Cameron é "eurocéptico", Corbyn - que votou contra a integração da Inglaterra na CEE no referendo de 1975, promovido pelo Partido Trabalhista - será o quê?
Farage, esse sim, rebenta a escala. Eurofóbico, parece-me bem. Tem fobia da Europa. Como se o Reino Unido estivesse na Conchinchina.
Nigel Farage não tem, obviamente, «fobia da Europa». Tem, isso sim, «fobia» de uma organização internacional com um elevado «défice democrático» denominada «União Europeia».
Se Farage procura "défices democráticos" encontra logo um, clamoroso, na lei eleitoral do Reino Unido.
Não precisa de apontar o dedo fóbico ao "estrangeiro".
Há que ver de que «estrangeiro(s)» se está a falar... Se forem aqueles que seguem uma determinada religião, que recusam a integração e participam, em números desproporcionados, em agressões e em violações, creio que se justifica ser «fóbico».
O problema das pulsões fóbicas, Octávio, é fazerem muitas vezes equivaler a cura ao mal. Quando uma civilização tem a segurança e a liberdade como escolhas dilemáticas, devendo sempre uma excluir a outra, já está gravemente doente. Tanto pode morrer do mal como da alegada cura.
Eu não diria, Pedro, que no «Brexit» estivesse em causa um escolha entre segurança e liberdade; na verdade, creio que os defensores do «Leave» queriam, e querem, mais segurança - em especial contra as hordas de muçulmanos culpados de muitos crimes no Reino Unido - e mais liberdade - das imposições arrogantes de Bruxelas.
Se bem entendo a sua tese, Octávio, você defende o regresso a uma Europa pré-Maastricht.
Lamento decepcioná-lo mas creio tratar-se de um regresso impossível. Porque a Europa pré-Maastricht era ainda a Europa da Guerra Fria, que permaneceu dividida ao meio durante quase meio século.
Voltarmos à estrita lógica das fronteiras nacionais seria aliás um passo para o suicídio à escala continental. Porque a troco de uma ilusória segurança interna poderemos comprar novos conflitos bélicos potenciados pelo ressurgir incontrolado dos egoísmos nacionais. A isso nos conduz o espírito de fronteira, que é também o espírito de trincheira.
Julgo eu que nós, europeus, ficámos definitivamente vacinados contra as trincheiras. Por estes dias em que se celebram os centenários do Somme e de Verdun nunca é de mais sublinhar isto.
Pedro, estarei correcto em concluir que para si há duas espécies de fronteiras, uma «boa» e uma «má»? Em que a primeira é a fronteira «transnacional» (concretamente, a da União Europeia), porque, como você afirmou em outro texto, «não preconizo uma Europa sem controlos fronteiriços de nenhuma espécie ou de portas escancaradas a todos os povos num imenso e descabido abraço universal», e a segunda é toda e qualquer fronteira nacional, que para si comporta um «espírito de trincheira»? Eu diria que há aí uma contradição... porque uma enorme fronteira, a da União Europeia, a que a separa dos países que não a integram, será então uma enorme «trincheira».
Por mim, recuso-me a aceitar como inevitabilidade que a existência de uma fronteira seja como que um «convite» à guerra. De qualquer forma, prefiro sempre os «egoísmos nacionais» ao controlo supranacional não democrático.
Quanto a Maastricht, pelo contrário, creio que o Tratado de 1992 com o mesmo nome, que definiu e decidiu o aprofundamento da integração europeia até à «união» e, logo, a consolidação e a expansão de um «bloco», foi a continuação da «lógica» da Guerra Fria - algo de anacrónico, pois o Muro de Berlim caíra em 1989 e a URSS em 1991. O avanço da UE até abranger países do ex-Comecon contribuiu para o ressurgimento do nacionalismo russo e a eclosão de uma nova «guerra fria» - aliás, bastante «quente» em alguns momentos, como o da invasão da Ucrânia e a tomada da Crimeia.
