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Pensamento da Semana

por José Navarro de Andrade, em 25.02.18

Melhorar é diferente, se não contrário, de incrementar.

Melhorar será acrescentar qualidade para que mais pessoas atinjam e ultrapassem a fasquia.

Incrementar é baixar a fasquia para que mais pessoas passem por ela.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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41 comentários

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De Vlad, o Emborcador a 19.02.2018 às 10:58

Melhora-se quando se aprende a desistir.
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De Vlad, o Emborcador a 19.02.2018 às 11:36

Tudo se ganha quando nada se espera.
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De Sarin a 19.02.2018 às 15:00

Mas nada esperar pode não ser desprendimento, apenas falta de vontade.

Recordo um trecho da "Fala do Homem nascido", de Gedeão:

"Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui,
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci.

Trago boca para comer
e olhos para desejar.
Com licença, quero passar,
tenho pressa de viver.
Com licença! Com licença!
Que a vida é água a correr.
Venho do fundo do tempo;
não tenho tempo a perder."
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De Vlad, o Emborcador a 20.02.2018 às 11:22



Que a vontade dos outros não seja a nossa. Essa vontade de vaidade. E para lição de humildade não julguemos serem as nossas tristezas as lágrimas que chovem lá fora. É apenas o Inverno, prometendo a Primavera que há-de seguir-nos.

Para poemas, deixo-te este:

"Quero ser feliz porra, quero ser feliz agora, que se foda o futuro, que se foda o progresso, mais vale só do que mal acompanhado, vá mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa, filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos! Deixem-me em paz porra, deixem-me em paz e sossego, não me emprenhem mais pelos ouvidos caralho, não há paciência, não há paciência, deixem-me em paz caralho, saiam daqui, deixem-me sozinho, só um minuto....

Mãe, eu quero ficar sozinho... Mãe, não quero pensar mais... Mãe, eu quero morrer mãe.
Eu quero desnascer, ir-me embora, sem ter que me ir embora. Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim, outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo, de quê mãe? Diz, são coisas que se me perguntem? Não pode haver razão para tanto sofrimento. E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viajem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe... Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias, lembrar o depois do adeus, e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar...

José Mário Branco
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De Sarin a 20.02.2018 às 14:16

Ámen ao que escreveste.

Que a vontade dos outros seja a nossa se assim quisermos, por nossa escolha, nossa tão grande escolha.
Não por vaidade, nunca por imposição.

Lembra-te de Ary e do seu "Poeta castrado, Não!" - lamento não deixar um excerto. Mas depois responderias com outro, e porque a poesia é eterna entraríamos em movimento perpétuo... :)
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De Vlad, o Emborcador a 20.02.2018 às 16:46

https://youtu.be/9NpgcmbPLBo

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De Sarin a 20.02.2018 às 21:45

:)

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De Vlad, o Emborcador a 20.02.2018 às 12:37

Quanto maior a insatisfação maior a vontade de não se ficar quieto. E os que mais pressa têm mais longe lhes fica um lugar onde fincar. A vida deveria ser-nos descanço.
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De Sarin a 20.02.2018 às 18:00

Mas nem só de insatisfação vive a irrequietude. Há sóis que atraem não pelo brilho que nos aquece mas pela sombra que a outros ofusca. E apenas os acomodados se deixam ficar nos ocasos - satisfeitos ou não, porque mover dá trabalho, seja um pé seja uma rocha.

Sim, devia. E não me importaria a modorra dos dias sem história se o sol fosse mesmo um. O incremento ou a melhoria seriam matéria de discussão académica em vez de serem objectivos, sinónimos ou antónimos que fossem.
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De Vlad, o Emborcador a 21.02.2018 às 10:30

Sonha-se dormido. Vive-se fantasiando.
O maior temor, o acordar, para sempre, sem esperança de o sonho ter sido mais que sono em viagem.

"Tudo e todos se dirigem para o mesmo fim: tudo vem do pó e tudo retorna ao pó"

A nossa maior pena é pensarmos termos valido a pena. E de resto, nada restará
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De Sarin a 21.02.2018 às 14:16

A nossa maior pena serão sempre as penas dos outros que não percebemos, que recusámos perceber. Os dias esvaem-se em espuma, sim, mas antes de nos deixarem são tempo por cumprir. E nunca nos deixam completamente, não fosse a memória essa traiçoeira amante.

