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Pensamento da semana

por Alexandre Guerra, em 29.09.19

No seio das sociedades mais desenvolvidas, o discurso ambiental está carregado de hipocrisia e fundamentalismo. De cimeira em cimeira, de manifestação em manifestação, todos são corajosos e empenhados no combate às alterações climáticas, todos fazem proclamações grandiosas e dão receitas milagrosas para salvar o planeta, mas toda essa dinâmica parece perder força quando é transposta para a realidade local. O quotidiano que nos rodeia nos nossos empregos e cidades vai-nos revelando uma cumplicidade popular perante atentados diários à sustentabilidade da nossa sociedade. Os anos passam e a passividade cívica nacional perpetua-se perante os rios que são destruídos por fábricas devidamente identificadas, perante a incompetência crónica na gestão da floresta, perante o turismo de massas que vai pressionando social e ambientalmente comunidades locais, perante o desperdício de água gritante nas condutas públicas, perante o tráfego massivo de viaturas a combustível fóssil que continue a ser permitido em zonas verdes sensíveis, perante a construção excessiva de betão na linha de costa e zonas protegidas, perante os atentados urbanísticos, perante a decadência dos transportes públicas "empurrando" as pessoas para uso de viatura própria, perante o lixo que se vai acumulando nalgumas zonas, parente a ausência de fiscalização e "pulso forte" contra os prevaricadores das regras ambientais... Perante isto, e muito mais, não me recordo de ver qualquer manifestação ou acto de indignação neste nosso país.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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41 comentários

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De J. L. a 23.09.2019 às 12:32

Impressionam-me muitas coisas. Exemplo: que queiram carros eléctricos mas que não queiram a exploração do lítio. Há mais ....
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De Anónimo a 23.09.2019 às 21:44

E que sejam tesla's nada de renault zoe e afins !

https://automonitor.sapo.pt/2019/09/23/novidades/noticias/tesla-a-todo-o-gas-marca-vende-5-carros-por-dia-em-portugal/

WW
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De JPT a 23.09.2019 às 13:01

Desde que foi "devolvida aos peões" (ou seja, desde que muitos dos seus habitantes passaram a ter de pagar garagem porque o lugar onde estacionavam os seus carros foram devorados por passeios de 10 metros ou ciclovias onde passam 10 ciclistas por dia), Lisboa nunca esteve tão entupida de autocarros de turismo, de automóveis afectos ao transporte remunerado de passageiros e de tuc-tucs e trotinetes a empatar um trânsito que diariamente se agrava. Sobre os céus de Lisboa passam, agora, aviões de 2 em 2 minutos, e a vista do rio está agora murada por navios de cruzeiro altamente poluentes. Mas o grande problema ambiental português são as vacas argentinas. Se nos tratam por parvos desta maneira, só pode ser porque, efectivamente, somos parvos.
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De Anónimo a 28.09.2019 às 14:14

Essas vias são muito boas para caminhadas. Maravilha, melhor que a calçada portuguesa e não há perigo de quedas!
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De JPT a 30.09.2019 às 09:40

Isso. E muito pouco perigo de apanhar com uma bicicleta.
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De Anonimus a 23.09.2019 às 13:24

Naquela manif na Serra da Estrela uma menina de telemóvel em punho a gritar contra a exploração de lítio...
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De Vorph Valknut a 23.09.2019 às 13:41

Lembrando Darwin, os mais aptos, sobrevivem não por serem os mais fortes, ou os mais inteligentes, mas por serem os que mais facilmente se adaptam às mudanças ambientais do seu habitat.
Assim as espécies animais menos especializadas apresentam uma desvantagem competitiva, em habitats estáveis, quando competem com outras muito especializadas. Contudo se o ambiente sofrer alterações, repentinas e/ou drásticas, as espécies altamente especializadas, serão as mais vulneráveis a uma extinção, ao contrário das outras, que não se tendo especializado excessivamente, apresentam uma maior flexibilidade de adaptação, de resposta às novas pressões da selectivas.

Julgo que o ser humano, com o passar dos milénios, se tornou um animal muito especializado, levando essa especialização a uma perda de autonomia individual, acompanhada, simultaneamente, de uma crescente dependência das coisas que, criadas por ele, o substituíram (especialização do saber vs interligação dos vários saberes; saber muito de pouco e pouco de muito). Ironicamente o Homem tem, assim, desaprendido, por ter aprendido a fazer os seus mais fantásticos engenhos. Um dia que os não possa fazer (falta de matérias primas, etc), ou que seja obrigado a adaptar-se a novas condições exteriores, dele não dependentes, fá-lo-á lentamente, na melhor das hipóteses. A questão não será tanto a sobrevivência da espécie humana, mas o número dos que perecerão, inutilmente, em consequência dessa lentidão, dessa dificuldade de adaptação, típica, dos animais altamente especializados.
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De Anónimo a 23.09.2019 às 21:48

Caro Vorph, excelente e simples explicação !
O pensamento da semana é um post que subscrevo.

