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Pensamento da semana

por Pedro Correia, em 28.04.19

 

Todas as pessoas são dignas de respeito, mas o mesmo não se aplica a todas as opiniões que emitem.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana


73 comentários

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De Vorph Valknut a 22.04.2019 às 08:42

Cá para mim existem opiniões que privam do meu respeito aqueles que as proferem.
Por exemplo: Racistas, Xenófobos, Misóginos, Neoliberais e Totalitaristas....mais os que acreditam piamente que a Terra é plana e no Segundo Advento ( estou a brincar nos últimos exemplos)....
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De Pedro Correia a 22.04.2019 às 09:04

Combate-se a opinião, não a pessoa. Até o mais vil assassino, num enquadramento civilizacional, é sujeito de direitos irrevogáveis.
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De Vorph Valknut a 22.04.2019 às 09:21

Pedro, mas o que é a pessoa se não o somatório das suas opiniões?

Não ter respeito por uma pessoa e desejar-lhe a aniquilação vai uma abissal diferença. Defendo que todos devem poder expressar a sua opinião, mas nem todas(os) devem ser dignas(os) de respeito.
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De Pedro Correia a 22.04.2019 às 12:51

Há opiniões que podem e devem ser contrariadas e até combatidas. Porque algumas delas não merecem sequer o benefício da dúvida.
Ao contrário de cada ser humano, que merece sempre esse benefício. Se assim não fosse, as nossas bases civilizacionais entrariam em derrocada: punha-se fim ao princípio legal da presunção da inocência, por exemplo.
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De V. a 23.04.2019 às 00:56

LOL "neoliberais". Francamente, pá... isso nem existe, não passa de um chavão propagandístico. Não corresponde a nenhuma classe de gente. Um abraço.
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De Corvo a 22.04.2019 às 08:48

Bom-dia.
Não podia estar mais em desacordo. Nem todas as pessoas são dignas de respeito. Pelo menos para mim.
Quanto ao que emitem é irrelevante. Cada cabeça cada sentença e no que me concerne sou livre de a seguir ou não. Ou de perder tempo a ouvi-la.
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De Pedro Correia a 22.04.2019 às 08:56

Todas as pessoas são dignas de respeito, do ponto de vista filosófico, antropológico - até jurídico.
Se você começa a abrir excepções, num instante a excepção se transforma em regra. E a partir daí não tardará a surgir um sujeito de bigode ridículo a decretar que os judeus não são dignos de respeito. Ou outro, mesmo sem bigode, a proclamar que nenhum benfiquista é digno de respeito.
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De Corvo a 22.04.2019 às 09:26

Bem, por esse lado isso está consagrado nos direitos do homem. Toda a gente sabe. Ninguém é criminoso até se provar que o é. E aí deixa de fazer muito sentido que nem todas as opiniões sejam respeitadas, porque o são. Faz parte dos direitos do homem emitirem livremente o que quiserem.
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De Pedro Correia a 22.04.2019 às 12:54

Não. De forma alguma todas as opiniões merecem respeito. Se houver pregões públicos em louvor da pedofilia, do canibalismo ou da mutilação genital, temos o dever cívico de combater tais teses.
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De Corvo a 22.04.2019 às 14:41

Claro que não, nem eu nem ninguém minimamente bem-formado, ou sem nenhuma formação e apenas honrado, as pode aprovar.
Merecem respeito no contexto da resposta que o Pedro Correia me deu: "Todas as pessoas são dignas de respeito, do ponto de vista filosófico, antropológico - até jurídico."
Que devidamente interpretado configura os direitos do homem.
Ora se o homem tem direitos, condená-lo ou privá-lo de emitir as suas opiniões é limitá-lo nesses direitos.
Daí eu reiterar que nem todos são dignos de respeito. Respeitar é considerar. Aliás, tenho para mim que a esmagadora maioria merece mais o enforcamento do que o respeito duma carraça.
Se não me expliquei devidamente, peço desculpa e apelo a clarificação por parte do jpt.
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De Vorph Valknut a 22.04.2019 às 09:28

Lá está, o do bigode não nos deve merecer qualquer respeito. Tal como não tiveram com estes (estou a entrar naquele "modo".... chato):


https://youtu.be/_2vkHXDOIss

https://youtu.be/c7sl0g7kKsM

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De sampy a 22.04.2019 às 09:29

