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Delito de Opinião

Parece que tudo nasceu ontem

Pedro Correia, 04.10.16

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 Hitchcock Apresenta, Get Smart, Holocausto e Moonlighting: algumas séries que a Rolling Stone esqueceu

 

Os americanos adoram fazer listas. Sobretudo listas dos “melhores de sempre”. Reduzem no entanto os melhores ao espaço geográfico em que se inserem, como se o mundo se confinasse às fronteiras dos Estados Unidos. Há tempos vi uma lista dos melhores de sempre na música – lista americana, claro – omitindo Piaf, Gardel e Jobim. Brel estava ausente e João Gilberto não morava lá.

Agora volta a surgir outra lista, que os jornais cá do burgo reproduziram sem um assomo de crítica. A Rolling Stone acaba de difundir, em juízo definitivo, quais considera as melhores séries e programas televisivos de todos os tempos. Aqui já não estamos só perante uma absurda redução da produção televisiva ao mundo anglo-americano: há também uma chocante falta de memória, inaceitável numa publicação com tantos pergaminhos.

 

É verdade que encontramos alguns clássicos televisivos de várias décadas: O Fugitivo, Star Trek, Columbo, All in the Family, Os Marretas, Dallas, Hill Street Blues, Os Trintões, Os Simpson  e Twins Peaks. Sem esquecer o fabuloso Circo Voador dos Monty Phyton e o imprescindível Fawlty Towers.

Também é verdade que no topo da lista figuram séries recentes de indiscutível qualidade – a começar pelos irrepetíveis Sopranos, que a encabeçam.

Mas 36 são dos últimos 15 anos, numa evidente desproporção temporal. E há até uma já de 2016 (a banal American Crime Story), o que diz muito dos critérios utilizados nesta classificação. Quem se propõe enumerar o que de melhor a televisão nos mostrou desde sempre não pode omitir algumas séries que aqui ficaram esquecidas. Do mítico Bonanza ao inesquecível Sim, Senhor Ministro – uma das melhores produções de sempre da BBC. Passando por Viver no Campo, Kung Fu, Holocausto, Homem Rico Homem Pobre, Ventos de Guerra e Moonlighting - Modelo e Detective.

Séries norte-americanas de culto como Alfred Hitchcock Apresenta não constam, o que é de pasmar. Tal como a britânica A Jóia da Coroa. E como foi possível deixar de fora títulos imperdíveis, como Reviver o Passado em Brideshead ou Smiley's People, que proporcionaram incursões televisivas a grandes actores do cinema como Laurence Olivier e Alec Guinness?

Ignorar o delirante Olho Vivo - Get Smart, onde Mel Brooks dava largas ao seu imparável sentido de humor, acentua a irrelevância desta lista, anunciada e difundida com tanta pompa e circunstância.

 

É um sinal dos tempos: parece que tudo nasceu ontem, parece que tudo quanto vem de trás migrou para parte incerta. Quanto mais recente melhor.

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