Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Penso rápido (95)

por Pedro Correia, em 12.02.20

 

Tenho imensa dificuldade em reflectir sobre política usando termos geométricos que me parecem cada vez mais anacrónicos.

O debate "esquerda/direita" reduz a política à dimensão do futebol. Infelizmente, Rui Rio parece prisioneiro deste discurso.

 

O PSD tem um problema central desde Outubro de 2015: necessita de novas parcerias estratégicas para voltar a ser um partido de poder a nível nacional - e até a nível autárquico, relativamente às principais cidades.

O principal desafio da liderança que emerge do congresso de Viana é este: o de construir uma alternativa de poder aos socialistas. Trata-se de um dilema que tem vindo a atravessar as principais famílias políticas europeias, cada qual na sua esfera de influência.

Não por acaso, vemos o impensável: a CDU da chanceler Angela Merkel viabilizar o candidato da Alternativa para a Alemanha no Estado da Turíngia.

Não por acaso, vemos o PSOE em Espanha abraçar o Podemos, repudiando um legado de quatro décadas, edificado por Felipe González desde o congresso extraordinário dos socialistas em 1979.

Não por acaso também, vemos conservadores e verdes formar coligação na Áustria - surpreendendo tudo e todos ao romperem as clássicas barreiras ideológicas entre ambas as formações.

 

Os extremos crescem por essa Europa fora. Veja-se o Vox, já terceiro maior partido espanhol.

Portugal dificilmente será excepção.

Isto força toda uma reconfiguração de alianças nos tabuleiros políticos à margem dos moldes tradicionais. Quando escuto um político dizer hoje que é impossível o eleitorado expandir-se do centro para os extremos, questiono-me se esse político conhecerá bem o chão que pisa.


26 comentários

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 12.02.2020 às 12:37

"...Quando escuto um político dizer hoje que é impossível o eleitorado...".
No binómio partidos/eleitorado quem mais evoluiu, foi o eleitorado.

Como bem descreve os partidos na sua conduta política renegaram toda a coerência programática- a velha bengala verbal- numa luta insana para sobreviverem, para terem os indispensáveis votos.
Por outro lado o eleitorado (europeu) tem alterado o seu previsível comportamento. É que os novos eleitores e os que mantêm o hábito de votar têm ao seu dispor, hoje em dia, informação sobre a dúbia -para não dizer puramente interesseira ou vergonhosamente egoista- conduta dos partidos políticos ....

Pena sentem os partidos em não conseguirem reverter para o precedente, crédulo, eleitorado ou em conseguirem manusear fezadas políticas de forma tão eficaz como anteriormente.
A opção do eleitorado será pelos extremos ou simplesmente por quaisquer "outros", pois estes já deram o que tinha a dar?.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 12.02.2020 às 15:14

Os eleitores rejeitam mais do mesmo, buscam a novidade. Ora a novidade está nos extremos, não está no "centro".
Basta ver o que se passa até em Portugal.
Sem imagem de perfil

De Justiniano a 12.02.2020 às 16:22

A novidade, por vezes, caro Pedro Correia, não é novidade nenhuma e o que as pessoas querem são muitas coisas, por vezes contraditórias entre si. Os eleitores do Reino Unido, por exemplo, repudiaram vigorosamente a novidade. Fartaram-se das novidades e do magnífico mundo novo e votaram, nostalgicamente talvez, pelo velho país de volta!
O que é o centro, hoje!?
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 12.02.2020 às 17:55

O centro geométrico é uma posição que não vale por si. Depende sempre dos pólos.

Impossível aludir ao centro iludindo os pólos. As coisas são o que são.
Sem imagem de perfil

De Justiniano a 13.02.2020 às 08:54

É o problema do induzido do alternador, se se mexer muito dá faísca.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 13.02.2020 às 01:38

Pois, lá ao lado a situação é outra.
E tal assim é que deve ser, medidas da troika a sério, grande crescimento, impostos muito baixos para as empresas.
E vai-se a ver e o Sinn Féin ganhou as eleições passados 100 anos, com uma campanha eleitoral apontando a deterioração dos serviços de saúde, grave crise na habitação, problemas sociais com os idosos.
Agora calma, nada de comentários sobre os 'devemos por os olhos na Irlanda'.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 12.02.2020 às 19:29

O centro é extremista.

