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Penso rápido (77)

por Pedro Correia, em 16.11.15

O primeiro combate ao terrorismo começa na linguagem. Não chamar "estado islâmico" ao Daesh, por exemplo.

Porque aquilo não é Estado algum: é um bando terrorista que se apropriou ilegitimamente de largas faixas de território no norte de África e no Médio Oriente, onde mutila, tortura e mata todos os "infiéis", submete as mulheres a uma opressão tirânica e tem provocado danos irreparáveis ao património cultural da Humanidade.

Além disso só por macabra ironia estes terroristas podem intitular-se islâmicos: o maior número das suas vítimas professa essa mesma fé.

Ao chamar-lhes "estado islâmico" estamos a perder a primeira batalha, reconhecendo ao bando criminoso um estatuto que não tem nem nunca terá. Porque nesta guerra também as palavras equivalem a munições.

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50 comentários

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De queima beatas a 14.11.2015 às 17:13

Tem toda a razão. É a mesma coisa de um politico que por ai anda por se considerar a ele próprio sério dever ser tratado como tal. Chamar os bois pelos nomes é preciso.
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De Pedro Correia a 16.11.2015 às 13:23

Há uma diferença abissal entre um tema e outro. Não me passa pela cabeça confundir isto com qualquer assunto da nossa política doméstica. Em nome da mais elementar seriedade intelectual.
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De Anónimo a 14.11.2015 às 17:31

E o politicamente correcto ataca por aqui...

O Estado é Islâmico porque se basea no Corão.

São por isso muito mais Islâmicos que os Muçulmanos comuns.
Mas você prefere lançar poeira para os olhos.

Por isso matam Islâmicos "impuros", tal como os Regimes Comunistas mataram muito mais Comunistas que qualquer outro regime não Comunista.

Movimentos Totalitários são assim.
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De Pedro Correia a 16.11.2015 às 13:22

Tese inaceitável.
Não é um bando totalitário por ser islâmico. É totalitário por ser criminoso, por professar uma ideologia que transforma o homicídio numa virtude.
Malala Yousafzai, galardoada em 2014 com o Nobel da Paz, é muçulmana. Não a confunda com estas bestas que nem merecem o adjectivo humano.
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De lucklucky a 16.11.2015 às 17:11

O texto anterior foi meu, as desculpas por não ter usado o nick.

Se se seguir o Corão é se Totalitário
Se só seguir partes do Corão pode-se não ser.

Mas você quer lançar poeira para os olhos apagando o Islamismo do problema e sua necessidade de reforma.
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De Pedro Correia a 16.11.2015 às 22:05

Fique descansado. Você mesmo sem assinatura é inconfundível.
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De lucklucky a 16.11.2015 às 23:35

Excelente. As suas não respostas também.
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De Pedro Correia a 16.11.2015 às 23:41

Creio que não me dirigiu pergunta alguma. A menos que os seus pontos de interrogação, atacados pelo vírus marxista, estejam a fazer greve.
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De Anónimo a 14.11.2015 às 17:43

De pleno acordo. São um bando de psicopatas que crescem a olhos vistos. Perante isto, resta à Europa unir-se mais que nunca e pensarem nas medidas a implementar para parar com estas aberrações. Quem os alimenta? Quem lhes vende as armas? Quem lhes compra petróleo? Estado Islâmico porquê e a que propósito? Todas estas interrogações têm de ser discutidas urgentemente.
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De Pedro Correia a 16.11.2015 às 13:19

Questão inadiável: estancar as fontes de financiamento e de abastecimento desta horda terrorista que goza de inaceitáveis cumplicidades, nomeadamente nas monarquias sunitas do Golfo Pérsico.
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De Luís Lavoura a 16.11.2015 às 16:55

Tem toda a razão. E também goza de cumplicidades na Turquia, acrescente-se. Ou seja, goza de cumplicidades entre bons amigos do "Ocidente". Ou seja, são amigos dos nossos amigos. É por isso que há pouca vontade de lhes fazer muito mal.
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De miadosantos1 a 16.11.2015 às 11:04

