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Pedro Jóia e Mariza

por Alexandre Guerra, em 07.08.18
Pedro Jóia é um dos melhores guitarristas portugueses e um dos músicos nacionais mais sólidos na sua técnica e criatividade. De formação clássica, tendo estudado, inclusive, com o mestre Paulo Valente Pereira, e fortemente influenciado pelo flamenco, tem explorado a sua guitarra muito para lá desses estilos, não esquecendo o fado ou o jazz. Embora já conhecesse o seu trabalho, vi-o há uns anos ao vivo e fiquei impressionado pelo seu virtuosismo. Num texto de Nuno Pacheco, assinado hoje no Público, Pedro Jóia relembrava “Live… One Summer Night” (1984) de Paco de Lucía, como o álbum que o inspirou para se lançar na música. Curiosamente, este foi também um dos primeiros cds que comprei há muitos anos e que voltei a ouvi-lo. Uma maravilha.
 
Uma maravilha é também o tema “Quem Me Dera”, do mais recente álbum de Mariza, e que conta, precisamente, com o contributo de Pedro Jóia, com quem, julgo, trabalha há alguns anos. Uma relação que faz todo o sentido, porque foram, provavelmente, os primeiros dois músicos nacionais que fizeram com o fado tradicional aquilo que os espanhóis já tinham feito há uns anos com o flamenco original e os brasileiros (com a ajuda de Stan Getz), há décadas, com a bossa nova, ou seja, pegar na sua essência e dar-lhe uma nova roupagem, um som e uma linguagem mais actual.
 
Foi assim que Mariza colocou o fado no topo das tendências internacionais da “world music”. Mas não o fado tradicional. Mariza abriu caminho para um novo fado, com uma nova abordagem. Fenómeno semelhante já tinha acontecido com o flamenco ou a bossa nova, que começaram a ser exportadas para o resto do mundo em novos formatos, com “arranjos” que partiam de uma base original, mas eram depois cunhados pelos estilos contemporâneos dos artistas.
 
As aclamadas homenagens de Pedro Jóia aos guitarristas Armandinho e Carlos Paredes são um bom exemplo dessa transformação subtil. Aliás, só o simples facto de os arranjos serem feitos para guitarra clássica (na verdade, não é exactamente uma guitarra clássica tradicional) denota logo uma mudança substancial face ao som típico da guitarra portuguesa. Mas a essência do fado está lá, ouve-se, sente-se. A mesma essência que se impregna na nossa alma quando se ouve esta versão de “Quem me Dera", desprovida dos artifícios e de todos os efeitos de "estúdio". É apenas o talento e a paixão dos artistas...
 

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1 comentário

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De Betinha Adine de Vasconcellos a 07.08.2018 às 17:30

Obrigado, Alexandre!

Deixo aqui, com a devida vénia, uma referência a um ilustre músico, português desconhecido, mas de atestado talento. José Bonifácio Tengarrinha de Alenquer, natural de S. João da Dobra, Concelho de São Matosinhos de Alportel. Filho de pais agricultores, e comerciantes de batata, cedo descobriu o instinto musical aquando das suas primeiras cavadelas. De voz trinada, sendo conhecido como o Rouxinol de Pombal, ganhou fama nas festas populares, nas quais, agarrado ao seu Saiote de 6 cordas, fazia as delicias da povoação. Decidiu-se pela carreira seminarista, uma vez que era a única forma de prosseguir nos estudos. Integrou o Coro da Igreja de Santo Amaro, Concelho de Góis de Alpiarça, onde rapidamente se destacaria. Contudo, obrigado pelo infortúnio de uma imortal beleza, saiu do seminário, fundando a banda musical, Tonitruando pela Voz do Senhor, destacando-se pela fusão do Gospel argentino, da Balyaka polaca e do Canto Gregoriano tardio.

Um grande bem haja


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