WW
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De Vorph Valknut a 23.09.2019 às 22:54

Obrigado, WW. (é cerveja artesanal)
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De Anónimo a 23.09.2019 às 23:59

A ideia está certa, a conclusão é que não. O homem é o ser mais adaptável que existe. Derivou dos macacos de África com clima tórrido e foi viajando para outras latitudes mais frias, passou a alimentar-se de comida que macacos não comem, a vestir-se para sobreviver ao frio, etc. porque é inteligente, sabe fazer ferramentas que o ajudam a sobreviver quando o ambiente à volta se torna hostil.
É provável que as alterações climáticas produzam grandes catástrofes, escassez de alimentos, doenças, etc. que dizimem milhões de seres vivos incluindo homens, mas sempre ficarão alguns de cada espécie para recomeçar a evolução das espécies de acordo com as leis da Natureza.
As pragas de gafanhotos extinguem-se naturalmente quando a comida acaba, mas seria necessário que a comida faltasse em todos os campos (ao mesmo tempo) aonde há gafanhotos para que essa espécie se extinguisse. Isso é extremamente improvável. Eles continuam aí!
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De Vorph Valknut a 25.09.2019 às 13:30

Imaginava um contrargumento, deste género, pertinente, na minha opinião, apenas se aplicado ao Homem de há 1.000.000 anos, e que algures, no século XVIII d.c perdeu a sua relevância biológica, quando a Humanidade calcou a Natureza, fazendo pouco dos seus naturais critérios.

Tentarei cingir-me ao que julgo ser fundamental.
Nos últimos séculos, a maioria dos humanos, tem-se concentrado num tipo específico de habitat, as cidades, constitutivas de um ecossistema, por assim dizer, desligado do mundo natural (90% da população mundial vive, hoje, num raio de 160km da costa marítima). Este cisma reforçou-se, posteriormente, com o surgimento e posterior instrumentalização do conhecimento científico. Um Saber que visou, algum tempo após a sua descoberta, a manipulação, o domínio do mundo exterior, seguindo, comummente, desejos voláteis, critérios inaturais, destrutivos, que não conduziram, quer a uma melhor compreensão do lugar que ocupamos na Terra, quer a uma melhor integração no mundo natural.

Simultaneamente os tais ecossistemas artificiais, criaturas do Homem, têm mudado a natureza do seu próprio criador, através de novas pressões selectivas, estrangeiras ao mundo natural, provenientes dessa nossa rica e complexa imaginação (no início a obra nascia do sonho. Hoje, do sono acordado).

A Evolução do Homem persiste, nada a deterá, embora, como disse, sob novos critérios selectivos, desligados da original Selecção Natural, que fluem sobre vagas em voga, nas vontades à tona de marés baixas, fragilizantes da condição, identidade e consciência humanas, porque desconectadas do mundo de fora, desse mundo, nascido há 4,5 biliões de anos, real e concreto.

Imaginamos, consequentemente, cada vez mais o que vemos.
Como resultado deste novo (des) conhecimento, desta nova Selecção, eis-nos perante um Homem Novo, desenhado às escuras, à revelia, do Ser natural, tomando como real, necessidades virtuais, misturando o que é com o que imagina ser , ou com o que gostava que fosse.

A civilização, a ciência têm inequivocamente diminuído a dependência do Homem, da Selecção Natural, tendo, por outro lado, incontestavelmente, aumentado, sobre ele, a Pressão Selectiva Artificial /Cultural /Ideológica. Considerando que as instituições culturais são, na maioria das vezes, invenções, representações inexactas do natural, quando não tentativas de fuga sem direcção de uma realidade sem sentido, a cultura moderna leva-nos a um labirinto existencial, teleológico e ontológico (atente-se no movimento transgénero, por exemplo) porque, conseguindo convencer-nos sobre o que não somos, não consegue explicar-nos quem somos.

Julgo haver aqui motivo para várias questões:

Em termos de contribuição para o fortalecimento da nossa capacidade adaptativa, será melhor a pressão crua da verdade (a da Selecção Natural), ou aquela delirante, anestesiante, quando não grotesca, da Selecção Artificial? A resposta surge-me evidente.

