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Pensamento da semana

por José António Abreu, em 28.10.18

Consideremo-nos felizes ou infelizes, bonitos ou feios, inteligentes ou estúpidos, ou, como é mais habitual, tudo isto em momentos diferentes, a nossa vida parece quase sempre ter menos significado e ser mais incongruente do que a dos outros, em particular se não existir uma qualquer crença (na maioria das vezes religiosa) que simultaneamente a relativize e lhe dê sentido. Seja como for, o principal objectivo da vida de qualquer pessoa é torná-la real; conferir-lhe significado. Quase toda a gente o atinge apenas durante momentos dispersos - entre os quais o que precede a própria morte.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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18 comentários

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De Pedro a 22.10.2018 às 08:20

"E, quando se instala a tristeza , é dela que sou também escravo. O meu maior desejo é retê-la. O meu maior prazer sentir que tudo o que valia residia no que perdi. Mas simultaneamente como me compraz gerar beleza do que é em mim desespero, desgosto e fraqueza. A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer "
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De Anónimo a 22.10.2018 às 12:00

Não me parece, pelo que julgo conhecer das pessoas, que ter uma crença transcendental dê mais significado à vida ou mais tranquilidade.
Pelo contrário, impõe uma série de ritos, obrigações e inquietações, que eu, por exemplo, não tenho.
Estou nos setenta e, até agora, ainda não senti qualquer necessidade de me agarrar a uma crença.
A convicção de que "regressarei à terra que me viu nascer", e que me regenerará, dá-me uma serenidade satisfatória.
O que acontecerá na "hora da minha morte" não sei.
Logo se verá.
João de Brito
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De lucklucky a 23.10.2018 às 20:08

As pessoas não são iguais. Para umas a religião é importante para outras não.
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De Maria Dulce Fernandes a 22.10.2018 às 21:44

Se o significado da vida é sentir-lhe o propósito realizado no momento que precede a morte, não conheço qualquer estudo - porque agora há estudos para tudo mais um par de botas - que sustente essa tese.
Que é tudo circunstancial durante a longa e efémera travessia excepto nascer e morrer, acredito que sim.
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De Tudo Mesmo a 23.10.2018 às 01:18

As crenças, religiosas ou não, podem ajudar no que quer que seja, mas não irão dar sentido. Somos nós próprios/as que o temos que fazer. Acreditando ou não, em que haja algo além do que conhecemos como matéria, que esteja presente, em diversas formas no nosso quotidiano, interrogo-me se sendo algo positivo, deixe acontecer o lado negativo, com mais ou menos sofrimento, mesmo antes da "próprias morte".
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De Bea a 23.10.2018 às 07:24

E como sabe que o significado vem com a morte se, que se saiba, ninguém regressou do reino do Hades para desvendá-lo. Não julgo que o exercício comparativo do sentido nos sirva. O sentido, que talvez nem exista senão como própria necessidade da espécie, é pessoal e as comparações, ainda que comuns e tentadoras, só distraem e afundam o eu. Embora o outro seja um outro eu, é um eu outro. E isso muda tudo.
Tudo isto é teoria. Na prática, a fuga às comparações é impossível. A humanidade que nos habita tem destas coisas.
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De Sarin a 23.10.2018 às 11:35

Ulisses, Orfeu e Eneias voltaram... só para lembrar os mais cantados. E contaram distintas visões de tal reino - Ulisses mais pragmático, Eneias mais romântico, e Orfeu... coitado do Orfeu, olhar para trás foi a sua perdição. Resta saber se pela desconfiança ou pelo saudosismo.
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De Bea a 24.10.2018 às 15:39

Pois voltaram. Mas os heróis não contam para as minhas contas sobre o reino dos mortos que aliás pouco me interessa. Apenas um fim total. Ou nem sequer isso.
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De Sarin a 26.10.2018 às 11:10

Há por aí muito anti-herói que reclama memórias de outras vidas; outros, que preparam a vida no Além; por mim, e pelo sim pelo não, o melhor é aproveitar esta onde já navegamos tantas vezes o Estige
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De Bea a 27.10.2018 às 18:00

Aprendi que é a viver esta que se prepara a outra, não há anexos, é tudo em um.
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De Sarin a 28.10.2018 às 20:43