Bem, é tudo questão de opiniões, certo? Viva o pós-modernismo.
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De Pedro Correia a 22.04.2019 às 13:04

Nesse sentido de pós-modernismo, todas as ideias se equivalem, sem hierarquias valorativas.
Não posso estar mais contra.
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De sampy a 22.04.2019 às 13:15

Cá está: é uma opinião.
Não é fácil desmontar esta armadilha em que nos deixamos enredar.
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De Pedro Correia a 22.04.2019 às 18:16

Admito que não seja fácil. Mas há que remar contra a maré.
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De V. a 23.04.2019 às 01:00

O Pós-Modernismo? Onde é que ele já vai.. Estamos em plena retro-macacada.
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De Pedro Correia a 23.04.2019 às 09:56

Mas avizinha-se o fim da dita. Da macacada.
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De Vorph Valknut a 23.04.2019 às 09:59

O Pós-Modernismo? Onde é que ele já vai.. Estamos em plena retro-macacada.

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De Miguel a 22.04.2019 às 16:43

É muito simples: ´todos os seres humanos são dignos de respeito' é um postulado. Os postulados não se deduzem de outros princípios.

A outra face da moeda é que nada pode ser deduzido se, à partida, não definirmos nenhum postulado.

O que torna este postulado especial é ser um dos pilares da nossa civilização. Ao contrário do que é moda dizer-se as contradições a este postulado são antigas e não têm nada a ver com epifenómenos do género do 'relativismo' ou 'pós-modernismo'. Têm outros nomes: escravatura, racismo,...
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De Pedro Correia a 22.04.2019 às 18:17

Era precisamente daí que eu queria partir. O mesmo é dizer: era precisamente aí que eu pretendia chegar.
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De Vorph Valknut a 23.04.2019 às 07:26

Claro que podemos deduzir caso não exista nenhum postulado - Que não existem postulados. Que eles são incompletos e por isso faliveis, mutáveis.

Já agora, o conhecimento cientifico tem postulados? Que tal basearmos a nossa moral sobre o que a Ciência nos revela sobre nós próprios? (no final julgariamos o "mal" sem qualquer tipo de considerações morais éterias, mas sim segundo padrões bioquimicos anormais/normais... talvez fossemos mais misericordiosos nos nossos postulados - o mal como uma consequência, adquirido e não inato)

The Moral Landscape, de Sam Harris.
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De Pedro Correia a 23.04.2019 às 09:58

Sem postulados não existe Declaração Universal dos Direitos do Homem. Não existe estado de direito.
Sem postulados, você nada irremediavelmente para fora de pé. E é bem capaz de ir ao fundo.
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De Vorph Valknut a 23.04.2019 às 10:17

Declaração Universal dos Direitos do Homem.


Os Aborígenes participaram na redação dos Direitos Universais do Homem, ou os Cherokees, ou os Guarani, ou os Berberes? Parece-me que quem definiu os Direitos do Universais, partiu de um postulado que classifica as outras formas de pensar, as outras culturas, as outras "civilizações" como bárbaras, servindo-se desses Direitos do Homem, não raras vezes de forma arbitrária, como um pretexto, uma justificação moral para invadiram, colonizarem, explorarem.


Pedro, eu percebo-o, mas estou em "modo chato"



Denis J. Halliday (born c.1941) was the United Nations Humanitarian Coordinator in Iraq from 1 September 1997 until 1998. He was previously Deputy Resident Representative to Singapore of the United Nations Development Programme. He is Irish and holds an M.A. in Economics, Geography and Public Administration from Trinity College, Dublin.
After a 34-year career at the United Nations, where he had reached Assistant Secretary-General level, Halliday resigned in 1998 over the Iraq sanctions, characterizing them as "genocide". He subsequently gave the following explanation of his decision to resign:


