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Passos Coelho na Universidade

por jpt, em 04.03.18

ppc.jpg

 

Vejo no facebook uma mole de protestos face ao anúncio de que Passos Coelho passará a ser professor no ISCSP e, posteriormente, em outras duas universidades. Todos têm implícito que o problema é ser este indivíduo (PPC) o convidado, e muitos o explicitam. É relevante notar que se a adequação do perfil político-partidário ao exercício da docência universitária foi estruturante no Estado Novo, os "democratas" d'agora convocam-na agora como critério. 

E todos esses protestos contestam a transição profissional dada a inexistência de currículo académico de PPC. Face a esse argumento consulto o Decreto-Lei 448/79, o "Estatuto da Carreira Docente Universitária" (actualizado em 2009, aparentemente sem alterações à parcela de texto que aqui convoco). Diz no preâmbulo, no seu ponto 9:

"Com o objectivo e a preocupação de abrir as portas da Universidade a todas as competências (...) concede-se ainda a possibilidade de serem especialmente contratadas individualidades que, pela sua competência científica, pedagógica ou profissional, possam dar à Universidade o seu saber e a sua experiência. E esta possibilidade tanto existe para aqueles que queiram prestar serviço em regime de tempo integral como para quantos continuem a exercer uma actividade de investigação ou profissional fora da própria escola. ( ...)
O carácter de excepcionalidade do regime das equiparações por convite e o próprio conceito que ele encerra pressupõem, no entanto, que só possam ser contratados como professores convidados individualidades que, embora não tenham enveredado pela carreira docente normal, ou não possuindo os graus académicos exigidos para as categorias que as integram, tenham um currículo científico, ou científico e profissional, susceptível de permitir concluir que a sua colaboração pode ser efectivamente útil à Universidade".

Pode ser que o governo anterior tenha sido mau. Pode ser que PPC venha a ser um mau docente. Pode ser até que encare a actividade apenas como uma pausa na sua biografia. Mas será pertinente negar, a priori, que um tipo que foi PM durante uma legislatura, governando em coligação ainda por cima, e que cruzou uma enorme crise mundial que gerou articulações com ditames económico-financeiros e administrativos externos, vá leccionar Administração Pública ou Economia?

De facto, este coro de protestos só mostra o fascistazito (muitos em versão "(neo-)comunistóide") que há dentro de tantos destes auto-proclamados "democratas". E mostra também a profunda ignorância, atrevida e arrogante ainda para mais, sobre o que é a universidade. E que esta fúria seja partilhada por vários académicos deixa entender não só o como estão infectados da cultura ditatorial, como também o corporativismo (salazarento, já agora) que os conduz. E, ainda mais, o desconhecimento da própria profissão. Tétricos duendes.

 

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30 comentários

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De Rão Arques a 04.03.2018 às 07:14

E se como outros fosse para chefe de obras ou para calceteiro chefe?
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De jpt a 04.03.2018 às 08:15

É exactamente sobre você (e gente como você) que escrevi este postal. Foi típico de regimes ditatoriais pegar em adversários políticos e remetê-los para trabalhos (quantas vezes em regimes profissionais) braçais - a história do comunismo e do fascismo é fértil nisso. Considero que as gentes que, atrás do calmaria democrática de hoje, vai para a frente do computador defender publicamente esse tipo de vias, como você aqui bota, é uma escumalha. Mas uma escumalha inimiga. Nunca mais Rão Arques perca tempo a escrever comentários aos meus postais, tudo irá para o lixo. Que é que gente assim merece.
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De jpt a 04.03.2018 às 09:45

quis dizer "(em regimes prisionais)"
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De Vlad a 04.03.2018 às 11:18

Jpt tem um péssimo hábito de ameaçar aqueles que não lhe vão na cantiga.
Dá -se mal com a opinião divergente dos outros. Onde é que o Rão Arques, na sua opinião, lhe foi indelicado (e eu que tantas vezes dele discordo)?

