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Pensamento da semana

por Marta Spínola, em 06.12.20

 

Maradona, Napoli ti ama ma l'Italia è la nostra patria. 

(Maradona, Nápoles ama-te mas Itália é a nossa pátria.)

 

Pensamento inscrito no Stadio San Paolo em Julho de 1990, quando a Argentina jogou a meia-final do Mundial, contra a anfitriã Itália. Nápoles era há seis anos a casa de Diego Maradona, juntos tinham celebrado dois inéditos campeonatos e uma Taça UEFA. Este jogo marca a definitiva cisão com os italianos. Sendo este o meu Mundial de eleição, vejo este jogo envolto em paixões e ânimos que para mim são parte do melhor do mundo do futebol. Nápoles foi glória e desgraça na vida de Maradona. Os dois se confundem na década de 80. 

Será um pensamento prosaico, mas serve para assinalar o desaparecimento d' El Pibe. 

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana


18 comentários

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De Marques Aarão a 30.11.2020 às 09:04

MARADONA
Um puro, homem, glória e vícios.
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De Pedro Correia a 30.11.2020 às 11:18

Foi do céu ao inferno em poucos anos. Demasiado poucos. Não por culpa do "sistema", mas dele próprio.
Terminou sozinho, encerrado numa casa que não era dele e onde nunca vivera antes, já quase sem poder mexer-se, já quase sem poder falar, parecendo ter 90 anos em vez de 60. Longe da família, longe dos amigos, longe dos milhões de fãs que o idolatraram até ao delírio.
Não pode haver destino mais triste na existência humana: ter-se o mundo a seus pés e acabar sem nada do que realmente importa.
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De Anónimo a 01.12.2020 às 22:58

Realmente! Mas as filhas agora dizem que não foi apoiado e ajudado,mas onde estavam?
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De Marques Aarão a 30.11.2020 às 11:29

FADO E FARDO
Eu não recrimino aquele,
que frente ao copo de vinho o passado rememora,
quantas vezes pobre dele,
procura arrancar o espinho, que a pouco e pouco o devora.
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De Cristina Torrão a 30.11.2020 às 12:17

«Nápoles foi glória e desgraça na vida de Maradona».
Acontece muito determinado local, pessoa, ou acontecimento ser a glória e a desgraça de alguém. Um fenómeno curioso que gostaria de analisar, se fosse psicóloga.
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De Marques Aarão a 30.11.2020 às 14:29

Já analisou.
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De O Inconveniente a 30.11.2020 às 14:38

É um assunto de muito interesse.
No presente caso, várias teorias e pontos de vista poderiam explicar o porquê.
A começar pela sociedade italiana da altura, que ostracisava sem pudores as regiões do sul, com Nápoles como figura de proa.
Se ainda hoje se nota essa diferença, nos anos 80 era quase racismo. O norte, industrializado, cosmopolita, culto, secundarizava o sul. Para os do norte, os italianos do sul eram uns broncos, porcos, rudes e analfabetos. As políticas só aumentaram o fosso e incentivaram a clivagem. O povo do sul não conseguia evoluir e ficava fechado no cerco social, económico e cultural que os sucessivos governos mantinham. Esse tratamento tornou-os mais fechados, revoltados. Nós contra o mundo. Esta situação social promovia o crescimento das máfias napolitanas, cujos tentáculos chegavam a todo o lado, até ao futebol. Maradona, acabado de aterrar em Nápoles, foi logo absorvido pelo maior clã da máfia napolitana. E não tinha pruridos em se deixar fotografar junto de mafiosos. Os mafiosos acabavam por proteger Maradona, facilitando os seus vícios e protegendo-o de possíveis consequências.
Em Portugal tivemos uma situação parecida. Não tão complexa ou perigosa, mas idêntica na forma. As diferenças entre o norte e o sul, Porto e Lisboa. Com o futebol como um dos palcos dessa assimetria. Também na altura, foram as políticas vigentes que permitiram aos do norte cerrar os dentes e lutar contra todos. Exacerbar emoções, crença e vontade, fazendo de um clube secundário, um colosso europeu.
E também como em Nápoles, quem vestisse a camisola azul e branca tinha todo um submundo a protegê-lo.
Caso para dizer que no norte, não havia um Maradona, havia 11.
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De Marques Aarão a 30.11.2020 às 21:34

Respeitável análise, que talvez ajude muito boa gente a ser mais comedida no lado mais emocional, alheada da indispensável racionalidade, que pode levar a precipitadas e injustas condenações plenárias, que tanto podem apanhar na apertada e cega rede, muitos justos por natureza, como pecadores por assinalável mau instinto.
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De Cristina Torrão a 01.12.2020 às 12:27

Interessante.

