Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Penso rápido (67)

por Pedro Correia, em 12.05.15

Um misto de apatia, individualismo e alheamento cívico caracteriza muito do comportamento dominante no mundo ocidental. E ajuda a explicar esta permanente sensação de crise larvar, que ultrapassa em larga escala o plano económico. É uma crise de valores, que o fundamentalismo islâmico procura colmatar à sua maneira apelando ao instinto gregário e aos códigos tribais em decomposição nas chamadas sociedades "evoluídas". Isto tem uma capacidade de sedução que ultrapassa largamente o círculo de convertidos, seduzindo novas hordas de fanáticos em potência desprovidos de valores alternativos.

Quem não perceber isto nada percebe de essencial.

Autoria e outros dados (tags, etc)


14 comentários

Sem imagem de perfil

De isa a 12.05.2015 às 19:25

100% de acordo, já tentei explicar isso de várias maneiras mas uma grande maioria não concorda, pensa que o problema está nesses jovens e não na sociedade onde estão a ser criados... e penso que a situação vá piorar.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 12.05.2015 às 23:07

Nesta matéria também não me sinto nada optimista. Pelo contrário. O individualismo exacerbado, a perda dos valores relacionados com a partilha, o culto narcísico, a aparência como medida de todas as coisas, o tributo prestado à irrelevância - eis características da sociedade actual que não podem conduzir a nada de bom.
Sem imagem de perfil

De isa a 13.05.2015 às 11:08

A espécie humana, tirada a fina película de civilidade, ou seja, o respeito pelas normas de convívio entre os membros duma sociedade organizada (muita gente confunde com civismo que tem a ver com o respeito pelas instituições e pela leis) é, por natureza, uma espécie conflituosa e quanto a partilha, como em tantas outras coisas, tem de ser ensinada através de valores e aqui, é cometido o erro de fazer a suposição que com a implementação de leis e respectivas multas ou castigos se pode superar essa falha, ou seja, quando ouço pessoas dizerem que acham natural a perda de valores, e que nem sequer se preocupam em saber se eles foram substituídos por outros, não é preciso acrescentar mais nada, pois como qualquer lei da natureza, temos a entropia de um sistema que aumenta mediante a remoção de restrições internas ora, neste caso, sem guias nem apoio, numa sociedade em que a obsolescência passa a norma, temos um jovem ser humano transformado numa simples esponja para absorver qualquer teoria por mais louca ou fundamentalista que seja.
Essa transmissão de valores aos jovens nunca poderá ser através de palavras (essas são para leis e normas relacionadas com civismo) eles só podem compreendê-las a partir da observação do comportamento dos adultos, ora se observarmos na educação, a todos os níveis, eles observam os adultos a apregoar muitas coisas mas que fazem precisamente o contrário ora, estamos à espera de quê?
Mesmo quem queira educar de outra maneira, está a ficar sem ferramentas, porque para além do que acha correcto ainda tem de "suar" para demonstrar que a outra maneira de viver está errada, ora confesso que estou a ficar com dúvidas, porque se isto é o salve-se quem puder, a educação que estou a tentar dar pode também trazer grandes desvantagens, para ele se integrar num mundo em que todas as piores características dos seres humanos estão a vir ao de cima e, o mais assustador... é haver quem ache tudo muito natural... na verdade é muito natural no âmbito da falta de civilidade, só não sei se mentir, roubar, matar, desrespeitar,... e com tantos outros perigos à beira de poderem acontecer, já nem vejo hipótese de retrocesso e, muito provavelmente, tal e qual como aconteceu tantas vezes ao longo da História, estejamos apenas a ver os sinais do princípio do fim de mais uma civilização. Quando Einstein afirmava que a 4ª Guerra Mundial seria travada com paus e pedras... e, tal como ele, também não sei especular sobre a 3ª mas, com tanta coisa a acontecer simultaneamente a nível Global, começo a desconfiar... que já começou...
Sem imagem de perfil

De Justiniano a 13.05.2015 às 11:37

Perfeitamente, cara isa! O mundo tresanda a insídia! A subversão por detrás da porta! Denota-se alguma exaustão naqueles que carregam a civilização. Um testemunho cada vez mais pesado de endereçar, a nível global!!
Sem imagem de perfil

De Vento a 12.05.2015 às 19:58

Foi esse misto de apatia, individualismo e alheamento cívico que caracteriza muito do comportamento dominante no mundo ocidental, e daqueles que se deixaram dominar, que contribuiu para o florescimento desse dito fundamentalismo.
Essa crise larvar que nos dá conta não é uma larva, já é uma borboleta que voa em todas as direcções. A chamada terceira via, que Portugal ratificou, fomentou um monopólio legislativo e retirou da esfera do particular valores para substitui-los por outros que institucionalizou. Não satisfeitos com os resultados alcançados passaram muito recentemente, qual big brother, a monitorar todos os movimentos sociais, políticos, económicos, empresariais, financeiros e fiscais.