"I often have to explain why I resigned from the United Nations after a 30 year career, why I took on the all powerful states of the UN Security Council; and why after five years I continue to serve the well being of the people of Iraq. In reality there was no choice, and there remains no choice. You all would have done the same had you been occupying my seat as head of the UN Humanitarian Program in Iraq.
I was driven to resignation because I refused to continue to take Security Council orders, the same Security Council that had imposed and sustained genocidal sanctions on the innocent of Iraq. I did not want to be complicit. I wanted to be free to speak out publicly about this crime.
And above all, my innate sense of justice was and still is outraged by the violence that UN sanctions have brought upon, and continues to bring upon, the lives of children, families – the extended families, the loved ones of Iraq. There is no justification for killing the young people of Iraq, not the aged, not the sick, not the rich, not the poor.
Some will tell you that the leadership is punishing the Iraqi people. That is not my perception, or experience from living in Baghdad. And were that to be the case – how can that possibly justify further punishment, in fact collective punishment, by the United Nations? I don’t think so. And international law has no provision for the disproportionate and murderous consequences of the ongoing UN embargo – for well over 12 long years"




https://www.youtube.com/watch?v=KSe5QidAI3s



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De Pedro Correia a 23.04.2019 às 11:55

Por quem você se toma para pretender falar em nome dos aborígenes ou dos berberes?
Conhece-os?
Alguma vez conviveu com eles?
O seu antropocentrismo galopante leva-o a autodesignar-se como porta-voz deles? Mandatado por quem?
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De Corvo a 23.04.2019 às 16:34

Por acaso também não conheço os aborígenes, não.
Mas conheço os pigmeus aquando das minhas deambulações pela floresta equatorial, e posso garantir que também não foram consultados para isso dos direitos do homem. Está bem que não são muito altos, mas são homens na mesma: que diabos!
Em contrapartida conhecem Portugal. Quer dizer; Portugal propriamente não conhecem assim muito bem, mas conhecem o Benfica, de ginjeira.
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De Pedro Correia a 23.04.2019 às 17:38

Não me admiro que os pigmeus "conheçam o Benfica". Julgo que terá usado a expressão em sentido bíblico.
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De Corvo a 23.04.2019 às 20:33

Não senhor! Em sentido de grandiosidade, mesmo.
Portugal nada lhes diz, mesma proporção que o Benfica lhes diz tudo.
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De Pedro Correia a 23.04.2019 às 22:58

Coitados dos pigmeus. Levarem com propaganda do Benfica é um ignóbil atentado aos direitos humanos.
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De Anónimo a 24.04.2019 às 00:58

Nada disso. Se propaganda houve foi deles.
Conto-lhe como foi.
Em 1977, - e aqui peço-lhe um reparo de atenção para a grandiosidade do acontecimento, que como a época prova já vem dos primórdios, - nas minhas deambulações, em solitário, pela floresta equatorial deparei-me com os pigmeus.
É um povo que não se fixa: hoje está no Gabão, amanhã nos Camarões, passam à Guiné Equatorial, seguidamente ao Congo e é sempre um circular sem destino nem propósito definido.
Nenhum país os pode reclamar como seus, o que seguramente não lhes interessará por aí além, e ainda mais certamente tal ostracismo pátrio, seja de qual país for os melindrará por aí além. Andam nus uns e de igual ou parecida vestimenta, outros; não semeiam nem colhem, vivem do arco e do mel e comunicam por estalidos. Enfim: homem primitivo.
- Sou português. - Disse eu sem nenhuma veleidade em ser compreendido.
Ficaram a olhar para mim feitos parvos. Insisti no sou português, quando, para meu espanto, um mais esclarecido, com um rasgado sorriso de orelha a orelha, se destaca e disse, apontando-me aos outros.
- Clic, bric, flic, prac, trac: Benfica!
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De Corvo a 24.04.2019 às 01:39

Isto em cima é meu, mas vá-se lá saber porquê entrou como anónimo.
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De Anónimo a 24.04.2019 às 08:24

Corvo, talvez lhe tenham dito: Bem lhe fica....
Deambulações numa floresta tropical em 1977? Fugia do quê, Corvo?

