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Penso rápido (91)

por Pedro Correia, em 10.04.19

David Cameron cometeu um suicídio político ao convocar irresponsavelmente, em 2016, o referendo junto dos britânicos sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia. Não por acaso, nem Margaret Thatcher nem Tony Blair alguma vez tomaram iniciativa semelhante.
Cameron procurava firmar o poder interno, minado pela corrente eurofóbica do seu Partido Conservador. Enganou-se redondamente: revelou-se um péssimo aprendiz político. Perdeu o referendo, ficou isolado. Do partido, dos parceiros europeus, dos eleitores. Saiu pela porta mais baixa deixando o país sob ameaça de fragmentação e a sociedade britânica dividida como nunca.

Três anos depois, o Reino Unido não conseguiu recompor-se do choque do Brexit, que permanece em ponto morto, sem solução à vista. "União desunida" é o que podemos hoje chamar à extinta Grã-Bretanha. Escoceses, irlandeses do norte e londrinos querem fazer parte da UE, ingleses não-londrinos e galeses não. 
Eis um bom exemplo do que seria o conjunto da Europa se não existisse UE: todos e cada um a puxar pelo seu lado. A única consequência positiva do Brexit foi ter gerado um pacto firme entre os 27 parceiros das instituições comunitárias: nem um só país quebrou a unidade, ninguém mais imitou o triste exemplo britânico. 

Às vezes os povos e os os países precisam destas vacinas. 

pro-brexit-march19.jpg


30 comentários

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De Luís Lavoura a 10.04.2019 às 11:39

David Cameron cometeu um suicídio político ao convocar irresponsavelmente, em 2016, o referendo

(1) Em bom português, diz-se "suicidou-se" e não "cometeu suicídio". "Cometer suicídio" é um inglesismo.

(2) Ele não se suicidou propriamente, porque ele julgava que venceria o referendo. Digamos antes que ele jogou à roleta russa e teve azar.

(3) Convocar um referendo não é propriamente irresponsável; é, diria eu, democrático. Em Portugal já se convocou diversos referendos e na Suíça passa-se a vida a convocar referendos; fazê-lo não é irresponsável, é democrático.
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De Pedro Correia a 10.04.2019 às 12:14

Convocar referendos, só por si, não equivale a democracia. Longe disso. Quase todas as ditaduras têm paixões referendárias. Precisamente porque são contra a democracia representativa.
Franco, por exemplo, convocou um referendo para plebiscitar a sua Lei da Sucessão do Chefe do Estado. Hitler também apreciava referendos. E até a Constituição de 1933, em Portugal, foi referendada.

Segundo a sua lógica, suicídio não é suicídio. É antes: «jogar à roleta russa e ter azar».
Entrada directa para a minha colecção de ridículos eufemismos, que conta aliás já com vários contributos seus.
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De Anónimo a 15.04.2019 às 23:45

"Em Portugal já se convocou diversos referendos..."

Em bom português diz-se "Em Portugal já se convocaram diversos referendos..."

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De Vorph Valknut a 10.04.2019 às 12:11

Pergunto:

Em questões de soberania os governos devem decidir contra, ou sem consultar, os povos? O Tratado de Maastricht que tão extensas implicações trouxe à soberania dos governos nacionais e respectivos povos/países não deveria ter sido referendado? A politica e as estruturas europeis têm-se construido por imposição, sem o povo/eleitores serem ouvidos (tratando-nos de forma paternalista), o que a médio prazo, ou em épocas de crise trará consequências. Todos já percebemos que o nosso voto para a escolha de um governo vale cada vez menos, pois as politicas são ditadas por Bruxelas, ou por instituições não representativas ex: BCE,BIS,"Mercados"
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De Pedro Correia a 10.04.2019 às 12:24

Não é seguramente o seu caso, mas alguns dos que clamam contra a falta de referendos em Portugal sobre a construção europeia foram os mesmos que advogaram a proibição do referendo em Portugal durante a primeira década e meia de democracia.
Nenhum passo fundamental para a consolidação do actual regime constitucional português foi sujeito a referendo. Nem o processo de descolonização, nem a Constituição da República, nem as diversas etapas da nossa adesão à Comunidade Económica Europeia, concretizada em 1985-1986.
A proibição à realização de referendos de âmbito nacional só foi levantada na revisão constitucional de 1989. Contra a opinião (e até o voto) de alguns políticos e alguns partidos que a partir começaram a urrar por referendos
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De Vorph Valknut a 10.04.2019 às 13:44

"advogaram a proibição do referendo em Portugal durante a primeira década e meia de democracia."


