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Penso rápido (42)

por Pedro Correia, em 21.08.14

Nunca os economistas estiveram tanto em voga: quanto maior é a crise, mais rivalizam com os futebolistas enquanto campeões da permanência nos ecrãs televisivos. A esmagadora maioria limita-se a dizer-nos o que todos já sabemos, embora o diga com indisfarçável convicção: que as coisas estão más, que a situação é difícil, que a recuperação será lenta e penosa, que os problemas sociais poderão multiplicar-se, que a criação de emprego é um objectivo prioritário mas de concretização problemática.

Ouço este corrupio de génios a desfilar na pantalha, noite após noite, e questiono-me por que motivo não terão eles surgido com a sua palavra avisada e esclarecida quando o rumo dos acontecimentos era ainda incerto e a prosperidade parecia prolongar-se em rota ascendente, ao contrário do que sucedeu depois.

Há um velho aforismo que me vem à memória em momentos destes: depois da batalha, todos somos generais.

E lembro-me de outro: Deus criou os economistas para que os meteorologistas tivessem credibilidade.

Estamos bem entregues com tantos génios a velar por nós.

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22 comentários

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De David Cabanas a 21.08.2014 às 15:52

Ao que parece tudo se vai resolver com o aumento dos impostos. Veja-se http://observador.pt/2014/08/21/governo-confirma-estar-ultimar-novo-orcamento-retificativo/...como é fácil resolver o problema rapidamente e ser considerado um génio da gestão ou da economia financeira...
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De Pedro Correia a 21.08.2014 às 22:53

Uma impostura.
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De menvp a 21.08.2014 às 16:41

Mestres em Despesa/Endividamento é coisa que há para aí aos montes... todavia, no entanto... porque é que quem paga (vulgo contribuinte) não há-de ter uma palavra a dizer!?!?!!!
{nota: o contribuinte agradece que sejam apresentadas propostas/sugestões que possibilitem uma melhor gestão/rentabilização dos recursos disponíveis... ou seja: em vez de propostas de despesas/endividamentos/aumentos... apresentem propostas de orçamentos!}
.
Ora, de facto, foram Mestres em em Despesa/Endividamento [com o silêncio cúmplice de (muitos outros) mestres/elite em economia] que enfiaram ao contribuinte autoestradas 'olha lá vem um', estádios de futebol vazios, nacionalização do BPN , etc , etc , etc ...
---» Bom, como é óbvio, quem paga (vulgo contribuinte) não pode continuar a ser 'comido a torto e direito'... leia-se: quem paga (vulgo contribuinte) deve possuir o Direito de defender-se!!!
.
-» Votar em políticos não é (não pode ser) passar um cheque em branco... isto é, ou seja, os políticos e os lobbys pró-despesa/endividamento poderão discutir à vontade a utilização de dinheiros públicos... só que depois... a 'coisa' terá que passar pelo crivo de quem paga (vulgo contribuinte).
---> Leia-se: deve existir o DIREITO AO VETO de quem paga!!!
[ver blog "http://fimcidadaniainfantil.blogspot.com/"].
.
.
.
P.S.
DEMOCRACIA SEMI-DIRECTA:
- possibilita a existência de um processo ágil de tomada de decisões... e... permite que o contribuinte não passe um 'cheque em branco' aos políticos.
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De Pedro Correia a 21.08.2014 às 22:54

Passamos um cheque e ficamos em xeque.
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De Cristina Torrão a 21.08.2014 às 19:25

Os alemães costumam dizer: "Hinterher ist man immer schlauer" - Depois (não se especifica de quê), é-se sempre mais esperto.
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De Pedro Correia a 21.08.2014 às 22:51

Pois, Cristina. Há os que são generais depois da batalha e também aqueles que assentam praça em general. Isto anda generalmente tudo ligado.
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De Mostar Donariz a 21.08.2014 às 19:48

Prognóticos, só no fim do jogo.
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De Pedro Correia a 21.08.2014 às 22:46

A propósito: eu prognostico que estávamos à beira do abismo e entretanto demos um passo em frente.
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De Slsalgueiro a 21.08.2014 às 20:26

