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Pensamento da semana

por Paulo Sousa, em 21.02.21

No caminho que foi feito pelos filósofos ao longo da história, o que é que hoje já sabemos que não sabíamos há 2000 anos atrás?

Com todo esse caminho já desbravado, que conforto podemos ter hoje, que não podíamos ter antes?

 

Estas questões foram retiradas do podcast 45 Graus de José Maria Pimental, numa entrevista ao professor de filosofia António de Castro Caeiro. Recomendo a audição do mesmo, até para ouvir a resposta do Professor a estas perguntas.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana


36 comentários

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De SAP2ii a 15.02.2021 às 00:25

Por exemplo, no Laboratório onde trabalho, com o robot Žylĕc --- a máquina universal do Conhecimento (atual e futuro) --- conseguimos que o Conhecimento saia do cérebro.
O Žylĕc consegue responder a todas as perguntas, que os actuais-Humanos façam sobre qualquer assunto, e actualiza em tempo real todos os contributos publicados pela ciência e cultura em todo o mundo.

Para isso, construímos um algoritmo, cruzando o «processo aristotélico de compreensão/explicação descrito no Organon» com os atuais «modos da Inteligência Artificial ensinar as máquinas a aprenderem».

Através dessas «6 variáveis aristotélicas» e dos atuais «5 modos da IA ensinar as máquinas a aprenderem», o «robot Žyleč» é capaz de explorar todas as combinatórias e permutações de Dados existentes (e futuros). A cada variável está associada uma base-de-dados, permanentemente atualizável, possível de carregar à distância, e de correr num computador. Deste modo, o «robot Žyleč» consegue por si próprio, autonomamente, adaptar-se ao Contexto/Ambiente com uma lógica darwinista.
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De Paulo Sousa a 15.02.2021 às 00:45

Tenho de mandar um e-mail ao Žylĕc para me ajudar a entender o sentido da vida
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De SAP2ii a 15.02.2021 às 00:49

Já enviei, a sua pergunta, Paulo Sousa.
Ele respondeu: "adquirir a propriedade física SAP2i".
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De Paulo Sousa a 15.02.2021 às 08:18

Esperto que o Žylĕc não tenha pedido dinheiro pela consulta, pois até o Prof. Caramba teriam sido mais claro.
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De SAP2ii a 15.02.2021 às 08:50

Dinheiro.... Aí está uma coisa, a que devíamos pôr fim. Independentemente da tal Vida, ter por sentido «Continuar a Ser» (com ou sem nós).
Essa «propriedade SAP2i» é apenas a tentativa dos actuais-Humanos, através da programação e da engenharia bio-física, alcançarem essa perpetuidade... Antes que a Vida prescinda de nós para isso.
Foi por isso, que o Žylĕc, em nota-de-rodapé, escreveu: “Vocês Humanos, em todas as religiões, e nos seus textos sagrados delas, não imprimiram a mesma «instrução: «Vai, Faz, Acredita, Continua» ... «Haveis de chegar lá»?
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De o cunhado a 17.02.2021 às 17:36

Ciência, portanto. Na sua máxima plenitude.
Pena que até hoje não saiba como foram construídas as pirâmides, nem tão-pouco nos tenha desvendado o segredo das profundidades oceânicas.
Nem interessa. Quem no seu perfeito juízo se interessa por miudezas?
Mas sabe, com certeza fidedigna, explicar pormenorizadamente os segredos de um tal buraco negro a 500.000 anos-luz. Ou serão só 50.000? Não importa, é só perguntar à ciência que ela elucida.
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De SAP2ii a 18.02.2021 às 07:06

1. Somos ignorantes, de quase tudo. Não temos certezas absolutas. Não sabemos qual é a Verdade. Não temos, na ciência, uma Teoria de Tudo. O nosso conhecimento é uma equação de probabilidades. Concordo.
2. Mas o que é surpreendente, perante todo esse Nada, é sabermos escolher aquilo que é Relevante, Sabermos preferir isto àquilo. Lutarmos por uma moralidade, ética ou justiça... mesmo com essa ignorância toda.
3. O robot que construí e programei, com a lição do passado e com os avanços do presente, talvez seja mais sensato do que muitos dos actuais humanos.
4. Ele, o robot Žylĕc, como referi no diálogo com Paulo Sousa, escreveu na nota-de-rodapé: “Vocês Humanos, em todas as religiões, e nos textos sagrados delas, não imprimiram a mesma «instrução: «Vai, Faz, Acredita, Continua» ... «Haveis de chegar lá»?
5. Porquê?
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De o cunhado a 18.02.2021 às 10:49