São perigosos os referendos "em cima" de processos revolucionários. Tal como são perigosos os referendos sobre a Europa em tempos de crise.

Quanto à Constituição não vejo necessidade de referendos, tal como não vejo necessidade de referendos quanto à mudança do sistema partidário português. Devem ser os Partidos a trazerem as suas propostas e os eleitores a decidir.


Por falha minha não lhe consigo explicar, mas para mim os princípios constitucionais democráticos devem ser mantidos como princípios em si, tendo valor em si, não sendo passiveis de serem alterados pelo voto/consulta popular/partidos - ex: pena de morte, liberdade e garantias individuais, separação de poderes, etc.….


Já sobre a UE, penso que deveríamos ter sido consultados e bem informados….se tal fosse possível. Se calhar seria mais a desinformação, que a clarificação….é complicado...o problema do referendo Brexit foi a altura escolhida. Tivessem-no feito há uns 15 anos atrás, sem refugiados, sem grande desemprego, com um poder de compra estável/crescente e o resultado teria sido porventura outro….mas, penso agora, que talvez se devesse ter avançado mais rapidamente para o Federalismo europeu, há umas décadas atrás, sem a consulta popular….Moeda e Sistema Politico único...é complicado como dizia o outro….contradigo-me...é complicado...o que sei é que uma Europa partida é o desejo quer dos EUA, da Rússia, e claro da China….como é desejo da Rússia uma Europa desligada dos EUA e do interesse dos EUA uma Rússia desligada da China….uma baralhada.

https://en.wikipedia.org/wiki/Project_for_the_New_American_Century



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De Pedro Correia a 10.04.2019 às 23:53

Uma Europa fragmentada é, obviamente, do máximo desejo de Moscovo. Não por acaso, os amigos de Putin no Ocidente são eurocépticos, sem excepção.
A começar pela direita radical representada por Le Pen em França e Salvini em Itália.
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De António a 10.04.2019 às 13:50

Em teoria, numa democracia representativa elegem-se pessoas que acreditamos serem mais capacitadas que nós, para nos representarem, e decidirem com maior conhecimento dos assuntos, por nós. Em teoria.
O referendo, sendo assim, é não só inútil como perigoso. E o Brexit é um excelente exemplo, tem sido constrangedor ver e rever a ignorância com que tantos se pronunciaram nas urnas. Possivelmente o resultado hoje seria diferente, muitos britânicos que votaram Leave perceberam o que está em causa - mas tarde demais.
Em Portugal houve o referendo sobre a despenalização do aborto, e os argumentos depressa ficaram no campo da metafísica. Eu sou a favor da despenalização, mas não sou a favor da facilitação. E gostava de saber o peso no SNS, e se o número de abortos aumentou, e se não se criou uma cultura de irresponsabilidade. Cada referendo deveria vir acoplado a um posterior contra-referendo? Mas deve ser o povo a criar leis?
Mais, raramente há referendos sobre temas onde os governos não querem o povo a interferir, em geral é para passarem a batata quente. Não houve referendos sobre a lei dos direitos conexos, nem sobre sigilo bancário, e evidentemente nunca haverá um referendo sobre aumento da carga fiscal.
O problema de sermos tratados de forma paternalista só é grave por sermos assim tratados por gente que não merece respeito ou confiança.
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De Vorph Valknut a 10.04.2019 às 14:07

Sim, os referendos são perigosos pois os seus resultados são sempre consequentes à Espuma dos Dias...
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De Vorph Valknut a 10.04.2019 às 14:08

É engraçado António! Sendo eu um "liberal" fui e sou contra o Aborto, pois a gravidez, nos dias de hoje, não é uma fatalidade - pilula do dia seguinte, etc....
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De António a 10.04.2019 às 14:24

