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Partido bacteriologicamente puro

por Pedro Correia, em 13.01.20

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O PSD acaba de dar mais um passo rumo a uma existência quase vegetativa. Em 2018, havia 70.692 eleitores inscritos - e, destes, votaram 42.655. Rui Rio, nesse confronto contra Santana Lopes, foi eleito por 22.728 militantes, enquanto o seu opositor recebia 19.244 votos.

Já era poucochinho, para usar uma expressão popularizada por António Costa, que em 2014 venceu as primárias do PS com 118.454 dos 174.516 boletins depositados por militantes e simpatizantes do partido nas urnas. Mas o presidente do PSD parecia achar muito: ordenou novo estreitamento de via, condicionando ainda mais o direito de voto. O resultado emerge da eleição directa ocorrida sábado: havia apenas 40.604 eleitores (menos 30 mil do que há dois ano) e só 31.306 foram às urnas (menos 11 mil). Daqui a cinco dias haverá novo escrutínio, com a realização de uma inédita segunda volta: Rio sai deste com 15.301 votos, cabendo 12.767 ao seu principal antagonista, Luís Montenegro, e 2.870 ao terceiro candidato, Miguel Pinto Luz.

 

Um cenário mais polarizado talvez incentive maior participação no sábado que vem, embora a recusa do presidente laranja em debater com Montenegro num frente-a-frente televisivo - como se os debates entre candidatos não fossem fundamentais em democracia - possa afastar ainda mais eleitores. Para já, Rio obteve menos 7.427 votos do que há dois anos. Pior: ficou 3.743 votos abaixo dos recolhidos por Santana Lopes em 2018.

O homem que detesta confrontar opiniões com os rivais internos, que retira capacidade eleitoral aos militantes (só na Madeira, feudo eleitoral laranja, ficaram reduzidos a 104) e transforma durante o processo eleitoral a página oficial do partido numa monolítica glorificação à sua imagem, apagando os adversários da fotografia, só pode dar-se por satisfeito. Com a depuração em curso, o PSD está mais bacteriologicamente puro que nunca. E na fase mais irrelevante de sempre.


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