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Pensamento da semana

por Ana Cláudia Vicente, em 22.04.18

Para pensamento da semana, deixo-vos uma percepção e várias perguntas de quem trabalha no ensino há alguns anos.

Parece-me que estamos a assistir a uma mudança significativa em boa parte de quem nos chega para aprender. Não presumo saber se esta alteração é mais ou menos duradoura. Qual? A que se traduz no avolumar das reacções de espanto e de frustração ante o processo de tentativa/erro, de rascunho, de repetição. Para os mais pequenos que nos chegam, o lado mais oficinal do aprender, o fazer muitas vezes até sair melhor, até acertar, gera agora perplexidade e embaraço, acompanhados muitas vezes da recusa em recomeçar, por vergonha de falhar outra vez. Não me refiro a casos pontuais, antes à generalização de um modo de estar. 

O que é que está a acontecer na forma como lidamos com os mais novos para que, quando chegam à escola, lidem tão mal com o erro e a falha, tão inevitáveis quanto indispensáveis para se ganhar qualquer conhecimento e habilidade? O que é que andamos colectivamente a fazer para que uma criança (ou jovem) julgue ser possível dominar instantaneamente uma técnica, um conteúdo, uma ciência?

Aceito lições.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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74 comentários

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De Sarin a 16.04.2018 às 00:55

Não tenho lições a dar, apenas reflexões para trocar.
Ninguém ensina os pais a serem pais, os educadores a serem educadores - os não profissionais, obviamente: a família.

A forma como a escola lida com a família pode fazer e faz alguma diferença: reuniões de pais em horário laboral são uma maçada até para os pais mais preocupados - reuniões em horário menos inibidor pressupõe flexibilidade das escolas e do Ministério (os profs também têm vida própria. E filhos.)
Mas apenas partilhar com os pais as evoluções dos rebentos não chega, nem para o professor nem para muitos pais. Nem para a Educação.
Tal como ao professor não chega cumprir objectivos para ser Educador - a criança não é um mero repositório, e a grande maioria dos professores sabe disso. A Escola parece que não.

E porque não grupos de trabalho que envolvam pais e filhos, onde os professores poderão observar, corrigir e até ensinar metodologias de educação?
Porque não seminários e debates entre a escola e a comunidade, incluindo aqueles cujos filhos ainda não a frequentam e aqueles que os não têm mas lidam com sobrinhos netos vizinhos?

Estamos a falhar incutindo uma falsa noção de facilidade - porque lhes queremos facilitar a vida o mais que pudermos.
Precisamos de quem nos ensine limites. E nos abra horizontes. Todos nós.
Revisões programáticas serão insuficientes e até inconsequentes enquanto a Escola mantiver o divórcio entre os Professores e a Comunidade.
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De Ana Cláudia Vicente a 17.04.2018 às 13:47

Muito obrigada pela reflexão!
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De Anónimo a 17.04.2018 às 15:18

"E porque não grupos de trabalho que envolvam pais e filhos, onde os professores poderão observar, corrigir e até ensinar metodologias de educação?"
- Porque os senhores disto tudo não estão interessados em mudar coisa nenhuma. Para eles, como está é como deve ser.
João de Brito
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De Anónimo a 17.04.2018 às 18:42

Mas então nem vale a pena o debate. :)

Não há uma Política para a Educação em Portugal, nunca houve. Objectivos, metas - tudo muito lindo e muito circunscrito no tempo e no espaço. A Escola como início e fim do processo. Como se os museus tivessem que ser montras para visitas de estudo e não mostras dinâmicas de arte e saber. Como se a paisagem não fosse parte da nossa cultura. Como se a sociedade não educasse e as crianças não fossem parte da sociedade...

Há escolas em que a interacção com os Pais é maior. Ou a interacção com os alunos. A expensas do tempo e da vontade de parte do corpo lectivo, não por política da escola menos ainda do Ministério.
E depois há cansaço e há desânimo e há rotação de professores - e ao fim de uma geração a Escola fica igual a tantas outras.
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De Sarin a 18.04.2018 às 00:45

Esta Anónima das 18:42 sou eu, perfil ligado e id desaparecido sabe-se lá porquê! 😡
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De Anónimo a 16.04.2018 às 04:15

