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Pensamento da semana

por Teresa Ribeiro, em 19.07.20

Quando acompanho as notícias que nos chegam acerca dos progressos da investigação sobre a nova vacina contra este vírus penso sempre que a medicina coadjuvada pela tecnologia pode até acelerar a produção de uma droga com as características que se pretende, mas não pode encurtar a resposta biológica dos pacientes que agora estão a servir de cobaias. A Natureza tem o seu ritmo. Quando se fala na vacina nunca se discute isto com clareza. Porque temos pressa, porque o desespero é muito, mas também porque teimamos em ignorar o nosso lugar na hierarquia do mundo natural. Só nos enterros é que se ouve sempre dizer que "não somos nada". Essa humildade faz-nos mais falta em vida. Poupava-nos muitos problemas, a começar pela pandemia que estamos agora a enfrentar.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana


27 comentários

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De Anónimo a 13.07.2020 às 07:59

"mas não pode encurtar a resposta biológica dos pacientes que agora estão a servir de cobaias. A Natureza tem o seu ritmo. Quando se fala na vacina nunca se discute isto com clareza."

precisamente

lucklucky
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De Marques Aarão a 13.07.2020 às 09:30

"Essa humildade faz-nos mais falta em vida"

Quanto maiores somos em humildade, tanto mais próximos estamos da grandeza. -Rabindranath Tagore-
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De Luís Lavoura a 13.07.2020 às 09:58

Só nos enterros é que se ouve sempre dizer que "não somos nada". Essa humildade faz-nos mais falta em vida. Poupava-nos muitos problemas, a começar pela pandemia

Exatamente. Muito boa observação.

Todo este pandemónio causado pela pandemia advém, em última análise, de o Homem ter perdido a humildade de aceitar a morte com fim inelutável e natural da vida, de ter deixado de aceitar a doença. O Homem ganhou o hábito de dominar e controlar todas as doenças, de achar que todas elas têm que ter cura, e fica enlouquecido de medo quando aparece uma - por fraquinha que ela seja, e é - que lhe resiste. O Homem já só quer a imortalidade.
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De Aprígio a 13.07.2020 às 10:49

". O Homem ganhou o hábito de dominar e controlar todas as doenças, de achar que todas elas têm que ter cura"
E bem. De muitas consegue-se a cura. Vejam-se os antibióticos. Recorde-se o que foi a drama da paralisia infantil.
"O Homem já só quer a imortalidade."
E bem.
Qual é o problema? Aspiramos ao bem. Nada de extraordinário.
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De Luís Lavoura a 13.07.2020 às 11:34

A imortalidade não é um bem. É um mal.
Imaginemos um mundo sobrepovoado de pessoas, todas elas já não muito novas, que nunca morrem. Pessoas que continuam a reproduzir-se, a ter cada vez mais filhos, mas que nunca morrem. É inconcebível. É uma distopia. Um mundo sobrepovoado de gerações que se sobrepõem. Vivem tetravós e tetranetos, todos ao mesmo tempo. E de onde vem a comida para essa gente toda? E para que serve essa gente toda?
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De Aprígio a 13.07.2020 às 12:17

"A imortalidade não é um bem. É um mal." Sim, para quem gosta de morrer a imortalidade seria um mal.
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De Luís Lavoura a 14.07.2020 às 15:38

para quem gosta de morrer a imortalidade seria um mal

Não devemos ver a imortalidade somente sob o ponto de vista individual. Para o indivíduo, a imortalidade poderá ser, em muitos casos, uma coisa boa.

Devemos ver a imortalidade sobretudo sob o ponto de vista social, isto é, para a sociedade como um todo. E, inescapavelmente, concluímos que para a sociedade como um todo a imortalidade é, não somente má, como de facto insustentável. Insustentável, desde logo, do ponto de vista ecológico (porque não há como alimentar sucessivas gerações de humanos, que se acumulam sem nunca morrerem), mas também de muitos outros pontos de vista.

Mas não vale a pena perdermos mais tempo a discutir algo que nunca será uma realidade... Os seres humanos inevitavelmente envelhecem e, como consequência desse envelhecimento, inevitavelmente morrem. Mesmo que não haja doença nenhuma para os matar.
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De António a 13.07.2020 às 13:23

Se houver Paraíso, e se você for para o Paraíso, ao fim duns dias deve estar a pedir o livro de reclamações.
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De Anónimo a 14.07.2020 às 06:31