Portugal, um laboratório desta nova ordem, que nada mais é que o controlo unificado que o senhores (os outros) do sistema desejam, que revela não possuir solidez cultural, pois da miséria material presume ascender a um patamar civilizacional que só revela miserável condição intelectual e moral (refiro-me aos ditos círculos dominantes), aceita todas estas condições uma vez que se assemelham às ambições do sistema corporativo instalado e aparenta oferecer-lhes garantias de continuidade.

A usurpação da memória, da autonomia, do direito à individualidade, que não se confunde com individualismo, e do privado, que se estende também por associações ditas privadas que vivem da subsidiação dos comuns por via estatal, não escapa a esta ordem.
E para que tudo se torne perfeito, a substituição do papel moeda por moeda electrónica já é uma equação para ser implementada. Mas a besta não fica por aqui. Deseja deixar sua marca, o chip, até no corpo de suas vítimas; e, explorando a insegurança que ela mesma fomenta, não basta o chip, mas também o ADN para que tudo seja "seguro".

Assim, a besta, levando o nome de sistema, através de seus escravos, a verdadeira horda de fanáticos, que se transformarão também em suas vítimas, transformar-se-á em senhor dos senhores e rei dos reis. E, por fim, seus súbditos cairão com ela no abismo.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 12.05.2015 às 23:10

O excesso de individualismo, por um lado, e o império do mais forte, por outro, produzem um caldo de cultura detestável. É nele que estamos mergulhados até ao tutano. E quanto mais tempo isso durar pior será para todos.
Sem imagem de perfil

De Marquês Barão a 12.05.2015 às 21:55

Temos a colheita da coragem em manada que semeamos.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 12.05.2015 às 23:10

"Coragem em manada" é o que mais se vê por aí. Algo que de coragem nada tem.
Imagem de perfil

De Rui Herbon a 12.05.2015 às 21:56

Nem mais, Pedro.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 12.05.2015 às 23:11

Por vezes sinto necessidade de reflectir para aquém ou para além da conjuntura política, Rui. Nem que seja em poucas linhas. Foi o caso. Esta série presta-se a isso.
Um abraço.
Sem imagem de perfil

De Justiniano a 13.05.2015 às 09:18

A construção do vazio. O horror ao vazio. O preenchimento do vazio. Quase sempre por esta ordem circular!!
Também tenho dias de um percepção apocalíptica!! Para além do pessimismo contingente! Dias em que vejo a civilização presa por finos arames corroídos!! Pronta a desabar. Há outros em que vejo gente, renitentemente, a esgaçar os arames, por nenhuma outra razão que não a de saber se efectivamente as leis da física operam, ainda que se creia, metafisicamente, que não!!
Um bem haja,
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 13.05.2015 às 16:09

«A construção do vazio. O horror ao vazio. O preenchimento do vazio. Quase sempre por esta ordem circular.»
É isso, meu caro. É isso mesmo.
Sem imagem de perfil

De da Maia a 13.05.2015 às 19:21


Pois é.
Circular, circular, são as ordens.
Mas, a Ordem não é circular, nem linear.

O meu maior optimismo percebi-o na impotência global. O pessimismo anterior via-o na ilusória potência local.

Todas as certezas do passado podem ser desfeitas num sopro do tempo. Essa é a prerrogativa caótica do futuro.

Os amantes da ordem são os primeiros a desejar o caos, quando se vêem presos nela.

A ordem que serviu o Islão, em grandes impérios, passou a servir outros senhores, e contra a ordem o recurso é o caos.

A ordem cimenta-se pelas certezas do passado, enquanto o caos assegura as incertezas para haver um futuro.

Quem quiser excluir incertezas, exclui o seu futuro. Certezas servem a simples maquinaria.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 13.05.2015 às 23:31

Sim, "todas as certezas do passado podem ser desfeitas num sopro do tempo". Temos essa noção acentuada, hoje mais que nunca.

Comentar post



O nosso livro





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D