É o centro que considera a população "deplorável"
É o centro que financia universidades radicais
É o centro que quer acabar com o motor de combustão interna
É o centro que quer acabar com o dinheiro.
É o centro que quer controlar tudo e tudo quer saber mais que uma PIDE ou STASI
É o centro que mudou radicalmente o Estado criando "Autoridades" que até se podem armar.
É o centro que acabou com a presunção de inocência
É o centro que quer acabar com o(s) país(es).
É o centro que caminha para o socialismo.

lucklucky
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 12.02.2020 às 22:15

"O centro é extremista" é um oxímoro.
Sem imagem de perfil

De Justiniano a 13.02.2020 às 08:44

O direito à morte também!
Sem imagem de perfil

De Primo Basílio a 12.02.2020 às 12:39

De facto um politico que afirma uma coisa dessas está ultrapassado. E o PSD parece seguir por esse caminho, desviado das exigências atuais. Veja-se a posição do partido na questão do iva da electricidade, ou na questão da revisão remuneratória dos polícias. Preferiu dar um tiro no pé, ao inviabilizar medidas que andou durante anos a defender, apenas para não permitir o sucesso de propostas de outros partidos.
E no final da discussão sobre o orçamento, reparamos que os novos partidos, aqueles que são rotulados de extremistas, acabam a votar favoravelmente a propostas dos seus antípodas, como fez o CHEGA a pelo menos duas propostas do pcp.
Isto é progresso. Podia ser e devia ser um abre olhos para esta classe política ultrapassada, mas parece que não é.
E depois admiram-se que as sondagens lhes são favoráveis.
Claro que são. São porque o que lhes interessa e ainda bem, é chegar a um objetivo. E se o objetivo é aliviar a carga fiscal, então faz-se por isso, independentemente de quem faz a proposta.
É uma nova visão que vejo com agrado.
Já sobre o PSD, estas últimas semanas têm sido de tremenda desilusão. A ver o resultado desta postura ultrapassada nas próximas sondagens.
Um à parte... de registar o espanto de ferro rodrigues ao ser alertado que o CHEGA votou favoravelmente às propostas do pcp... exemplificativo....
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 12.02.2020 às 15:16

Ferro Rodrigues e Rio são duas faces da mesma moeda. Políticos do passado, cada qual no seu reduto.
Incapazes de perceber que o mundo pula e avança.
Imagem de perfil

De Vorph Valknut a 12.02.2020 às 14:42

Excelente análise!
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 12.02.2020 às 15:13

Obrigado, Vorph.
Imagem de perfil

De Isabel Paulos a 12.02.2020 às 15:32

Tem razão quanto às parcerias e aos alertas para as alianças europeias forçadas. Mas esvaziar a política de ideias, considerá-las anacrónicas e aderir ao puro tacticismo do jogo de poder, isso sim, seria transformar o PSD – ou qualquer outro partido - num clube de futebol (aliás, transformá-lo-ia no Sporting, campeão de lutas de galo).

O paralelo entre política e futebol tem o mérito de alertar para o pior cenário, com a prática das juventudes leoninas a antecipar o eleitorado do Ventura. O grau de extremismo tem a mesma origem:o destrutivismo desportivo que não percebe a necessidade de autoridade - democrática - respeitada do clube, partido, empresa ou qualquer outra entidade. Nem que o respeito pelas lideranças só se consegue com vitórias ou com pulso na defesa de ambições claras e justas das populações. Só a vitória ou o pulso cala o passatempo crítico, este sim, incubadora do extremismo reactivo.

A impressão que fica, ao fim de trinta anos a assistir ao comentário político, é que tanto faz quem surja, tanto faz o que diga, defenda ou faça. Quem quer governar tem duplo trabalho: governar e combater o hobby do destrutivismo. E quem assiste desperto diverte-se a ver a rotineira coreografia de críticos, adivinhando cada passo, cada voltinha e requebro.

(nota: o que interessa às populações é, por exemplo, saber porque o PSD não consegue uma posição de força na questão da EDP, que defenda os direitos dos consumidores.)
Imagem de perfil

De Vorph Valknut a 12.02.2020 às 17:51

Excelente análise, Isabel.