Pedro Vorph
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De Corvo a 24.04.2019 às 14:30

Olhe Pedro: não fugia porque nada me ameaçava, e se ameaçasse menos fugia e resolvia a ameaça.
Andava por ali: uns elefantes aqui, uns búfalos além, uns predadores acolá, essas coisas que dão, pelo menos a mim, cor à existência.
Exponencialmente inefáveis quando, ainda por cima, ganhava dinheiro; bastante dinheiro.
Minha terra Linda!
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De Vorph Valknut a 24.04.2019 às 17:27

Tenho um "amigo" que andava também nessas andanças da caça grossa, lá para os anos 80, julgo eu. Tem um pavilhão cheio de animais empalhados - girafas, leões, pés de elefante, etc....boa gente (sem ironia)

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De Corvo a 24.04.2019 às 19:28

NÃO NÃO! Nunca cacei, nunca matei um animal na selva, nem nunca permiti que na minha presença alguém disparasse sobre um animal. Não sou um assassino e em minha casa nunca nenhum animal entrou depois de morto.
Já matei, não porque gostasse mas porque me disseram para defender a pátria.
A pátria onde nasci e que, afinal, nunca foi pelos sentimentos a minha.
Aos oito anos, empoleirado numa árvore na companhia de um negro grandalhão, cuja missão era proteger-me, mas que com 40 anos tinha menos juízo do que eu com 8 , via a onça, (pantera? perseguir a presa e os mabecos encurralarem caça. Amei-os e amo-os de mais para lhes fazer, ou permitir que lhes façam mal.
Ganhava dinheiro porque trabalhava lá.


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De Vorph Valknut a 24.04.2019 às 20:09

Tudo de bom, Corvo
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De Aurélio Buarcos a 25.04.2019 às 11:23

"na minha casa nunca entrou um animal depois de morto"
Mata as vacas para o bitoque, os porcos para a bifana, o galo para a cabidela, etc dentro de casa?
Não me parece nada higiénico.
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De Corvo a 25.04.2019 às 12:16

Na cave. Toda a sangria, estripamento e esfolamento é lá.
Depois uma mangueirada bem aviada e vai tudo para a rua.
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De Corvo a 24.04.2019 às 20:06

" Tem um pavilhão cheio de animais empalhados - girafas, leões, pés de elefante, etc....boa gente (sem ironia)"
Não! Pedro Vorph. Quem mata um ou mais animais, que não obstante o poderio são completamente vulneráveis pela carência de inteligência, não é, nunca pode ser uma boa pessoa. É um assassino, e cobarde que tira prazer em matar quem não se sabe defender.
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De Vorph Valknut a 24.04.2019 às 21:40

Idiossincrasias, caro Corvo. Todos somos umas bestas algures. É só procurar com afinco.

Como lhe disse, gente boa.
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De Corvo a 24.04.2019 às 22:41

É isso, Pedro: Idiossincrasias.
Todos temos uma besta em nós.
Só que nalguns isso nota-se mais. É-lhes condição existencial.
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De Corvo a 24.04.2019 às 19:52


Aliás, Pedro Vorph, quando eu disse que para mim era o que dava cor à existência, deveria ter especificado que era a contemplação da natureza na sua plenitude. Viva, como já tive a oportunidade de aqui escrever:onde o bicho corre, vive e cria, luta e morre.
Mas fui incompleto e assim permiti, a si e a quem meu leu, dar azo a uma errónea interpretação.
Peço imensa desculpa.
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De atitopoteu a 26.04.2019 às 17:07

o famoso povo bosquímano do não menos famoso deserto de Moçamedes !...fama em muito devida à sua 'welwitschia mirabilis'

brincando : às tantas o meu prezado consócio encontrou o actor principal do filme "os deuses devem estar loucos"

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De Pedro Correia a 23.04.2019 às 11:56

Fôssemos nós aborígenes e não polemizávamos no teclado: já tínhamos resolvido o diferendo com recurso ao bumerangue.
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De Vorph Valknut a 23.04.2019 às 12:40

Fôssemos nós aborígenes e não polemizávamos no teclado: já tínhamos resolvido o diferendo com recurso ao bumerangue.


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De Vorph Valknut a 23.04.2019 às 10:29

etéreas....é com cada calinada....
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De Miguel a 23.04.2019 às 11:32

'o conhecimento cientifico tem postulados?'

Tem, Pedro. Por exemplo, um dos postulados mais gerais: a natureza é compreensível pelo espírito humano. Pode parecer trivial, mas nem sempre foi aceite. E se o esticarmos até ao absoluto, entrará porventura em contradição com consequência plausíveis da teoria biológica da evolução: a saber, todos os seres na árvore genealógica têm propriedades específicas e as decorrentes limitações cognitivas, (entre outras).