Octávio, eu defendo o espaço europeu tal como ficou definido no Tratado de Maastricht. Obviamente com fronteiras externas. Qual é o espanto?
Essas fronteiras podem e devem ser vigiadas e policiadas.
Isso ficou bem patente no DELITO, no ano passado, durante as polémicas aqui travadas a propósito da aceitação indiscriminada de todos os imigrantes que demandavam o continente europeu.
Nunca defendi uma política de portas escancaradas, à revelia da vontade soberana dos povos europeus. E sempre advoguei a necessidade de estabelecer distinções entre verdadeiros refugiados e imigrantes por motivos económicos que aproveitavam a boleia das "causas humanitárias" servidas de bandeja ao domicílio por um jornalismo sem critério.
Mas há que dizer isto também.
Nós, os mais de 400 milhões de europeus que usufruímos desta liberdade de movimentos (sem controlos fronteiriços, sem passaportes, sem carimbos, sem horas de espera para ir de Elvas a Badajoz ou de Valença a Vigo), só podemos estar gratos aos estrategos europeus que conceberam Maastricht. Um dia eles serão tão enaltecidos como os pais fundadores da CEE - Adenauer, Spaak, Monnet e outros.
Mais: temos de algum modo o dever de transmitir este mesmo espírito - e este mesmo espaço - às gerações que nos sucedem.
Quem tem filhos, como você e eu, deve estar particularmente atento a isto.
Julgo que Maastricht, ao contrário do que diz, é o primeiro marco relevante da Europa pós-Guerra Fria. Desde logo porque consagra a Alemanha enfim unificada. Foi um dos raros momentos de genuína liberdade no continente europeu, Octávio.
Eu vivia nessa altura longe da Europa, no continente asiático. Mas senti-me mais europeu que nunca nesses anos. E senti-me orgulhoso disso mesmo: de ser europeu.
Quanto à dicotomia liberdade/segurança, julgo estarmos conversados: você estabelece-a, eu rejeito-a. Por considerar que não são termos dicotómicos.
Gostaria de acrescentar o seguinte: tenho todo o gosto em debater com quem pensa de forma diferente (ou mesmo muito diferente) da minha.
Este blogue, em quase oito anos de existência, comprova bem isso a propósito dos mais diversos assuntos. Se não fosse assim, de resto, já há muito este projecto teria acabado, à semelhança do que sucedeu com tantos outros blogues que tiveram fama efémera.
Com isto quero dizer que nunca pretendo convencer ninguém de que sou detentor de verdade alguma ou catequizar seja quem for para as minhas teses. Limito-me a exprimir o que penso sobre determinado assunto em determinado momento. Com o calor e a convicção que ponho em cada causa que considero valer a pena defender.
É muito? É pouco? É quanto basta.
É precisamente, Pedro, para que a «política de portas escancaradas», entre outras fundamentais, não sejam decididas e aplicadas «à revelia da vontade soberana dos povos europeus», que se realizam... referendos. Que, inevitavelmente, têm resultados que não agradam a todos. Que expõem «divisões» e «fracturas» que são normais. Não tem de ser um drama, não tem de ser uma tragédia.
Caro Octávio: nenhum referendo deve ser convocado sem estar bem definido o enquadramento jurídico-constitucional das suas consequências.
Foi o caso. O que só comprova a irresponsabilidade de Cameron.
Entretanto demitiu-se: outros agora que fiquem com a criança nos braços. O mais curioso é que as duas principais figuras de proa do Brexit também desertaram. Farage pretende manter-se como deputado europeu (quem diria?) e Johnson nem sequer se atreveu a candidatar-se à liderança do Partido Conservador, onde poderia ser consequente com as posições tomadas até agora.
Se Cameron não tinha alternativa senão renunciar, os outros tinham. A atitude de ambos é vergonhosa.
(Este meu novo comentário, e resposta, «valem» também, Pedro, para o «debate» que também iniciámos no seu texto «A primeira vítima do Brexit».)
