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Penso rápido (89)

por Pedro Correia, em 13.03.18

Até que ponto os textos se tornam impessoais ao perdermos o rasto da sua carpintaria?
O que seria do nosso entendimento da obra de um Eça ou de um Pessoa, por exemplo, sem o acesso aos manuscritos de cada um, nomeadamente às cartas que escreveram?
Li há tempos que as crianças finlandesas deixaram de ter noções elementares de caligrafia. Nas escolas, só aprendem a escrever com letras de imprensa - ou de computador. A moda vai pegar, não tenho dúvida.

Acontece que a nossa capacidade de interpretar textos antigos diminui drasticamente com estas novas tendências pedagógicas, de duvidoso mérito. E também a possibilidade de desvendarmos personalidades alheias, na medida em que a caligrafia diz muito do que somos. Ou do que éramos.

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38 comentários

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De Fatima MP a 13.03.2018 às 15:43

Na verdade, não vejo grande drama nessa alteração, cada vez se recorre menos à escrita manual, a nossa letra cursiva vai-se ressentindo disso cada vez mais. Por outro lado, a vida é tão rápida, há tanta coisa para aprender, para fazer, para ver, que somos tentados a simplificar processos e descartar floreados aparentemente desnecessários. Fora isto (pode não ser pouco) não vejo nenhuma enorme vantagem. Mas podemos sempre perguntar aos russos ...
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De Pedro Correia a 13.03.2018 às 16:46

Reduzir a escrita e a leitura aos caracteres de imprensa é comprimir a nossa capacidade de entender outras linguagens e outras culturas, muito anteriores à nossa. Tornamo-nos cada vez mais padronizados, cada vez mais uniformes, cada vez mais pobres de espírito.
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De João Silva a 13.03.2018 às 18:56

"há tanta coisa para aprender, para fazer, para ver, que somos tentados a simplificar processos e descartar floreados aparentemente desnecessários." Pedro Correia: é aqui que bate o ponto, quer-se ver muita coisa mas nada em profundidade nem com floreados. O que interessa são as telenovelas. Há (houve) obras literárias e científicas que demoraram anos de meditação a construir. Hoje na vida universitária (isto a título de exemplo) mede-se o curriculum pelo número de publicações, não interessando para nada a sua qualidade. E há uns índices baseados no número de publicações e em pesos que se atribuem às revistas onde foram publicados que servem para medir o curriculum em concursos académicos. Sei que há inúmeros professores universitários que acreditam mesmo nisso e alguns que fingem acreditar, críticos assumidos há poucos. E é difícil assumir (mais do que assumir ser gay) porque vão ficar prejudicados nos concursos de promoção na carreira e de obtenção de apoios financeiros para a investigação.
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De Pedro Correia a 13.03.2018 às 22:55

Para que havemos de ler essa imensa maçada que é a "Guerra de Paz" se custa muito menos ler a "TV Guia"?
Sinal dos tempos...
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De Luís Lavoura a 14.03.2018 às 09:18

a nossa letra cursiva vai-se ressentindo disso cada vez mais

Pois. Já sem falar da diabetes, que hoje em dia está muito espalhada e que provoca degradação das capacidades dos nervos e, por essa via, da escrita.

Muitas pessoas de uma certa idade têm hoje em dia grande dificuldade em escrever.

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