Mas, sem contrapor as suas palavras, pois não tenho suficiente conhecimento de causa, essa é também uma situação que atinge várias pessoas famosas (independentemente do país, ou da cidade).

Outro aspecto que se repete, é o facto de uma estrela (seja futebolística, seja de outro tipo de desporto ou de alguma forma de arte), depois de passada a fama, acabar arruinada, viciada e sozinha. Arruinado parece que o Maradona não estava. Mas, pelos vistos, muito solitário. São as razões que a isso levam que me intrigam e interessam.
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De V. a 02.12.2020 às 01:41

Acho que tem mais a ver com um espaço de emancipação — como acontece com tanta gente em Coimbra, por exemplo. A pessoa desenvolve-se e cresce e é tudo brilhante, mas depois, à medida que a rotina vai ganhando mais espaço (normalmente associado a empregos de merda sem esperanças de coisa nenhuma), o brilho vai-se embora e ficam os pequenos hábitos — às vezes maus.
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De Pedro Oliveira a 30.11.2020 às 14:15

Marta, quem escreveu essa frase no estádio não percebe nada.
Não percebe nada de futebol.
Não percebe nada da história de Itália e da unificação italiana.
Não percebe nada da história de Nápoles, do reino de Nápoles, do ducado de Nápoles, de Nápoles como parte integrante do reino da Sicília.
Um verdadeiro napolitano a dizer: " a Itália é a minha pátria" seria a negação do dia que comemoramos amanhã; seria um português (a sério) a dizer: " Espanha é a minha pátria".
Para terminar, a bandeira de Itália é verde, branca (excelente escolha) e vermelha (bah!) qual a razão para as selecções italianas vestirem, orgulhosamente, de azul?
(pergunto e respondo, a Itália, a verdadeira Itália não é republicana, nesse sentido, nunca funciona como "pátria" para um napolitano)
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De Anónimo a 02.12.2020 às 16:10

A verdadeira arte de misturar alhos com bugalhos.
É a mais pura das verdades que quem escreveu aquilo não percebe nada de Nápoles, de futebol, de Maradona, e acima de tudo não percebe o que Maradona trouxe ao sul de Itália.
Mas passar daqui diretamente para dizer que as seleções vestem ORGULHOSAMENTE de azul...
Os internacionais italianos são todos monárquicos, desejosos de serem súbditos da casa de Sabóia, que produziu essa excelência chamada Vítor Emanuel III, capacho do Mussolini, é isso?
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De Pedro Oliveira a 04.12.2020 às 21:24

Alhos e bugalhos, nem mais.
A si falam-lhe de Sabóia e lembra-se de Mussolini.
A mim falam-me se Sabóia e lembro-me de Mafalda de Sabóia, mulher/companheira/esposa de Afonso Henriques, primeira rainha de Portugal.
"onde uns vêem luto e dores outros descobrem cores do mais formoso matiz"
Prefiro ver o mundo a cores.
Um bom fim-de-semana para si, aproveite o que o mundo tem de bom para nos dar, veja uns vídeos de Maradona a jogar futebol.
Descontraia.
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De V. a 30.11.2020 às 17:52

Nós também vamos ficar sem PIB — a merda é essa
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De Anonimus a 01.12.2020 às 21:35

Maradona é mortal, cedeu às tentações, às pressões. O Homem é feito de defeitos, quem sou eu para criticar. Há alguma hipocrisia nas avaliações de carácter, falam do CR e do Messi como exemplos, mas podíamos sempre questionar offshores e mayorgas como falhas morais ou éticas. Ou atirar microfones para a água.
Dentro de campo, o Deus. Sim, agora sou eu o hipócrita. Ele existe para meu entretenimento, para idolatrar, não quero saber do Homem por trás. O Deus... único. O que fazia com bola jamais vi fazer. Em ervados, não só a fazer a bola fugir dos adversários, mas também ele a esquivar-se a entradas a matar. O Messi refila quando o relvado não é um tapete, Maradona jogava em qualquer piso. Recomendo ouvir as palavras de Lineker sobre o célebre jogo de 86.
Ser campeão pelo Nápoles foi um feito épico, era o mesmo que vir agora alguém fazer campeão o Farense. Era uma equipa farsolas, ninguém os levava a sério nem os punha ao nível de Juve, clubes de Milão e Roma.
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De V. a 03.12.2020 às 16:01

Ou atirar microfones para a água.

Isto é uma falha moral? Pensava que era sonoplastia
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De Anonimus a 05.12.2020 às 12:05

Com outros intervenientes era um atentado à liberdade de imprensa.

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