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Pensamento da semana

por João Campos, em 21.04.19

A  morte é o último refúgio dos deuses.

Os avanços da ciência todos os dias privam o divino dos seus poderes de criação do Universo - teorizámos o Big Bang e a Relatividade, pisámos o solo lunar, enviámos sondas aos vários planetas do Sistema Solar (duas delas encontram-se nas nossas fronteiras estelares), e ainda há dias tivemos a oportunidade de contemplar com assombro, pela primeira vez na História, o ambiente que envolve um buraco negro a 55 milhões de anos-luz de distância no tempo e no espaço. Um feito científico e tecnológico notável, para nos mostrar algo que reside a uma distância incompreensível. Também a criação humana escapou ao domínio dos deuses, por Darwin e por todos os que se lhe seguiram - não fomos criados pelo sopro divino mas pela evolução dos primeiros organismos a residir no lodo primordial, que aos tropeções pelas eras nos permitiram chegar aqui, milhares de milhões de anos volvidos. A vida será um milagre, talvez, mas menos pelas suas múltiplas interpretações divinas do que pela sua fascinante improbabilidade.

Resta a morte, absoluta na sua inverosimilhança e no seu mistério. É nela, e não no espaço, que reside a fronteira final. O derradeiro abismo. Como o horizonte de eventos do buraco negro M87* - nem a luz lhe escapa, e tudo o que ultrapassa as suas fronteiras cósmicas esvai-se para lá do nosso conhecimento. Sabemos da existência da morte e da sua inevitabilidade; tentamos não pensar nela no nosso dia-a-dia, e tentamos preparar-nos para ela sempre que se nos impõe. É um exercício fútil: não há doença incurável, acidente irreparável ou velhice prolongada que nos permita antecipar o fatidico momento em que o coração de alguém que nos é querido pára de bater e a sua pessoa, única e irrepetível, desaparece para lá do nosso alcance. Resta o vazio que essa pessoa deixa, as memórias que nos acompanharão até ao fim, e o desejo improvável de a voltarmos a encontrar. É aqui que as respostas da ciência se revelam insuficientes, incapazes que oferecer consolo ou de alimentar uma esperança que escapa à lógica e a razão. E é neste vazio tão vasto e diminuto, e nesta esperança impossível, que sobrevivem os deuses.

 

Este pensamento acompanhou o Delito durante toda a semana.


77 comentários

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De Anónimo a 15.04.2019 às 07:07

https://youtu.be/1od-a_oGtQs
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De Vorph Valknut a 15.04.2019 às 09:14

"A noite é o espaço vago, o tempo sem história, em que as perguntas nascem dentro da memória, em tudo o que já fomos está o que seremos"

https://youtu.be/NycZiWLnDww
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De Anónimo a 15.04.2019 às 12:02

https://www.musixmatch.com/lyrics/Jos%C3%A9-M%C3%A1rio-Branco/A-Noite?utm_source=application&utm_campaign=api&utm_medium=musixmatch-android%3A1409614516793
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De Anónimo a 15.04.2019 às 07:12

Isto não é um pensamento.
Isto é um tratado de filosofia.
E com um final literariamente brilhante.
Uma ótima maneira de começar o dia e a semana.
João de Brito
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De Vento a 15.04.2019 às 08:24

Einstein teorizou a respeito dos buracos negros não porque os conhecesse, não por ciência, pois a ciência só pode comprovar, mas pela capacidade que tinha de perceber a existência do invisível. Foi ele, Einstein, que afirmou: "Deus não joga aos dados". Significa isto também que o invisível não significa inexistência. A ciência não evoluiu, comprovou.
A diferença entre o Homem e o macaco reside na sopro do Espírito, consciência universal e atributo único e singular em cada pessoa irrepetível e única. A isto chama-se personalidade, mas personalidade que está em cada pessoa em sua nascença e que se desenvolve segundo as circunstâncias e opções. Também nisto a ciência não evoluiu, simplesmente constatou.
Em conclusão, a ciência é uma espécie de caça-fantasmas que vai em busca do que lhe dizem, mas pretende comprovar.
O buraco negro não prova nada na matéria em apreço; e Darwin também nada provou.
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De Vorph Valknut a 15.04.2019 às 09:11

Concordo. Sendo a ciência o oposto da religião e venerando esta fantasmas é natural a ciência dedicar-se à caça de fantasmas. E Einstein disse que "deus não jogava aos dados" não por ser um homem de fé, mas por não aceitar as conclusões de uma nova Fisica que despontava, tendo em Böhr, Heisenberg e Shrödinger os seus arautos. A Realidade passaria com a Fisica Quântica a ser subjectiva, ilusória, contraditória, probabilistica e por isso incerta ( ex: a famigerada teoria do colapso da função de onda).