Tem razão nesse ponto. Acontece que sendo eu um liberal sou a favor da escolha individual. Idealmente haveriam apenas casos pontuais e muito específicos. Na realidade não sei o que se passa.
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De Anónimo a 10.04.2019 às 14:52

http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/2019/03/ivg-caixa-de-pandora-que-nao-se-abriu

WW
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De Miguel a 10.04.2019 às 15:07

Boas questões, mas repare-se num detalhe curioso. Há uma assimetria flagrante entre o caso de Maastricht e o Brexit. Naquele caso, ter-se-ia realizado um referendo depois do tratado ter sido escrito; aqui, as pessoas foram chamadas a pronunciar-se sem fazerem a menor ideia das modalidades do 'leave'. O mais estranho é ninguém se ter lembrado de exigir que o referendo se realizasse apenas depois de conhecido os detalhes de um eventual acordo de saída. Assim se vê que, neste caso, com referendo e tudo!, e ao nível estritamente nacional, as políticas também estão a ser ditadas à população por uma elite que lhes é alheia. É preciso uma grande dose de ingenuidade para acreditar que uma espécie de mão invisível representando a solidariedade nacional - personalizada pelos governantes e deputados britânicos e habitués da City - virá em socorro das classes populares e num passo de mágica (leia-se acordo de saída) resolver as suas demandas. Ainda por cima, sabendo que essa elite tem um multiforme conflito de interesses com o 'leave'. Melhor seria pôr a raposa a guardar o galinheiro.
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De Vorph Valknut a 10.04.2019 às 17:18

Miguel, mas segundo vou lendo a exit será mau para a City, o centro financeiro mundial...por exemplo como reagirá a Bolsa de Londres??
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De Miguel a 10.04.2019 às 18:28

Sim, é mau para a city, precisamente um dos conflitos de interesse...
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De Pedro Correia a 10.04.2019 às 23:54

Toca em pontos importantes, Miguel. Direi mesmo: essenciais.
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De Anónimo a 10.04.2019 às 12:36

Tragédia Dionísica em tempo real.
Apodar uns de os bons e outros de os maus é efémero.
Tal como nos textos clássicos -Indús, Gregos...- trata-se de um roteiro sobre Homens e Deuses, escrito e vivido em tempo real. A preceito com uma audiência participativa que se coloca -em pleno espetáculo- ao lado de um ou do outro. Teatro clássico, genuíno. Dramática maravilha.

Didaticamente, aqui e acolá, ao gosto do divino autor, os maus se transfiguram rapidamente em bons e vice-versa.
Nesta peça o Corifeu ainda vai bem no início do roteiro.
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De Anónimo a 10.04.2019 às 14:49

O resultado do referendo deve ser respeitado !
O que é de lamentar é que os políticos tomem decisões MUITO mais danosas para os seus países e povos sem qualquer referendo que as suportem e as ponham em prática enquanto o diabo esfrega um olho.
O que é de lamentar é que se demore 3 anos ou mais a chegar a um possível acordo que ainda ninguém percebeu muito bem de que tipo e se de facto necessário propiciando uma situação pantanosa e susceptivel essa sim de criar mais instabilidade.
Nos 27 que sobram existem pelo menos aí uns 7 ou 8 que nem se dão ao trabalho de manifestar a sua posição de desacordo com o directório da UE, por mera inércia e porque sabem que não podem mostrar já o jogo todo.
O problema pode ser facilmente resolvido convocando novos referendos até o resultado ser o que as "elites" pretendem.

WW
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De Pedro Correia a 10.04.2019 às 15:05

Há três anos que o chamado "Reino Unido" (cada vez mais desunido) discute como e quando aplicará o resultado do referendo.
Entretanto, se é mesmo para respeitar a "vontade dos povos" (seja lá o que isso for), deve ser respeitada a vontade dos escoceses e norte-irlandeses, que votaram contra o Brexit.
Mas não se esqueçam de fazer outro referendo, muito em breve, para voltar a auscultar o "povo". A menos que entendam que os referendos, ao contrário das eleições periódicas, devem ter carácter vitalício.
Nesse caso a "democracia" que vocês preconizam vale... zero.
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De JS a 10.04.2019 às 18:49

Três anos grutescos mas ficou-se a saber quem é quem.
Os "inglêses" de Londres. Os Inglêses de Inglaterra. Os escocêses da Escócia.

