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Penso rápido (80)

por Pedro Correia, em 29.11.16

As pessoas também são feitas de sentimentos. E devem expressá-los. Quase nunca isso acontece - a não ser tarde de mais.
Mas o caso do Diário de Notícias deve fazer-nos reflectir a todos muito para além dos sentimentos pessoais de cada um. Porque este caso demonstra exemplarmente como bastou decorrer década e meia - menos de uma geração - para se perceber como diminuiu drasticamente a capacidade de mobilização e a influência social dos jornalistas. Reflecte também como a sociedade no seu todo se tornou mais apática, conformista e resignada.
No início do século os que pensavam na vidinha e permaneceram de lado foram a excepção. Políticos, escritores, artistas, jornalistas. Houve mobilização geral para manter o DN na sua sede histórica, construída de raiz para o efeito com projecto de um dos mais célebres arquitectos portugueses de sempre.
Agora tudo aconteceu de forma envergonhada, quase clandestina, quase sem um protesto, quase sem uma palavra de indignação.
Em década e meia passámos a aceitar o inaceitável. Vale a pena voltar a isto, sim. Pelo seu carácter simbólico. E para que se perceba até que ponto regredimos enquanto comunidade solidária e com valores.
Não é pieguice nem choradinho, como alguns alegam. Eu prefiro chamar-lhe lucidez - uma lucidez perplexa e preocupada de quem se interroga onde estaremos daqui a outra década e meia.
E que faz questão de não ter a cabeça enterrada debaixo da areia.


2 comentários

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De Luís Lavoura a 29.11.2016 às 14:31

Confesso que não vejo lucidez nenhuma.
O DN é uma publicação em dificuldades financeiras. Dispõe de um valiosíssimo ativo no centro da cidade, adquirido em melhores tempos. Fica ao DN (provavelmente, isto é, creio eu) arrendar na periferia instalações mais baratas, arrendando o seu edifício a outrem (um banco, quiçá) que o possa pagar por preço mais elevado. Qual é a dúvida?
É claro que os jornalistas serão prejudicados, pois passarão a ter que se deslocar de carro para a nova sede, ou então a demorar mais tempo em transportes públicos. Mas, o DN tem neste momento mais que se preocupar do que com os problemas dos seus jornalistas...
O DN move-se para a periferia da mesmíssima forma que, no passado, montes de empresas (e fábricas) que estavam instaladas no centro de Lisboa também se moveram para a periferia. Porque lá os terrenos são mais baratos. É simples. É lúcido.
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De Luís Lavoura a 29.11.2016 às 16:09

Suponha o Pedro que era descendente de uma família aristocrática e vivia num belo palacete no Restelo. Mas estava falido. Não acha que faria sentido ir viver para um andar arrendado em Linda-a-Velha e vender o seu palacete para lá instalar um hotel de charme? Não acha que tal opção seria, digamos, melhor do que morrer à fome ou viver a expensas da SS?

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