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Pensamento da Semana

por Fernando Sousa, em 05.08.18

"[...] É impossível examinar os problemas assustadoramente complexos da vida pública se estivermos simultaneamente preocupados em, por um lado, discernir a verdade, a justiça e o bem público e, por outro, em conservar a atitude que convém a um membro de um determinado grupo. A faculdade humana de atenção não é capaz de ter ao mesmo tempo esses dois cuidados. De facto, qualquer pessoa que se prenda a um deles abandona o outro. [...]"

Simone Weil, "Nota sobre a supressão geral dos partidos políticos", Antígona, 2017. 

 

                                Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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25 comentários

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De V. a 30.07.2018 às 00:31

Talvez num mundo novo, numa galáxia distante..
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De Anónimo a 31.07.2018 às 12:12

Olá, V. E por ser aparentemente longínquo havemos de desistir?
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De Gay Radiante a 30.07.2018 às 09:48

A imparcialidade é, antes de ser uma impossibilidade política, uma impossibilidade biológica.

Segundo a Psicologia :

Self-serving bias is any cognitive or perceptual process that is distorted by the need to maintain and enhance self-esteem, or the tendency to perceive oneself in an overly favorable manner. It is the belief that individuals tend to ascribe success to their own abilities and efforts, but ascribe failure to external factors. When individuals reject the validity of negative feedback, focus on their strengths and achievements but overlook their faults and failures, or take more responsibility for their group's work than they give to other members, they are protecting their ego from threat and injury. These cognitive and perceptual tendencies perpetuate illusions and error, but they also serve the self's need for esteem.

https://en.m.wikipedia.org/wiki/Self-serving_bias
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De Anónimo a 31.07.2018 às 12:14

Obrigado, Gay. Bom, não me parece que seja exactamente a atenção que aqui está em causa.
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De Gay Radiante a 31.07.2018 às 12:50

"discernir a verdade, a justiça e o bem público e, por outro, em conservar a atitude que convém a um membro de um determinado grupo"

A nossa capacidade de discernir a verdade diminui na relação inversa do incómodo que a verdade nos traz. Incómodo esse, quer num sentido material -caso Robles- quer num sentido imaterial, como por exemplo o rebaixamento do ideal que temos de nós mesmos - ex: Bruno de Carvalho - ou do grupo a que pertencemos - a negação , pode ser o único estágio dos 5 estágios de aceitação perante acontecimentos drásticos que desafiem a nossa mundividência e a nossa autopercepção.
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De Fernando Sousa a 31.07.2018 às 20:51

Dois exemplos oportunos, Gay. Mas desconfie pois há muito, muitos mais. A pertença a um grupo pode no limite levar um tipo a vender a alma ao diabo - para ganhar o grupo.
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De Gay Radiante a 31.07.2018 às 23:12

Segundo a Psicologia Evolutiva os interesses individuais - a vantagem individual - sobrepõem-se sempre aos interesses de grupo. A actuação, um determinado comportamento, pode aparentar o bem do grupo mas em última análise ele é despoletado pelo interesse egoísta. O tal aforismo : Dos vícios privados nascem as virtudes públicas
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De Fernando Sousa a 01.08.2018 às 01:18

A solução poderá estar na cooperação. Quando Weil se refere aos grupos refere-se implicitamente aos partidos.
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De Gay Radiante a 01.08.2018 às 09:20

Sem dúvida, Cooperação e não competição !

