Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Penso rápido (89)

por Pedro Correia, em 13.03.18

Até que ponto os textos se tornam impessoais ao perdermos o rasto da sua carpintaria?
O que seria do nosso entendimento da obra de um Eça ou de um Pessoa, por exemplo, sem o acesso aos manuscritos de cada um, nomeadamente às cartas que escreveram?
Li há tempos que as crianças finlandesas deixaram de ter noções elementares de caligrafia. Nas escolas, só aprendem a escrever com letras de imprensa - ou de computador. A moda vai pegar, não tenho dúvida.

Acontece que a nossa capacidade de interpretar textos antigos diminui drasticamente com estas novas tendências pedagógicas, de duvidoso mérito. E também a possibilidade de desvendarmos personalidades alheias, na medida em que a caligrafia diz muito do que somos. Ou do que éramos.

Autoria e outros dados (tags, etc)


38 comentários

Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 13.03.2018 às 16:06

Talvez...mas essa incapacidade vejo-a também nos da minha geração (77)...as máquinas de cálculo já são velhinhas.

Penso que a questão, da interpretação, não está na tecnologia mas no conteúdo dos programas de ensino - a interpretação só é possível com alguma "bagagem" Cultural, que não lhes é ensinada.
Os miúdos são ensinados a recitar e não a pensar - a criarem mecanismos de pensamento; deveria ser ensinada uma disciplina como a Teoria Crítica....pensar o pensamento.

Uma sugestão :

Os exames deveriam servir para avaliar não a resposta correcta, mas a pergunta acertada à resposta dada.



Imagem de perfil

De Pedro Correia a 13.03.2018 às 22:53

Boa sugestão, essa que aí deixa.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 14.03.2018 às 09:13

a questão, da interpretação, está no conteúdo dos programas de ensino - a interpretação só é possível com alguma "bagagem" Cultural, que não lhes é ensinada

Exatamente. Eu diria que muitos dos textos que hoje na escola se força as crianças a ler não fazem qualquer sentido no mundo atual e por isso não são compreensíveis.

Hoje continua a pretender forçar-se os alunos do secundário a lerem Os Maias de Eça de Queiroz, uma obra que já eu tive dificuldade em compreender há 30 anos, quanto mais uma criança hoje. Conceitos como "adultério" ou "espanholas" não fazem puto de sentido para um jovem atual.

O nosso ensino, tal como os nossos intelectuais em geral, continuam a ser extremamente conservadores e antiquados.

Comentar post



O nosso livro





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D