Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Pensamento da Semana

por Ana Cláudia Vicente, em 09.06.19

"Nas primeiras aulas de Cultura Medieval que tive de dar na Faculdade de Letras, percebi que a linguagem simbólica utiliza comparações, metáforas, alegorias, porque lhe permite (ao contrário do caminho lógico e racional, que trabalha por meio de silogismos e cuja verdade já está contida nas premissas), formas de expressão inesperadas, que não se ficam na superfície das coisas. As coisas têm sempre qualquer coisa que está à primeira vista oculto e que, se nós procuramos, nos revela um aspecto diferente da realidade. Eu tinha de explicar estas coisas aos meus alunos. Mas isto correspondia, ao mesmo tempo, ao que eu queria aprofundar para mim mesmo. A face oculta das coisas."

Escolho para pensamento da semana esta resposta de José Mattoso a Anabela Mota Ribeiro (entrevista para o Público de 25-10-2010), por ocasião da recente atribuição do Prémio Árvore da Vida - Padre Manuel Antunes, 2019 (SNPC).

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana


5 comentários

Imagem de perfil

De Corvo a 03.06.2019 às 10:04

Bom dia, senhora Ana Cláudia Vicente.
" Mas isto correspondia, ao mesmo tempo, ao que eu queria aprofundar para mim mesmo. A face oculta das coisas."
E vinte anos de vida monástica não foram suficientes para aprender o que depois como professor queria aprofundar?
E aprofundar o quê? O que toda a gente sabe quase ao nascer? Os dois lados das coisas?
Sabe o bebé que se chorar tem a maminha, sabe a criança que se desobedecer fica sem o sorvete, sabe a mulher que uma maquilhagem comme il faut dispara as probabilidades, sabe o homem,... bem, esse não sabe mas devia saber que a base da felicidade está no conhecimento de que há certas perguntas que nunca se fazem a uma mulher; sabe o desvalido que um cêntimo caído do Céu é logo levado por um fiscal das finanças saído do Inferno.; sabe a indelével Lili que estar vivo é o contrário de estar morto, enfim; tudo tem duas faces. Uma visível e outra oculta.
Vinte anos de meditação para saber uma coisa assim tão simples e não foram suficientes para ter a certeza sem necessidade de ter de as aprofundar nas aulas dadas.
Cumprimentos e uma excelente semana.
Imagem de perfil

De Ana Cláudia Vicente a 04.06.2019 às 00:11

Exmo.Sr.Corvo,

Vejo a expressão do autor como reflexo de quem aceita, à partida, que tudo tem face visível/invisível. A questão é que o caminho no(ou do) que não se vê implica disponibilidade para aprender, disponibilidade essa que o próprio ensino mantém vivo, não apenas no aluno, mas também no professor.

Cumprimentos, uma boa semana.

Imagem de perfil

De Corvo a 04.06.2019 às 11:29

Bom dia.
Antes de mais porquê o "exmo?" E o "sr?" Que não se repita
A menos que seja a "honrosa distinção" o lado não visível do cumprimento. :)
Por essa perspectiva, ver a expressão do autor como reflexo de quem aceita, à partida, que tudo tem face visível/invisível. A questão é que o caminho no(ou do) que não se vê implica disponibilidade para aprender, concordo a cem por cento, e mais! afigura-se-me até que essa disponibilidade para a aprendizagem peca sempre por escassa e por muito empenho que haja dificilmente ou quase nunca se aprende que há sempre um outro lado.
Já os animais, não! esses de pouca aprendizagem necessitam para ver a face visível/invisível.
Caindo uma vez nunca mais se repete.
Os meus cumprimentos e resto de um excelente dia
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 05.06.2019 às 19:35

Corvo é comunicação, linguagem, quanto mais ambiguos forem os signos,sinais mais liberdade se tem para jogar , manipular, criar significado.

https://www.youtube.com/watch?v=vShJa6GobFQ

lucklucky
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 04.06.2019 às 10:05

`A crença e à competência o que lhes pertence.
Aprecio-lhe a elaboração da História.
Gosto de o ler,a par de outros como Oliveira Marques.

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D