"Tornou-se-nos a partir de agora uma necessidade, que a realidade não seria capaz de satisfazer, ouvir homens falar bem e copiosamente nas mais criticas situações: ficamos encantados, agora, por ver o herói trágico encontrar ainda frases, razões atitudes eloquentes e, em suma, ficar lúcido quando a vida passa ao lado dos abismos que faria na realidade, perder a cabeça à maior parte dos homens e a todos tiraria o gosto de bem falar."
FRIEDRICH NIETZSCHE
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De Pedro Correia a 21.08.2014 às 22:48

Ups. Eu a falar em abismo ali mais em cima e deparo agora aqui com o grande Frederico a falar do mesmo. Com muito mais autoridade que eu.
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De Maria Dulce Fernandes a 21.08.2014 às 21:32

O lado bom da coisa, é que não há manifestações de economistas no desemprego a preencher vazios nos noticiários. O lado mau é que demasiados economistas preenchem os vazios com teorias para lá de flatlined há muito tempo.
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De Pedro Correia a 21.08.2014 às 22:49

Eu acho que chegou o momento de mudar alguma coisa. Pormos os meteorologistas a perorar sobre riscos sistémicos e os economistas a prever mudanças climáticas.
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De am a 21.08.2014 às 22:16

O mais credível comentador/economista da TV -- foi aquele enviado especial da ONU", convidado pela SIC-N.
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De Pedro Correia a 21.08.2014 às 22:50

Esse era um gajo bestial. E dava um bom meteorologista também.
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De Vento a 21.08.2014 às 23:37

Meu caro,
não vou comentar sobre os economistas mais do que o que já fiz através do comentário que seleccionou há umas semanas.
Devo dizer-lhe que aqui mesmo no DO há cerca de dois anos, comentei sobre a evolução de todas esta pantominice. Até mesmo, porque tenho boa memória, cheguei a pedir ao meu caro Pedro que guardasse um de meus comentários para que o (re)lesse logo que os acontecimentos ocorressem.

O que quero, isto sim, acrescentar a seu texto é somente o facto destes pantomineiros, juntamente com os outros, terem contribuído para uma das maiores falácias dos últimos séculos.

Os valores do crescimento económico que apresentaram há uns dias, e a forma como o fizeram, é mais uma parte de toda esta pantominice.

Quando o actual governo nos diz que não havia outro caminho para as políticas que nos apresentaram, eu acredito neles. Porque não conhecem outros caminhos. E há certos caminhos que devem ser feitos por quem sabe, mas os que atingem esta visão são profetas abatidos.
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De Carlos Duarte a 22.08.2014 às 08:32

Pois é, caro De Vento. Como disse, existe um mundo de diferença entre não haver e não saber. Já tenho escrito desde há muito que o choradinho - felizmente terminado, ao que parece - do nosso Governo sobre as decisões do TC é completamente absurdo. Se eles não sabem fazer doutra maneira, que fizessem o favor de se demitirem.

Um dos problemas do nosso (des)governo (este e os outros, aliás) é uma excessiva dependência de economistas. Dantes lia-se entranhas ou estudava-se os astros, agora é mais ler Keynes ou Friedman duma forma quase cabalística. Entre muitos economistas que para aí andam e o Prof. Bambo, antes o segundo, que pelo menos tem ou aparenta ter consciência de que não passa de uma vigarice encartada com título professoral. Mais, o debate é de tal maneira idelógico e crispado que já nem se discutem ideias: atiram-se sentenças da cátedra e o insulto - do mais cortês and mais abjecto - impera.

Quer isto tudo dizer que os economistas são inúteis? Não, quer dizer que os mesmos são úteis e até indispensáveis no seu local certo. Como conselheiros. Que é a sua função aconselhar, neste caso o Governo, e a função do segundo Governar de acordo com a SUA consciência. Eu admito erros ao Governo quando este age de acordo com o que acha correcto. Não lhe admito nem posso admitir quando se limita a governar de cartilha em punho e sussuro ao ouvido.
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De Diogo Moreira a 22.08.2014 às 11:21

O problema de generalizar é que padecem tanto os culpados como os inocentes... De facto, existem uma almas luminárias que agitam o título de "Economista", mas que percebem pouco da matéria versada nessa ciência. Curiosamente, são esses os que detêm tempo de antena e nada mais fazem que debitar lugares-comuns e repetir 'ad nauseum' a estafada lenga-lenga "que as coisas estão más, que a situação é difícil, que a recuperação será lenta e penosa, que os problemas sociais poderão multiplicar-se, que a criação de emprego é um objectivo prioritário mas de concretização problemática".