A realidade que julgo conhecer melhor é a dos 1º,2º e 3º cicos do ensino básico e é sobre estes alunos que tentarei, respondendo ao seu repto, tecer algumas considerações.
As crianças e jovens de hoje experimentam, a meu ver, uma inibição ou bloqueio no processo de aprendizagem cuja caracterização me atreverei a esboçar.
Sendo a educação uma forma complexa de socialização, de aquisição de cultura, de comportamentos e saberes indispensáveis à feitura de homens e mulheres preparados para a vida, é preciso considerar-se a existência, não de um conjunto avulso de procedimentos educativos, mas sim de um processo dinâmico no qual participam alunos, professores, meios tecnológicos, culturais,sociais, familiares,etc.
As aprendizagens das técnicas, conteúdos e ciências não se adquirem instantâneamemente, nem de uma só maneira. Necessitam do cumprimento do respeito pela individualidade, da diversidade e do acordo das circunstâncias e dos meios disponíveis.
Creio haver, pelo menos três grandes factores responsáveis pelo bloqueio de que falámos: a heterogeneidade dos "aprendizes", o ensino totalitário (não confundir com totalizante) dos educadores e as pressões familiares e sociais. Dito isto, há que concluír que a responsabilidade objetiva pelos tais bloqueios e inibições não pertencem, afinal, em primeira mão, às crianças e aos jovens. Os responsáveis são, objetivamente, não necessariamente por esta ordem: os professores, a família e a sociedade.
Os professores necessitam de mudar os métodos e as exigências. Sem intenções prescritoras sugere-se que promovam o desenvolvimento do espírito crítico nos alunos, adoptem estratégias favorecedoras da criação de opiniões próprias e o traçado de caminhos personalizados em direcção ao conhecimento e à descoberta de si e da própria vida. É fazer como Sócrates que, através da sua maiêutica, fazia nascer do outro a verdade que já lá estava. Talvez seja possível, pela via da demonstração e do exemplo, levar os alunos à adopção de uma atitude de humildade científica e ao reconhecimento experimental de que quanto mais sabemos mais nos resta saber. Os professores talvez possam recusar o ensino livresco e dirão sim ao laboratório do conhecimento. Deste modo, o educador deixará de estar no centro do processo o qual será ocupado e partilhado pelos alunosr. Que fará então o professor? Ele será um conselheiro, um mestre, aquele que dá e recebe saber. O professor é um facilitador da autonomia e não ensina a muitos como se fosse a um só. O ensino tem que ser o mais individualizado possível porque todos somos diferentes , aprendemos, sentimos e compreendemos diferentemente.
A meu ver, a escola devia fazer da Matemática e da Lógica disciplinas nucleares e adoptar a máxima de que só praticando muito se fica a saber. "Só a repetição produz conhecimento em profundidade" ( M. Lourenço, ex.professor de Lógica na Universidade de Lisboa).
A metodologia tem que ser objecto de um grande esforço de assimilação por parte dos professores. Para além da reformulação das didácticas das várias disciplinas todos os professores deviam estudar Descartes em "O Discurso do Método" e nas "Regras para a Direcção do Espírito" bem como os clássicos Karl Popper e Thomas Kuhn.
Ainda esta semana, se me for permitido, gostaria de dizer algo sobre as responsabilidades da família e da sociedade. O tema convoca experiência e investigação. Temo não ter a informação suficiente nem o tempo necessário para um contributo apresentável. Desde já me penitencio pela presunção de algo ter a dizer e que me leva a ocupar este espaço.
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De Vlad, o Emborcador a 17.04.2018 às 11:55

"É fazer como Sócrates que, através da sua maiêutica, fazia nascer do outro a verdade que já lá estava"

Pena Sócrates não ter aplicado a sua filosofia ao seu casamento. A Sócrates não o mataram. Ele matou-se, isso sim, devido a um burnout, pelo desespero a que o levou , sua odienta mulher, Xantipa.

O Discurso do Método foi uma das obras mais responsáveis pelo declínio do sabor do saber no Ocidente. Perdeu-se com ele e com Descartes a capacidade de interligação entre os diversos ramos de saber (desmonta-se o objecto a fim de estudá-lo e esquece-se da interligação das partes , quando em conjunto, no objecto estudado ; o objecto de Descartes é uma caricatura da realidade ).

Com Descartes surgem as simplificações (toma-se a soma das partes como o Todo) e esquece-se a Complexidade, recuperada agora pela Ciência da Complexidade e Teorias do Caos (Emergência = o Todo é diferente da soma das partes).

Thomas Kunh defende não haver verdade científica, em completo desacordo com Descartes e Poper. Kunh afirma:

If these out-of date beliefs are to be called myths, then myths can be produced by the same sorts of methods and held for the same sorts of reasons that now lead to scientific knowledge

Thomas S. Kuhn, The Structure of Scientific Revolutions
like

E que dizer das incertezas da matemática desde Godel?
Os miúdos deveriam ser ensinados não a construir argumentos mas a desmontá-los. Não a responderem mas a perguntarem.

E deixar a descrição da verdade para os poetas.
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De Ana Cláudia Vicente a 17.04.2018 às 13:49

Muito agradeço este contributo.
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De Ana Cláudia Vicente a 17.04.2018 às 13:51

Muito material para minha reflexão, obrigada.
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De Vlad a 17.04.2018 às 17:29

Muito material para minha reflexão, obrigado
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De Anónimo a 17.04.2018 às 15:41

"Os responsáveis são, objetivamente, não necessariamente por esta ordem: os professores, a família e a sociedade.
Os professores necessitam de mudar os métodos e as exigências."

Para mim, a ordem está certa.
O que acontece é que, para os professores mudarem os métodos e as exigências, não bastaria uma espécie de evolução na continuidade, que seria ainda assim difícil, mas possível.
Seria necessária uma verdadeira, profunda e dolorosa revolução cultural.
Revolução que ninguém fará, porque a Educação, sendo absolutamente estruturante da realização humana, em termos imediatos, não se come, não se trafica, não capacita para a invasão gulosa de países soberanos, nem paga as contas ao fim do mês.
Nada feito!
João de Brito
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De Anónimo a 16.04.2018 às 06:59

Ah, excelentes candidatos a políticos.

É o resultado do jornalismo/mediatismo marxista que temos em que o objectivo é promover o poder sobre os outros.
Quem é que os jornalistas recompensam?

A primeira coisa que as crianças aprendem é o jogo do poder.

Tem sorte da ainda não a terem acusado de ser "machista" "branca" "racista" "privilegiada"...
A matemática para lá caminha:
https://www.nationalreview.com/2017/10/math-racist-university-illinois-professor/
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De Vlad, o Emborcador a 16.04.2018 às 16:19

Adenda:

O anónimo das 6:59 chama-se Luckyluck

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De Sarin a 16.04.2018 às 17:05

Esse é mais rápido do que a própria sombra, não é anónimo...

O Lucklucky desapareceu, mas efectivamente já tropecei em dois ou três comentários que, a não serem dele, de um primo serão...