Nessa fuga existencial, do natural, para o artificial, criámos novas mitologias, para que mais fácil nos fosse crer na fantasia inventada, tornando mais verosímil a mentira contada.
Tristemente, passámos a acreditar mais no que sabemos não ser, ao compreendemos cada vez menos, julgando cada vez mais.

Ouçamos o admirável homem, desse mundo novo, adaptado, esculpido na promessa das suas depressões selectivas:

"Nunca sentiu o bolso vibrar, como se tivesse recebido uma chamada ou uma mensagem, para depois descobrir que era um falso alarme? Os especialistas chamam-lhe nomofobia, o medo de ficar sem telemóvel. Quase metade dos utilizadores admitem que já não conseguem imaginar uma vida sem ele".

A alegria de hoje, um exorcismo de choro.
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De Luís Lavoura a 23.09.2019 às 14:42

perante a ausência de fiscalização e "pulso forte" contra os prevaricadores

Recentemente estive num país báltico onde, reparei, não há automóveis estacionados em segunda linha, nos passeios, ou na faixa de rodagem. Explicaram-se que, se alguém o faz, imediatamente há um denunciante qualquer (pode ser o automobilista que vem atrás, uma pessoa que foi passear o cão, enfim, qualquer um) que pega no telefone e chama a polícia, a qual vem pressurosamente multar o infrator.

Cá em Portugal, nem ninguém denuncia ninguém, nem a polícia jamais viria.
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De J. L. a 23.09.2019 às 15:55

"há um denunciante qualquer ... chama a polícia, a qual vem pressurosamente multar o infrator". Quando eu era jovem havia muitos denunciantes. Agora não sei. E a policia vinha (pelo menos nos casos que conheci, a TV não falava disso) e não multava, frequentemente torturava.
Para falar verdade prefiro carros em cima dos passeios a esse tal de báltico. Ou Bhalticu? Faz-me lembrar um pintor mais bem mais divertido do que essa das denúncias e de passeadores de cães.
Escolheu pessimamente o exemplo.
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De Luís Lavoura a 23.09.2019 às 16:21

prefiro carros em cima dos passeios a esse tal de báltico

Cada um tem as preferências que tem. As minhas são opostas às suas.
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De J. L. a 23.09.2019 às 17:43

" qualquer um) que pega no telefone e chama a polícia,"
" preferências que tem. As minhas são opostas às suas."
Obviamente.
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De Luís Lavoura a 24.09.2019 às 11:21

Quando eu era jovem havia muitos denunciantes. [...] E a polícia vinha [...] e não multava, frequentemente torturava.

Nos países bálticos isso também acontecia até há relativamente pouco tempo. Curiosamente, no entanto, nesses países não se desenvolveu, apesar disso, a mesma aversão à polícia que existe em Portugal. Não deixa de ser estranho que uma mesma história recente de ditaduras seja compatível, no caso português com aversão à polícia, nos casos bálticos com colaboração com ela. Parece portanto que a história ditatorial não tem rigorosamente nada a ver com a atitude perante a polícia.

O que se passa é que os bálticos são a favor de leis que sejam cumpridas por todos. Muitos portugueses, pelo contrário, gostam de furar as leis e, nessa medida, quando vêem alguém a furá-las pensam "amanhã posso ser eu a fazê-lo, portanto convem não denunciar".

Não é certamente por acaso que Portugal cresce a 2% ao ano enquanto que os países bálticos, atualmente num estado de (sub)desenvolvimento similar, crescem a 4% ao ano. É que lá as leis são iguais para todos e são cumpridas, cá a aplicação das leis depende de favores.
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De J. L. a 24.09.2019 às 17:01

"os bálticos são a favor de leis que sejam cumpridas por todos."
Talvez tenha alguma razão. Mas a mim repugna muito a denúncia, salvo em caso de crime. Acho que não seria capaz de fazer uma denúncia. E duvido que isso tenha influência no crescimento.
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De Anónimo a 23.09.2019 às 14:43

A. Guerra tem toda a razão em (bem) esplanar o contraste entre a atitude social perante o "aquecimento antropogênico ... num futuro..." -algo muito discutível, sendo que há peritos em ambos os lados da questão- e a míope atitude político/social perante o dia a dia, de todos, quer sejam adultos ou crianças.