A mecânica de Newton tem por base três postulados. Einstein construiu a relatividade restrita a partir de dois postulados. São estes postulados falíveis e incompletos? São. São únicos? Não. É possível definir outros postulados a partir dos quais estes podem ser deduzidos. São mutáveis? Claro. Entram em contradição uns com os outros? Na matemática não. Em física, entram. Em questões humanas, nem se fala. Toda a matemática assenta em postulados/axiomas. É uma história muito antiga que remonta a Euclides, pelo menos.

Sem postulados, ficamos perante uma regressão infinita. Para construir um argumento, necessitamos de premissas. A maior parte do tempo são tácitos.

'Que tal basearmos a nossa moral sobre o que a Ciência nos revela sobre nós próprios?'

O abismo entre o que a ciência revela e aquilo que é relevante para a nossa vida é tão largo e vasto que é mais útil virar-mo-nos para a literatura e para a história para aprendermos mais sobre nós próprios.
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De Vorph Valknut a 23.04.2019 às 12:41

Obrigado Miguel pela resposta
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De jpt a 22.04.2019 às 09:42

Costumo dizer que esta questão esconde um problema de compreensão da língua, de desconhecimento do português: confunde-se a obrigação (o valor) do respeito pela liberdade de opinião com o respeito pela opinião.

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De Pedro Correia a 22.04.2019 às 13:02

Sim, confusão muito habitual. O que demonstra até que ponto a "iliteracia" progride a ritmo galopante.
Muitas opiniões não merecem respeito algum. Mais: exigem total desrespeito. Havendo até o imperativo cívico - Kant chamar-lhe-ia imperativo categórico - de refutá-las e combatê-las.
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De Vorph Valknut a 22.04.2019 às 13:07

"Prontos", obrigadinho, jpt. Até ao final da semana já nada tenho a acrescentar.
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De Cristina M. a 22.04.2019 às 16:06

quanto a mim, ainda valem mais os gestos que as opiniões, em matéria de respeito pelas pessoas.
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De Pedro Correia a 22.04.2019 às 19:18

Somos cada vez mais desatentos aos gestos. Aos pequenos gestos, cheios de grande significado.
E muitos de nós andamos também desatentos aos símbolos. Ontem, por exemplo, muita gente não reparou ou não quis reparar no que aconteceu no Sri Lanka.
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De Cristina M. a 22.04.2019 às 19:51

pois... a Taprobana.
falava eu, porém, de gestos óbvios, de alguma forma definitivos; que não dão espaço para sentir respeito por quem os tem.
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De Pedro Correia a 22.04.2019 às 20:48

Quanto aos gestos, poder-se-á o mesmo que digo das palavras: todas as pessoas são intrinsecamente dignas de respeito, mas nem todos os seus gestos gozam dessa prerrogativa essencial.
Por exemplo, o gesto de Pilatos ao lavar as mãos, indiferente à condenação de um justo.
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De Cristina M. a 22.04.2019 às 20:59

et voilà, A questão:
há gestos (opiniões, talvez) que definem a pessoa.
ora vai daí... o (des)respeito por.
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De Pedro Correia a 22.04.2019 às 22:31

Como salienta um leitor ali mais acima, "todos os seres humanos são dignos de respeito é um postulado especial". Por ser um dos pilares da nossa civilização.
Uma espécie de linha fronteiriça. Que nos separa da barbárie. Quando essa linha se atravessa, há um caminho sem retorno.
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De Anónimo a 23.04.2019 às 02:47

A indiferença não é sinónimo de desrespeito e grande parte do "combate" começa logo aí, mostrar indiferença por quem emite opiniões tão vis que não merecem resposta, algumas das quais fundamentadas em mentiras.
O problema é que quem hoje apela ao respeito por certas pessoas esquece-se onde esteve (e está) e o que fez (e faz) com essas mesmas (ou outras) pessoas perdendo desde logo toda a razão que pudesse eventualmente ter.
Na minha modesta opinião é esta falta de memória de muitos e o seu contínuo combate por princípios que pisaram e pisam (alguns com muito empenho) que está a destruir o nosso modo de vida.