O Vento até numa torrada deve ver Deus.
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De Vento a 15.04.2019 às 13:27

Vamos lá à dança.
"Para punir o meu desprezo pela autoridade, o destino fez de mim uma autoridade" Albert Einstein.
Portanto, caro Pedro, não se atropele em matéria que não lhe compete.
Einstein, ao derrubar as teorias de Newton sobre o espaço e o tempo, fez da física uma série de notitas de rodapé para serem consultadas por quem se pensa cientista.
Até na relação com as mulheres, a fuga constante de Einstein da existência pessoal para o mundo da percepção e compreensão objectivas era uma razão determinante.
Isto para dizer-lhe que Einstein foi bastante taxativo na sua afirmação. E só alguns parolos entendem que falta objectividade na matéria que originou o comentário. Uma coisa é acreditar e não acreditar, outra é fazer de parolo nas (des)crenças que se apresentam.
Do I make myself clear? Or should I draw a better picture?
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De Vento a 15.04.2019 às 20:22

Se para sua resposta tem necessidade de recorrer à ligação que anexou, então, não há muito para certificar.
Acontece que Einstein foi taxativo em sua afirmação, mesmo na perspectiva científica. Mas não vou anexar ligações atrás de ligações para colocar pessoas a refutar virtualmente uma afirmação feita.
Recomendo que busque livros adequados, onde se inclui biografias credíveis, e certamente encontrará respostas à minha afirmação.

Todavia, a questão substantiva encontra-se em meu primeiro comentário. Se puder, refute-o e esqueça Einstein.
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De Vorph Valknut a 15.04.2019 às 23:27

Brian Greene, Vento, Brian Green, o homem dos livros, Universo Elegante e Tecido do Cosmos:

https://www.wook.pt/livro/o-universo-elegante-brian-greene/60620

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De Vento a 16.04.2019 às 09:06

Que me diz ao desabafo de Einstein para sua enfermeira no leito de sua morte?: "Talvez Deus não queira ser observado. Penso que Ele não gosta de curiosos".
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De Vorph Valknut a 16.04.2019 às 19:36

"Talvez Deus não queira ser observado. Penso que Ele não gosta de curiosos"

Presumo que goste ou não escondia a verdade para ser revelada. Da verdade escondida, provem a imaginação, a curiosidade e o pensamento. E o Logos é pensamento...


E talvez Einstein o tenha dito num ataque febril, ou precedido/antecedido por uma valente gargalhada....
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De Vorph Valknut a 16.04.2019 às 23:00

Presumo que "deus" goste da verdade escondida, para ser revelada pela Razão humana, atributo de deus. A linguagem universal, o Esperanto Cósmico é a matemática. E sendo a matemática puro exercicio da razão, não existirá puro acaso na origem de tudo....


Peço desculpa pelo "pertuguês", mas comprei um Alcatel que é uma autêntica bosta....não dou mais de 100€ por um telemóvel...mas já ando arrepenfido...arrependido, queria eu dizer
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De Anónimo a 16.04.2019 às 23:10

Como já um comentador por aqui sublinhou, o deus de Einstein tem pouco ou nada a ver com o das religiões e da enxúndia de significados que os humanos lhe
foram atribuindo ou surripiando ao vento das conveniências epocais e pessoais.Era o Deus de Espinoza , há que ler-lhe as obras para entender o conceito em nada contraditório com o Conhecimento do Universo.
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De Miguel a 16.04.2019 às 12:08

O Einstein escreveu algures que se acreditasse num Deus seria o de Spinoza. O deus dos ateus, de acordo com as línguas mais aceradas.
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De Vento a 16.04.2019 às 16:01

Não foi isso que ele revelou na intimidade, Miguel.
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De Vento a 16.04.2019 às 16:05

Aqui tem, Miguel:
“Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas acções dos homens”.
Porém Spinoza faz uma interpretação errónea sobre o que aprendeu.
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De Miguel a 16.04.2019 às 19:27

Creio que não o escreveu na intimidade, mas que o li na sua autobiografia científica incluída no volume 'Einstein, philosopher-scientist'.