“E ali estava ele, sozinho e incapaz de se maravilhar com a beleza assustadoramente poderosa daquele simples crepúsculo, a vermelhidão do céu tornando-se violeta à medida que o sol se refugiava para lá do horizonte longínquo, as sombras tingindo o solo verde de relva em tons de negro, a suave brisa afagando-lhe o rosto agora sem rugas. Olhava em frente mas deixara de contemplar, perdera a habilidade de vislumbrar um futuro que se lhe oferecia insípido, as razões da sua existência confundindo-se com a desilusão da monotonia. Os pensamentos velhos e longos de séculos atropelavam-se na sua mente, definhando na exuberância da carne, a contínua e perfeita renovação dos músculos e das glândulas afundando-o numa atmosfera de futilidade, os dias infinitos impacientando-o, a eternidade há muito conquistada afigurando-se-lhe demasiadamente inane para merecer ser vivida. A sabedoria adquirida com o embranquecimento dos cabelos havia sido lentamente dissipada pelo desengano de um milhão de manhãs sempre iguais, o desapontamento levando-o a uma apatia cada vez maior, o cansaço das tarefas repetidas tornando-o pouco mais que um mero autómato, o algoritmo de si próprio revelando-se desatinadamente fastidioso…”
Eu, João Lopes em "Eternidade"
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De Aprígio a 14.07.2020 às 10:23

João Lopes:
É pá, isso é que é paleio enrolado!!! Eu não sou capaz de escrever assim.
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De João Pedro Pimenta a 15.07.2020 às 02:51

Percebo e concordo. Mas a actual situação de distância social, de afastamento e de uso desta espécie de mordaças a que chamam máscaras também não deixa de ser distópico.
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De Teresa Ribeiro a 16.07.2020 às 14:24

Concordo, João. É horrível, parece que vivemos dentro de um filme, mas também não é solução assobiar para o lado quando a realidade nos revela aspectos de que não gostamos. As coisas são o que são.
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De Luís Lavoura a 14.07.2020 às 15:43

Claro que se consegue a cura de muitas doenças, e claro que ainda bem que assim é.
Só que, isso altera a psicologia do Homem, a forma como ele encara as doenças. Surgindo uma doençazinha, como a covid-19, que acontece não ter cura, o Homem entra em pânico, de forma irrazoável, porque já não está habituado a enfrentar uma tal coisa. O Homem já não percebe nem aceita que possa haver epidemias e que nelas morra gente. O Homem já não aceita a morte.
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De Oscar Maximo a 16.07.2020 às 11:15

O Homem já não respeita a natureza. Caso contrário, todo aquele que fosse salvo pela medecina tinha de se comprometer a não se reproduzir daí em frente . De forma a enganá-la o menos possivel. Resultado desta falta de respeito é o crescimento populacional muito para além do sustentável. Para desgraça futura e grande alegria de economistas.
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De Aprígio a 13.07.2020 às 10:51

"A Natureza tem o seu ritmo."
Sim, mas o homem (que pelos vistos não faz parte da natureza) altera com frequência esse ritmo. Até altera o clima.
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De Aprígio a 13.07.2020 às 10:53

"Só nos enterros é que se ouve sempre dizer que "não somos nada". "
O desespero por ainda não se ter conseguido tudo o que se quer leva a esses desabafos. Impensados, porque não é verdade que não somos nada.
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De ShakaZoulou a 14.07.2020 às 01:40

O ser humano tem o poder de controlar o ritmo da Natureza e com os voluntários forçados ( cobaias humanas( da China não deve demorar para uma vacina
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De Anónimo a 14.07.2020 às 12:12

Com sua licença faço minhas as suas palavras
Dno
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De Anónimo a 15.07.2020 às 04:55

(Reuters) - COVID-19 vaccines under development are not guaranteed to work and people who say to expect a vaccine before year-end are doing a “grave disservice to the public,” Merck & Co Inc’s (MRK.N) chief said, according to a Harvard Business Review report.


“If you’re going to use a vaccine on billions of people, you better know what that vaccine does.”

https://uk.reuters.com/article/us-health-coronavirus-vaccine-merck-co/merck-ceo-says-raising-covid-19-vaccine-hopes-a-grave-disservice-report-idUKKCN24F2RV

lucklucky
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De Anónimo a 18.07.2020 às 11:58

Não vejo por que se preocupam,afinal alguns dos efeitos podem levar anos a manifestar-se estatisticamente, estilo diminuição da capacidade reprodutiva, crianças que nasçam com disfunções, ou disfunções de orgãos que se possam manifestar anos depois, aumentos de prevalência de cancro... naaah, nunca aconteceu...
Nada para ver aqui, seguir adiante,o 5G trata do resto... haja pão e circo,e vamos todos em festa...
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De Anónimo a 15.07.2020 às 15:39

para quê uma vacina quando temos boa alimentação (goji e outros superalimentos) e os benefícios do magnetismo disponíveis?
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De s o s a 18.07.2020 às 23:47

provavelmente o post é imediatamente entendido por leitores habituais.

Mas, pergunta um leitor desabitual e ainda por cima no momento torturado pelo sono : que está a dizer, onde pretrende chegar ?

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