Alter ego, Vlad?! 🤨
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De Anónimo a 16.04.2018 às 23:35

Caro Vlad: essa é fácil de adivinhar pois ele diz sempre o mesmo.
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De lucklucky a 17.04.2018 às 05:42

Se fosse o Álvaro Cunhal seria elogiado pela minha consistência...
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De Sarin a 17.04.2018 às 11:21

Álvaro Cunhal era consistente, era coerente e era inteligente. Sabia manter o discurso fluído e não usava cassete quando falava de arte, de literatura, de educação, mesmo com a luta de classes sempre no horizonte. E tinha humor.
Escrevendo sob pseudónimo, era ainda mais suave apesar da brutalidade do tema ou das condições em que muitas vezes escreveu.


"Se fosse o"? Se fosse um pouco como.
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De Vlad, o Emborcador a 17.04.2018 às 14:35

"Sabia manter o discurso fluído e não usava cassete quando falava de arte, de literatura, de educação, mesmo com a luta de classes sempre no horizonte. E tinha humor."

Isso é uma contradição. Falar sem cassete e ao mesmo tempo nunca perdendo do horizonte a luta de classes.

Sendo materialistas fundamentalistas os comunistas entendem melhor o peso da moldura , do que subjectividade, sem massa, do pintor.
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De Anónimo a 17.04.2018 às 18:22

Vlad, cassete é um discurso igual, repetitivo. Cunhal tinha um discurso muito diferente quando falava de arte, de literatura - informado, conhecedor, o discurso resvalava-lhe para a política quando lhe falavam da sua obra ou de elitismos. Sobre educação e cultura, achava que eram um direito. De proletários, de burgueses, de patrões. Mas que só alguns lhe acediam.

Por isso a Festa do Avante - provar ao povo que a cultura era do povo :)
Foi assim que começou - para isso, e para nos aproximar do Leste, mostrando-nos a face bonita do "paraíso comunista".


Acha mesmo que entendem melhor a moldura do que a obra?
Os países comunistas sempre investiram na educação e na cultura - para glorificação da nação, não do indivíduo, mas não se investe impunemente durante decénios. (a censura surgiu para travar os resultados do pensamento livre, que isto de artes e letras e ciências é bonito mas só se respeitar o regime).

Que os comunistas de Oeste tenham outras sensibilidades, enfim, a frase vale tanto para comunistas como para fundamentalistas de paróquia :)
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De Vlad a 17.04.2018 às 18:46

Gostava de saber o que Cunhal pensava sobre os Experimentalismos artísticos - Quero crer, como todo o marxista, ouvi-lo dizer - Arte Decadente Burguesa.

A única Arte, do agrado dos marxistas, é o Realismo/Naturalismo/Expressionismo, que lhe serve de arma politica . Aliás a Arte, como tudo o resto (inclusive a Ciência e o Trabalho), é instrumental para o ideal politico dos comunista. O valor de algo é aferido, sempre, pela utilidade à sua causa
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De Sarin a 18.04.2018 às 08:02

Penso que encontrará neste livro as respostas

http://www.citi.pt/cultura/artes_plasticas/desenho/alvaro_cunhal/arte_artista.html


(E a anónima das 18:22 sou eu, que escrevi usando a id do sapo - ingenuamente criada para "garantir" as assinaturas e afinal...)
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De Vlad, o Emborcador a 18.04.2018 às 08:54

Claro. E aposto que, com alguma investigação, encontrará, numa qualquer entrevista, declarar-se , Cunhal, um democrata e paladino da Liberdade

"Cunhal sempre lutou por um partido livre e transparente"

http://expresso.sapo.pt/blogues/Opinio/HenriqueRaposo/ATempoeaDesmodo/o-fascismo-de-alvaro-cunhal-continua-vivo=f771072#gs.9PQuYfM
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De Sarin a 18.04.2018 às 13:03

O Vlad disse que gostaria de saber o que pensava Cunhal sobre os experimentalismos artísticos. Deixei-lhe a oportunidade de descobrir através de um discurso na primeira pessoa.


Como resposta, o Vlad alude à opinião que terceiros têm sobre o Político?
Pelo menos leia o livro, Vlad... porque era de cultura e de arte que falávamos, ou o caro não consegue separar o Político do Artista? Ou talvez prefira abster-se de expor opinião própria.
Nenhum é o meu caso; e apesar de achar, tal como Cunhal, que todo o artista reflecte o tempo em que vive, contrario Cunhal por não aceitar que seja obrigação do autor tomar nas suas obras as causas sociais. Ambos achando que o objectivo, social para ele íntimo para mim, não se deve encerrar em si mesmo e que a expressão assume todas as formas que o artista quiser.
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De Vlad, o Emborcador a 18.04.2018 às 15:30

O problema é que a veracidade de uma afirmação depende em primeiro lugar do interlocutor. E a seguir da mensagem afirmada. Ora é precisamente no interlocutor que ponho as minhas reservas...Cunhal até poderia ter dito que não queria a implementação de uma ditadura nos pós 25 de Abril...quem for crente que ande para a frente....

E até pode afirmar ser, ele, um paladino da liberdade artística. Mas só se pode ser a favor da Liberdade, de qualquer coisa , se em primeiro lugar se tomar a Liberdade como um valor fundamental, que valha por si ...meu Deus basta olhar para o PCP
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De Sarin a 19.04.2018 às 00:43

O problema é que o Vlad finge querer saber quando, na realidade, já tem a opinião formatada pelo preconceito e nem se dá ao trabalho de investigar.

Cunhal não via a Arte e a Cultura como via Estaline - mas aparentemente Vlad acha que Cunhal, Marx e Estaline são uma mesma pessoa.