'na harmonia de tudo o que existe' terá sido a ideia que inspirou a sua vida dedicada à tentativa de compreender os mecanismos do mundo natural . Parece-me uma convicção suficientemente digna, inspiradora e que se justifica a si própria. Para quê pedir mais? Ou outra coisa?...
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De Vento a 16.04.2019 às 22:17

Ninguém pode conhecer a harmonia e estar em harmonia se não por seu sentir. Torna-se, assim, perceptível concluir que o Homem é parte de um fenómeno. Logo, o Deus que Einstein buscava era aquele que se importa com a sorte e a acção do Homem.

Coloquemos de outra forma: a perspectiva cosmoteândrica deixaria de ser cósmica, global, se o Homem não participasse dela. Portanto, ninguém pode ver e acreditar na Harmonia se não for tocado pela mesma. É o Uno e o Todo.
É este o equívoco de Spinoza e a afirmação leviana, por modismo, de Einstein.
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De Vorph Valknut a 16.04.2019 às 23:08

"Logo, o Deus que Einstein buscava era aquele que se importa com a sorte e a acção do Homem."

https://youtu.be/BahnhltnJI0

Que se importa e não intervem....que deus esquisito
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De Vorph Valknut a 17.04.2019 às 09:52

Although various pantheisms can be found in Hindu philosophy, Buddhist cosmology, and ancient Greek Stoicism, the idea also has its modern scientific precursors. Just before the turn of the 17th century, the philosopher Giordano Bruno proposed that an infinite God could produce nothing less than an infinite universe filled with infinite worlds. Bruno’s universe was the unmediated pouring-out of God—not into the universe, but as the universe. Bruno realized that this infinite universe with its infinite worlds was the source of all things, the life in all things, and the end of all things, or in other words, “God.” For the heresy of equating the creator and creation, Bruno was executed by the Inquisition. A few decades later, the philosopher Baruch Spinoza developed a similar idea, which his critics equated with atheism, that led to his excommunication. Spinoza argued that if God is infinite and self-subsistent, then everything in existence must be an expression of God. Spinoza’s God is nature itself: all pervasive, impersonal, and unmiraculous.

https://plato.stanford.edu/entries/pantheism/

E tal como hoje a Fisica Quântica parece confirmar Brüno com a Teoria dos Multiversos

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Multiverso_(ciência)
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De Vento a 16.04.2019 às 22:55

Miguel, lembrei-me repentinamente que talvez não tenha incluído na minha resposta a este seu comentário um pormenor relevante: A transfiguração de Jesus, que nos é relata nos evangelhos sinópticos e referida na II Carta de Pedro, é o marco deste encontro entre o temporal e eterno. Resumindo, a exclusão da sorte e da acção do Homem por parte de Deus determinaria um ponto de ruptura com esta Harmonia, pois não existe harmonia sem sintonia. É num estado consciente de que existe a Consciência da consciência que se pode compreender a semelhança com o Princípio; eu disse semelhança e não igualdade.
O alto da montanha, onde ocorre a transfiguração, está aí para indicar que esta elevação simbólica é o ponto onde o Homem se encontra com Deus. Significa isto que existe um percurso de subida que é determinado pelo querer, vontade, do Homem. Pois este encontro, ou transformação, só se pode realizar em liberdade.
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De Vorph Valknut a 16.04.2019 às 19:32

"Porém Spinoza faz uma interpretação errónea sobre o que aprendeu"

....o Vento num tipico e puro exercicio de humildade...

O Deus de Spinoza faz lembrar o de Marco Aurélio e dos Estóicos. Um tipo de Panteismo. Somos parte de um todo que contemos e nos contem....tal como no hinduismo/ budismo.