Bom dia,
A denominação de "Estado islâmico" penso que acaba por derivar do facto de eles realmente, apesar da usurpação, dominarem um território delimitado. Aquilo que não praticam são as funções tradicionais de um Estado - por essa via, já entramos em contradição. As FARC também dominam um território delimitado no seu país, e não são um estado...por isso, é evidente que são um grupo de desalmados que "nós" todos ajudámos a criar( e sem querer recuar muito no tempo,e sendo claramente simplista no que vou dizer, Afeganistão, 1978).
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De Pedro Correia a 16.11.2015 às 13:17

Se quiser recuar ainda mais no tempo encontra o Acordo Sykes-Picot, que em 1916 redesenhou o mapa político do Médio Oriente. A raiz de muitas tragédias que continuam ali a ocorrer é essa.
Mas nada disso verdadeiramente explica - e muito menos justifica - a onda homicida deste totalitarismo dos nossos tempos que é o jiadismo global.
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De Maria Dulce Fernandes a 16.11.2015 às 11:27

al-Dawla al-Islamiya al-Iraq al-Sham, os que semeiam a discórdia. Os que colhem o terror. Terroristas portanto. Concordo absolutamente.
Fico desolada que detestem as conotações negativas de Daesh. Fico ainda mais entristecida que possam continuar a existir.
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De Pedro Correia a 16.11.2015 às 13:12

São a face visível da barbárie, Dulce. Não representam "civilização" alguma. Por isso não existe nenhum "conflito de civilizações", ao contrário do que alguns sustentam. Há uma guerra entre a civilização e o fanatismo homicida.
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De Vitória a 16.11.2015 às 11:29

"Porque nesta guerra também as palavras equivalem a munições." É muito bom este texto, esta frase final diz muito.
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De Pedro Correia a 16.11.2015 às 13:10

Cada vez mais verdadeira, pode crer. Obrigado pelas suas palavras.
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De Miguel Madeira a 16.11.2015 às 11:32

- O EI tem todas as características de um Estado: controla um território (sobre qual exerce o monopólio da violência), aplica uma dado sistema legal (neste caso, uma intrepretação da sharia), cobra impostos, tem até uma espécie de aparelho administrativo, etc.

- E é claramente de inspiração islâmica - a grande diferença entre o EI e a Arábia Saudita (que quase ninguém negará que seja islâmica) é que a Arábia Saudita (ou, já agora, a outra fação fundamentalista dos rebeldes sírios, a Al-Nusra) não transmite as execuções para o mundo via youtube.

Neste conversa de "o EI nem é um Estado nem é Islâmico" parece-me haver um grande desejo de idealizar tanto os estados como as religiões
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De Pedro Correia a 16.11.2015 às 13:09

Convém não levar demasiado longe a perversão semântica. À luz da nossa versão de Estado, o "sistema legal" desse pseudo-estado tem a mesma validade da "justiça" que imperava quando os homens viviam em cavernas.
Se déssemos crédito à inspiração islâmica destes algozes, a guerra em curso não seria contra eles: seria contra a própria confissão islâmica. O que, obviamente, não é o caso. Desde logo porque - reitero - o Daeh tem provocado de longe mais vítimas entre pessoas de fé islâmica.
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De Miguel Madeira a 16.11.2015 às 13:57

Mas isso será tão diferente dos sistemas legais que vigoram ou vigoraram em montes de entidades que ninguém nega que são Estados (desde a Arábia Saudita e a Coreia do Norte até à Alemanha nazi, ao Cambodja de Pol Pot ou ao Império Centro-Africano de Bokassa)?
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De Pedro Correia a 16.11.2015 às 14:55

Descontando talvez o Camboja sob o jugo dos Khmers Vermelhos, em que todo o aparato tradicional dos Estados implodiu, em qualquer dos casos que menciona existem/existiram estruturas formais de poder que permitem considerá-los assim. Por ali vigorarem formas clássicas de organização política, social e jurisdicional. Por ali residir um povo soberano, reconhecido pela comunidade internacional.
Nas porções de território onde o Daesh impera vigora apenas a lei da bala. E todo o cimento organizativo decorre da mais arbitrária lei do terror.
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De Pedro Correia a 16.11.2015 às 22:08