"Só se pode ser a favor da Liberdade, de qualquer coisa, se primeiro se tomar a Liberdade como um valor fundamental, que valha por si..."
Subscrevo para mim, para a forma como entendo a Liberdade e a Vida. Não tenho a veleidade de achar que o Mundo, os Outros, têm a mesma visão, nem ouso afirmar que a minha bíblia, a Carta dos Direitos do Homem, é universal.

Vejamos:

"If you will not fight for right when you can easily win without bloodshed; if you will not fight when your victory will be sure and not too costly; you may come to the moment when you will have to fight with all odds against you and only a precarious chance of survival. There may be even a worse fate, you may have to fight when there is no hope of victory, because it is better to perish than to live as slaves."

"The people of Asia were slaves, because they had not learned how to pronounce the word 'no'."

"Gandhi should not be released on the account of a mere threat of fasting, we should be rid of a bad man and an enemy of the Empire if he died."

"I do not admit for instance, that a great wrong has been done to the Red Indians of America or the black people of Australia. I do not admit that a wrong has been done to these people by the fact that a stronger race, a higher-grade race, a more worldly wise race to put it that way, has come in and taken their place."

"The women's suffrage movement is only the small edge of the wedge, if we allow women to vote it will mean the loss of social structure and the rise of every liberal cause under the sun. Women are well represented by their fathers, brothers, and husbands."

Todas estas frases são de Winston Churchill, incontestado paladino da Liberdade na Segunda Guerra Mundial.
Pela visão universalista de Vlad, terá sido defensor de qualquer outra coisa mas não da Liberdade - porque ninguém pode defender a liberdade de nada se não entender a liberdade como um valor fundamental em si mesmo, certo? A menos que o Vlad a quem me dirijo sofra de dupla personalidade e agora defenda eugenias e inferioridades de género, claro.

Não pretendo comparar personalidades actos ou efeitos, nem trazer outra personagem à colação; apenas demonstrar que a elasticidade da vida nem sempre se compadece com as definições que supomos universais.
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De Vlad, o Emborcador a 19.04.2018 às 08:53

Pois. Mas onde me viu tomar Churchill como exemplo? Até lhe faltam aí outros exemplos como o massacre dos mau-mau e os campos de concentração na África do Sul.

Contudo Churcill tem uma vantagem. Não matou 8 milhões de compatriotas seus em nome de um ideal político ou para se conservar no poder. Mais do que as palavras são os actos que nos dizem quem nós somos
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De Sarin a 19.04.2018 às 10:09

Começo a acreditar seriamente que o Vlad que faz estas afirmações não é o Vlad do costume - argumentos tíbios não costumam ser o seu forte. Mas adiante.

Portanto, nega a Churchill o título de paladino da Liberdade na Segunda Guerra Mundial.
Aceito o seu preconceito e o seu purismo sem mácula. Além de Ghandi, Martin Luther King e eventualmente o Papa Francisco, quem mais, por acções?


Só para esclarecer: Churchill matou efectivamente milhares para manter a sua visão do Império. Mas como compara personagens políticas quando falamos de Arte, Cultura e Liberdade, e para isso mede vantagens e atributos conforme o número de mortos, ou acha efectivamente que Cunhal, Marx e Estaline eram uma mesma pessoa ou Cunhal tem vantagem nessa sua estúrdia comparação.
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De Vlad, o Emborcador a 19.04.2018 às 12:06

Claro! Churchill era igualzinho a Hitler e a Estaline. Eu é que tenho andado distraído. Decerto assina por baixo:

"Mas haverá alguma diferença entre a Alemanha do sr. Hitler e a França do sr. Daladier ou mesmo a Inglaterra do sr. Chamberlain?".

Escrito em 1940, quando milhares de judeus, ciganos, incluindo velhos e crianças, já tinham sido "internados". Já para não falar no programa político do Mein Kampf escrito na década de 20.

"quem mais, por acções? "

A minha mãe que, anonimamente, paga a renda de casa a uma senhora que a não pode pagar. E outros milhares de anónimos que, não figurando nos livros de história, nem aparecendo na TV, fazem o Bem porque sim....muitos nem no paraíso acreditam. Está -lhes na masa do sangue
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De Sarin a 19.04.2018 às 14:03

Tem andado mesmo distraído, se retira tais ilações das minhas palavras.
Muito distraído, se quando convocado a defender objectivamente as suas opiniões se limita a comparações entre personalidades políticas e as consequências de regimes que apoiaram.
Extremamente distraído, se entre tantas leituras e reflexões à pergunta sobre quem afinal para si defende a Liberdade como um valor intrínseco e universal responde "a minha mãe". Boa senhora poderá ser, mas se acha que é "por fazer o Bem" que defende a Liberdade, relembro este Vlad que a caridade era valor defendido também pelo Estado Novo. Para exemplo de Liberdade, estamos conversados.

E porque a conversa (derivada) começou sobre a Arte e a Cultura de e para Álvaro Cunhal, e sobre a matéria este Vlad apenas referiu desconhecer e não acreditar senão na imagem preconcebida do político, nada há a acrescentar.
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De Vlad a 19.04.2018 às 14:57

"Para exemplo de Liberdade, estamos conversados."

Sintomática! Patagnomónico

Esta é demais. Se ajudamos, somos criticados por assistencialismo. Se não ajudamos somos batizados como insensíveis e atiram-nos aos cães.





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De Sarin a 19.04.2018 às 17:18

(Respirando muito fundo)

O Vlad atente na falta de lógica que acabou de expor! Onde ataquei ou deixei de atacar?! Onde viu crítica ou apologia da caridade?!

