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Pensamento da semana

por Teresa Ribeiro, em 02.12.18

Na política, na economia, no convívio social, nos relacionamentos amorosos, nas relações laborais e até nos media,  nunca a verdade foi tão irrelevante como hoje.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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45 comentários

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De Anónimo a 26.11.2018 às 11:24

Correndo o risco de não ser entendido, por usar o que passou a ser um arcaísmo, eu diria que, mais do que a irrelevância da verdade, o que mais nos afeta é a irrelevância da honradez.
João de Brito
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De Maria Dulce Fernandes a 26.11.2018 às 21:06

Absolutamente. Pode juntar-se à falta de carácter .
A verdade também não é única ou sequer absoluta.
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De Teresa Ribeiro a 27.11.2018 às 13:32

Sim, Maria Dulce, a verdade não é única. Mas falo de outra coisa. De uma cultura que incentiva a hipérbole, o eufemismo, a elipse, em quase todas as facetas das nossas vidas. Dizer a nossa verdade sem rodeios é visto hoje, mais que nunca, como uma coisa rude, estranha até.
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De Teresa Ribeiro a 27.11.2018 às 13:35

Percebo a sua hesitação, João de Brito. "Honra"? que conceito antigo!!
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De Anónimo a 26.11.2018 às 12:37

A honradez é que coisa...?
Obrigada...
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De Anónimo a 26.11.2018 às 14:42

"e até nos media" ?!...ou sobretudo nos média, com especial ênfase no mau uso da 'caixinha mágica' ...!!!
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De Teresa Ribeiro a 27.11.2018 às 13:39

Os media, como sempre, amplificam e ajudam a consolidar o l'air du temps
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De Manecas a 27.11.2018 às 10:01

Em todas as épocas houve quem fizesse comentários desanimadores como os que estão acima. Em todas as épocas houve quem dissesse: dantes é que era bom. O melhor é não fazer caso e continuar a viver alegremente e com optimismo.
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De Anónimo a 27.11.2018 às 12:12

Não sei que idade o Senhor tem.
Mas, se tem mais de sessenta, não deixará de concordar comigo, da mesma forma que eu concordo consigo no que diz respeito à generalização.
De facto, há muitos aspetos em que a sociedade é agora muito melhor que antes.
Mas não é certamente no que diz respeito à confiança nas pessoas e nas instituições.
Infelizmente!
João de Brito
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De Teresa Ribeiro a 27.11.2018 às 13:42

Não fazer caso, assobiar para o lado, deixar andar é sempre uma opção, pois é...
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De Anónimo a 27.11.2018 às 11:12

É muito mais do que a verdade, é uma completa falta de valores! Vivemos num mundo de falsidade, de hipocrisia, de manipulação, de aparências e de estupidificação em massa.

E os media são o principal responsável pela estupidificação em massa.
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De Manecas a 27.11.2018 às 11:43

Essa é muito velha!
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De Teresa Ribeiro a 27.11.2018 às 13:45

Os media não são a génese destas mudanças de cultura, mas claro, ajudam a consolidar, a difundir...
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De Anónimo a 27.11.2018 às 12:31

O homem que prega moral é usualmente um hipócrita, a mulher moralizadora é invariavelmente feia. Oscar Wilde
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De Teresa Ribeiro a 27.11.2018 às 14:27

Caro anónimo, a frase é demodée. Hoje o politicamente correcto exige mais sofisticação na forma como se expressa a misoginia.
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De Anónimo a 27.11.2018 às 14:44

Fora de moda, sempre e felizmente. Se há coisa que me encanita é a infantilidade de querer estar dentro da moda. E suficientemente feia para dizer a frase sem me sobressaltar (ah, céus!).
Mas se não gosta da frase, explico-a melhor. Qualquer pessoa com dois dedos de testa sabe que gente verdadeira, honrada e de carácter perde muito pouco do seu tempo a apontar o dedo ou a atirar pedras. A estes - gente decente - sobra pouco tempo e disponibilidade mental para a pregação. Além disso, qualquer pessoa com alguma experiência de vida, sabe que as más surpresas vêm normalmente do lado dos pregadores.
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De Teresa Ribeiro a 27.11.2018 às 14:57

"Qualquer pessoa com dois dedos de testa sabe que gente verdadeira, honrada e de carácter perde muito pouco do seu tempo a apontar o dedo ou a atirar pedras. A estes - gente decente - sobra pouco tempo e disponibilidade mental para a pregação. Além disso, qualquer pessoa com alguma experiência de vida, sabe que as más surpresas vêm normalmente do lado dos pregadores", disse a anónima com duas pedras na mão.
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De Anónimo a 27.11.2018 às 15:10

Ou seriam duas flores? Desejo-lhe as maiores felicidades.
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De Anónimo a 27.11.2018 às 18:39

Pregar NÃO é atirar pedras ou apontar o dedo !
Quanto ao pensamento em destaque esta dou-lhe inteira razão pela experiência de vida que tenho.
A verdade é cada vez mais um conceito abstrato.