Não parece, pelas suas palavras sobre "fim total". Mas não interessa discutir as crenças individuais, interessa que cada um encontre em si ou nos outros aquilo que busca - se passar por preparar a vida no Além, que a preparação da próxima não vos alheie desta é o que posso desejar.
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De Bea a 29.10.2018 às 15:26

Repito: é a viver esta que se prepara a outra; o que é diferente de viver esta a preparar a outra.
Utilizei a expressão "fim total", querendo dizer que não consigo excluir em absoluto essa hipótese de dissolução; facto que me parece compreensível, não estamos no domínio do experienciável; embora a admissão de tal dúvida seja um meio fracasso, pessoal e assumido, no capítulo da fé.
A crença dos homens, salvo raras excepções, assemelha-se à sua eternidade, é frágil e efémera. E daí lhes advém a beleza; e o facto de não movermos montanhas:).
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De Sarin a 29.10.2018 às 17:51

É isso a fé, numa divindade ou nas capacidades humanas que, mesmo sabendo não moverem montanhas, nos permitem não desistir quando perante elas :)
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De Anónimo a 23.10.2018 às 09:15

Vampirizo um post de Filipe Nunes Vicente para notar um comprimido que me parece poder ajudar a "malaise" que refere no seu postal- a generosidade.

É terapêutica que aparece datada no novo Milénio, eventualmente desfraldada num ou outro prémio Nobel da Paz (como os deste ano), aqui e ali acenada de forma avulsa em derrames sobre auto-ajuda, as mais das vezes cultivada, como parecendo casmurrice, de forma recolhida, quase envergonhada nas vidas de quem assume cuidar e amar quem é próximo ou está por perto.

"Gasset brinca ( El Espectador, 1925) com o sentido original do termo ( testemunha, tradução literal do martyros grego) quando uma ninfeta o interpela. Ela quer saber como Gasset vive sem apanhar sol:

- Es qué yo no vivo, señora.

- Pues qué hace usted?

- Asisto a la vida de los demás"

Quando lemos os clássicos - eu lembro-me de Tolstoi em "Guerra e Paz", também uma demanda de esforço generoso, percebemos algum sentido, pré-laico(??) -o de ir aproveitando a jornada para não deixar de servir e satisfazer curiosidade pelas coisas do mundo, especialmente pelos outros, de não negligenciarmos a nossa função de cronista (não de moralista), na esperança que nas sínteses - escritos derramados, telas encharcadas, business plans de empresas "orientadas para o utilizador", multimédias várias -
se cumule ou sublime entendimento que, pelo menos, assista no seguir em frente, to "keep walking", mesmo quando sombras se acastelam - "..because we are carrying the fire"- esta é tirada do "The Road" de Cormac McCarthy.

O remate é ainda de FNV
" A descentralização do ego faz de facto muito bem. Como é que conseguem? Talvez porque, no fim de contas, os generosos recebam uma recompensa ambrosiana: dependem menos dos outros. Desperdiçam, portanto, menos e suportam melhor a solidão"

P.S. Bibliografia abreviada:
https://insanid.blogspot.com/2018/09/da-generosidade.html

Jorg
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De Anónimo a 23.10.2018 às 11:05

Quando a minha vida parece ter menos significado, ou mesmo nenhum, costumo ler (agora é mais ouVER) estes 2 poemas do Bukowski:
The Laughing Heart
e
Roll the Dice.
Umas vezes resulta, outras nem por isso...
Maria
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De Anónimo a 24.10.2018 às 15:47

Falso!, o principal objectivo da vida de qualquer pessoa NÃO É conferir-lhe significado.

O principal objetivo da vida de qualquer ser vivo é o de continuar vivo, o objetivo que lhe vem imediatamente a seguir é o de consegir reproduzir-se.

Daí que is instintos mais arreigados nos seres vivos (o homem incluído) sejam respetivamente o instinto de sobrevivência e o instinto de reprodução.

O Homem procura a ataraxia (como é definida pelos estoicos) que, traduzida em termos científicos se designa por homeostasia.

Não existe significado para a vida para além desta procura constante de um equilíbrio impossível de alcançar. Acham pouco?
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De Anónimo a 25.10.2018 às 16:29

Sobre os rios de Babilónia se achou e de lá regressou.O povo eleito, o Poeta.
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De JB a 26.10.2018 às 16:02

Talvez a vida seja "a busca do impossível através do inútil" ou uma óbvia promessa de frustração. Mas brindemos ao facto de haver alguma coisa em vez de coisa nenhuma.

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