O Vlad começa por recusar opinião (que não conhece) sobre arte por métrica com liberdade. Aqui chegado, e perante a demonstração da não-universalidade do conceito, salta para regimes políticos por interpostas personalidades, comparando-as.
Instado a concretizar, nem linha de argumento nem opinião, antes um exemplo que não serve de padrão na discussão porque desconhecido de uma das partes (que não pode avaliar o padrão; ao contrário de Vlad, que poderia ler antes de opinar se não estivesse subjugado pelo preconceito).
Fantasticamente, o exemplo de Liberdade que apresenta resulta da confusão conceptual de Liberdade, Caridade e fazer o Bem.
Fantasticamente, porque parece que em vez da porta da rua abri a porta do guarda-fato e entrei em Nárnia!
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De Vlad, o Emborcador a 19.04.2018 às 12:19

Os heróis não existem. Nem tão pouco os felizes. O que existe são gestos heróicos e momentos felizes. Todos eles fugazes.

Não mesma linha de pensamento não existem mentirosos. Existe gente que mente, e mata, a menos gente que outros.

O Absoluto não é deste mundo.
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De Sarin a 19.04.2018 às 14:19

Actos heróicos fazem Heróis.

Não Super-Heróis.
Não Super-Homens.


Porque de Homens falamos, com as suas visões e as suas falhas e as suas forças e as suas missões e as suas limitações.


Porque o Absoluto não existe, ninguém é absolutamente qualquer-coisa. E é isso, em última análise, que nos permite encontrar semelhanças de raciocínio naqueles de quem ideologicamente divergimos. Que nos permite em algum momento vislumbrar motivo de admiração ou aceitação onde geralmente apenas vemos rejeição ou oposição. E todos os equilíbrios possíveis entre os extremos.
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De Vlad a 19.04.2018 às 15:01

Pensando:

O Herói é aquele que, ao contrário da maioria, torna, para outro, a sua acção absoluta.
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De Vlad, o Emborcador a 19.04.2018 às 13:05

Do fruto advém o nome da árvore. Assim como uma ideologia deve ser avaliada não pelo que promete mas pelo que traz. E empiricamente não conheço comunistas que não tenham trazido em nome de um amanhã que canta mas nunca chega um hoje que chora e nunca passa.
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De Sarin a 19.04.2018 às 14:37


Empiricamente falávamos não de comunismo mas de educação, arte e cultura.

Porque não me ouviu manifestar admiração pela Política de Álvaro Cunhal.

Nenhuma ideologia é universal. Não o é nenhuma sociedade, pelo que o retorno, a aplicação, será sempre função desta inalienável verdade.
Este é o grande problema dos extremismos. E também dos fundamentalismos.

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De Vlad a 19.04.2018 às 17:43

Não se pode falar em nada sem se falar na politica...veja bem - Freud via, em tudo, a mão invisível do Libido (e o Poder visa a saciedade do Libido):

Expressionismo/Realismo - os temas são sempre a miséria do povo/mais desfavorecidos; é uma forma de intervenção politica, de testemunho e de exigência de mudança - grande parte dos expoentes destes movimentos são de "esquerda/fascistas de esquerda" - ex: Construtivismo russo/Realismo Socialista

Um programa de Ensino que tenha como objectivo um desconstrutivismo , a criar dúvida, a desmontar "verdades" é revolucionário e por isso tem como fundamento fazer tremer os alicerces da sociedade, visando a instabilidade - Nunca poderá ser aprovado por uma Escola Pública/Estado

Claro que a Ideologia é Universal. Ao cabo e ao resto todos pretendem o Poder/Liberdade. E não o conseguindo por meios próprios entregam-se à ideologia que a promete. As Ideologias não são mais que Fugas de um mesmo tema.


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De Vlad, o Emborcador a 18.04.2018 às 10:16

https://www.google.pt/amp/s/www.independent.co.uk/news/world/modern-art-was-cia-weapon-1578808.html%3famp

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De lucklucky a 18.04.2018 às 02:17

Orwell continua a descrever bem Sarin & co.

Onde estão as grandes obras culturais criadas pelos milhões de Soviéticos?
Onde está a arquitectura que sucedeu à arquitectura dos czares?
Onde está grande cultura criada pela RDA, Polónia, Roménia, Bulgária?

Onde está o "homem novo" culto criado pelo regimes Comunistas?

Decerto criaram cultura, e a que criaram é a da brutalidade, violência, espionagem, e poder sobre os outros.

O Comunismo foi um vazio brutal.

Até o pobre Portugal cinzento e com muito menos população criou proporcionalmente mais cultura.

Aconteceu uma coisa chamada Samizdat, sabe o que é?

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De Vlad, o Emborcador a 18.04.2018 às 08:18

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Classicismo_soviético

https://en.m.wikipedia.org/wiki/Socialist_realism
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De Sarin a 18.04.2018 às 09:36

Oh, lucklucky, eu até posso tentar compreender que a obsessão não seja questão de opção, mas podia tentar não manter a mente e os olhos fechados, talvez...? É que assim arrisca-se ao monólogo. O que até estará bem para si, se a sua motivação for panfletária.

Comecemos por aqui: Arte não começa e acaba na criação, e Cultura não é só Arte.

Se quiser reformular o discurso e optar por um tom um nadinha assertivo, temos diálogo.
Caso contrário, desculpe, mas só aprecio ruminantes de quatro patas.
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De lucklucky a 18.04.2018 às 02:07

É facil ser desmascarada como uma totalitária.

Cunhal não tinha cultura, para ele tudo o que interessava era o poder.
Por isso defendia países onde a censura a todos os níveis da sociedade, cultura e arte.
Por isso escreveu a defender os Nazis e a acusar os Aliados de serem imperialistas.