Ao fim de 30 anos, desliguei a televisão. Depois de ter visto e ouvido muito, fiquei como a minha avó que conheceu o mundo só ate à 2 (ao canal, refiro-me). É tudo uma Bola de nada. Vou hoje, como ela, antes de mim, pela leitura das caras. Continuo a ir pelo Rio acima mas, se galgar a margem, sigo por outro, rio, ribeiro, ou estrada, a passo, ou montado
Imagem de perfil

De Isabel Paulos a 12.02.2020 às 18:39

Agustina Bessa-Luís dizia uma frase que atribuía a Camus, qualquer coisa como isto: a partir dos quarenta cada um é responsável pela cara que tem. Parece que Lincoln também o disse e, ao que parece, a frase terá origem em Leonardo Da Vinci.

Vai daí, se o político a escolher tiver mais de 40 anos, esteja certo que o seu é o melhor caminho, pelo menos não vai ao engano.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 12.02.2020 às 22:49

Essa frase é filha de mãe incógnita. No caso Agustina terá sido, julgo, mera ama de leite.
Sem imagem de perfil

De Justiniano a 13.02.2020 às 08:42

O caro Vorph imagina um Tamega, um Lima ou um Alva em Março, mas quando enceta a remar, rio acima, vai-se apercebendo que é o Dão em Agosto, nem calado tem para um caíco!!
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 12.02.2020 às 22:46

Destaco o seu parágrafo final, entre parêntesis, Isabel: os partidos ou servem para dar resposta a estas questões concretas ou começam a tornar-se inúteis aos olhos do cidadão comum.
Sem imagem de perfil

De Justiniano a 12.02.2020 às 15:56

Eu também, caro Pedro Correia, tenho dificuldades em reflectir sobre política usando termos geométricos que me parecem cada vez mais anacrónicos!
Especialmente quando o centro tem uma geometria variável!
A Chanceler Merkel abortou a coisa na Turíngia, preferindo um Governo Die Linke ao Governo Liberal, querendo ficcionar a inexistência aritmética dos votantes da AFD. A coisa parece que não caiu muito bem a metade da CDU, e a sua líder desistiu de liderar a coisa! Não sei muito bem o que é que este capricho significará, a longo prazo, para a democracia representativa, excluir votantes e excluir a representação democrática (Note que nem se trata sequer de negociar, uma vez que inexistiu qualquer negociação, a participação no governo da turíngia, mas tão só chumbar o die linke e deixar o LPD governar a turíngia, o funcionamento espontâneo da câmara)
O campo conservador é actualmente apontado pela media de referencia e pelo centro politico liberal e social democrata como sendo a manifestação do fascismo, a extrema direita. O Vox, em Espanha, é, após o abandono, expressivo, do campo conservador pelo PP de Rajoy (Os conservadores que vão pró partido conservador, disse Rajoy. Eles foram.), o partido que representa esse campo conservador. E o Vox não está mais à direita do que estava o PP de Aznar e Fraga nem mais à direita do partido conservador do Reino Unido.
Também o PP, em Espanha, renega a caracterização política de direita. A CDU, na Alemanha, de Merkel, renega a qualificação de direita e repudia o conservadorismo da sua parte CSU. Rio parece-me estar a empregar uma tática semelhante. O PSD, à semelhança do PP em Espanha, não tem um projecto político para além do meramente gestionário. E mais, não pretende preencher esse vazio político. Parece-me ainda mais estranho quando, aqueles que apoiam Rio, criticavam o PSD de Passos Coelho por, nas suas críticas circunstancias de então, por apenas ser gestionário!! Assimila toda a agenda de costumes da esquerda e dos liberais mais desalmados, repudia os valores conservadores que o caracterizaram historicamente (E não venham com o Sá Carneiro. Leiam o Sá Carneiro. A inspiração social democrática advém do desenvolvimento natural da comunidade política, da experiência da providência pública, dos vínculos históricos da comunidade política e, sobretudo, da ideia de partilha responsável comunitária da riqueza, instrumental ao desenvolvimento e segurança do indiídvuo, de uma natureza quase subsidiaria, porque necessária, mas nunca como um fim ideológico do Estado. Um conservadorismo do seu tempo, sem rupturas epistimológicas e sem repudio ao seu povo. Não consta ali nenhum Kautsky), foge ao combate ideológico que o demarque do consenso circunstante e pretende ganhar eleições com um slogan "nós gerimos melhor"!! É pouco e é muito pobre! A sorte do PSD é que ainda há muita gente que vota como se de futebol se tratasse.
O abandono definitivo dos conservadores, como se verá agora com a eutanásia, será, talvez, a gota de água para muita gente. (Veremos o combate à eutanásia que será dado por PSD e pela ICAR - Dois corpos tíbios emaranhados em equívocos morais e falsos sentimentalismos que os determinam à inacção. Duas sombras do que outrora significaram como referencia e recurso da sociedade portuguesa)
Imagem de perfil