A tradição judaico-cristã inovou ao colocar o Homem no Centro e o Todo ao seu serviço. É uma cosmovisão detestável.
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De Vento a 18.04.2019 às 10:09

Uma vez que hoje inicia-se a celebração de um acontecimento, designado por tríduo pascal, que afectou o cosmos, pois, no momento da morte de Jesus, o véu do templo rasgou-se, o sol escureceu, ocorreu um tremor de terra e os corações amarguraram-se, certamente como prenúncio da Luz que o Ressuscitado ainda viria oferecer, desejando a todos votos da celebração de uma Feliz Páscoa (passagem da escravidão para a Liberdade), deixo aqui uma observação última e complementar a esta minha primeira intervenção:

«Assim como a voz é a matéria das palavras, e as palavras indicam a voz já formada, pois aquele que fala não emite primeiramente uma voz informe, que depois possa reunir e formar em palavras, assim o Criador não fez a matéria informe num tempo anterior e depois, segundo a ordem de cada natureza, formou-a como que por uma segunda reconsideração. Criou, pois, a matéria já formada.» (Santo Agostinho, De Genesi ad Litteram, I, XV, 29 PL 34,257) cf. também S. Tomás de Aquino, sum theol. I, q. 45.
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De Vorph Valknut a 15.04.2019 às 08:52

João, a bem dizer faltam ainda elementos que comprovem de onde provem o Homem, a tal busca pelo elo perdido mantem-se. Até agora a árvore geneológica do Homem não passa de uma hipótese. Darwin "apenas descobriu" a Lei da Evolução/Selecção Natural, não havendo nela uma necessidade de Progresso, mas apenas de mudança, de adaptação. O mais apto não é necessariamente o mais forte, ou o mais inteligente ( estas são ideias posteriores de Spencer e outros, inseridas com propósitos ideológicos - ex: racistas/politicos e economistas). Quanto ao caldo primordial também nada está provado. É um hipótese tão válida como a Panspermia ( Stephen Hawking) . Fica a sugestão (faz pensar):

https://youtu.be/16GbZa0c0BA

https://blogs.scientificamerican.com/guest-blog/the-origins-of-directed-panspermia/

Quanto ao Buraco Negro, o que lhe parecem as ideias dos Buracos Brancos?
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De João Campos a 17.04.2019 às 21:17

Conceptualmente parece-me fascinante (note, Pedro, que não sou cientista; apenas curioso).

É cada vez mais raro acontecer, mas esta caixa de comentários tem sido interessantíssima.
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De Corvo a 15.04.2019 às 13:51

Boa tarde.
Quando diz: "Os avanços da ciência todos os dias privam o divino dos seus poderes de criação do Universo - teorizámos o Big Bang e a Relatividade"
Não vou alongar-me em longa dissertação, e cingir-me estritamente à ausência do divino pelo emergir da ciência que tudo explica.
O Big Bang. A ciência provou??? que uma bola minúscula condensando em si toda a matéria do universo conhecido, flutuando no nada, ao explodir libertou toda essa matéria dando origem ao universo conhecido, e, quiçá, outros ainda do nosso .
A ciência provou e portanto nada mais há a discutir, o universo nasceu daí, a vida veio pela feliz associação de uma proteína qualquer e dum bocado de carbono que por acaso se encontraram, e a explicação a ciência também a deu.
A explicação que eu queria que a ciência me desse, no caso do Big Bang, por exemplo, é de onde veio toda essa matéria condensada na tal bolinha que ao explodir deu origem a tudo isto.
E depois que me dissesse também de onde veio essa tal proteína que originou a vida.
Enfim; o que eu queria que a ciência me mostrasse era o início, e não assumir uma posição de certeza para o inexplicável com um Big Bang, que em meu entender, nada prova e não passa de suposição.
Quanto ao Divino, e sendo eu profundamente crente, também não acredito nele. Pelo menos de como a religião o apresenta, como um ser criador sentado no seu trono celestial, julgador das suas criaturas.
Mas acredito numa inteligência poderosa, imensa, tão grande de dimensão infinita preenchendo todo o espaço conhecido, e aquele que nunca será conhecido porque, conhecendo-o, o homem teria desvendado o enigma da eternidade.
Uma inteligência, apenas; que para todos os homens do mundo, em qualquer cor ou crença, à falta de melhor é denominado Deus.
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De Vorph Valknut a 18.04.2019 às 09:50