Acresce que essa versão de que o Daesh "cobra impostos" é demasiado benigna. Esses islamofascistas praticam extorsão, isso sim. E pilham todos os bancos que vão encontrando pelo caminho.
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De Romão a 16.11.2015 às 11:57


Isto não tem jeito nenhum. Não são nenhum estado, aquela treta do "califado" não existe, nem matam em nome de Deus nenhum.
São só um bando de filhos da puta que não suportam a nossa liberdade nem o nosso modo de vida.
Na 5ª feira, fui ver e ouvir os Belle and Sebastian ao Coliseu de Lisboa. Lembrei-me que podia ser lá...só porque estes sociopatas acham que sim (and pardon my french)
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De Pedro Correia a 16.11.2015 às 13:04

Apetece fazer um trocadilho com a palavra califado. Mas o tempo não está para brincadeiras.
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De José António Abreu a 16.11.2015 às 15:14

"Na 5ª feira, fui ver e ouvir os Belle and Sebastian ao Coliseu de Lisboa."

1. Pronto, simpatizo consigo.
2. Mas não tinha sido cancelado por motivos de saúde do vocalista?
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De jo a 16.11.2015 às 12:55

A linguagem tem de ser vista com muita atenção. São múltiplos os casos em que as coisas não são o que parecem:

Monarquias teocráticas absolutas do Golfo - "Aliados moderados do ocidente"
Assassínio - "Execução extrajudicial"
Civis mortos - "Danos colaterais"
Tentativa de controlo do petróleo por meios violentos - "Invasão para destruir armas de destruição maciça"
Extorsão de território através do confisco pela força das armas - "Colonatos"
Migrantes afogados a tentar chegar à Europa - "Terroristas que não conseguiram passar"
Mortos em atentados em Beirute e Bagdad - "Vítimas da instabilidade do Médio Oriente"
Mortos em atentados em Paris - "Pessoas com nomes"

E a minha preferida:

Partido que não consegue o apoio da maioria dos deputados para o seu Programa - "Vencedor das eleições"
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De Pedro Correia a 16.11.2015 às 13:02

Não se esqueça de "fogo amigo". Imbatível no reino dos eufemismos.
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De Costa a 16.11.2015 às 18:29

Ah! Colonatos. Finalmente... Já estranhava a ausência de uma referênciazinha a um dos mais convenientes suspeitos ("suspeitos"? Que digo eu...) do costume.

Costa

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De V. a 17.11.2015 às 12:40

Já pensaste em sair daqui e ir viver para o meio dos teus amigos na Coreia do Norte ou para o Bahrein ou outro sítio qualquer onde possas seguir um livro único? Eu ficaria muito grato pelo teu gesto altruísta.
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De Diálogo a 16.11.2015 às 13:20

Porque se combate o terrorismo com a guerra que leva sempre, a mais terrorismo e guerra e não se combate indo ao cerne da questão? Há que agir aí e rapidamente, entrando em diálogo com os Estados reais que todos sabem quem são e que lhes dão aquilo que não podem nem devem ter.
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De Pedro Correia a 16.11.2015 às 13:31

No plano dos princípios, a sua posição é a mais correcta. Acontece que só pode haver diálogo quando existem interlocutores. Vários dos Estados do Médio Oriente e do Norte de África não têm verdadeiros interlocutores ao nível da cúpula dirigente, que representa apenas uma parcela diminuta de território e de população local.
Além disso é inviável o diálogo enquanto estamos a ser bombardeados. Anteontem em Londres e Madrid, ontem em Paris, amanhã sabe-se lá onde. Há vítimas concretas, pessoas que fazem a vida de todos os dias e que podem transformar-se em tochas humanas a qualquer momento. Gente como você e eu.
Nestas circunstâncias o diálogo torna-se impossível. Prioridade absoluta: inocular o antídoto contra o veneno da serpente mal a mordedura ocorre. E prevenir novos ataques de serpente.

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