Democrata de Sanzala.
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De António a 04.03.2018 às 21:51

Acho que faz muito bem em cortar os destroyers enviados para destruír blogs. Sou contra a censura, mas não considero censura cortar quem tem uma agenda de sabotagem ou se limita ao insulto. Muito menos gente para quem a Revolução Cultural provávelmente foi uma coisa boa.
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De Anónimo a 04.03.2018 às 11:17

Aí está uma resposta à altura, jpt.
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De Rão Arques a 04.03.2018 às 11:43

Não expliquei bem onde queria chegar, ou fui mal interpretado.
Quando escrevi estava a pensar em Jorge Coelho ou Pina Moura, tendo o primeiro desaguado numa empresa de construção e o segundo ficado agarrado a uma elétrica não despertaram tanto burburinho cá no burgo.
Em todo o caso pode ficar descansado que jamais me passará pela cabeça voltar a pisar os seus terrenos
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De Vlad a 04.03.2018 às 11:53

Jpt típico de regimes ditatoriais são afirmações deste quilate:

"como você (aqui bota) é uma escumalha. (Mas) uma escumalha inimiga. Nunca mais Rão Arques perca tempo a escrever comentários aos meus postais, tudo irá para o lixo. Que é que gente assim merece (lixo).

Algo vai muito mal, por aqui, neste domínio da Opinião
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De Anónimo a 04.03.2018 às 13:20

Concordo consigo, trabalhos braçais são para gente rasca. Para nós só trabalhos intelectuais.
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De Anónimo a 04.03.2018 às 22:12

Há muitos políticos de quem não gosto e entendo que dêem aulas em universidades pois estão qualificados para tal.
Já Passos Coelho não tem quaisquer habilitações para isso. Se Sócrates desse aulas numa universidade, a minha indignação seria a mesma.
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De jo a 04.03.2018 às 10:22

"Pode ser que o governo anterior tenha sido mau. Pode ser que PPC venha a ser um mau docente. "

Pode ser que o Sol tenha nascido ontem. Pode ser que nasça amanhã.

Já se for uma licenciatura sobre aeródromos sem aviões ou subsídios, não digo que não haja aí um professor em potência.
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De Costa a 04.03.2018 às 18:08

A desconsideração liminar e inapelável do adversário, é característica sólida e histórica da extrema-esquerda (e cada vez mais da esquerda dita moderada, a avaliar pelo que cá se passa). Grande precursora, aliás, do Photoshop!

Costa
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De Vlad a 04.03.2018 às 11:09

Que lhe seja proveitosa essa sua pasagem pela docência. E em arranjando Curriculum espero-o ainda ver na Presidência de uma boa Assembleia Geral de um Banco, ou como Gestor não Executivo de uma empresa PSI-20. Que se faça justiça a Pedro como a Paulo (esse outro grande português, homem experimentado na área empresarial ).

É curiosa a quantidade de ex políticos que só ganham algum currículo depois de passarem pela política. Não deveria ser ao contrário? - é só um achismo.

Se fosse um outro que não Passos Coelho, chamaríamos a este tipo de expediente laboral, cunhinha.
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De Isabel a 04.03.2018 às 12:36

Da minha experiência de aluna em cursos de pós-graduação no estrangeiro, posso dizer que há aulas que ainda recordo quase do princípio ao fim ( passaram-se algumas décadas ). Por estranha coincidência foram todas ministradas por professores que exerciam cargos de direção ou administração em empresas de grande prestígio. Não tinham carreira de docentes universitários mas tinham grande experiência nas matérias que ensinavam.
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De J. Silva a 04.03.2018 às 12:41

É claro que há várias opiniões sobre o assunto. Talvez fosse melhor ver o contexto e verificar calçmamente a quantidade de professores universitários que parece que o são somente porque são figuras mediáticas e as Universidades gostam muito de ter por lá quem aparece muito na TV. Dá que pensar.
Mas com esta: "este coro de protestos só mostra o fascistazito (muitos em versão "(neo-)comunistóide") que há dentro de tantos destes auto-proclamados "democratas"." despistou-se completamente. Esta frase só pode ter sido escrita por quem acordou tão mal disposto que perdeu momentaneamente a noção da realidade. Por isso não me ofendo (antes rio) por me ter chamado fascistazito em versão neo-não-sei-quê e outras coisas gozadas. Levo para a brincadeira.
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De J. Silva a 04.03.2018 às 12:44

" como você aqui bota, é uma escumalha. Mas uma escumalha inimiga." É pá, você está mesmo indisposto. Mas diga-me lá, está a falar a sério? Ou é tudo gozo?
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De JSP a 04.03.2018 às 13:18