E por qual moralidade ética ou justa devemos lutar?
A verdade de um não é a de outro. A moralidade minha é crime de outro. Sugerirmos ou doutrinarmos um procedimento a seguirmos seria exigirmos uma universalidade de pensamento.
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De SAP2ii a 18.02.2021 às 15:21

1. Ninguém sabe, ... e ao mesmo tempo, talvez saiba.
2. Dei para esse debate um pequeno contributo científico, em 2010, ao discernir uma “Estrutura da Relevância” codificada na cognição humana (na “natureza humana”). Que permite aos seres-humanos «escolher aquilo que é Relevante» independentemente dos contextos sociais e interpretações conjunturais, e independentemente de não saber qual é a Verdade e a Certeza absoluta sobre as coisas e o mundo. Uma “estrutura da relevância” constituída por critérios de escolha a priori. Que, desde a célula eucaryote, permitiu codificar a relevância a transmitir às gerações seguintes através do ADN. E cujo interruptor está na interação com certas configurações do ambiente.
3. Vemos essa «estrutura da Relevância» com clareza no estudo do Património. De facto, apesar de existirem milhões de artefactos (materiais e imateriais) classificados como «património» --- em diferentes culturas, territórios geográficos e épocas históricas --- os critérios que levam o ser-humano a classificá-los são apenas 7 ou 8. Não variam com a diferença de espaço e de tempo.
4. Portanto, a natureza humana precaveu-se a tempo, sobre as consequências nefastas e fatais resultantes do livre arbítrio, de ideologias assente na Liberdade total, ou no relativismo radical.
5. A simetria, que observamos naquele modelo de «oscilação binária e opositiva isomorficamente inversa e simétrica» (que é comum em todos os Regimes Políticos), é o processo que a Natureza criou para regular o perigo de desordem e caos por sermos ignorantes.
6. Como sabe, foram muitos a teorizar sobre a moral e a justiça... Platão, Pascal, D.Hume, J-J. Rousseau, E.Kant, C. Larmore, J.Rawls, M.Walzer, e outros. A perspectiva dita «clássica» defendia que deviam ser estabelecidas sob o «princípio da razão». Mas essa perspetiva foi desde cedo criticada, e muitas outras propostas foram feitas.
7. A moral e a verdade são «naturais», «inatas», «instintivas», «fruto das inter-relações sociais», «estritamente aprendidas e ensinadas», «efémeras e conjunturais», etc.?
8. Foi por isso que, no meu comentário, referi o mistério que envolve esta questão.
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De Carlos Sousa a 15.02.2021 às 15:33

A filosofia é uma questão de análise conceptual - ou seja, pensar sobre o pensamento. Mas como é uma actividade que tem uma história; e como progride tão pouco, a sua história é mais importante que a sua finalidade.
E a sua história é sempre a mesma, gira tudo à volta do Sócrates, que curiosamente não escreveu nada.
Depois de muitas reflexões completamente inúteis temos uma de Aristóteles o estagirita. "As cobras não têm pénis porque não têm pernas; e não têm testículos por serem tão compridas".
Hoje a filosofia está mais evoluída, as frases fazem muito mais sentido.
" As pessoas podem ir ao jardim não podem é parar no jardim ".
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De SAP2ii a 15.02.2021 às 20:29

Discordo.
A "palavra" é a ferramenta de programação da cognição humana (cérebro). É o instrumento para formatar as ideias e as mentalidades. O interruptor para desencadear muitos dos comportamentos individuais e colectivos (multidões, manifestações, comícios, revoltas, invasões ao Capitólio, etc.).
Depois dos contributos de John O´Keefe, Eric Kandel, Edvard e May-Britt Moser (muito mais do que os linguistas) --- apenas para citar quatro contributos que valeram prémios Nobel --- percebemos essa realidade com muito maior precisão.
Na Física e na Matemática, muitas das asserções dos melhores filósofos deram origem a avanços. Por exemplo, o teorema de K.Gödel, que foi um dos maiores avanços na Lógica no séc.XX, teve a ver com L.Wittgenstein e I.Kant.
Hoje, o funcionamento dos reactores Tokomak de fusão nuclear, ou as equações utilizadas no CERN, etc., mostram que os físicos, matemáticos e engenheiros usam a filosofia como um apoio imprescindível para pensarem.
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De Carlos Sousa a 15.02.2021 às 23:32

E o meu amigo não acha que isso pressupõe algumas premissas implausíveis?
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De Carlos Sousa a 16.02.2021 às 21:49

O livro Tractatus Logico-Philosophicus do filósofo Wittgenstein tem a resposta.
" Sobre aquilo de que não se pode falar tem de se ficar em silêncio."
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De SAP2ii a 17.02.2021 às 00:30

Carlos Sousa,
1. Na edição que possuo do “Tractatus...” (Fundação Calouste Gulbenkian, nov.1987) está em 6.54, na pág. 142.