Inteligente acreditar em milhões de mortos e continuar ?

Inteligente em criar um partido ecologista para defender mísseis nucleares SS20?

Inteligente em ter ajudado a provocar as guerras civis em África que mataram mais de 1 milhão de pessoas dezenas ou centenas de milhares delas ex. Portugueses porque defendia o poder total do Comunismo sobre as pessoas?

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De lucklucky a 17.04.2018 às 04:47

É verdade o comentário é meu. Parece que os cookies foram passear e tenho de "preencher os dados" outra vez.
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De Anónimo a 16.04.2018 às 12:37

Não é de agora.
Há gerações, desde que a capacidade de consumo subiu generalizadamente (e ainda bem), aí a partir dos anos 80, que, generalizadamente, se ouvia dizer:
- Não quero que os meus filhos passem o que eu passei.
E tal foi entendido e praticado, generalizadamente (e ainda mal), da seguinte maneira:
- Há que dar tudo aos filhos e não exigir nada de volta.
E o resultado está à vista.
(Atenção, que a Escola replicou esta atitude das famílias.)
João de Brito
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De Ana Cláudia Vicente a 17.04.2018 às 13:57

Obrigada. Acho que há pelo menos dois factores preponderantes nesta perplexidade dos jovens ante o trabalho 'oficinal' na aprendizagem: a defesa extrema que colectivamente criámos relativamente à frustração de quem aprende (como refere); e impacto provocado pelo contacto frequente, desde a primeira infância, com instrumentos tecnológicos que apresentam jogos, atividades, soluções com uma aparência 'acabada', 'perfeita' e instantânea.
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De António a 16.04.2018 às 15:26

Antes do facebook houve o MySpace, e antes disso o Friendster. Antes do Google houve o Gofer e o AskJeeves. Edison tentou e falhou cerca de 5000 projectos de lâmpadas até acertar. O primeiro iPhone foi a 7ª versão.
Talvez explicar aos miúdos que os post-it resultaram dum erro na cola? Que o iogurte nasceu dum acidente? Que com os erros se aprende? Que ninguém nasce ensinado?
Os meus filhos tentam sempre baldar-se, “não sabem mudar uma lâmpada”. A minha resposta é “eu antes de saber também não sabia”. Eu sei que sabem, mas é mais fácil se fôr eu. Há meses um leitor de Blu-Ray pifou com um filme lá dentro e eu abri-o. “Pai, sabes arranjar isso?”. Não, mas sei tirar o filme, e quanto ao resto logo se vê - pode ser uma avaria simples, e se não conseguir, pois de estragado não passa.
São idéias, lições não tenho.
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De Ana Cláudia Vicente a 17.04.2018 às 13:59

Importante notar este recuo ante a experiência prática, sim. Obrigada
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De júlio farinha a 16.04.2018 às 19:05

A primeira coisa que as crianças aprendem é a dizer mãe. O senhor deve ter sido muito precoce para aprender isso do jogo do poder.
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De Vlad, o Emborcador a 17.04.2018 às 08:19

Pensava que era o "dá -dá"
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De júlio farinha a 16.04.2018 às 19:43

Ana Cláudia Vicente fez uma proposta séria e por respeito pela sua intenção vou concluír o meu comentário prometendo não avaliar certas vaidades do comentador anti-matematica. É que me vai faltando o tempo e a paciência para coisas menores. Serei breve.
A pressão familiar e social sobre os reultados dos miúdos tem efeitos contraproducentes. Quere-se à força que o menino seja melhor e mais inteligente que os outros.Socialmente, o sucesso está na moda. As crianças passam a ser vulneráveis ao complexo de inferioridade quando não há resultados imediatos. Por outro lado, há uma desvalorização do saber fazer. A sociedade de consumo fomenta a apropriação dos bens pelo comprar já feito. O produto é efémero, não é durável e não incorpora esforço humano.
Outra componente do consumo versus produção pode ser expressa da forma usada na milenar tradição oriental : "Se alguém tiver fome, não lhe ofereças um peixe, ensina-a a pescar". Boa sorte, Ana.
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De júlio farinha a 16.04.2018 às 20:23

A 1ª parte do meu comentário a 16/4, 4.15 vem anónima quando pretendia assiná-lo. Será que me pode ajudar a assinar agora?
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De Vlad, o Emborcador a 17.04.2018 às 20:48

Dê cá isso......já está
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De Cristina M. a 16.04.2018 às 21:06

a euforia da Liberdade deixou que situações menos positivas se instalassem, lamentavelmente.
o facilitismo, disfarçado de pedagogia sem autor e todo de bandeiras ao vento em nome da aprendizagem pelo lúdico, não avançou; nem foi esquecido, cristalizou-se.
e de tal forma, que parece hoje uma bizarria nomear, sequer, a memorização como uma das componentes fundamentais da aprendizagem; ou o treino ou a repetição.
se é certo e óbvio que os métodos de ensino não podem aqui esgotar-se, é também correto que aprender leva tempo, exige esforço, é, enfim, trabalho.
só quando houver essa consciência se poderá então evoluir para um caminho pela descoberta, para uma construção sólida e fundamentada do saber, em interação.
e nesta luta quase inglória, recebemos agora, na Escola, os filhos da internet-para-todos, da rapidez, do "para que é que preciso de um dicionário na estante, se...?"; são muitas frentes para combater, não haja dúvida.
rematar estes assuntos com "a Escola precisa reinventar-se" é lugar-comum demais.
há que, por um lado, ser humilde o suficiente para se aceitar que como está, não funciona, e, por outro, ter o mínimo de coragem para enfrentar uma corrente que já cansa, de tão vazia que é, a de que toda a gente tem direito a pôr em causa o que se passa na Escola.
de ensino, são os professores que percebem. e se há professores que não, que não cabem aqui, então não merecem esse lugar, tão pouco essa designação.
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De Sarin a 16.04.2018 às 23:54

O problema, Cristina, é que os pais também ensinam. Assim como ensinam os avós, os vizinhos, a aldeia.