Fernando, deixo aqui algo que poderá gostar :

Nonzero: The Logic of Human Destiny is a 1999 book by Robert Wright, in which the author argues that biological evolution and cultural evolution are shaped and directed first and foremost by "non-zero-sumness" i.e., the prospect of creating new interactions that are not zero-sum

The principal argument of Nonzero is to demonstrate that natural selection results in increasing complexity within the world and greater rewards for cooperation. Since, as Wright puts it, the realization of such prospects is dependent upon increased levels of globalization, communication, cooperation, and trust,

https://www.goodreads.com/book/show/1124380.Nonzero
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De Fernando Sousa a 01.08.2018 às 11:47

Boa escolha, Gay. Obrigado.
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De Gay Radiante a 31.07.2018 às 23:13

Fernando, lendo segunda vez, dou-lhe toda a razão
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De Anónimo a 30.07.2018 às 10:24

Fico-me pelo título da obra citada.
Com uma alteração:
"Nota sobre a supressão geral do MONOPÓLIO dos partidos políticos".
João de Brito
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De Anónimo a 31.07.2018 às 12:17

Parece-me redundante, mas talvez tenha razão, Anónimo.
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De Bea a 31.07.2018 às 08:25

Servir a dois senhores, já diz um livro muito antigo, não é possível.
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De Anónimo a 31.07.2018 às 12:17

É verdade, Bea. Há uma escolha a fazer.
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De Sou de esquerda a 31.07.2018 às 13:58

A autora parece não conseguir equacionar a hipocrisia e a incoerência como valores políticos.
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De Fernando Sousa a 31.07.2018 às 20:54

Sou da opinião exactamente oposta. Estamos a falar de Simone Weil, certo?
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De lucklucky a 03.08.2018 às 03:48

"Discernir a verdade, a justiça e o bem público."

A justiça pode ser contra o bem publico, o bem publico pode ser contra a verdade. Até a justiça pode ser contra a verdade... E vice versa.










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De Fernando Sousa a 03.08.2018 às 18:40

Percebo o seu ponto, lucklucky. Penso no entanto que o que Simone Weil pretende não é resolver os mistérios da verdade, da justiça e do bem público, apenas denunciar um sistema menos preocupado com eles do que com o dinheiro e o poder. O que pretende é reflectir sobre o nosso sistema político de partidos e as suas contradições. É isso o que pretende. Afirmando que qualquer dos seus elementos enfrentará mais tarde ou mais cedo a escolha entre seguir a sua consciência ou enfrentar o grupo a que pertença.
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De lucklucky a 03.08.2018 às 18:54

Sim, penso que ela queira dizer que é preciso distanciamento para julgar, no entanto com os termos que escolheu abre a porta. E a mais.
Um político então pode ignorar o voto democrático se partir do princípio que esse voto é o resultado da razão da pertença a vários grupos a gladiarem entre si pelo poder do estado.
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De Fernando Sousa a 03.08.2018 às 19:34

SW está essencialmente preocupada com um sistema que roda sobre si mesmo e não em torno dos valores que diz defender. Um sistema em roda livre que vive de criar crises e resolvê-las. E pergunta-se sobre a ratoeira que os partidos representam no momento em que os seus elementos têm escolhas importantes a fazer. Olhe, um pouco do que está em causa na chamada disciplina partidária nas votações dos parlamentos.
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De Gay Radiante a 03.08.2018 às 18:46

Não há justiça sem verdade. Contudo nunca havendo verdade absoluta nunca há uma justiça inteira de justeza. Contudo a ausência de uma verdade total nunca foi impedimento de progresso, quer não justiça, quer na ciência.
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De Fernando Sousa a 03.08.2018 às 19:51

Gosto do seu raciocínio no sentido em que estamos a falar de coisas que à partida são inseparáveis, e que só juntas fazem sentido. Atenção no entanto Gay Radiante que ausência de uma verdade total foi muitas vezes aproveitada por quem queria tudo menos o bem do mundo. Foi, e continua a ser.
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De Gay Radiante a 04.08.2018 às 01:05

O contrário fez também a sua mossa. A ausência de dúvidas sobre o que era a verdade permitiu que não cama dela se empilhassem um sem número de cadáveres. Por outro lado a dúvida sobre a veracidade de uma verdade tem como vantagem a tolerância sobre a verdade dos outros. A certeza permite aos tiranos noites tranquilas

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