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Delito de Opinião

Peixe fresco só no... mercado ou na lota

Teresa Ribeiro, 13.05.15

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Aprendi há pouco tempo um novo cheiro: o cheiro a peixe de hipermercado. Lembrei-me disto a propósito da campanha que tem passado na televisão sobre o "peixe fresco" de uma grande superfície. O peixe de hipermercado tem um cheiro indefinível. Não é a mar (que é ao que cheira o peixe realmente fresco), nem sequer é a peixe (que é ao que cheira o peixe que já não está assim tão fesco).

Se não cheira a podre (já me aconteceu algumas vezes ser enganada pelo brilho das luzes e do gelo e levar para casa peixe que não estava em condições), cheira a... não sei quê. Eu digo que é a "hipermercado" porque, verdade seja dita, não encontro paralelo a este cheiro a não ser noutro hipermercado. Nisto, afianço, há um padrão e que reflecte, como é óbvio, uma forma específica de tratamento da mercadoria.

Ignoro pormenores, mas um dia, quando eu passava pela peixaria de uma grande superfície à hora de chegar o peixe, fez-se alguma luz. Numa azáfama as peixeiras tiravam de caixas vindas de uma câmara frigorífica o "peixe do dia", em estado de pré-congelado. Percebi então a rotina. Diariamente e até que se venda aquele peixe quase congela em câmaras frigoríficas quando é recolhido à noite e descongela na banca durante as horas de expediente do dia seguinte. Diariamente até ao dia em que for vendido vogará nesta alternância térmica. Não por acaso cada vez são mais os pediatras que recomendam o peixe congelado para consumo das criancinhas por ser um alimento mais seguro. Percebe-se porquê.

A publicidade ao "peixe fresco" das grandes superfícies, diga-se em abono da verdade, é rigorosa. Lá fresquinho é todo ele. Os termómetros não mentem. Quanto à sua frescura, é uma questão de sorte. Se acertou em peixe com pouco tempo de casa, não terá razão de queixa, embora mesmo nestes casos do cheiro a hipermercado não se livra. Cheiro a mar, ou mesmo a peixe, só no mercado ou  na lota.

Será que a ASAE anda em cima disto?

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