Nassim Nicholas Taleb teria qualquer coisa a dizer sobre o assunto...
E , já agora : aquela festeira que dá pelo nome de maria de lourdes rodrigues ( a da carreira "académica" de velocidade estratosférica, superior ainda à do bicharel 44 ) não foi entronizada como "reitora" de uma qualquer coisa crismada iscte?.
E a isso o ruminante rebanho diz nada...
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De Vlad, o Emborcador a 04.03.2018 às 23:55

Está a comparar o acertivo Passos ao caótico Nassim?
Essa é demais! !!!
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De Vento a 04.03.2018 às 14:11

O que me irrita na esquerda dita revolucionária é o facto de se terem transformado em guardas do templo e também em doutos escribas e fariseus.
Aliás, estas práticas, comuns ao sistemas ditatoriais, não se centram somente nos novos conceitos de puro e impuro; são eles mesmos que querem atribuir esse mesmo estado ou condição de "leproso", "paralítico", "cego", "mudo" e "surdo" (os excluídos) a todos quantos não cumpram com os seus preceitos mítico-teológicos.
Esta nova casta sacerdotal, que se apoderou do novo santo dos santos (o Estado) por via da fraqueza oportunista de alguns herodianos, que desejam o poder por qualquer preço, aquilo a que assistirá será o rasgar do véu desse mesmo templo. Até lá, para disfarçar sua piedosa hipocrisia, vão cobrindo a cabeça com sacos e cinzas. E cada novo prosélito é pior que seus progenitores. Por outro lado, as castas e puras sacerdotisas exigem holocaustos, pretendendo tomar o que é viril através da lei.

Passos Coelho, mais que não seja, será sempre um bom professor, falando dos erros a que assistiu e que ele mesmo incorreu. Mas também sobre as virtudes que terá praticado.
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De Tiro ao Alvo a 05.03.2018 às 19:11

Inteiramente de acordo, Vento.
O que me espanta é que alguns comentadores, que eu considerava possuidores de uma boa formação democrática e respeitadores dos seus adversários políticos, apareçam por aqui a criticar a contratação do Passos Coelho, que, quer eles queiram ou não, foi chefe do governo de Portugal num dos períodos mais difíceis pós 25 de Abril/74 e que, tendo herdado um País quase a atingir a bancarrota, conseguiu reconquistar a confiança dos nossos credores e pôr a nossa economia a crescer e ainda que, no fim do mandato foi a jogo e ganhou as eleições. Não aceitar que alguém que viveu esta enriquecedora experiência, tem, forçosamente, muito a ensinar, quer seja o que fez bem, quer seja o que fez mal, é de uma tacanhez inaudita.
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De Tiro ao Alvo a 06.03.2018 às 09:03

Ter-se-á perdido este meu comentário:
Inteiramente de acordo, Vento.
O que me espanta é que alguns comentadores, que eu considerava possuidores de uma boa formação democrática e respeitadores dos seus adversários políticos, apareçam por aqui a criticar a contratação do Passos Coelho, que, quer eles queiram ou não, foi chefe do governo de Portugal num dos períodos mais difíceis pós 25 de Abril/74 e que, tendo herdado um País quase a atingir a bancarrota, conseguiu reconquistar a confiança dos nossos credores e pôr a nossa economia a crescer e ainda que, no fim do mandato foi a jogo e ganhou as eleições. Não aceitar que alguém que viveu esta enriquecedora experiência tem, forçosamente, muito a ensinar, quer seja o que fez bem, quer seja o que fez mal, é de uma tacanhez inaudita.
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De JS a 04.03.2018 às 16:28

"A arte de bem politicar em todo o gabinete" cabe bem no universo Universitário. Ouvir tanto o que geriu e teve que pedir socorro à Troica como aprender com o que aceitou obedecer à Troica. Ouvir tanto o que disse sim, ao banqueiro, como aprender com o que disse não, ao banqueiro.
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De Anónimo a 04.03.2018 às 18:04

Estamos num país com muita gente com dor de cotovelo. Uma coisa é certa, num país com centenas de catedráticos e milhares de economistas e colóquios de bota abaixo, ninguém teve a capacidade de enfrentar Passos Coelho. É certo que fez coisas que eu não faria, mas, certo, certo, ergueu o país.Agora os mesmos que abancarrotaram o país colhem os louros.
Zurziam fininho.

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