Realmente é impossível instilar coerência em afirmações e atitudes baseadas em argumentos falhos de coerência.
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De Anónimo a 23.09.2019 às 18:19

Se o autor perceber que o "aquecimento global" pelo jornalismo que aceitou depois transformá-lo no não falsificável "alterações climáticas" - o que já demonstra o cientismo da coisa - Não passa de um método para tirar poder ao individuo e dá~lo a ao(s) grupo(s) fica tudo explicado.

"perante o tráfego massivo de viaturas a combustível fóssil que continue a ser permitido em zonas verdes sensíveis"

Ora eu que pensava que as plantas precisavam de CO2...



lucklucky
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De Anonimus a 24.09.2019 às 00:32

Os carros emitem co2?
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De Anónimo a 25.09.2019 às 17:50

viaturas a combustível fóssil


lucklucky
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De Miguel a 24.09.2019 às 10:02

A questão não é ser contra ou pela exploração dos recursos naturais. Essa é uma abstracção sem sentido. Além da sustentabilidade (chamemos-lhe ecológica para ir rápido) dessa exploração, coloca-se a importante questão da partilha dos custos e dos benefícios de um bem comum (neste caso, o lítio), e a mais que legítima oposição a que um bem comum seja açambarcado por entidades privadas. Coloque-se a questão nos devidos termos antes de mandar bocas. E estude-se a questão dos bens comuns (que vai mais além do que a débil dicotomia público-privado), pois é uma das abordagens essenciais para nos ajudar a ultrapassar as crises que nos estão a cair em cima. Já há muita reflexão e estudo sobre o tema e existe ampla literatura ao alcance de um simples clique. Elinor Ostrom pode ser um dos pontos de entrada para essa questão. Gäel Giraud também divulga bem o tema em conferência(s) disponível em linha.
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De V. a 24.09.2019 às 10:36

Eu fazia-lhes a vontade: acabava com o plástico, retirava todo o know-how dos países em desenvolvimento, voltávamos a plantação intensiva de eucaliptos para fornecer os escritórios (e o diário da república, esse infinito) com papel e promovia novamente a indústria de produtos químicos para fazer tintas e solventes para as máquinas de escrever. Depois reactiva-se a indústria pesada para fazer moldes, cabos e peças de chumbo para linhas telefónicas, comunicações e antenas de televisão. A Catarina e o gajo do PAN voltavam lá para a aldeia e iam buscar água numa vasilha de barro na burra da avó deles. Paravam no caminho para rezar àquele deus novo que obriga as mulheres e os homens a andar com trapos na cabeça (mas as mulheres respeitosamente 10 passos atrás, como as ciganas). O Costa ia para Madagáscar cumprir o seu destino de pirata e contar camaleões.
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De Vorph Valknut a 25.09.2019 às 18:03

Escreves maravilhosamente bem...que tal um blogue??
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De Anónimo a 25.09.2019 às 18:15

Há rios destruídos e há pessoas destruídas, mas nessas não falam.

A indignação que precisamos é contra a violação de direitos humanos e contra as manobras de diversão.

Vivemos um retrocesso civilizacional onde o ser humano está no fim de tudo!

Não temos uma sociedade desenvolvida mas estupidificada.
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De Anónimo a 28.09.2019 às 09:15

Meu caro, veja quantos países se afogam com a subida das águas do mar. Veja quantos são os refugiados climáticos. Conte os que morrem devido a secas, chuvas torrenciais, furacões demênciais . É triste haver tanta gente que não crê no evidente. Recordam - me aqueles velhinhos que continuam a não acreditar que o homem alguma vez tivesse estado na Lua. Ignorantes da gaita
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De Anónimo a 28.09.2019 às 19:07

Não atire frases "bonitas para o ar", já que sabe tanto dê exemplos concretos. Eu não conheço nenhum país que se esteja a afogar com a subida das águas.

E fique descansado, se alguma vez acontecer, as pessoas afastam-se do mar, não morrem afogadas!

Chuvas torrenciais fazem parte do clima e não das alterações climáticas, pois que eu saiba sempre houveram.
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De Vorph Valknut a 29.09.2019 às 01:18

A questão é a frequência e não a existência.

https://weather.com/pt-PT/portugal/noticias/news/2018-12-14-onu-reconhece-crise-iminente-de-refugiados-climaticos-pela

"E fique descansado, se alguma vez acontecer, as pessoas afastam-se do mar, não morrem afogadas!"

Uma frase crápula. Vá dizer isso aos que ficam sem casas, sem terras, sem países. Bardamerda

https://www.google.com/amp/s/www.bbc.com/portuguese/amp/geral-48148815

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