Querer que os professores ensinem sozinhos é uma luta perdida à partida.
Não se pretende, eu pelo menos certamente não pretendo, que os pais interfiram com o ensino da matéria curricular ou com a metodologia de avaliação. Mas não considero o seu, deles, dos pais, contributo de somenos importância na discussão de novas abordagens, na preparação e no acompanhamento do ciclo lectivo.

Porque o professor tem que conseguir chegar ao aluno, e o aluno tem que aceitar o professor - e não vejo forma de o conseguir sem ser com a participação familiar, criando uma cultura de colaboração, se não activa, pelo menos de aceitação e de não-agressão.

De que adianta o professor responsabilizar o aluno na aula se em casa ninguém o responsabiliza - seja pelo material, pelo t.p.c ou pelo estudo?
De que adianta o professor não passar t.p.c para que a criança tenha tempo para ser criança, se esse tempo for passado sem estímulo e sem apoio familiar?
Para não falar na eliminação da figura "protectora" que desautoriza o professor, essa praga que, como a Cristina diz, questiona tudo o que se passa na Escola.


Tudo o que possamos discutir não pode resultar de nada menos que uma Política para a Educação. Devemos questionar-nos: Que adultos queremos formar, De que forma queremos a Escola a intervir no processo?
Sem uma definição, sem uma Política de longo prazo, todas as adaptações e alterações -curriculares, pedagógicas, estruturais - não passarão de ensaios avulsos e descoordenados. Convulsos. Por maior que seja a experiência e por muita boa vontade que se dedique aos processos.

A questão que a Ana colocou, aliás, a Educação, é uma das mais fracturantes. Não porque divida a sociedade, é que nem aí chegamos: o debate nunca é levado inteiro para nenhuma plataforma. Eu desconfio que seja osteoporose induzida.
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De lucklucky a 17.04.2018 às 05:41

Aprender implica individualidade, discriminação.
Criar, inventar, implica ainda individualismo, pois está-se a fazer uma coisa que nunca foi feita. Isto é sair fora da da norma, sair do que é aceite.Ainda mais discriminação.

Isto é odiado pelo Jornalismo Marxista, pois objectivo do Marxista é ter como Poder único a Política para um absoluto controlo social. Ou seja o poder sobre os outros - portanto porque é que alguém em Portugal aprenda a saber fazer coisas se vai contra os desejos do regime que caminha para o socialismo?

Quando lê os jornais o que se discute? é sempre a fatia do queijo, ir sempre buscar mais uma fatia do queijo.

Como disse a do BE, vamos onde há dinheiro...
Como disse a do PS , o dinheiro é do Estado é do PS.
Como disse a do PSD, o dinheiro já cá canta.

Não é criar mais queijos e diferentes queijos.
E uma criança tem boa perceção da lógica da sociedade e a vai explorar para os seus fins.

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De Sarin a 17.04.2018 às 11:48

Leu Spencer Johnson há pouco, está bem, mas há outras parábolas, tome atenção às intolerâncias.

Criar é sinónimo de individualismo porque se faz algo que nunca foi feito? Obrigada por este momento Ciberdúvidas.
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De lucklucky a 17.04.2018 às 05:54

A educação em Portugal está contra o que as pessoas declaram sobre a educação mas está de acordo com o que as pessoas querem da educação.

A educação em Portugal tem como objectivo primordial a uniformização, o igualitarismo.
Ora aprender, saber mais, incentiva a desigualdade e a discriminação.

Por isso a Educação em Portugal nunca vai funcionar para aprender mais. O objectivo será sempre o mínimo denominador comum.

Quanto mais mínimo mais comum.
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De Sarin a 17.04.2018 às 11:55

Se afinal não é o Jornalismo Marxista mas sim as pessoas, então tudo bem, viva a Democracia!
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De Anónimo a 17.04.2018 às 15:54

"Ora aprender, saber mais, incentiva a desigualdade e a discriminação."
Ao longo destas suas intervenções, escreve coisas interessantes.
Mas esta?!... Ou atribuímos significados diferentes às palavras, ou então discordamos completamente.
No mínimo tem uma noção extremamente redutora do aprender.
João de Brito
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De lucklucky a 18.04.2018 às 03:22

Discriminação para mim não é a palavra do Jornalismo Marxista. Tanto pode ser boa como ser má. Você precisa de discriminar para viver.
O Marxismo usa-a como palavra armada unívoca para impedir as pessoas de pensarem e assim as neutralizar.

Por isso é que no meu primeiro texto neste tópico coloquei um texto vindo dos EUA que são o centro do Marxismo mundial onde na extrema esquerda já se ataca a Matemática como fonte de discriminação e racismo. Shakespeare já é ofensivo.

Aprender matemática, física, química etc implica discriminação pois haverá sempre pessoas que sabem e outras que nunca conseguirão atingir esse saber no qual muitas pessoas têm dificuldade.

Tudo o que é evolução, crescimento, riqueza é discriminatório.
Hoje ainda temos pessoas que vivem como no neolítico, é uma pequeno numero mas qualquer evolução do saber, da ciência, da tecnologia
deixa sempre pessoas para trás nem que seja os mais velhos.
Há 2000 anos o saber de uma pessoa velha praticamente não se desactualizava. Hoje sim.