WW
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De lucklucky a 30.11.2018 às 15:34

La donna è mobile
Qual piuma al vento,
muta d'accento
e di pensiero.

Sempre un amabile,
leggiadro viso,
in pianto o in riso,
è menzognero.

La donna è mobil'.
Qual piuma al vento,
muta d'accento
e di pensier'!

È sempre misero
chi a lei s'affida,
chi le confida
mal cauto il cuore!

Pur mai non sentesi
felice appieno
chi su quel seno
non liba amore!
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De lucklucky a 02.12.2018 às 06:36

é mais "sofisticado" :)
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De Sarin a 27.11.2018 às 12:41

A verdade depende da perspectiva pois, sendo os factos exactos, muito depende da sua recepção ou da sua interpretação, e geralmente de ambas. Quanto mais o ponto de visão se aproxima do umbigo, mais bem definidas ficam as vistas desse ponto. O que, tristemente, não faz da verdade um valor umbilical.
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De Teresa Ribeiro a 27.11.2018 às 14:24

Sarin, em resposta à Maria Dulce, aqui em cima, já esclareci esse ponto.
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De Sarin a 27.11.2018 às 15:22

Percebido o ponto, reformulo sem tirar validade à anterior, pois que uma das vantagens de um debate em torno de um pensamento é também o fluir dos muitos horizontes que este convoca. As tais perspectivas :)

Ser mais fácil ou mais difícil suster e sustentar a nossa verdade depende da sensibilidade que tenhamos perante as sensibilidades dos outros. Ser mais fácil ou mais difícil perceber as verdades dos outros é um exercício de acuidade visual e mental. Resistência e perfuração: a verdade é o novo ouro.
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De Teresa Ribeiro a 27.11.2018 às 17:44

Sarin, o que comento é o manifesto desinteresse que observo nas pessoas em exporem a verdade nas várias facetas da sua vida. Por falta, justamente, de uma audiência que revele a sensibilidade de que fala para perceber as razões do outro e também porque hoje o discurso se reveste de roupagens que não compaginam com a nudez de uma exposição transparente e honesta.
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De Sarin a 27.11.2018 às 18:06

Mas a exposição pressupõe algum auto-conhecimento ou a vontade na descoberta. Conhecer-se-ão as pessoas? E, conhecendo-se, gostar-se-ão? Talvez o discurso programado seja apenas mais uma capa com que evitam olhar-se.

Desculpe voltar atrás, Teresa, mas a verdade, sendo umbiguista e não umbilical, faz com que as pessoas se conheçam pela pele... é, assim, natural que o discurso o não seja.
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De Teresa Ribeiro a 28.11.2018 às 16:51

A Sarin desvia a discussão para o indivíduo, mas a partir do momento em que se observa um padrão, parece-me mais interessante olhar para o colectivo. A nova cultura do politicamente correcto está instalada. A coreografia mental está a fazer o seu caminho. Fala-se mas não se diz, ou diz-se o que esperam que se diga. A verdade, essa, anda a perder pontos em todos os planos da nossa existência, precisamente porque é o que é e não o que convém que seja.
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De Sarin a 28.11.2018 às 17:56

Respondi ao seu notar desinteresse nas pessoas e roupagens no discurso, Teresa, pois as pessoas são, cada uma, o indivíduo. Estou habituada a olhar a causa para gerir o efeito, e aos padrões detecto-os como um todo mas analiso-os desmontando-os ao seu máximo divisor comum. Deformação profissional, talvez, mas o padrão formado nem sempre tem as mesmas causas, e por isso a desmontagem.

