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Delito de Opinião

Penso rápido (30)

Pedro Correia, 24.07.14

Dizem-me que, se Portugal voltasse a recusar a entrada da Guiné Equatorial, a CPLP corria o risco de se desintegrar. Pois bem: prefiro pagar o preço da desintegração da CPLP a ver Obiang na mesa de honra da organização. Sinto como uma humilhação nacional ver o Presidente da República e o primeiro-ministro sentados àquela mesa. E o mesmo sucede ao ver grandes defensores de direitos humanos, como Dilma Rousseff e Xanana Gusmão, dobrarem a cerviz ao tirano de Malabo.
Dilma, que combateu a ditadura militar brasileira, abraça agora o ditador Obiang, tão repugnante como os generais e almirantes dessa era de triste memória no Brasil. Com uma agravante: Obiang já ocupa o poder há quase o dobro do tempo que durou a ditadura militar em Brasília.
Xanana, que liderou o povo timorense na luta contra o regime ditatorial do general Suharto e a ocupação ilegal de Timor-Leste pela Indonésia, devia ser o primeiro a pôr Obiang à distância. Lamentavelmente, pelo contrário, deu-lhe honras de astro-rei da política internacional na cimeira de Díli.
A realpolitik justifica muita coisa. Mas não devia justificar tudo.

3 comentários

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    Pedro Correia 24.07.2014

    'Bora lá então prestar vassalagem e fazer mesuras ao ditador da Guiné Equatorial. Nem é má pessoa, comparado com o Idi Amin. Ou com o Bokassa, que praticava canibalismo. Pena terem morrido tão cedo. Podiam agora ser nossos compinchas na CPLP.
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    sampy 25.07.2014

    Mas afinal, donde vem toda essa autoridade moral? É de sermos um país falido e intervencionado, a viver a crédito com o dinheiro também dessas abjectas tiranias? É da nossa Constituição pró-comunista, épica bandeira dos direitos humanos gratuitos? É dos 40 anos de ditadura mansa que vivemos? É da nossa inocente história em África , da santa guerra do Ultramar, ou do exemplar processo de descolonização?...

    A que propósito vem o Bokassa? É uma maneira de agradecer aos deuses por não termos nascido franceses, filhos dessa nação de maus costumes e anti-democrática que criou o fantoche e o sustentou no poleiro, até que os diamantes já não compensavam o incómodo?...

    O tempo da ingenuidade acabou.
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