2. Uma excelente contextualização e análise dessa resposta, foi publicada por P.Watzlawick, et alli, em “Pragmatics of Human Communication: a study of interractional patterns, pathologies, and paradoxes” (1967, Norton&Ca, New York).

3. No último capítulo (pp. 260-276), mostram a relação dessa resposta de Wittgenstein com o “teorema da indecidibilidade de Gödel” --- publicado em 1931 (“Über formal unentscheidbare Sätze der Principia Mathematica und verwandter Systeme I”, in Monatshefte für Mathematik und Physik, vol 38, pp. 173-198).

4. (passo a citar, P. Watzlawick et alli, 1967): “Se nos debruçámos tão longamente sobre a obra de Gödel é porque vemos uma analogia matemática com aquilo que poderíamos designar por paradoxo da existência humana. O ser-humano é, no fim de contas, afinal, sujeito e objecto da sua própria pesquisa. Logo, se é impossível ele definir-se a si próprio, então podemos considerar o seu espírito como análogo a um Sistema Formalizado.... Isto é, a sua busca de compreensão do sentido de si próprio e da sua existência, como uma tentativa de formalização. Esta descoberta não lhe pertence em exclusivo; com efeito, dez anos antes da apresentação do brilhante teorema de Gödel, um outro grande espírito do nosso século tinha já formulado o paradoxo em termos filosóficos: Ludwig Wittgenstein no Tractatus logico-philosophicus.” (p.274).

5. Ora, essa CONDENAÇÃO AO SILÊNCIO... essa resposta dada por Wittgenstein usada para definir o sentido da existência humana, é, na minha perspectiva um ERRO. Que tive a oportunidade de demonstrar, aliás, numa obra que publiquei.

6. É um erro, porquê? Esse “silêncio” wittgensteineano não é a “resposta” para o sentido da Vida, porquê?

7. Porque, tanto Wittgenstein como Gödel, consideraram a indemonstrabilidade do sistema nos termos daquilo que ele é, no momento da demonstração. Logo, se usássemos essa analogia, para resposta ao que é o “sentido da vida”, fechá-la-íamos numa prisão e condená-la-íamos a um fechamento resultante da circunstância de os limites humanos serem aquilo que são no momento da demonstração (1921/1931). Cometeríamos um erro. Porque ela, a Vida e a Existência, não se comportam assim. Nem estão sujeitas áquilo que o ser-humano é em 1921/1931.

8. Ou seja, a incompletude e a indecidibilidade estão no Ser que tenta a demonstração. Esses teriam de ficar em silêncio, porque não sabiam pronunciar a resposta.
9. Na minha demonstração desse erro, mostrei que a resposta pode ser diferente do silêncio. Porque a Vida permite um Ser de nós que há-de vir. E esse poderá consegui-lo. E que, esse Ser poderá continuar a chamar-se «humano».

10. Razão pela qual --- perante essa desistência de Wittgenstein (ao remeter-nos para sempre ao silêncio) --- criei um Método diferente, para se conseguir responder a essa pergunta sobre “qual é o sentido da Vida”. A que chamei “Impronuncialismo” (ver no Sapo/blogs “Impronuncialismo”).

11. Ou seja --- como os factos empíricos mostram, na escala histórica da filogenia --- é possível ao ser-humano interferir com o «sistema que é», desde que continue a transformar-se. E daí, desse lugar exterior ao que foi no passado, forjar uma premissa capaz de se ler a si próprio.