"Mas acredito numa inteligência poderosa, imensa"

Pelo facto de as leis universais serem leis matemáticas, traduzidas por formas matemáticas ao alcance do nosso entendimento(Einstein e outros previram pelo exercicio puro da inteligência fenómenos que só agora se confirmam) também desconfio que o cosmos não foi criado por um acaso sem sentido. "Deus" sabe contar"
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De Corvo a 18.04.2019 às 19:34

Tenho de acreditar nalguma coisa, exijo-mo a minha racionalidade.
Não posso aceitar, como ser pensante que sou, que seja um acaso a justificação para o meu aparecimento neste mundo. Nem eu, nem a humanidade nem o universo.
Um acaso? E o que é um acaso? Um acaso é um argumento muito fácil para nos desembaraçarmos de perguntas incómodas. Foi o acaso e está feito.
Mas mesmo que fosse: vamos hipoteticamente aceitar esse acaso como a criação de tudo. E o que é? Quem tornou esse eventual acaso uma realidade criadora? De onde surgiu? como se formou? De onde veio e apareceu?
Para mim, e unicamente para mim sem questionar nem contraditar opiniões contrárias, portanto para mim e para o que a estrutura da minha racionalidade diz, dado que do nada se obtém nada, então houve alguém ou alguma coisa que criou.
E só encontro uma explicação. Inteligência. Uma inteligência muito grande, imensa, de enormidade tremenda e infinita preenchendo todo o espaço cósmico, o nosso e aquele que não conhecemos.
Assim, em meu entendimento, faz algum sentido a religião quando diz que Deus, (Inteligência) está aqui, está ali e em toda a parte.
E nós também fazemos parte dela porque, vá-se lá saber porquê, parte dessa inteligência, uma migalha como uma gota de água derramada nos oceanos, foi-nos concedida. Chamemos-lhe alma, ou espírito, como quisermos
Volta a ter algum sentido para mim quando a igreja diz que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança.
Não vejo muito bem para quê se só a utilizamos para destruir, e provavelmente seria muito melhor se fosse aplicada numa mosca ou numa barata, mas pronto. foi assim e assim será.
Talvez para que possamos ser responsáveis pelos nosso actos. Deve ter sido. Ninguém pede responsabilidades a um gato que saltou e rasgou a cortina.
Isto é Deus para mim. Inteligência. Não o será para outros, pois tudo bem. É na mesma respeitável todas e quaisquer ideologias, assim como penso a minha será respeitável.
Desejo-lhe uma Feliz e Santa Páscoa.
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De Vorph Valknut a 19.04.2019 às 10:31

Um Feliz Páscoa, Corvo (que raio de pseudónimo, uma ave das trevas)
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De Rui Carlos a 15.04.2019 às 18:49

Entre as dúvidas (muitas) e as certezas (poucas) que os comentários encerram, apenas me ocorrem perguntas, descabidas talvez.
1) Antes da bolinha que "explodiu" e de que resultou "isto tudo", o que existia?
- O nada?,
- Ou a "bolinha" sempre existiu?,
- E se sim desde quando?,
- E, nesse desde quando quem a criou, foram deuses, quando o quiseram?
- E esses deuses sempre existiram e decidiram o desde quando?
2) O "buraco negro" onde a energia, logo a matéria com velocidade, se "esconde" ou dissolve, constituirá a anti-matéria?
3) E, se a anti-matéria tem significado, não seremos nós uma espécie de "holograma" dela emergente que os deuses (quaisquer que eles sejam) manipulam, criando-nos, transformando-nos e "matando-nos"?
Perguntas decorrentes de tortuosos pensamentos, reconheço.
Atentamente
Rui Carlos

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De Anónimo a 15.04.2019 às 20:43