Concordo que o comportamento de David Cameron não foi exemplar, e encarou o referendo com alguma (excessiva) confiança e mesmo negligência... mas, como ficou bem explícito em comentários anteriores, eu não tenho propriamente grande consideração pelo cessante primeiro-ministro do Reino Unido...
Os casos de Boris Johnson e de Nigel Farage são diferentes, e não vejo como podem ser acusados de ter «atitudes vergonhosas». Antes de mais, ambos estavam conscientes, e aceitavam, as prováveis consequências do «Brexit». O ex-presidente da Câmara de Londres não avançou para a liderança do Partido Conservador porque constatou que, ao contrário do que esperava, não tinha os apoios suficientes. O ainda deputado europeu do UKIP fez, há que não o esquecer, campanha, e feroz, também para... acabar com o seu cargo de deputado! Pelo que continuará, coerentemente, no Parlamento Europeu até terminar o seu mandato e/ou se concretizar, finalizar, a saída do RU da UE; entretanto, renunciou à liderança do partido (também para dar lugar a outros), o que não impede que volte a tentar ser eleito para a Câmara dos Comuns.
Caro Octávio, neste caso julgo que abusa da benevolência nos seus juízos de valor em relação aos líderes da campanha do Brexit.
Na hora da verdade, contados os votos, nenhum deles assumiu as responsabilidades inerentes: deitam a toalha ao chão, outros que enfrentem os desafios. Um larga a liderança do partido, outro nem ao menos enfrenta a luta interna após ter sido apunhalado pelo maior aliado - num autêntico enredo shakespeariano.
Duas semanas exactas após o escrutínio, o campo do Brexit é um imenso vazio. Os generais desertaram. No próprio Partido Conservador a campanha está a ser perdida também pelos arautos do abandono da UE: Theresa May, a mais eurófila e próxima de Cameron, lidera de longe a corrida à sucessão do PM demissionário nas fileiras 'tories'.
a democracia representativa é o pior dos sistemas excepto todos os outros
Sempre ouvi esta (alegada) citação de Churchill sem a palavra "representativa".
Seja como fôr, um problema da democracia representativa é que, por vezes, os representantes (i.e. os deputados) abdicam de representar porque se confessam incapazes de representar. Foi o que aconteceu, por exemplo, em Portugal no caso da discussão sobre o aborto: os deputados não sabiam se estavam a representar alguém, não sabiam em que direção os seus supostos apoiantes quereriam que eles votassem. E foi o que aconteceu agora no Reino Unido também: ambos os principais partidos estavam muito fraturados em relação à questão europeia.
Ou seja, por vezes, a democracia representativa falha. Os representantes ficam confusos, instáveis, fraturados, com eleitores fiéis a pedir-lhes que votem de formas contraditórias sobre uma certa questão.
É nesses momentos e nessas questões que os referendos se tornam necessários. Mesmo na mais representativa das democracias.
Parafraseei Churchill, isto é não o repliquei 'ipsis verbis'.
Embora Churchill, sem o especificar, só pudesse referir-se à democracia representativa. Em boa verdade não conheço nenhuma outra.
O Pedro certamente conhece a democracia direta de alguns cantões suíços. (E Churchill quase certamente também a conheceria.) Sabe também que na Suíça milhentas questões são decididas por referendos, não por representantes.
Conheço, sim. E funciona. Desde meados do século XIX cerca de 600 questões de natureza muito diferente foram ali tomadas por essa via. A Suíça tem uma cultura referendária: é um país 'sui generis' - inimitável, em muita coisa. Tem, por exemplo, uma presidência da República rotativa, que todos os anos altera o titular.
Realizam-se também referendos com alguma regularidade em cerca de metade dos Estados norte-americanos. Mas nos EUA não há referendos a nível federal, só à escala local (que é estadual, no caso).