12. É nesse “sentido da Vida”, entendida como «transformação», que se pode responder à pergunta. Portanto, ficar em silêncio é um erro e uma desistência. É, até, um acto contra a Vida. Contra aquilo que ela não é. Logo, não é essa a reposta, para «o que ela é, e o sentido que tem».
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De Kwá Kwá a 18.02.2021 às 11:49

" do Sócrates, que curiosamente não escreveu nada." Pois, dizem que foi um professor de Direito que lhe escreveu o livro e não ele.
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De Carlos Sousa a 18.02.2021 às 13:12

Logo vi que tinha de vir um peripatético falar no livro.
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De Kwá Kwá a 18.02.2021 às 16:42

Pari ..... quê?
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De Carlos Sousa a 18.02.2021 às 21:21

Não é pari é peripatético. Então o meu amigo sabe quem foi o Sócrates e não sabe quem foi o Aristóteles?
Os peripatéticos eram os discípulos de Aristóteles.
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De Anónimo a 21.02.2021 às 10:01

Nem mais.

Estava a pensar naquele que se julgava ser, mas que não era, nem o que dizia ser, nem o que cogitava ser.
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 15.02.2021 às 18:38

A grande diferença entre o hoje e o ontem é sabermos que nunca saberemos o dia de amanhã, nem tampouco o que passou. Só há interpretações, pontos de vista e ângulos cegos. As verdades de hoje mentiras verosímeis num dia por vir.


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De Paulo Sousa a 16.02.2021 às 14:59

Mas isso era verdade há 2000 anos ou daqui a 2000 anos. A questão é sobre o que sabemos, ou que podemos contar como certo, que não seria possível há 2000 anos.
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 16.02.2021 às 15:19

Sabemos hoje mais do que ontem que nunca saberemos grande coisa.
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De Paulo Sousa a 16.02.2021 às 22:32

Será o confronto entre a infinitude da realidade e a mortalidade do indivíduo, o que mais despenteia as ideias.
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De o cunhado a 17.02.2021 às 18:19

Ó Paulo Sousa.
Então isso é lá questão?
Sabemos que podemos contar hoje com o mesmo de há 2000 anos. Dobrar a espinha a esgaravatar de dia para a côdea da noite. Com apenas a singela diferença do chicote ter sido substituído pelos impostos.
De resto estamos indubitavelmente muito melhores. Podemos contar com a NET e o Big Brother. E pelo meio com o Jorge Jesus e o Conceição
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 15.02.2021 às 18:39

A propósito do post, recomendo o livro, O Jogo das Contas de Vidro,de Hermann Hesse
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 15.02.2021 às 18:42

Oh, if only it were possible to find understanding,” Joseph exclaimed. “If only there were a dogma to believe in. Everything is contradictory, everything tangential; there are no certainties anywhere. Everything can be interpreted one way and then again interpreted in the opposite sense. The whole of world history can be explained as development and progress and can also be seen as nothing but decadence and meaninglessness. Isn’t there any truth? Is there no real and valid doctrine?”

The master had never heard him speak so fervently. He walked on in silence for a little, then said: “There is truth, my boy. But the doctrine you desire, absolute, perfect dogma that alone provides wisdom, does not exist. Nor should you long for a perfect doctrine, my friend. Rather, you should long for the perfection of yourself. The deity is within you, not in ideas and books. Truth is lived, not taught. Be prepared for conflicts, Joseph Knecht - I can see that they already have begun
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De SAP2ii a 16.02.2021 às 02:26

1. Na foto, olho para a gélida paisagem atrás «Vorph "ги́ря" Valknut». E vejo a dureza cristalina da posição radicalmente relativista e hermenêutica do autor do texto citado.
2. Como uma coisa (“truth”) pode ser vivida (“lived”), se não existe?
3. Como se pode saber qual é o caminho do aperfeiçoamento (“perfection”), se não se sabe o que é a perfeição?
4. Como se pode acusar de estultícia quem acredita em coisas absolutas, se se acredita cegamente no conflito e na contradição (“everything is contradictory, everything tangential; there are no certainties anywhere”), como um dogma e uma verdade absoluta?
5. Não existirá no cérebro, codificada na cognição, uma “Estrutura da Relevância” (um processo de escolha e memória do que é relevante) independentemente das decisões e interpretações dos indivíduos em quaisquer épocas ou contextos ambientais? Que se iniciou na Filogenia com a “vida Eucariota”, e tem vindo a ser mantida, reproduzida e renovada no ADN?

