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Pensamento da semana

por João Campos, em 09.08.20

Mais ou menos como um fumador que decide contabilizar finalmente quanto dinheiro gasta por ano em tabaco, talvez se registasse um sobressalto colectivo se fôssemos calcular a quantidade de tempo - tempo finito, emprestado, como bem lembrou o Pedro na semana passada - que desperdiçamos online a propósito de coisas - sei lá, livros, filmes, séries, jogos, políticos, ideias, pessoas - de que não gostamos. De todos os desperdícios da sociedade contemporânea, talvez este seja mesmo o maior.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana


26 comentários

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De Vorph "ги́ря" Valknut a 03.08.2020 às 01:01

João, interessa-me muito mais a relação entre o trabalho e o Homem, sobretudo do ponto de vista ontológico (Ser-se mãe é ser-se mulher na plenitude; Trabalhar é ser-se homem com total direito ; o Trabalho dignifica; E finalmente o Trabalho como Castigo - Génesis). Assim, importa-me, como amador da natureza humana, saber, mais, quanto tempo gastamos, desse tempo emprestado, a trabalhar em coisas que não gostamos, que humilham, mas, nele, persistimos. E insistimos, primeiro, por uma questão de moralidade, segundo, pelo preconceito fabricado sobre o trabalho. Um preconceito que penso ter surgido com a desgraça da nobreza. Da nobreza, da classe, e da nobreza do homem.
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De João Campos a 03.08.2020 às 12:54

O trabalho é um engodo. Se há mal necessário, é mesmo esse.
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 03.08.2020 às 13:17

Não teria que ser assim. João, como adepto de ficção científica, já ouviu falar sobre Economia Baseada em Recursos (Venus Project)?
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De João Campos a 03.08.2020 às 17:40

Não estou certo de já ter ouvido falar. Mas tenho muita simpatia pela sociedade pós-escassez que o Iain M. Banks descreveu nos livros da série "Culture". Claro que haver IA muito peculiares ajuda :)
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De Marques Aarão a 03.08.2020 às 07:16

O desperdício de tempo a propósito de coisas e pessoas repulsivas que nos fazem engolir à força não será menor do que os contados gastos em tabaco.
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De João Campos a 03.08.2020 às 12:55

O problema não é tanto aquilo que não é evitáveis como aquilo que é facilmente evitável.
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De Maria Dulce Fernandes a 03.08.2020 às 09:50

Como eu acho que toda a informação é útil, para mim, pesquisar seja o que for gostando ou não , normalmente não é um desperdício de tempo.
Mas que se passa demasiado tempo online, concordo.
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De João Campos a 03.08.2020 às 12:58

Não estava a pensar tanto em pesquisa e em leitura, mas em comentários idiotas e discussões inúteis sobre coisas que, bem vistas as coisas, não nos interessam muito.
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De Maria Dulce Fernandes a 03.08.2020 às 13:32

Posto nesse contexto, tem toda a razão João. Podemos empregar bem melhor o tempo precioso que nos emprestaram para viver.
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De Cristina Torrão a 03.08.2020 às 12:05

Por vezes, seria bom tomarmos opções, sim. É um pouco como a estratégia que adoptei para as doçarias. Deixei de comer doces de que não gosto muito, ou só gosto assim-assim. Se é para engolir bombas calóricas, mais vale ser aquilo de que gosto mesmo
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De João Campos a 03.08.2020 às 13:00

Está bem pensado, Cristina. Mas comigo não resultaria... Sou muito esquisito com a comida, mas nos doces...
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De Teresa Ribeiro a 03.08.2020 às 12:10

João, já sabes a que ponto a excessiva permanência neste mundo paralelo me confunde, por isso não podia estar mais de acordo. Eu, que à medida que envelheço me torno cada vez mais avara em relação ao tempo que nos "é emprestado" (sim, também retive a expressão que o Pedro usou).
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De João Campos a 03.08.2020 às 13:18

Eu gasto imenso tempo online em pesquisas, leituras e videojogos - mas não passo o tempo a ler coisas ou a jogar jogos de que não gosto. Hoje em dia mal tenho tempo para as coisas de que gosto...
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De o cunhado a 03.08.2020 às 12:58

Completamente em desacordo.
Opções de vida são todas respeitáveis desde que não interfiram com as opções dos outros.
Só é tempo perdido aquele a que se é obrigado quando contrariando a nossa vontade. Se a pessoa se sente bem na Net, é tanto tempo perdido como o de outra pessoa que se sinta bem no cinema, na praia ou a ver uma qualquer modalidade desportiva.
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De João Campos a 03.08.2020 às 21:38

Serei das últimas pessoas a criticar alguém por passar demasiado tempo online. Não foi bem isso que escrevi.
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De o cunhado a 03.08.2020 às 22:43

Não foi bem isso, de facto, mas enquanto não me passarem os nervos da final da taça só vejo inimigos pela frente e ganas de destruição maciça.

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De Anónimo a 03.08.2020 às 14:54

A coisas que não gostamos, por exemplo a política, ideias afectam-nos logo.

Por outro lado sempre que falamos estamos a influenciar ou pensamos que estamos a influenciar. A dar-nos importância.

lucklucky
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De Pedro Correia a 03.08.2020 às 21:16

Não posso estar mais de acordo, João.
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De João Campos a 03.08.2020 às 21:41

Nunca irei perceber os trolls online, Pedro. Passar tanto tempo e gastar tanta energia a tentar incomodar estranhos? Há gente com demasiado tempo livre...
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De o cunhado a 03.08.2020 às 22:49

Faz parte, João Campos, faz parte.
Também se não houvesse nada a incomodar-nos passávamos pela vida embrutecidos de tanta insipidez.
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De António a 03.08.2020 às 22:13

É preciso não ficar numa bolha. Se eu não olhasse para o que “não gosto” nunca teria ouvido jazz - por exemplo. E hoje, com algoritmos a darem-nos cada vez mais do mesmo, a bolha é opaca.
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De João Campos a 04.08.2020 às 00:13

Não era exactamente nisso que estava a pensar, mas percebo como pode ser essa a leitura. E aí dar-lhe-ia toda a razão. Esse fenómeno aínda será muito estudado.
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De Bea a 04.08.2020 às 00:33

Não sei se concordo por inteiro com a afirmação.

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