Ficou a saber-se que a PM do RU, a Sra. Theresa May, é sem dúvida uma excelente pessoa. Mas errou ao aceitar ter como interlocutor, sobre o Brexit, funcionários de esta dita União Europeia. Incompreencível. Inexplicável erro de palmatória. Como foi que os "yes Minister" lá do reino a deixaram ir por alí?. Teimosia da Sra. May?.

Um Primeiro Ministro negoceia e faz acordos com o outro PM, neste caso a PM (Chanceler) da Alemanha, que afinal é, sem dúvida a voz com autoritdade, a única diga-se, nesta dita União Europeia.
Bruxelas é uma invenção germânica para disfarçar quem realmente puxa os cordelinhos. Para adocicar a colonização. Muitos ainda não perceberam. Paciência.
E negociar com funcionários -alguns deles até malcriados e desrespeitosos- como se viu, foram três anos ridículos.
Curioso foi, é ver o PM Francês tentar fazer de Napoleão ou De Gaulle.

Realmente esta União Europeia é uma tentativa, falhada!, de sanar um secular problema entre a Alemanha e a França agravdo pela necessidade germânica de proteger mercados.
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De Pedro Correia a 10.04.2019 às 23:57

Não me parece que exista nenhum problema entre a França e a Alemanha. O eixo franco-alemão está forte. E enquanto este eixo estiver forte, a UE será uma realidade política sólida.
Desde logo por ausência de alternativas. Isto, em política, facilita muita coisa.
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De JS a 11.04.2019 às 01:04

Apenas enquanto houver um "inimigo" comum, ao caso o RU.
Curiosa a rápida tomada de uma posição, sensata, pelos 27 PMs, removidos que foram os funcionários de Bruxelas/Alemanha, já em avançado estado de inibriação (pelo poder que julgavam ter, claro).
Iam dando cabo disto (da UE).
Só não se percebe é porque razão demorou tanto para que estes 27 dissessem à mãmã que o brinquedo também é deles, e queriam brincar um bocadinho.
Veremos qual a reação em Westminster.
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De JS a 11.04.2019 às 12:58

Para quem realmente tem interesse em perceber esta UE recomenda-se a leitura de um dos relatos do que se passou no 11º andar, na sala de jantar.
Se não é verdade é bem apanhado. Se "fake news" esperemos desmentidos.

Macron teve uma grave recaída na sua usual napolionite agúda.
A. Costa portou-se com muito bom senso, a sua incontestada sagacidade política. Pugnou pelos interesses, inalienáveis, de Portugal-RU. Fica-lhe bem.
A "união" esteve por um fio. Merckel bem tentou (invulgar) por água na fervura. Juncker e Macron "pegaram-se". "Gente que não sabe estar".
Na conferência de imprensa que se seguiu, da apelos dois ilustríssimos funcionários Juncker e Tusk, os jornalistas (de serviço atentos venerandos e obrigados, claro) mal continham sorrisos irónicos perante espetáculo tão caricato dado pelos dois em palco....
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De Pedro Correia a 11.04.2019 às 13:25

Concordo. O Governo português tem estado muito bem nesta crise, com posições moderadoras. Sem radicalismos e sem esquecer a nossa secular aliança com o Reino Unido.
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De Anónimo a 10.04.2019 às 20:59

Então estar contra a União de alguns países Europeus é uma "fobia". Ou seja um caso clínico a ser tratado num "campo de reeducação"...

lucklucky
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De Anónimo a 10.04.2019 às 22:45

Ainda bem que apareces. Já ouviste falar do Ben Shapiro?

Pedro Vorph
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De Pedro Correia a 10.04.2019 às 23:55

O nosso leitor Lucky anda com reacções mais lentas. Nem parece o outro, que disparava mais rápido do que a própria sombra.
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De Anónimo a 11.04.2019 às 08:41

Penso que tem disparado com outros nomes

Pedro Vorph
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De Pedro Correia a 30.04.2019 às 17:52

É pistoleiro para isso.

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