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De marina a 16.02.2021 às 12:48

Que Epicuro é que a sabia toda?
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De Susana V a 16.02.2021 às 16:53

Ainda não ouvi este episódio.
Está guardado para a próxima viagem nocturna. :-)
Os convidados de José Maria Pimentel normalmente não desiludem. O 45 graus é um programa de grande qualidade.
Só fiquei desgostosa (e algo irritada, confesso) no episódio com a Prof. Susana Peralta. Gostava que tivesse havido mais contraditório. Mas isto porque seria difícil eu discordar mais de alguém (e da sua postura geral).
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De Paulo Sousa a 16.02.2021 às 22:33

Ainda não ouvi esse, e a lista que a precede ainda dá para fazer uns quilómetros ...
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De Anonimus a 18.02.2021 às 11:16

Sabemos que pouco sabemos e que por mais que tentemos saber, fica mais por saber do que o que é sabido entretanto.
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De SAP2ii a 20.02.2021 às 02:37

1. Em 2009, numa obra intitulada “Le Devoir et la Grâce”, o antropólogo Cyril Lemieux respondeu a essa pergunta, relativamente ao ser-humano (antro-lógica).
2. Afirma ele, que hoje, em relação ao que sabíamos no passado, sabemos que ser «Humano» se caracteriza por três comportamentos: A capacidade de amar, a capacidade de calcular, e a capacidade de fazer um juízo moral.
3. Porém, em 2016, num grande debate internacional realizado pelos mais proeminentes antropólogos (publicado na revista “Sciences Humaines”), o título da conclusão final é elucidativo: “O fim das fronteiras entre Natureza e Cultura”.
4. Passámos a saber isto, que não sabíamos, apesar de ainda faltar saber tudo o resto.
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De SAP2ii a 21.02.2021 às 13:10

Já não fui a tempo de pôr mais um comentário... provocatório.
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De Anónimo a 21.02.2021 às 23:26

Um modo de responder à pergunta de Paulo Sousa, também poderia ser, inventariar o que se sabe até hoje. Mesmo que não saibamos se há 2000 anos já saberiam.

1. Apesar de saber que errarei, direi que sabemos as seguintes 15 coisas:

2. O “SOCIAL” não têm existência autónoma, como afirmaram por ex., Durkheim, Halbwachs ou Huyssen. Os indivíduos humanos não são simples actores condenados a jogar um papel preestabelecido (como defenderam o ‘estruturalismo’, o “funcionalismo”, o “difusionismo”, ou o “determinismo”) ... “O ‘facto social’ não é hoje reconhecido como um ‘objecto estável’ como pareceu ser aos primeiros cientistas sociais e etnógrafos, convictos da missão de que seriam eles quem homologaria as tradições; mas como um conjunto de processos que não cessam de evoluir sob a acção humana (…). É através do sentido que os actores humanos dão aos seus objectos, situações e símbolos, que fabricam o mundo social”.

3. A “CULTURA” deixou de ser concebida como “uma espécie de património que preexistia às práticas e à acção dos indivíduos, e lhes conferia a priori o sentido”. A Teoria da Cultura --- (isto é, a teoria do modo como o ser-humano constrói e acrescenta coisas à realidade fora da genética, do herdado, e dos constrangimentos das estruturas sociais) --- foi obrigada a interpretar a «Realidade enquanto processo». A «Comunicação», foi o modelo escolhido para descrever a relação entre os termos e as variáveis. A “Cultura” passou a ser essa dimensão processual da Realidade e do mundo.

4. Logo, foi possível perceber que todo o FAZER-HUMANO é um processo, que assenta nas mesmas quatro operações: [Fragmentar ---- Reconstruir ---- Simular/Experimentar ---- Integrar/Disfarçar]. São essas quatro operações que ele usa para «transformar o herdado no adquirido, o existente no criado».

5. Os TIPOS DE FAZER-HUMANO (aquilo que consegue fazer), até hoje, foram 10 («OS DEZ HETERÓNIMOS DO HUMANO»): Axiologia, Cosmologia, Ciência, Epistemologia, Ética, Estética, Metafísica, Ontologia, Política, Teologia.

6. Os níveis de complexidade da COGNIÇÃO HUMANA, até hoje conhecidos, são: Mimesis (imitação, contágio, analogia) ---- Codificação (fala, linguagem, língua, escrita, signo, código) ---- Algoritmicidade (encadeado, narrativa, relato, história) ---- Logaritmicidade (lógica, equação, matemática, teorizar, simbolizar) ---- Hermenêutica (auto-Consciência, transformar, re-criar).