Ao fim e ao cabo, não caberá talvez numa mão o resto que restará - e ainda assim prefiro a embriaguez de me sentir viva à lucidez de me saber condenada à nascença.
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De Vlad, o Emborcador a 21.02.2018 às 12:45

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Do bebedor de absinto
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De Sarin a 21.02.2018 às 14:26

Mas sei, que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente, a esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se machucar
Azar, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista tem que continuar


O Bêbado e a Equilibrista, Aldir Blanc e João Bosco sublimados na voz de Elis
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De Sarin a 22.02.2018 às 00:52

E eu respondi com Aldair Blanc e João Bosco, com Elis cantando na memória. A sério que respondi quase logo, mas o logo, tipo, fugiu...

Insisto :)

"Mas sei
Que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança dança
Na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha
Pode se machucar

Azar
A esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar"

O bêbado e a equilibrista
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De Sarin a 19.02.2018 às 14:46

Sempre pensei a melhoria como sublimação, o incremento como acrescento de algo que não necessariamente valor.

Melhora-se quando se largam pesos, quando se abandonam redundâncias.
Incrementa-se quando se criam degraus, quando se adquirem ferramentas - ou não fosse este incrementar uma melhoria tecnocrática.

E enquanto escrevo percebo a coincidência afinal com o que li no que Navarro de Andrade escreveu... ah, mas não, divergimos.
Porque a fasquia mantém-se, a forma de a saltar sem derrubar é que difere; e se criar ferramentas permite mais pessoas, eliminar pesos permite a cada pessoa mais elevação.
Não são mutuamente exclusivas. Portanto, não são contrárias.
Diferentes, sem dúvida, mas há quem insista no sinónimo; não me peçam agora para aceitar o antónimo!
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De Maria Dulce Fernandes a 22.02.2018 às 16:05

Concordo que melhorar e incrementar, não significando verdadeiramente o mesmo, não terão forçosamente sentido contrário.

Melhor do que o pensamento da semana foi seguramente a "desgarrada poética" que me deu um gozo imenso em ler. Teria continuado noite adentro


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De Sarin a 23.02.2018 às 18:51

:D

E eu teria continuado, desconfiando que o "oponente" também não se calaria, mas o blogue estava lento e a vida tem mais alentos :)
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De V. a 19.02.2018 às 15:14

Este subscrevo inteiramente.
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De Anónimo a 19.02.2018 às 15:37

Cá por mim, prefiro o incrementar. Não estou para chatices.
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De Pedro Correia a 20.02.2018 às 00:07

Muito bem. Plenamente de acordo.
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De Sarin a 20.02.2018 às 00:31

Mas eu não, e não foi publicado o.O
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De Sarin a 20.02.2018 às 14:34

O meu comentário de ontem das 14:46 apareceu hoje já depois das 10h :)

Obviamente que há ritmos distintos nas moderações e respostas, e eu uso o telemóvel, que agora alinha no formato pc mas há uns tempos nim (acho, aliás, que tivemos uma pequena dissenção à conta afinal dos fusos horários dos comentários :D)

Mas (ah-ha!) na semana anterior houve uma estranha interferência que retirou assinaturas e duplicou comentários; como não percebi se foi estática, estética ou sistema operativo, lancei o alerta.

Que era para ficar entre nós, Pedro, aquele emoticon é coisa de crianças, haja decoro!!!
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De Rão Arques a 20.02.2018 às 07:06

INCREMENTOS
Num sector onde trabalhei vi um chefe de oficina sem canudo desmamar ondas de engenharia básica que nem sabiam como um parafuso enconava na porca.
Chegados ao mando puseram o mestre num canto da arrecadação a sacudir o pó de revistas antigas.
Cambada!
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De Vlad, o Emborcador a 20.02.2018 às 11:23

Que tinto é esse?
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De Rão Arques a 20.02.2018 às 17:56

Não é da cepa do martelo.
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De Vlad, o Emborcador a 21.02.2018 às 10:33

Deve ser verde!
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De Rão Arques a 21.02.2018 às 16:33

Verde tinto é nos semáforos.
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De Anónimo a 20.02.2018 às 12:06

Raros são os textos postados com tão bons comentários.
Há neles muita filosofia e muita poesia.
Das boas.
Sem ironia.
Eu pego no pensamento por um lado mais prosaico, mas que reputo de muito importante também.
É minha repensada convicção de que as nossas famílias e as nossas escolas exigem muito pouco dos nossos filhos.
Muito menos de que o que eles são capazes.
Baixamos sucessivamente a tal fasquia para que a saltem com o menor esforço possível.
Na família, fazemos tudo em vez deles.
Na escola, o que interessa é que saltem a nota.
Porque a altura... não interessa.
E, quando assim é, também não interessa muito distinguir melhoria de incremento.
Porque certamente nem será uma coisa nem outra.
João de Brito
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De Vlad, o Emborcador a 20.02.2018 às 12:32

João, da Escola devem sair trabalhadores e não pensadores....é o que dizem, e eu acredito no que ouço....ou não.
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De Vlad, o Emborcador a 20.02.2018 às 12:47

Aprendemos a pensar com ideias de outros, sacrificando-nos por liberdades estrangeiras
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De Sarin a 20.02.2018 às 14:46

Concordo, as escolas exigem pouco.