Ora, os Economistas que percebem de Economia (especialmente a vertente Macroeconómica) apontam para a errada perseguição dogmática da austeridade como fonte da maioria dos males da Europa actual (eis um belo comentário nesse sentido: http://www.washingtonpost.com/blogs/wonkblog/wp/2014/08/20/worse-than-the-1930s-europes-recession-is-really-a-depression/).

Os próprios organismos constantes da 'Troika' que nos impõem tantos sacrifícios para Portugal recuperar o seu fulgor económico se contradizem. A começar pelo FMI, cujo grupo de estudos já se manifestou acerca dos vários erros cometidos (desde multiplicadores até à convicção da "austeridade expansionista", passando por descrever que o programa específico português foi um monumental fracasso e que as políticas que foram impostas apenas agravaram o processo) - mas cujo grupo de decisão aponta para soluções 'mais-do-mesmo', que 'Portugal está no bom caminho'. Urge romper com a suposta "ortodoxia" e aplicar as lições que se retiraram dos anos 30 - a austeridade não é a solução!

Quanto à falta de previsões dos Economistas quanto ao início da crise, isso é pedir o impossível! É como um médico adivinhar, numa consulta de rotina em que todos os valores estão normais que uma pessoa vai desenvolver um cancro! No entanto, existem sempre vozes a berrar acerca de uma qualquer destruição iminente (é só ver pessoas, especialmente nos EUA, a garantirem que a hiper-inflação está aí ao virar da esquina) - aliás, o Nouriel Roubini ganhou fama por estar sempre a bater na mesma tecla (mas foi o primeiro a antecipar a crise...). Até 2003, os ciclos de crescimento bolsista eram de cerca de 3 anos e houve quem aconselhasse prudência nos investimentos em 2006 - quem atendesse aos seus conselhos perdeu a oportunidade de muitos lucros em 2007...

Não tentemos re-escrever a história com o que nos dá mais jeito.
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De Pedro Correia a 22.08.2014 às 22:43

A propósito de Roubini, duas frases dele (de Maio de 2011):
«O programa de austeridade em Portugal será doloroso mas é necessário.»
«Um dos maiores problemas dos países periféricos [da União Europeia] é a falta de reformas estruturais, que estão a decorrer de forma muito lenta.»
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De Diogo Moreira a 22.08.2014 às 22:47

Dois lugares-comuns que, de tanto repetidos, até parece que são verdade... O que ele diz não tem sustentação na realidade portuguesa - que esse senhor não conhece minimamente.
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De Pedro Correia a 25.08.2014 às 14:52

Não sei se conhece. Mas é citadíssimo por excitadíssimos comentadores daqui.
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De Diogo Moreira a 25.08.2014 às 18:16

Para que fique claro como a água, eu não sou fã do sr. Roubini. Ele faz-me lembrar da fábulo do Pedro e do Lobo, sendo que ele faz de Pedro e frita vezes sem conta "Aqui vem lobo!" - até que um dia acerta. Curiosamente, os jornalistas decidem fazer dele uma vedeta instantânea, acrescentando ao seu nome o título 'foi o Economista que antecipou a crise', em vez de o terem chamado de charlatão, por ter estado tempo tempo enganado. Ou, como um relógio parado que está certo duas vezes por dia, que não serve de nada para nos guiar no dia-a-dia...

Quando um Economista (ou político ou seja o que for) decreta a necessidade de reformas estruturais, é quase certeza absoluta de que não sabe do que está a falar. É que, para a 'clique' dos Economistas, estas são as palavras mágicas que resolvem todos os problemas! Faz um exercício mental: há anos que se fala na imperiosidade de fazer reformas estruturais em Portugal - quais foram feitas e quais são necessárias actualmente?
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De Pedro Correia a 25.08.2014 às 22:14

Pedro e o lobo: boa comparação.

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