P.S. Penso que seria proveitoso para as discussões / troca de ideias os intervenientes nas mesma tentarem não fazer uso logo do argumento do bigode...desviamo-nos logo do essencial e caímos nos extremos mesmos antes de nos termos centrado no âmago das questões em análise.

WW
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De Vorph Valknut a 23.04.2019 às 18:19

WW, eu falava em Maduro, ou outros não sei. Sadam?
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De Anónimo a 23.04.2019 às 11:15

O problema é saber quem ou o quê distingue a bondade das opiniões.
João de Brito
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De Pedro Correia a 23.04.2019 às 12:00

Não é 'à la carte'.
Se vier um gajo defender a fundação de um Grupo de Amigos dos Pedófilos, sei de antemão que se trata de uma ideia repulsiva e combato-a desde o primeiro instante.
Para isso há que ter parâmetros éticos e morais. Sei que é chato - e muito fora de moda - escrever coisas destas. Mas alguém tem de as dizer.
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De Anónimo a 23.04.2019 às 15:11

O problema é quando se trata da eutanásia, do aborto... do AO...
João de Brito
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De Vorph Valknut a 23.04.2019 às 18:26

Pedro, depende. O Grupo pode ter como missão a ajuda daqueles que têm como patologia a Pedofilia.

A propósito, recomendo:

https://youtu.be/sst041HiCUA

Nos EUA havia um grupo desses , não daqueles que fallo:

https://en.m.wikipedia.org/wiki/North_American_Man/Boy_Love_Association
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De sampy a 23.04.2019 às 14:20

O exercício de distinguir/dissociar a opinião em si de quem a emite é, entre nós, trabalho hercúleo. Para o bem e para o mal a nossa cultura é personalista: por detrás de cada ideia e de cada instituição tratamos de colocar um rosto, uma pessoa, um responsável. Para nós, onde há estupidez, tem de haver um estúpido. Por isso é que gostamos tanto de cultivar os ataques ad hominem. O respeito que temos (ou perdemos) pelos outros depende directamente e em grande medida das opiniões que produzem ou a que aderem.
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De Pedro Correia a 23.04.2019 às 17:41

Em parte é assim.
Mas, como sabemos, nem sempre por detrás de uma estupidez existe um estúpido.
Nestes tempos marcados pelo anonimato das redes sociais, onde tantas vezes uma pessoa concreta se separa deliberadamente da 'persona' virtual, esta dicotomia é ainda mais marcante.
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De Vorph Valknut a 23.04.2019 às 18:28

Pedro, eu, por exemplo não sou tão estúpido como pareço...
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De sampy a 23.04.2019 às 18:50

O anonimato nas redes, mais ou menos assumido, é ao fim e ao cabo uma forma de escapar ao controlo do superego: às vezes libertador, às vezes jogo perigoso.
Livra-nos dessa factura social, de sermos pessoalmente responsabilizados e confrontados com o que nos atrevemos a dizer/publicar, pagando o respectivo preço.
Não admira que tal incomode quem escolhe dar a cara e vai depois aparando os golpes com o próprio corpinho. Uns revoltam-se, outros toleram, sabendo que, se não fosse assim, muitos simplesmente guardariam as opiniões para si próprios ou as divulgariam apenas num círculo restrito.
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De Anónimo a 23.04.2019 às 21:32

Sampy uma das coisas boas do DO é que ao fim e ao cabo todos se respeitam

Pedro Vorph
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De sampy a 23.04.2019 às 23:20

Não exageremos.
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De Maria Dulce Fernandes a 26.04.2019 às 11:39

Pessoas respeitáveis e respeitosas com opiniões aviltantes é coisa banal.
Sendo a percepção da realidade o ordinário somatório de experiências e conhecimentos, é naturalíssimo que aquilo que por exemplo eu acho acertado, outros acreditem ultrjante e bafiento; mas é assim, ninguém viveu o que eu vivi, nem sabe o que eu sei e vice versa.
Não é por não sermos almas gémeas ou haver falta de afinidade ideológica que nos tornamos menos respeitáveis ou respeitosos, a liberdade de cada um manifesta--se em muitas e variadas perspectivas.

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