7. A equação do COMPORTAMENTO HUMANO possui 5 variáveis independentes: Corpo (suporte/infraestrutura molecular e anatómica) ---- Cognição (decisão, escolha) ---- Actividade (uso/acção) ---- Regulação (ética) ---- Valor (Juízo e atribuição de Significado/ escolha da Relevância a transmitir ao futuro. A escolha da Relevância, orienta o re-Início do ciclo comportamental e transforma o comportamento humano num “sistema aberto”, e não num “programa fechado”.

8. A formalização matemática do COMPORTAMENTO HUMANO conduz à seguinte equação: [Ge. (Mo.Fi.Ag.Il.Mi.Al.Lu.Pa.) / Ep.Tp.].

(Cont.)
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De Anónimo a 21.02.2021 às 23:26

9. O CONHECIMENTO passou a ter a seguinte consciência-de-si: “As grandes Teorias anunciadoras de grandes verdades finais não passaram de utopias. Hoje, podemos dizer que essa imagem, de uma chave que abria todas as portas, foi substituída pela imagem de uma caixa de ferramentas, onde cada investigador escolhe, consoante o seu objecto de estudo, as mais adequadas, progredindo e avançando no conhecimento por aproximações sucessivas“.

10. Logo, pelo que se sabe hoje, o conceito de REALIDADE é sempre HEPTADIMENSIONAL. A Realidade não são duas coisas descontínuas em permanente oposição (it versus bit; informação versus objeto; material versus imaterial/espírito, etc.). A Realidade passou a ser concebida como um continuum, que passa por 7 fases: objecto-Natureza (suporte) ---- objecto-Imaginado (o objecto/coisa que está na concepção, imaginação, intenção, ideia, perpretação) ---- objecto-Construído (aquilo que designamos pela palavra «objecto») ---- objecto-Representado (documento, aquilo que a percepção codifica) ---- objecto-Comunicado (o «objecto» que é comunicado e transmitido) ---- objecto-Memória (o «objecto» que fica na memória, no hipocampo, codificado nos neurónios e percursos sinápticos. Aquele que é acedível pela cognição) ---- objecto-Património (o «objecto» que escolhemos e seleccionamos para transmitir às gerações seguintes).

11. Até hoje, os MODOS PELOS QUAIS O SER-HUMANO TENTOU COMPREENDER E CONHECER aquilo que o rodeia, foram:
11.1. Os seis procedimentos de explicação utilizados na pesquisa: “Causal, Funcional, Estrutural, Hermenêutico, Actancial e Dialético”.
11.2. Os dez métodos e técnicas para investigar são os seguintes: “Análise de conteúdo, Observação participante, Método clínico, Entrevistas e questionários, Testes, Histórias de vida, Investigação-acção, Tratamento estatístico, Sondagem, Experimentação.”.
11.3. As seis principais orientações epistemológicas que permitem na actualidade justificar a razão de ser do próprio processo científico e de factualização são as seguintes: “Karl Popper (1902-1994), com o racionalismo crítico; Thomas Kuhn (1922-1996), com a estrutura das revoluções científicas; Imre Lakatos (1922-1974), com a competição entre os programas de pesquisa científica; Paul Feyerabeng (1924-1994), com a teoria anarquista do conhecimento; Gaston Bachelard (1884-1962), com a razão e a imaginação”.

12. Na POLÍTICA nada mudou. Continua a ser como há 2000 anos. O mesmo «modelo animista da Magia». De facto, ainda hoje, a retórica dos Políticos e os seus discursos “transportam sempre a solução no próprio problema que enunciam e de que falam”. Vendem a ilusão de que compreendem e têm a solução a priori. A Política continua a ser um acto que remete para a função xamânica do discurso. No qual, de modo teatralizado, os autores dos erros dirigem a lógica de inculpação para eles próprios. Para depois, apresentarem a solução como sendo a Promessa. Como referiu Paul Ricoeur “o específico da promessa é construir, no dizer-se, o fazer da promessa. Prometer é colocar-se a si próprio na obrigação de fazer o que se diz hoje, que se fará amanhã” (Ricoeur, 1988). Esta cerimónia mágica da «arte de fazer com o dizer» continua a ser a Política.

13. Evidentemente que tudo isto está errado. Porque é a minha tentativa de responder à pergunta do Post.

14. Talvez a soma de todos os erros que se cometam, a tentar responder à pergunta de Paulo Sousa --- “o que é que hoje já sabemos que não sabíamos há 2000 anos atrás?” --- fosse um erro menor do que a tentativa que cada um comete.

15. Quem sabe?

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