De João Pedro Pimenta a 12.02.2020 às 17:21

o Vox não está mais à direita do que estava o PP de Aznar e Fraga"

Só se for o Fraga dos tempos de governo franquista. No que toca à divisão territorial, o Vox está muito além do que o PP sempre esteve, até porque me parece que estes nunca recusaram as autonomias regionais e o conceito de "nacionalidade histórica", tal como vem na constituição de 1978.

Quanto à atitude do PSD e da "ICAR" quanto À eutanásia, o PSd tem uma política de dar liberdade individual em matérias fracturantes e se há coisa que a Igreja não tem nesta matéria é uma atitude "titubeante" - é mesmo acusada do contrário, coisa de que falarei aqui nos próximos dias.
Imagem de perfil

De Vorph Valknut a 12.02.2020 às 17:55


Se falar na Igreja, irei também fazê-lo. Vila Nova de Foz Côa - Sta Casa - Fábrica da Igreja - Centro de Dia - Beja….isto anda tudo ligado…

Tenho é que ter algum cuidado.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 12.02.2020 às 22:48

Só queria lembrar que o partido português que está na linha da frente do combate à eutanásia é o PCP, secundado pelo CDS.
Sem imagem de perfil

De Justiniano a 13.02.2020 às 08:12

E muito bem. É a posição dos princípios, dos valores, onde sempre esteve o PCP, honra lhe seja reconhecida que não transacciona princípios.
Como poderiam conceber o indivíduo que não deve poder dispor livremente da sua pessoa, por exemplo, entre muitos, da sua liberdade para prestar trabalho para além de um determinado período, mas poderá dispor, como direito, da sua vida!!??
Sem imagem de perfil

De Justiniano a 13.02.2020 às 14:43


Uma posição política, moral, ética e filosófica que subscrevo, sem acrescentar uma vírgula. Do PCP

http://www.pcp.pt/posicao-politica-do-pcp-sobre-provocacao-da-morte-antecipada
Sem imagem de perfil

De Justiniano a 13.02.2020 às 08:02

Caro Pimenta, a posição política crítica face ao estado das autonomias em Espanha é transversal aos "partidos nacionais", à excepção do Podemos. Até o PSOE tem vozes críticas quanto ao avanço que as autonomias tiveram, sobretudo nestes últimos 20 anos. O Vox tem a proposta maximalista da devolução de competências ao Estado e um regresso ao desenho original, administração descentralizada do território, de Fraga.
Ainda assim, não vejo como é que este assunto pode definir alguém como mais à direita ou mais à esquerda!
O conceito de nacionalidade histórica, da Constituição de 1978 serviria de critério, orientação ou bússola para a divisão territorial administrativa, não para a instituição de Estados paralelos alcandorados a representantes de uma sub-nação.

A Igreja com o Cardeal Manuel Clemente não é a mesma do Cardeal Policarpo. Eu deposito mais esperança nesta Igreja com Manuel Clemente. Uma Igreja convicta da sua fé e da sua doutrina fundamental, não uma Igreja tíbia que duvida de si, do seu papel na sociedade. Eu não quero uma Igreja que se reduza a uma IPSS e que se resguarde na neutralidade doutrinária ou na adaptação da palavra ao tempo. Uma Igreja pragmática que negoceie a doutrina e a fé é uma mera associação de benemerência em liquidação. Há ainda, todavia, na hierarquia da Igreja muitos que não duvidariam em desertar o campo deste combate com receio de que possa enfurecer os poderes público e animar os jacobinos do momento.
Note-se que a Igreja Católica é demasiado importante para que deixemos a sua defesa aos católicos.

Quanto ao PSD, não sei. Já não me interessa.

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D