Se olharmos bem, provavelmente veremos, de um lado, o interesse político associado à detenção do poder por si mesmo fomentando a meia verdade; do outro, o marketing a apelar ao consumo e ao imediatismo; pelo meio, os conteúdos que se multiplicam e as ferramentas que no-los disponibilizam tornando as 24h insuficientes para um dia... a voragem e a urgência retiram tempo para a reflexão, para a análise, para a consciência fundamental a um discurso nu vindo de pessoas vestidas de si mesmas até ao tutano enquanto, despojadas de pressas, se dedicam a viver. A voragem é a causa e a consequência de tal padrão que se vê. Por isso as frases feitas colam, porque pensadas para colar; e os chamados "politicamente correctos" mais não são do que chavões. Deixemo-nos de tretas e não confundamos o politicamente correcto com o populismo; politicamente correcto é o discurso coerente com os valores que defende e com as políticas que preconiza. Mas para organizar tal discurso é preciso tempo para tentar perspectivas e construir novos padrões, tempo incompatível com a velocidade dos dias. E para aceitar tal discurso é preciso acalmar e mergulhar abaixo da espuma.
Só quando muitos o fizerem o padrão mudará.
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De Teresa Ribeiro a 29.11.2018 às 12:50

Afinal, Sarin, parece que concordamos no essencial :)
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De Sarin a 29.11.2018 às 13:06

Não tinha dúvidas disso, Teresa :)
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De Pedro Vorph a 27.11.2018 às 15:02

Quid et Veritas?

Os poderosos, na esmagadora maioria dos casos , têm sempre "razão", porque a verdade do que é dito depende mais da credibilidade, conferida pelo sucesso dos poderosos, e menos do conteúdo,veracidade, da informação veiculada. A "verdade", para efeitos práticos, não é assim tanto uma questão de razão, como o é de credibilidade dos que falam e da credulidade dos que ouvem.
Não sendo, eu, ninguém, quem acredita em mim?

https://www.youtube.com/watch?v=7senWR91kQA
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De Teresa Ribeiro a 27.11.2018 às 17:58

Pedro, mas isso acho que sempre foi assim. Agora o que noto é desinteresse em comunicar algo que se afaste do discurso politicamente correcto e essa é uma atitude transversal. Ninguém arrisca uma ideia fora da norma para não ser julgado, mal interpretado. Não interessa discutir o que realmente se pensa ou sente, mas revelar a atitude certa.
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De Sarin a 27.11.2018 às 18:33

Teresa, recebo tantos miminhos por não revelar a atitude certa que tenho pena de não apontar tudo :)


Mas sim, vê-se muita gente entrar timidamente em tais águas e não aguentar os primeiros salpicos, deixando-se ir na corrente sem sequer testar as suas forças.
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De Pedro Vorph a 27.11.2018 às 19:39

A Teresa, ainda é uma jovem. Em chegando à minha idade já não se importará com o que outros pensam, ou dizem, sobre o que pensa, ou diz...eu só não vou de pijama ao hipermercado porque ainda preciso de trabalhar… isso e porque tenho duas crianças menores
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De Sarin a 27.11.2018 às 23:01

Mas podes ficar de pijama a aguardar que o supermercado te chegue a casa
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De Pedro Vorph a 27.11.2018 às 23:36

Mas ficava sem o prazer de mostrar o meu desinteresse pelo interesse dos outros.
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De Sarin a 27.11.2018 às 23:57

Certo, vais ao supermercado como quem folheia revistas no cabeleireiro... cuidado não te desfolhem
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De Teresa Ribeiro a 28.11.2018 às 16:40

Mas eu não escrevi sobre mim. Acho mais interessante discorrer sobre os outros. É por isso que escrevo aqui e não nas redes sociais...
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De Teresa Ribeiro a 28.11.2018 às 16:41

Este comentário responde a uma observação que o Pedro fez acima ( o Sapo de vez em quando troca-me as voltas, ainda não percebi como evitar)
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De lucklucky a 27.11.2018 às 16:55

Hoje?

Só é preciso ler a história dos revolucionários, não fim não passam de actores.
Kafka não escreveu no presente, nem Orwell.
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De Teresa Ribeiro a 27.11.2018 às 17:59

Há sempre gente que está muito à frente, outsiders. Não é sobre esses que escrevo.
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De lucklucky a 30.11.2018 às 15:43

Mas retratavam a sociedade. É o resultado da hiperpolitização da sociedade - no caso de Kafka a burocracia como resultado dessa hiperpolitização.

Falo da hiperpolitização como o mecanismo sucessor da hipereligiosidade com um interregno mais ou menos liberal pelo meio, nas sociedades ocidentais. Hoje com o Politicamente Correcto que é o sinal de hiperpolitização voltámos às blasfémias, aos traidores de classe do Marxismo expandido para as classes sexuais https://www.nytimes.com/2018/10/06/opinion/lisa-murkowski-susan-collins-kavanaugh.html , raciais, etc...
Traidor de classe talvez um paralelo a quem era acusado de bruxaria.

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