Schrodinger contribuiu com uma equação célebre com que pretendia,ao interpretá-la,repor a Física ante-Planck. Bohr,Born,Heisenberg fizeram-lhe ver que a interpretação era probabilística levando-o a lamentar ter contribuído para tal.O mesmo afirmou Planck. Hoje qualquer físico(dos tenho lido) afirma ser essa tal de Quântica e seu formalismo a que melhores resultados dá nos cálculos.Funciona,escreveu Feynman,não adianta perguntar porquê mas sim COMO.
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De V. a 16.04.2019 às 12:49

O Belo e a Consolação

https://www.youtube.com/playlist?list=PLhumKnV5qrUMLAi101vFQAvIUBcHAs5OU
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De Anónimo a 16.04.2019 às 13:33

A vida, o nascimento também não será um refúgio dos Deuses?

----

A imagem do buraco negro é mais uma exemplo de Fake News do jornalismo.
A imagem não existe no espectro visível humano, foi aliás tirada por um rádio telescópio.
Aliás boa parte das imagens do espaço nunca mostram o que uma pessoa pode ver. Mas isso nunca é dito.

lucklucky
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De Vorph Valknut a 16.04.2019 às 15:47

Epá, anda mesmo marado. Também não vemos os electrões, mas garanto-lhe que tenho electricidade em casa.

Sabe o que é um microscópio electrónico?
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De Anónimo a 17.04.2019 às 02:23

Pelos vistos não quis entender...

A representação dos electrões é artificial o suficiente para as pessoas o perceberem.
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De Vorph Valknut a 17.04.2019 às 09:43

??
Os Buracos Negros foram possibilidades matemáticas antes de serem observados, tal como os quarks. A Quântica está por detrás de grandes descobertas práticas como o Laser e a Ressonância Magnética
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De V. a 19.04.2019 às 01:46

O mais giro é que tudo o que vemos é o passado achatado no plano visual — porque é fotografado com lentes telescópicas — e que vamos na direcção contrária...

...para onde não há ainda nada?
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De Vorph Valknut a 19.04.2019 às 10:37

Sim. O passado é observável (radiação de fundo). Os confins do cosmos representa o seu inicio....sim é tudo muito estranho.
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De Anónimo a 19.04.2019 às 02:42

Continua a desconversar.

Eu critiquei a representação falsa de algo como imagem verdadeira.

lucklucky
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De Vorph Valknut a 19.04.2019 às 10:47

Luck, é verdade que muitas representações de estruturas cósmicas são construções a partir de dados colectados por aparelhos - radiotelescópios, por exemplo. Mas isso não significa que não existam. Por exemplo através de um esqueleto conseguimos, por programas matemáticos, reconstruir o corpo/ fisionomia que lhe "pertencia".... Também não vemos os números pendurados nas árvores mas eles são tão verdadeiros como as maçãs
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De Anónimo a 19.04.2019 às 21:03

Eu não disse que não existam. O problema é os jornalistas induzirem as pessoas a acreditar que vêem aquilo se "estiverem lá"
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De V. a 20.04.2019 às 09:22

Na verdade, resta saber em que medida os próprios modelos de análise determinam a configuração daquilo que é observado. Parece-me bem provável que a ideia de um buraco negro condicione a forma como é representado porque não é um objecto tridimensional. Como a construção dos dados pré-existe às coisas observadas (neste caso um buraco negro é o conjunto de números que faltava para as contas baterem certo) pode muito bem haver uma descrição interpolada que condicionou até a própria evidência fotográfica — que é ela própria uma construção. Bom, deve haver uma cacetadona de teses sobre isto... É fim-de-semana e não estou para estar aqui a dar ao miolo.
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De Anónimo a 21.04.2019 às 21:05

Sim e pode começar pelo nome que lhe deram: buraco negro.

Logo a representação teve de mostrar um "buraco negro".

lucklucky

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De Vorph Valknut a 21.04.2019 às 23:11

Pode pôr essa argumentação também relativa ao Sol. Ele é amarelo porque o fogo é amarelo, mas isso adianta o quê quanto ao conhecimento cientifico do Sol, ou da sua existência?


