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Penso rápido (29)

por Pedro Correia, em 23.07.14

Tenho uma certeza: a utopia do "jornalismo cidadão", que transforma cada um de nós em repórter munido de uma câmara de filmar e de uma pena indignada pronta a retinir nas redes sociais, não substitui - de forma alguma - o jornalismo clássico, sujeito a princípios deontológicos e a um quadro de referências éticas muito específicas que podem ser alteradas no pormenor mas não no fundo.
Um dos princípios básicos é ouvir sempre todas as partes envolvidas numa questão. Outro, fundamental, é não fazer juízos definitivos sobre questões que estão longe de encontrar desfecho. E sem nunca esquecer que um jornalista é fundamentalmente um repórter, não é um juiz. Existe para mostrar, relatar, descrever, explicar. Não existe para condenar liminarmente ninguém e muito menos para pendurar seja quem for em pelourinhos públicos: essa não é a sua função.
Nenhuma democracia pode prescindir do jornalismo enquanto veículo formador da opinião pública. Porque não existe democracia sem opinião pública: só as ditaduras a dispensam e a sufocam.
Por este motivo, e apesar das incógnitas contemporâneas, julgo que o jornalismo conseguirá sobreviver a todas as crises. Em novos formatos, com novas perspectivas, com metas diferentes. Mas sem nunca trair, na essência, a matriz original.

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4 comentários

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De Ranzinza a 18.07.2014 às 16:52

Noutros tempos, falava-se de distinguir notícias de opiniões. Mesmo considerando que a verdade é subjectiva, etc, etc, irrita-me que de modo (mais ou menos) acintoso e descarado essa distinção tenha caído em desuso. E também que, em vez de objectividade e sobriedade, uma abordagem que se imagina original/engraçada/espertinha, mas que frequentemente não passa de idiota, contamine as notícias a que por cá vamos assistindo (ou que vamos apenas lendo).

Mas eu sou apenas um consumidor contrariado e (ao que dizem) com esgares de enfado...
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De Pedro Correia a 23.07.2014 às 23:11

É um consumidor crítico. E é de muito mais gente assim que o jornalismo precisa. Porque a exigência dos consumidores de informação é condição fundamental para aumentar a qualidade.
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De Maria Dulce Fernandes a 23.07.2014 às 17:44

O "jornalismo cidadão" funciona muito bem em blogs, por exemplo, onde qualquer trivialidade é notícia. Não é sequer projecto de jornalismo , resume-se à descrição mais ou menos acintosa duma qualquer ocorrência, de preferência pormenorizada mas pouco objectiva , bem apoiada fotograficamente, e o que se pretende é obter reconhecimento através de muitos comentários ou LIKES, ou o equivalente seja lá em que rede for. Ninguém está realmente muito interessado na verdade dos factos, todos aguardam pelos seus 15 minutos de fama e falar bem ou falar mal dum assunto, duma pessoa... não importa desde que realmente se fale.
Não há qualquer deontologia nem formação, e a informação nem sempre é a correcta.
Como o "Video killed the Radio Star" a informação a jorros disponibilizada à distancia de um clique pela globalização , abalou a estrutura do jornalista de escola, porque na óptica de muita gente qualquer um pode ser jornalista, basta para isso, como refere o Pedro, duas linhas e uma foto.
Acredito que o jornalismo evoluirá com a objectividade e racionalidade que sempre foi a sua meta primeira, na qual é imperativo que autenticidade da notícia se sobreponha a qualquer juízo de valor.
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De Pedro Correia a 23.07.2014 às 23:16

É fundamental que o jornalismo não vá a reboque das redes sociais. Seria um erro gravíssimo. Tal como já foi um erro muito grave ir a reboque da internet com "informação gratuita para todos, o tempo todo". Disponibilizar conteúdos "gratuitos", lançar jornais "gratuitos": valeu de tudo para apanhar esse comboio. Quando soaram todos os alarmes e houve necessidade imperiosa de inverter o rumo, em muitos casos, já se foi tarde: muitos títulos prestigiados desapareceram nesta voragem.

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