Por outro lado, exigimos demasiado às escolas: exigimos-lhes que ensinem, eduquem e entretenham os nossos filhos, enquanto lhes damos as roupas que os amigos exibem numa uniformidade destinada a mostrar que se pertence, mas não os ensinamos a escolher o calçado que melhor se adequa, mais do que a cada estação, a cada chão.


As exigências curriculares têm vindo a nivelar por baixo em muitos casos, mas como ensinar a filosofar se em casa o mestre é o bloguer do momento? Como promover a lógica se em casa esta se come com batatas enquanto se vêem programas de realidade confrangedora? Como integrar as disciplinas se em casa o diálogo se define pelo máximo divisor comum?

Há excepções, sempre houve.
Mas a fasquia desce lentamente desde há muito. Nas escolas e nas famílias.
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De Anónimo a 21.02.2018 às 10:07

E é uma pena!
Toda uma vida a lidar diariamente com dezenas de alunos, acrescentando ainda os três filhos e os seis netos que a vida me deu, não tenho dúvidas de que, na generalidade dos casos, as crianças e os adolescentes seriam mais felizes se fossem destino de maior exigência e responsabilização.
Sem terem consciência disso, eles sentem o permissivismo e o protecionismo excessivos dos pais e dos professores como uma desvalorização e um certo deixa para lá. Tanto no aspeto comportamental (disciplinar) como no do empenho e do esforço face aos objetivos.
Se estivermos atentos às suas reações, daremos por isso.
E os psicólogos poderão confirmar.
E, se assim é, a situação que vivemos torna-se ainda mais frustrante!
João de Brito
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De Vento a 20.02.2018 às 21:57

Os pombos incrementaram os excrementos. Logo, piorou a coabitação. Pois não acredito que as pessoas queiram passar por esta fasquia que ocorre sempre em sentido descendente. Creio que os bichos valem-se das alturas para gozar com a malta.
Qualitativamente, os bichos estão em melhor posição.

Um dia destes irei contratar um cientista que seja capaz de colocar estes bichos somente a andar, e dê asas por uma semana aos humanos que não tenham prisão de ventre. Quero ver como é que os pombos se sentiriam quando, sob um ponto de vista quantitativo, lhes assentasse uma bojarda vinda do alto. Estou em crer que isto melhoraria a fasquia e até mesmo a minha auto-estima.
Estou farto das cagadelas dos pombos! Os gajos devem pensar que eu sou algum monumento.
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De Lucklucky a 21.02.2018 às 03:15

Bom pensamento.

Melhorar implica discriminar.
Melhorar implica ir por um caminho que ninguém foi.
Melhorar implica mais desigualdade.
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De Anónimo a 21.02.2018 às 12:35

"Melhorar implica mais desigualdade."
Discordo.
Melhorar pode implicar mais diferença.
Desigualdade tem outra conotação.
E esta confusão, consciente ou não, significa, quase sempre, nivelar por baixo.
E nivelar por baixo é o pior que pode acontecer à verdadeira melhoria.
João de Brito
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De Lucklucky a 22.02.2018 às 05:01

É a narrativa dos que estão contra a diferença, dizem-se contra a desigualdade e para enganar dizendo-se ao mesmo tempo a favor da diferença.

Óbvia mentira.

Diferença é sempre Desigualdade.

E melhorar implica sempre alguém que fica para trás, seja porque não pode ou porque não quer.

Porque é que o objectivo principal do ensino publico é a mediocridade, ou seja igualdade, porque é que os estudantes que podem ir mais depressa não podem?

Porque o objectivo da educação publica não é melhorar. É tornar todos iguais para facilitar o controlo político e preservar o status squo. Igualdade. Por isso não presta.

Melhorar implica o risco de quebrar o status squo, destruir as estruturas de poder existentes.

Uma nova empresa bem sucedida é um ataque ao status squo. Por isso é que Portugal não tem mais novas empresas. É um país doente, estagnado na sua mediocridade e envelhecimento.


PS: quando escrevo sobre educação publica incluo as privadas que não passam de falsas privadas pois não podem escolher currículos. Diferentes.
Outra vez a palavra Diferente...




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