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De Vorph Valknut a 22.04.2019 às 00:20

Esse argumento "resta saber em que medida os próprios modelos de análise determinam a configuração daquilo que é observado" também se pode aplicar aos modelos moleculares usados em Quimica. Ou à representação da realidade a 3 dimensões. Ou à representação da realidade usando o espectro do visivel. O que me importa é a existência do que é representado. A representação por vezes tem como objectivo não uma representação exacta, mas uma representação entendível para os sentidos humanos. Por exemplo os aparelhos de ecografia Constroem modelos tridimensionais muito exactos dos orgãos internos usando os ultrasons (invisiveis) pela diferente ecogenicidade dos tecidos orgânicos. A imagem ecográfica seria também ela, segundo o vosso critério, "artificial". Contudo isso é irrelevante
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De Corvo a 16.04.2019 às 14:50

Acreditar o homem em Deus, neste ou naquele, desta ou daquela forma, acreditar pouco ou nada, é completamente irrelevante. Somos alguns milhares de milhões de seres pensantes e dificilmente se encontrarão dois com os mesmos pensamentos.
O importante, se estivermos dispostos ou quisermos saber, é que as coisas existem, estão cá. Vemo-las, sentimo-las e servimos-nos delas. E quem as criou? Como surgiram? Como apareceram? de onde vieram?
Tudo tem um início. Nada adicionado a nada será sempre nada até ao infinito. Eternamente nada.
Mas mesmo esse nada, o que é? Nada simplesmente, vazio e a explicação está dada? Não! Nada existe, é alguma coisa, é o nada!
Se imaginarmos, por exemplo, um mundo vazio de tudo, sem referências nenhumas, sem visibilidade de nada e nele nos encontremos a flutuar, onde estamos? Estamos no nada, no vazio, logo, estamos nalguma coisa. Portanto o nada e todos os outros nada antecedentes foi uma criação.
E levemos a imaginação um pouco mais longe. Estamos no nada e súbita e inopinadamente....uma bola flutuando contendo em si o nosso mundo, outros e todo o universo conhecido. A ciência explicou.
Se quisermos podemos parar por aqui, as nossas dúvidas foram esclarecidas a ciência derramou-nos o conhecimento. Estás sábio, meu filho; agora vai, vai em paz tratar das tuas couvinhas.
A ciência não disse, não mostrou de onde veio, de onde surgiu, como do nada se criou essa bolinha. Disse-o apenas e a ciência não se questiona. É ciência.
A ciência que ainda hoje não sabe o que são os fundos oceânicos, a ciência que ainda não sabe explicar a construção da pirâmides, mas sabe explicar a origem do universo. Aplaudamos pois a omnisciente ciência.
Quando fui para a escola a professora disse-me que dois mais dois eram quatro. Fiquei a pensar por que não seriam, por exemplo, três ou cinco, e apresentei-lhe as minhas dúvidas. Ela colocou dois feijões a um lado, e outros dois noutro lado. Juntou-os e disse-me para os contar e sim! eram quatro. A minha professora não se limitara a dizer, mas provara-mo.
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De João Campos a 17.04.2019 às 21:21

"A ciência não disse, não mostrou de onde veio, de onde surgiu, como do nada se criou essa bolinha. Disse-o apenas e a ciência não se questiona. É ciência."

Na sua essência, não é o método científico um questionar permanente?
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De Corvo a 17.04.2019 às 23:10

Não! A ciência diz e não se fala mais no assunto.
Questionável é o aparecimento de tudo vindo do nada. Pelo menos é o que eu me pergunto.
Mas também não atribuo esse enigma à providência divina, no sentido em que a Igreja me quer mostrar, que Deus construiu tudo em seis dias e descansou ao sétimo. Interrogo-me, apenas, e não aceito que venha a ciência dizer-me que era uma bola no espaço que explodiu e espalhou tudo, sem que me diga de onde veio a tal bolinha e como e quem meteu todo o universo dentro dela. Já para não perguntar aonde se foi buscar o universo para o meter dentro da bolinha.
Outros aceitarão, e não tenho nada a contraditar. Cada um na sua e bons vizinhos na mesma.
Saudações e resto de uma excelente noite.
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De João Campos a 17.04.2019 às 23:32

Votos de boa Páscoa (e boa sorte com a gasolina, se for caso disso).

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