De ariam a 30.06.2016 às 23:41
Pela Constituição americana, nunca poderia haver referendos a nível federal. Os Estados têm autonomia legislativa, apesar de, a nível federal andarem a tentar contornar a Constituição. Até faz impressão como fala de coisas que não sabe e, francamente, nem sequer imagina para que caminho nos estão a levar e, está a aceitar que uma elite controle o Mundo, onde o nosso voto não contará para nada. Vê o Mundo numa perspectiva que já não existe e, nem vale a pena deixar links porque, tirando o que pensa, nem lhe interessa procurar a verdade.
Leia mais jornalistas independentes, enquanto os há porque cada vez vão sendo menos. Fácil de perceber porque, a maioria, tem contas para pagar e família para sustentar. No entanto, neste sector, devido à tecnologia, o desemprego, nesta área, irá aumentar.
Ainda no dia 24 de Junho o presidente alemão disse:
German President Gauck: “The Elite are Not the Problem, the Population is the Problem”
This is an incredible statement from German President Joachim Gauck.
And that is where we are at right now.
These people who rule over us, view us as the problem because we refuse to go along with their insane agendas.
The purpose of a government is not to force the people against their will to do things which are against their own interests.
Infelizmente, vão forçar-nos a muita coisa, um regime totalitário, centralizador, antidemocrático, autoritário, algo muito pior do que alguma vez existiu e, se tínhamos a NATO para nos defender de ameaças externas, agora vai haver um exército da UE para, internamente, nos impor o que quiserem. E antes de 2018, devem rebentar com o sistema financeiro e aí, lhe garanto, vai-se lembrar destas minhas palavras e, se uma vez me mandou comprar um cão, presumo que, nessa altura, vá comprar dois.
"Até faz impressão como fala de coisas que não sabe."
Isso é para mim?
Se for, agradeço que seja mais preciso.
é um país inimitável, em muita coisa
Pois eu acho que a Suíça é bem imitável e, de facto, acho que ela é um excelente modelo, em muitos aspetos, para como a União Europeia deveria funcionar.
(Talvez pudéssemos começar por imitar o respeito dos suíços pelos horários.)
De acordo em relação aos horários. Já quanto ao sigilo bancário não me parece muito recomendável...
De Iletrado a 02.07.2016 às 21:45
Caro Pedro Correia
As eleições legislativas obedecem à "lógica referêndária". "Nenhum problema complexo pode ser enfrentado da forma simplista impressa nos boletins (...[de voto]...), que apenas exigem" a escolha de um partido para governar a Nação. As "pulsões populistas" "estimula[m] como nenhuma outra" a votação da Assembleia. E assim, quarenta anos depois, chegas à conclusão que António de Oliveira Salazar tinha razão ao não convocar referendos. Ele decidia o que era melhor para a Nação e a malta agüentava. E, a acreditar pelos valores que defendes por aqui, ele devia decidir bem. Portugal, até à morte do Presidente do Conselho, tinha uma moeda forte, uma economia robusta, ouro em abundância, pouco desemprego e, numa altura em que a "Europa" estafava-se numa guerra apocalíptica, Salazar, talvez por artes mágicas ou por bruxaria, manteve este cantinho à beira-mar espantado em paz.
Contudo, considero espantosa a tua incoerência. Por um lado, desprezas a vontade popular, que designas pejorativamente como "populismo", exortando os políticos a ignorarem o "populismo" e a agirem contra a vontade popular, se fôr caso disso; por outro lado, verberas os políticos por tentarem impôr, contra a vontade popular, o accordo horto graphico do babaca marteleiro. Mas como não concordas com o babaca, já consideras que se deve respeitar o "populismo". Repara, de acôrdo com a minha central de sondagens, caso hoje se realizasse uma consulta popular sobre o accordo horto graphico de 1990, o "Não ao accordo" ganhava de goleada. Terás uma opinião diferente? No fundo, o que te desagrada é que o povo posso discordar de ti.
Boas pedaladas.