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Penso rápido (92)

por Pedro Correia, em 06.07.19

Não sei se vos acontece. Tenho instalado no computador um sistema que alerta para eventuais erros ortográficos, putativas falhas de sintaxe e supostos lapsos de pontuação. Com sublinhados a vermelho (alguém um dia me explicará por que motivo o vermelho representa a cor do interdito).

Quase nunca reparo neste mecanismo. Felizmente não precisei de computador algum para saber escrever: fiz toda a minha aprendizagem à moda antiga, com métodos atávicos, recebendo a sabedoria não de infalíveis máquinas mas de falíveis seres humanos.

Hoje, porém, fixei as advertências que o aparelho sinalizou: três, uma por parágrafo. Mandando-me riscar as palavras "teclagem", "apagão" e "hemeroteca". Não fiz caso, claro. Mas fiquei a pensar nestes imperativos nada subtis das novas censuras. Que nos mandam uniformizar a escrita, limpando-a de neologismos, suprimindo a criatividade. É o "novo normal", como se diz em português macarrónico, traduzido à letra do jargão tecnocrático americano. Ilude-se por completo quem pensar que censura era só a outra.


21 comentários

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De V. a 06.07.2019 às 11:53

(...) alguém um dia me explicará por que motivo o vermelho representa a cor do interdito"

A explicação provavelmente é simples: e porque não?
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De Pedro Correia a 06.07.2019 às 12:18

É o "velho anormal"?
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De António a 06.07.2019 às 13:20

É a cor do sangue.
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De V. a 06.07.2019 às 13:50

Diria que sim, é a velha cor das feridas, do fogo, do perigo — e portanto, dos alarmes.
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De Pedro Correia a 06.07.2019 às 14:09

Ao abrir o encarnado, parar. É o que sempre faço.
Só o verde me faz seguir em frente.
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De Anónimo a 06.07.2019 às 14:19

Sim, e por que é que o verde significa "avance" e o amarelo "tenha calma"? Qual a olrigem? Não sei.
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De Vorph Valknut a 06.07.2019 às 14:19

Mas também é a cor das pactos de aliança e das alianças divinas....mais do bom vinho tinto
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De V. a 06.07.2019 às 12:01

Dicionários provavelmente coligidos por técnicos de informática brasileiros — o que contém em si 2 coisas alarmantes à partida.

A partir do momento em que o Estado Português, que é constituído por um bando de bardamerdas sem visão, sem cultura e sem categoria, não trabalhou para defender que no mundo da computação a sigla PT correspondesse apenas a coisas portuguesas e o BR ficasse para o brasileiro (como a wikipedia, por exemplo) — ficou tudo inquinado e agora os estragos serão praticamente irremediáveis.

Isto sem falar dos idiotas úteis que defendem a supremacia da mediocridade e que provavelmente até abafaram alguma intenção neste sentido se é que existiu.
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De Pedro Correia a 06.07.2019 às 12:30

Sim, isso está bem patente na gestão em português da Wikipédia, por exemplo.
Brasileirando quase tudo quanto mexe.

(a censura digital acaba de riscar-me a palavra "brasileirando"...)
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De sampy a 06.07.2019 às 13:14

Bem, se a censura vem do lado brasileiro, que entretanto tratou de elevar a arte o neologismo e a criatividade vocabular, estamos perante um paradoxo.
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De Pedro Correia a 06.07.2019 às 14:07

O censor é bronco por natureza. Seja de que nacionalidade for.
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De Corvo a 06.07.2019 às 13:20

Ponto primeiro.
Porque Vermelho significa respeito e obediência.
Pára no vermelho no trânsito, para no hospital qualquer um/a encharcado de vermelho, e param todas as veleidades no relvado do Vermelho Maior.
Com a anesneirada do AO que forçosamente querem plantar, o velho e saudoso português aparece como erro.
Particularmente não ligo e sigo para diante.
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De Pedro Correia a 06.07.2019 às 14:07

Faço o mesmo. E não costumo receber reclamações.
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De João Silva a 06.07.2019 às 14:25

"qualquer um/a encharcado" Acha que isto é português? Pelo Acordo ou sem Acordo? Eu acho que nem com nem sem. E "um@" que muitos utilizam ainda é pior. Feio e inestético.
Com base na fealdade não vão destruir o prédio Coutinho? Acho isto ainda mais feio.
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De Corvo a 06.07.2019 às 17:33

Caro João Silva.
Um blog compõe-se de autor e leitores. Que podem ser ou não comentadores.
Ao autor, por respeito a quem faz o favor de o ler, compete a delicadeza perfeccional de um descritivo claro e preciso.
O leitor lê, e comenta se quiser, e como lhe aprouver.
No meu caso foi o que fiz sem me preocupar se foi ou não um ofensivo assassinato perpetrado à (por si) imaculada língua mãe.
Pois encharcado não dá? Mude para ensopado, aguado, molhado ou qualquer outra adjectivação húmida terminada em ado, que seguramente não se sentirá lesado nem na tasca se suprimirá o fado.

(a jeito de corolário)
Há sempre um lídimo gramaticista pronto a apanhar-te na curva*

(*) Da verde nação. Entenda-se.
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De João Silva a 06.07.2019 às 18:03

"O leitor lê, e comenta se quiser, e como lhe aprouver." E o autor também. A asneira é livre. O problema não está no "encharcado", esta é uma palavra da língua portuguesa.
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De Corvo a 06.07.2019 às 20:07

João Silva.
Não brincasse eu com o Vermelho, não o teria à perna outorgado em professor.
Assim, a previsibilidade verde, de alguns, é deveras confrangedora.
Que pena, hem?! Que jeitaço não dava a ignorância do corvo para uns desabafos à maneira, ... com muita "Fé Nossa", sua, lá no sítio habitual.
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De Anónimo a 06.07.2019 às 18:50

Durante anos trabalhei com um poderoso corrector ortográfico. Viciei-me.
Agora a "des-mãma è 1 biko de obera"....
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De Anónimo a 06.07.2019 às 21:20

Na Revolução Cultural Comunista na China as cores dos sinais de trânsito luminosos foram trocadas durante algum tempo.

Newspeak:

Na University of New South Wales deve-se a partir de agora ensinar o Mito da Criação, mas só sobre os aborígenes....

Lecturers at the University of New South Wales “have been warned off making the familiar statement in class that ‘Aboriginal people have been in Australia for 40,000 years’,” The Australian reports.

Instead, they should state that “Aborigines have been here ‘since the beginning of the Dreaming/s’ because this ‘reflects the beliefs of many Indigenous Australians that they have always been in Australia, from the beginning of time, and came from the land’.”(...)

The teaching instructions came from “a new set of classroom guidelines, which alert scientists to existing language advice,” the paper reports.

https://www.thecollegefix.com/instructors-at-australian-university-told-to-teach-creation-myth-instead-of-science/

"existing language advice"


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