Portugal prova que o poder do jornalismo - ou seja da política - é muito maior que o poder da escola.
A destruição política dos incentivos que existem nas escolas é precisamente para deixarem de ter poder. Não existe poder, logo autonomia sem sistema de incentivos.

Quando no início dos anos 80 as notas passaram de 0-20 para 0-5 no Secundário foi o primeiro passo. Qual foi o motivo apresentado? Não se devia discriminar tanto as crianças dando-lhes notas de 0-20.

Mas no recreio da escola os golos continuaram contar 1 por cada bola que entrasse na baliza.
Mostrando bem quanto a política estupidifica os educadores, professores e ministros...




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De Miguel a 18.04.2018 às 08:19

Pois é, tudo deve ter começado nos paraísos marxistas como os de Harvard, Princeton, ... onde os alunos são avaliados por A,B,C,D e por vezes Pass/Fail tout court. Mas, há pouco ouvi dizer que por lá pululam uns crânios, pode ser que em breve aprendam a contar até 20.
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De Sarin a 18.04.2018 às 10:30

"Quando no início dos anos 80 as notas passaram de 0-20 para 0-5 no Secundário foi o primeiro passo"

Nos anos 80 as notas do secundário eram atribuídas numa escala 0-20.
0-5 eram as notas do ensino unificado - do 6.o ao 9.o
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De lucklucky a 21.04.2018 às 21:03

Do 7 ao 9 ano era ensino secundário. 10-12 era complementar.
10-12 como diz não tinha notas de 0-5 mas manteve 0-20.
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De Sarin a 22.04.2018 às 01:47

Desde antes de 1974 e até 1986 os actuais 5. e 6. Anos eram os 1. e 2. anos do Ciclo Preparatório Unificado (resultado da unificação do 1. Ciclo do Ensino Liceal e do Ciclo Preparatório do EnsinoTécnico)

O Ensino Secundário dividia-se em Unificado (7-9) e Complementar (10-12), até que a Lei de Bases em 1986 estendeu o ensino básico ao 9.ano e o Secundário passou a incluir exclusivamente os 10., 11. e 12. anos.

Quem fez todo o percurso na década de 80 dizia na altura andar nos 1. e 2. Anos do Ciclo ou da Preparatória, nos 7., 8. e 9. anos do Unificado e nos 10., 11. e 12. do Secundário. Nunca ouvi chamar correntemente a este último Complementar e ao anterior Secundário, mas acredito na coexistência dos termos - embora em escolas distintas :)
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De Ana Cláudia Vicente a 17.04.2018 às 19:22

Cada criança ou jovem, quando se torna aluno/a, detém um perfil cognitivo específico, regra geral dotado de grande plasticidade, seja qual for o patamar de onde parte.
Mesmo em contextos de dificuldade, quando há uma estrutura familiar que garante nutrição, descanso, cuidados de saúde e equilíbrio afectivo, é possível observar evoluções muito significativas, mesmo a curto prazo (três, quatro meses). Quando essa estrutura por alguma razão não está (ou deixa de estar) garantida, mesmo assim, há jovens que aproveitam todas as condições que lhes são dadas para aprender.
Neste momento penso que o denominador comum das crianças e jovens que tenho ensinado (porque têm querido aprender) é o seguinte: desde a fase pré-escolar, uma ou várias influências nas suas vidas transmitiram (explícita e implicitamente) a ideia de que não há melhor protecção que a capacitação de si mesmo. A capacidade de aprender é a única forma de autodefesa verdadeiramente eficaz - na escola e fora dela.
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De Vlad, o Emborcador a 18.04.2018 às 22:46

Ana, fica a sugestão :

Sobre o meio e a inteligência :

https://www.goodreads.com/book/show/223556.The_Bell_Curve

The controversial book linking intelligence to class and race in modern society, and what public policy can do to mitigate socioeconomic differences in IQ, birth rate, crime, fertility, welfare, and poverty.

https://www.sciencenews.org/article/40-more-intelligence-genes-found

Genes Found
Evidence grows for the idea that some of your smarts are in your DNA.

É tramado, mas a Graça existe.
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De Ana Cláudia Vicente a 17.04.2018 às 18:44

Cristina, obrigada. A rapidez com que tem mudado muito do que social e tecnologicamente nos rodeia é difícil de compaginar com o que se pretende ensinar de fundamental/fundador.
Quem ensina vive com na permanente e repetida necessidade de distinguir entre o essencial e o acessório, sabendo que tem de o fazer a partir daquela que é a realidade concreta de cada miúdo - e que, por isso, necessita de 'falar uma mesma língua' para ajudar a passar (ou pelo menos despertar algum interesse) para outro patamar de saber.
Não é fácil, mas pode ser um belo trabalho.
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De Cristina M. a 17.04.2018 às 18:58

Ana, "falar a mesma língua" é que não concordo; utilizar os mesmos instrumentos, talvez.
obrigada pela oportunidade de reflexão.
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De JAB a 17.04.2018 às 16:25

Concordo com quase tudo o que se diz por aqui. Para mim, o mais importante é ensinarmos os mais novos a lutarem por aquilo que pretendem ser e ter; a valorizarem o que recebem, sobretudo se gratuito; a aprenderem com os erros, sim, a não desistirem, a encontrarem no erro motivos para continuarem a tentar, etc.
No passado dia de Páscoa entreguei a um sobrinho-neto um pequenino envelope com 50€... O puto, antes de dizer obrigado, abriu e foi ver quanto tinha... e só depois me disse: "Obrigado, tio!"... Ora bolas. O que é que nós andamos para aqui a fazer?... (JAB)

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